Semana On

Terça-Feira 19.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Coluna

Lisergia bolsonarista transforma Mourão em sonho de consumo

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 06 de Fevereiro de 2019 - Victor Barone

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No entorno do vice-presidente, general Hamilton Mourão, há um sentimento de que a desconfiança estimulado por aliados do presidente Jair Bolsonaro o levou a reassumir o cargo, 48 horas após a cirurgia.  No Planalto, a palavra de ordem entre ministros palacianos durante o internamento de Bolsonaro é silêncio. Num governo sem voz, o general Mourão, ganhou espaço e se mostrou disposto a repercutir os fatos relevantes do País.

Contraste?

E deu o que falar a entrevista de Mourão ao Globo, dizendo que em sua “opinião como cidadão, não como membro do governo”, o aborto deve ser “uma decisão da pessoa”. O texto destaca que o vice-presidente não foge de assuntos polêmicos e ajuda a consolidar a imagem de sensatez que parece estar se definindo em torno do general. 

Boa impressão

A fala pouco conservadora sobre aborto é a manchete, e na curtíssima versão aberta para não-assinantes do jornal, esse é basicamente o destaque. Mas na versão fechada há outros pontos. Como uma avaliação sobre a ministra Damares Alves (“tem me causado uma excelente impressão, porque é uma mulher de posições bem definidas, firmes, ela não se apavora com as coisas”).

Desmata, mas não tanto

Outra opinião de Mourão na entrevista ao Globo foi sobre a necessidade de o governo rever seu discurso favorável à flexibilização ambiental depois do que aconteceu em Brumadinho: “Eu acho que não. A questão do licenciamento ambiental de Brumadinho foi do estado de Minas Gerais (…) O presidente toca nessa questão de flexibilização muito em relação a exploração agropecuária. O nosso regramento é cumprido, é uma regramento bem mais exigente do que tem nos outros países. Agora existe muita pressão. (…) A gente tem que ver até onde existe um interesse genuíno pelo meio ambiente ou até onde existe uma pressão indireta das grandes potências”, afirmou ele, sem explicar.

Li não

Hamilton Mourão está com as leituras em dia. Leu From Colony to Superpower , do americano George Herring, e Estado fraturado , de Denis Rosenfield, acadêmico com bom trânsito entre os generais do governo Bolsonaro e na direita em geral.  Quando é perguntado se já leu Olavo de Carvalho, a resposta é um riso de deboche.

Magoou

Olavo de Carvalho ficou revoltado por Mourão debochar de seus livros e fez uma série de publicações nas redes sociais detonando o vice-presidente. Em uma das postagens, o guru do bolsonarismo chama o general de “charlatão desprezível”. Em outra ordena que Mourão honre sua farda “antes que ela o vomite”.

Veja algumas das publicações:

“Só um charlatão desprezível debocha de livros que não leu. É você, Mourão.”

“O maior problema do Brasil, no momento, é: O Mourão expressa apenas suas opiniões pessoais ou representa algum grupo poderoso? Não tenho a menor condição de tirar isso a limpo.”

“O Mourão, afetuoso com quem não presta, diz que as Forças Armadas da Venezuela devem oferecer ‘uma saída’ ao Maduro. O povo venezuelano já sugeriu duas saídas: a cadeia ou o cemitério.”

“O Presidente da República é o comandante geral das Forças Armadas. Você não comanda nem a sua boca, Mourão.”

Anti-olavista

O vice-presidente insiste bater de frente com o olavismo que intoxica o governo Bolsonaro. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, um fiel olavista indicado ao cargo pelo guru, tem sido solenemente ignorado pelo general. Além de estar mantendo reuniões com embaixadores de diversos países sem a presença do chanceler, como é de praxe, Mourão debochou da sua atuação excessivamente ideológica: “Vai todo mundo virar israelense desde criancinha? Vai todo mundo virar fã dos americanos de qualquer jeito? A diplomacia são métodos e objetivos, não um fim. É preciso inserir conceitos claros, não interferir em assuntos de outros países. E ainda não está claro” — uma verdadeira lacrada no olavismo, como dizem.

Jean

Os atritos entre o filósofo e o general foram aumentando até culminar com declaração de Mourão lamentando as ameaças a Jean. Olavo se indignou com o general e correu vomitar sua megalomania delirante no YouTube. Além de descer a lenha em Mourão e acusar os militares brasileiros de serem historicamente coniventes com os comunistas, o maluco de Virgínia (EUA) aproveitou para se dizer vítima “da maior campanha de assassinato de reputação contra um cidadão privado já visto na história humana”, chamar Maria do Rosário de “vagabunda” e dizer que “há sérias suspeitas de que Jean é um dos mandantes do assassinato de Bolsonaro”.

Lisergia x pragmatismo

A lisergia de Olavo não tolera a prudência, a racionalidade e o pragmatismo de Mourão. Ele acredita que estamos no meio de um guerra contra o marxismo cultural globalista, e numa guerra não se deve ter tolerância com os inimigos. O general desprezou o ataque do filósofo: “Quem se importa com as opiniões do Olavo?” A pergunta foi retórica, mas deve ser respondida: Jair Bolsonaro e o núcleo bolsonarista não só se importam como são criaturas dele.

Good cop

Desde o fim da campanha, o Mourão golpista deu lugar ao Mourão republicano. E isso tem sido um problema sério para o presidente. Os dois têm discordado em praticamente todos os assuntos. Não é raro o vice aparecer dizendo diametralmente o oposto do presidente. E sempre com muito mais propriedade e categoria.

Quando Bolsonaro estupidamente detonou a China e deixou os chineses ressabiados, Mourão tentou segurar a onda e disse que não podíamos “nos descuidar do relacionamento com o nosso principal parceiro comercial”.

Quando Bolsonaro anunciou a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém, Mourão retrucou: “é óbvio que a questão terá que ser bem pensada. É uma decisão que não pode ser tomada de afogadilho, de orelhada”.

Sobre o aquecimento global, a opinião do general também não sintonizou com os delírios dos Bolsonaro: “não resta dúvida de que ele existe. Não acho que seja uma trama marxista”.

Quando Jean Wyllys anunciou a desistência em assumir o cargo na Câmara por causa das ameaças de morte, o presidente comemorou “o grande dia” no Twitter. Já Mourão declarou que a ameaça contra o deputado é um “crime contra a democracia”.

Sobre o decreto que facilita a posse de armas no país com a finalidade de melhorar a segurança pública, Mourão afirmou que “não se trata de uma medida de combate à violência”, mas apenas do “cumprimento de uma promessa feita em campanha”.

Enfim, para cada absurdo do presidente, o vice oferece uma dose de sensatez.

O reserva é melhor

Em menos de 30 dias de governo, o vice-presidente Mourão já assumiu a presidência por duas vezes. É curioso notar como o general fica mais à vontade no papel de presidente do que o próprio capitão. Diferentemente de Jair, Mourão domina bem todos os assuntos pertinentes ao governo, fala com desenvoltura, trata bem a imprensa e adversários políticos. O fato é que enquanto Jair Bolsonaro se comporta como um bolsominion enfurecido no WhatsApp, Mourão se comporta como um presidente da República. O ex-capitão não tem capacidade intelectual para atuar fora da bolha de ideologismo barato que Olavo de Carvalho construiu para ele. Funcionou bem durante a campanha, mas agora não mais. Isso ficou ainda mais evidente quando ele usou apenas seis dos 45 minutos que tinha para representar o país no maior fórum econômico do mundo. A cada dia que passa, o ex-capitão vai ficando cada vez mais minúsculo perto do general, que faz questão de deixar isso claro a todo momento.

Todo mundo bolado

O protagonismo do vice tem deixado Bolsonaro e sua família bastante preocupados. Enquanto eles sangram e se mostram incapazes de explicar as relações com o crime organizado, Mourão vai ganhando respeito de todos os lados, construindo pontes e ganhando força política.

Interesses

Não se sabe exatamente quais são os interesses de Mourão ao rivalizar tão firmemente com Bolsonaro dentro do governo. Muitos já dizem que ele está preparando o terreno para assumir o poder com o apoio dos militares caso o ex-capitão se enfraqueça ainda mais politicamente. É também o que pensa um dos filhos do presidente, como relatou a Folha. Quem acompanha o Brasil nos últimos cinco anos, sabe que nenhuma possibilidade pode ser descartada. Há pouco o que se fazer para controlar o general, já que ele não pode ser demitido. A essa altura o capitão deve estar amargamente arrependido de não ter escolhido o sempre dócil e fiel Magno Malta para ser seu vice.

Inimigo interno

O vice-presidente parece ter virado um oposicionista do presidente, o que o fez ganhar simpatia de muita gente na esquerda. Nessa semana, Mourão surpreendeu ainda mais ao afirmar que “o aborto deve ser uma decisão da mulher”.

Mas vamos com calma. Até pouco tempo atrás, Mourão agitava as tropas contra “inimigos da nação” e homenageava torturador. Já durante a campanha, admitiu a possibilidade de um “autogolpe” com a ajuda das Forças Armadas em caso de “anarquia”. Defendeu uma nova Constituição sem Constituinte. Ligou os indígenas à “indolência” e os negros à “malandragem”. Chamou famílias chefiadas por mães e avós de “fábrica de criminosos”.

O general parece progressista perto de Jair Bolsonaro, mas é apenas uma questão de referência. Até um trezoitão carregado parece progressista ao lado do nosso presidente.

Governo anda sozinho

“Primeiro, enjoo e vômitos. Depois, febre. Em seguida, volta ao semi-intensivo. E, ontem, a notícia de que, apesar dos antibióticos, os exames de tórax detectaram pneumonia. Bom não é”, escreveu Eliane Cantanhêde no Estadão. A colunista aponta que a internação do presidente revela que ele continua sendo coadjuvante no seu governo, assim como na sua campanha à Presidência. Ele tenta comandar o País a partir do hospital e do Twitter e o governo também anda sozinho. Nesse espaço, Mourão ganha destaque ao se mostrar equilibrado e até surpreendente.

Desacelerado

O prolongamento da internação, que ainda não tem data para terminar, e a resistência interna em ver o general no comando do País levam ao desaceleramento de decisões estratégicas como o texto final da reforma da Previdência, o acordo sobre a cessão onerosa do excedente da Petrobras e a medida provisória do recadastramento de armas, informou o Valor.

Sindicalistas

Hamilton Mourão segue disposto a não polemizar com pilares do bolsonarismo que, nos últimos dias, dispararam críticas a ele, como o escritor Olavo de Carvalho (leia acima). Na quinta 7), em reunião com a CUT, o vice voltou a desempenhar papel moderador. Mourão disse que levaria as reivindicações dos sindicalistas a Bolsonaro. “Posso discordar dos interlocutores, o que não posso é desqualificá-los”, disse, segundo relatos.

Sou legal

O vice-presidente Hamilton Mourão considerou injustas as críticas feitas a ele pelo ex-estrategista-chefe da Casa Branca Steve Bannon. Em entrevista à Folha, o americano, que foi formulador da retórica nacionalista que elegeu Donald Trump, disse que o brasileiro "não é muito útil", "é desagradável" e "pisa fora da sua linha". Inicialmente, Mourão disse que não gostaria de entrar em atrito com o americano. Diante da insistência da imprensa, ressaltou que se considera "um cara legal". "É lógico que foram [injustas], né? Eu sou um cara legal, pô", ressaltou.

Gente boa, pero no mucho

Há quatro anos, quando chefiava o Comando Militar do Sul, o general Hamilton Mourão fez uma palestra para oficiais da reserva convocando os presentes para o “despertar de uma luta patriótica”. Um dos slides exibidos continha a frase “mudar é preciso”. O impeachment de Dilma estava na pauta, e o general aproveitou para atacar toda a classe política. Na ocasião, Mourão alertou a tropa: “ainda temos muitos inimigos internos, mas eles se enganam achando que os militares estão desprevenidos”. E ainda lançou um desafio: “Eles que venham!” Poucos dias depois, Mourão organizou um evento em homenagem ao coronel Ustra, o principal torturador da ditadura militar. Foram essas credenciais pouco democráticas que encantaram Bolsonaro, que escolheu o general para ser seu vice-presidente. O presidente chegou a dizer em campanha: “Quero governabilidade. Tenho que ter um vice que trabalha junto comigo e não seja uma peça decorativa”. Bom, hoje o presidente pode dizer que seu vice não é decorativo, mas certamente não pode dizer que trabalha junto com ele.

LULA APERTADO

Ministros do STF discutem reservadamente a concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente Lula. No ano passado, a tese gerou controvérsia na defesa do petista, porque era defendida por parte dos advogados, mas considerada um tiro no pé por outros, pois, para pleiteá-la, a defesa teria de reconhecer a culpa de Lula e deixar de questionar sua condenação. A avaliação entre ministros do STF, relata o Estadão, é que a nova condenação de Lula esvazia a tese da perseguição política e da falta de provas. Os ministros reconhecem que dificilmente Lula sairá da prisão antes de 11 de abril, data para a qual está marcado o julgamento das ações que discutem a constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância.

Susto

A possibilidade de que Lula seja transferido para o sistema prisional do Paraná depois da segunda condenação criminal assustou pessoas ligadas ao petista.  Advogados dele, no entanto, duvidam que a transferência possa ocorrer já que o ex-presidente ainda não foi sentenciado definitivamente em nenhum processo. Lembram ainda que outros ex-mandatários brasileiros jamais foram colocados em prisões comuns.

Surpresa

Apesar de esperada, a segunda condenação do ex-presidente Lula chegou mais cedo do que os petistas imaginavam. A defesa avalia duas possibilidades de recurso: embargos de declaração ou apelação direto ao TRF-4. Aliados do ex-presidente dizem que a sentença deixa claro que a juíza Gabriela Hardt correu para poder assinar a nova condenação. Além de, com base no nome e no apelido, tratar Leo Pinheiro como duas pessoas diferentes, ela comete erros de digitação. Escreveu, por exemplo, “inverosímel” (sic).

Progressão de pena de Lula sob risco?

A nova condenação do ex-presidente Lula, a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio em Atibaia, não interfere diretamente no cumprimento da pena pelo processo do triplex, mas pode atrapalhar a progressão de regime do petista, dizem especialistas ouvidos pelo Estadão. O advogado criminalista Celso Vilardi diz que “tecnicamente, a segunda condenação não altera o quadro da primeira enquanto não transitar em julgado”, mas que, caso ela seja mantida pelas instâncias superiores, pode ser levada em conta mais à frente. Já o advogado constitucionalista e criminalista Adib Abdouni avalia que a nova pena pode ser levada em conta quando a defesa de Lula pleitear mudança de regime após cumprimento de 1/6 da pena.

Governistas comemoraram

Enquanto os petistas reclamavam de “perseguição” após nova condenação de Lula, a ala governista comemorou. Jair Bolsonaro, compartilhou a notícia em suas redes sociais. João Doria, governador de São Paulo, deu parabéns para a juíza Gabriela Hardt, responsável pelo caso.

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Eduardo Bolsonaro provocou

Filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro não perdeu a chance de comemorar a nova condenação de Lula e provocar os petistas no Congresso. No plenário da Câmara, Eduardo, que já havia deixado o recinto, voltou e  pediu questão de ordem para interromper a fala de Henrique Fontana (PT-RS) e tripudiar em cima da desgraça do petista.

“O petista falou, mas hoje é um dia triste para ele. Lula acaba de ser condenado a 12 anos de cadeia. Lavagem de capitais e corrupção. E quem lidera a lista do Coaf é petista, deputado estadual do seu partido”, disse. Eduardo Bolsonaro. “Já dizia Cid Gomes, ‘Lula tá preso, babaca'”, completou, sendo vaiado e aplaudido ao mesmo tempo.

Moro sobre Lula: ‘Sem comentários’

Mesmo com governistas comemorando em alto e bom som a nova condenação de Lula na Lava Jato, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, não quis comentar a decisão da sua substituta na Justiça Federal, Gabriela Hardt. Questionado sobre o ex-presidente pelo jornal O Globo, Moro foi sucinto: “Sem comentários”.

TÁ PRESO BABACA

Candidato à Presidência da República derrotado nas eleições de 2018, Ciro Gomes (PDT) foi hostilizado e criticou apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último dia 7. Ele discursava para um público de estudantes na Bienal da UNE (União Nacional dos Estudantes) em Salvador e criticou parcela dos jovens por defender políticos envolvidos em corrupção. ​“[O jovem] não está sequer ouvindo porque dói, dói demais você ouvir as coisas quando elas são verdadeiras e a referência totêmica, o totem deles não respondem mais. Tem coisa mais chata do que um jovem estar num bar defendendo corrupto?”, disse Ciro. O discurso ocorreu um dia após Lula ser condenado na Lava Jato a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro devido ao caso do sítio de Atibaia (SP). Após ser vaiado e chamado de corrupto por uma parcela do público, Ciro se exaltou e rebateu os manifestantes. “Eu não sou [corrupto], não. Eu estou solto, 38 anos de vida pública, nunca respondi por nenhum malfeito. Eu sou limpo. Eu sou limpo. Engole essa, engole essa”, disse. Na sequência, repetiu por três vezes: “O Lula está preso, babaca”.​

FLAVINHO

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) é investigado pelo Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro desde maio de 2018, após a denúncia de um advogado sobre as negociações de imóveis realizadas por Flávio Bolsonaro, a informação foi revelada pelo Jornal Nacional. A investigação foi determinada pela procuradora regional da República Maria Helena de Paula quando era coordenadora criminal do MP-RJ. A assessoria do senador Flávio Bolsonaro declarou, em nota ao G1, que “ele é vítima de perseguição política e que ele repudia a tentativa de imputar irregularidades e crimes onde não há”.

Meda...

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) parecia assustado um dia antes de tomar posse, segundo interlocutores que estiveram com ele, em função do ambiente que encontraria no Senado a partir do dia 1º, quando assumiu o mandato.

Isenção...

O promotor Cláudio Calo decidiu se julgar suspeito para conduzir a investigação sobre o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Em seu posicionamento, Calo afirma que se reuniu com o senador após sua eleição para discutir propostas de projeto de lei de combate à corrupção. De acordo com ele, o encontro ocorreu no dia 30 de novembro, antes da divulgação do relatório do Coaf (Conselho de Controle da Atividade Financeira) que apontou a movimentação atípica na conta de Queiroz.

Em sua conta no Twitter, o promotor compartilhou dois posts de Flávio anunciando entrevistas na TV antes do caso Queiroz. Também replicou mensagem do vereador Carlos Bolsonaro (PSC) em que compara gastos da viagem do presidente Jair Bolsonaro a Davos com os feitos por Dilma Rousseff ao mesmo destino.

RENOVAÇÃO...

O novo presidente do Senado até 2021, Davi Alcolumbre (DEM-AP) é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostas irregularidades relacionadas à campanha de 2014, quando se elegeu senador.  De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, os dois tratam sobre casos similares. As suspeitas são de que o presidente do Senado tenha utilizado notas frias para comprovar gastos de sua campanha, entre outras irregularidades. Ele nega. O principal inquérito está sob segredo de Justiça.

Mal Perdedor

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) reagiu mal à derrota na disputa à presidência do Senado. Em comentário publicado na noite do último dia 3, Renan fez ataque, de natureza sexual, contra a jornalista Dora Kramer, colunista da revista Veja, e o pai da senadora Simone Tebet (MDB-MS), uma das articuladoras da vitória de Davi Alcolumbre (DEM-AP). Chamado por Dora de arrogante no artigo em que a colunista analisava o resultado da eleição no Senado, Renan escreveu em sua conta no Twitter que já foi assediado sexualmente pela jornalista.

"A Dora Kramer (Veja) acha que sou arrogante. Não sou. Sou casado e por isso sempre fugi do seu assédio. Ora, seu marido era meu assessor, e preferi encorajar Geddel e Ramez, que chegou a colocar um membro mecânico para namorá-la. Não foi presunção. Foi fidelidade."

O senador se refere ao ex-deputado preso Geddel Vieira Lima (MDB-BA) e ao ex-presidente do Senado Ramez Tebet (MDB-MS), falecido em 2006. Filha de Ramez, Simone se aliou a Alcolumbre após ter sido preterida por Renan, em votação da bancada do MDB, na disputa à presidência da Casa. Após o comentário repercutir negativamente nas redes sociais, o senador alagoano apagou a mensagem. Mesmo assim, a #RenanCassado está entre os assuntos mais comentados do Twitter. Até o momento, porém, nenhum senador manifestou intenção de entrar com representação contra o senador.

A jornalista recebeu centenas de manifestações de solidariedade nas redes. Dora agradeceu o apoio e disse que o senador mostrava, com seu comentário, quem de fato é. "Amigos, agradeço demais as manifestações, mas quero dizer que me abalo zero com essa coisa do Twitter. Não vou responder porque o que ele diz fala por ele", escreveu a colunista no Facebook.

Jornalistas também saíram em defesa de Dora Kramer. "Seu post, senador, dá a real dimensão do seu caráter. Ou da falta dele", respondeu Ricardo Noblat, também de Veja. A colunista Cora Ronai, do Globo, foi outra que condenou o ataque: "Renan, o Canalha, revela-se no ressentimento: acaba de postar o tuíte mais machista, asqueroso e repulsivo da política brasileira em todos os tempos, o que não é dizer pouco".

Resposta

Simone Tebet preferiu não responder aos ataques. A jornalista Dora Kramer, também atingida, postou nas redes sociais: “Agradeço as manifestações, mas não vou responder. O que ele [Calheiros] diz fala por ele”.

Chutando cachorro

O novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou a colegas que o corregedor geral do Senado, Roberto Rocha (PSDB-MA), está “à disposição” para tomar providências contra Renan Calheiros (MDB-AL) por causa de agressões sexistas dirigidas por ele a uma jornalista e à família da senadora Simone Tebet (MDB-MS).

Bom de sacolejo

Viralizou nas redes sociais um vídeo em que o novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), dança e desfila na rua ao som de "Canto da cidade", da cantora Daniela Mercury. Com a camiseta azul da seleção brasileira e boné de cor laranja, o senador de 41 anos não segura a empolgação. "Nesse carnaval eu quero tá só o presidente do senado", brinca um seguidor que publicou o vídeo. O vídeo entrou para a lista dos assuntos mais comentados do Twitter.

PEGA FOGO CABARÉ

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) reclamou das abstenções dos deputados estaduais do PSL diante da votação que elegeu em chapa única André Ceciliano (PT), no último dia 2, para presidir a Assembleia Legislativa do Rio, incluindo no bolo aliados do irmão, Flávio Bolsonaro, como Rodrigo Amorim, que se coloca como “soldado disciplinado” do senador eleito. Das oito abstenções no pleito, sete foram do PSL. “Política não se faz com ataque de pelanca e fígado”, justificou o deputado da tropa de choque de Flávio, Alexandre Knoploch.

A deputada de São Paulo, Janaina Paschoal, compartilhou da indignação de Carlos.
DEM ACIMA DE TODOS

Quando o ainda recém-eleito Bolsonaro começou a indicar seus primeiros nomes para os Ministérios, muito se chamou a atenção para a presença do DEM em três importantíssimas pastas – a da Saúde com Mandetta, a da Agricultura com Tereza Cristina e a Casa Civil com Onyx Loreinzoni. Agora, o partido está no comando da Câmara e do Senado, depois de um sábado agitadíssimo nesta segunda Casa.

SALLES E O MAPA

A denúncia não é nova: o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é acusado de adulterar um mapa ambiental para favorecer mineradoras enquanto secretário de Meio Ambiente em SP. Mas o Intercept conta a história da denúncia. A reportagem conversou com Victor Costa, que foi coordenador do setor de Geoprocessamento e Cartografia da secretaria –  responsável por elaborar mapas para qualquer tipo de empreendimento e licenciamento ambiental. Foi Victor quem recebeu a incumbência de “alterar uns mapas”, a pedido de Salles e da Fiesp.  Na época ele estranhou, pediu que a demanda fosse formalizada por e-mail e respondeu dizendo que faria as mudanças, porém questionando o processo. A equipe fez as alterações, mas explicitando-as – houve reclamações de cima. Victor sofreu pressão e ameaças. Tempos depois, pediu demissão e denunciou o que viu ao MP. Com isso, foi acusado de “eco-xiita” por Salles. 

CENSURA

O filme Boy Erased: Uma Verdade Anulada, que fala sobre a “cura gay” e tinha estreia anunciada no Brasil para 31 de janeiro pela Universal Pictures, teve seu lançamento cancelado. A empresa alega que a decisão foi tomada “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria”, segundo o Estadão. A polêmica pelo cancelamento ficou ainda maior quando o ator Kevin McHale afirmou no Twitter que o filme não será exibido no Brasil por censura do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o ator, Bolsonaro “cria um ambiente que respalda este tipo de decisão”. O ator também escreveu que Bolsonaro é uma “ameaça” à comunidade LGBTQ+ do País. O presidente respondeu, via Twitter, negando as acusações.

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BRIGA DE CAUSÍDICOS

 “O ministro da Justiça defende a aplicação da lei, e não governantes. Mas voltou o tempo dos que, diante de situações constrangedoras, dizem: ‘nada a declarar'”. A fala é de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça na era Dilma Rousseff, e o destinatário é Sergio Moro.  No último dia 4, questionado sobre reportagem da Folha que mostrou que o ministro do Turismo é suspeito de integrar esquema de desvio de dinheiro na eleição, Moro disse que o tempo de titulares da Justiça que se portavam como advogados do governo havia passado. É a esta fala que Cardozo responde fazendo referência a Armando Falcão, conhecido como “ministro nada a declarar”. Falcão ocupou a pasta no governo Geisel, durante a ditadura militar.

A EXORCISTA

Alçada à Câmara Federal em razão de discursos polêmicos e de ódio ao ex-presidente Lula na mídia, a jornalista – que foi denunciada por plágio – e agora deputada federal Joice Hasselmann (PSL/SP) convocou pastores e um rabino para um culto religioso em seu gabinete na Câmara, na manhã Do último dia 4, para “exorcizar” o ex-presidente Lula. O show foi transmitido ao vido pelo Youtube “Meu gabinete está 100% LIMPO! Hj realizamos culto ecumênico para a presença do Rabino Leib Rotemberg, e pastores evangélicos. Uma mezuzah foi colocada na porta. Todo cuidado com forças ocultas é pouco. Lula já ocupou o gabinete q agora é MEU”, tuitou.

A parlamentar ficou com o gabinete 825 do Anexo 4 da Câmara, o mesmo usado pelo petista quando foi deputado constituinte, entre fevereiro de 1987 e janeiro de 1991. Também participaram da celebração promovida por Hasselmann os deputados Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e Professora Dayane Pimentel (PSL-BA), ambos da bancada evangélica. Assista ao espetáculo.

COM QUEM ANDAS

A informação é do Repórter Brasil: executivos autuados por infrações ambientais ou ligados a trabalho escravo doaram R$ 8,3 milhões para campanhas de um quarto do novo Congresso. São 148 parlamentares, incluindo Rodrigo Maia e Renan Calheiros, além de Onyx Lorenzoni  e Tereza Cristina.

VELEZ: O BOQUIRROTO

Está ficando monótono. O ministro Ricardo Vélez Rodríguez (Educação) concede entrevistas e depois, incomodado com a má repercussão, põe a culpa na imprensa: "Infelizmente a mídia brasileira segue com manobras de esquivar-se dos fatos, descontextualizando minhas declarações e tentando enganar a população."

Piscina cheia de ratos

O Ministro da Educação, Ricardo Vélez-Rodriguez, em entrevista à Veja, disse que Cazuza “pregava que liberdade é passar a mão no guarda”, frase que originalmente era do Casseta & Planeta Lucinha Araújo, mãe do cantor Cazuza, morto em 1990, escreveu uma carta aberta ao ministro. “Se meu filho estivesse vivo, tenho certeza de que ele me pediria piedade”, escreveu ela. “Mas como não sou ele e minha idade suprimiu os panos quentes, considero inadmissível uma pessoa, ocupando o cargo que ocupa, não ter a preocupação de, sem compromisso com a verdade, citar uma pessoa pública”.

Lucinha Araújochamou o ministro de "mal informado" e "leviano". Mas Vélez, naturalmente, não tem nada a ver com nada. Culpa da mídia. "Até mesmo um equívoco simples e bobo, como uma citação errônea, transforma-se em ato político", escreveu o ministro na nota oficial. Antes, o autor do erro bobo anotara no Twitter:  "Liguei para Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, para desfazer o equívoco de uma resposta que dei atribuindo a ele frase de um programa humorístico. A conversa foi tocante".

Ricardo, o Canibal

Colombiano, Vélez afirmou que o brasileiro, quando viaja, comporta-se como um "canibal". Usou canibal como um outro nome para ladrão: "Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola." São declarações fortes. Mas Vélez não tem nada a ver com isso. A mídia é que interpreta errado...

Nesta penúltima polêmica, Vélez procurou sarna pra se coçar numa entrevista veiculada na edição mais recente da revista Veja. Nela, defendeu o retorno aos currículos escolares de uma velha disciplina: "educação moral e cívica". Alega, entre outras razões, que é uma forma de ensinar ao adolescente que viaja ao estrangeiro que as leis dos outros países devem ser respeitadas.

Meu rei não!

Vélez também esculhambou o trabalho da atriz e cineasta Carla Camurati no filme Carlota Joaquina. Queixou-se de que Dom João 6º, o príncipe regente que aportou com a Família Real no Brasil em 1808, foi retratado no filme como "um reles comedor de frango, sem nenhuma serventia." O ministro tratou a divertidíssima comédia de Camurati como se fosse um documentário. Mas ele, naturalmente, não tem nada a ver com isso. É outra distorção grosseira da mídia.

Escola sem noção

Após elogiar o projeto conhecido como 'Escola sem Partido', Vélez ecoou Jair Bolsonaro, atacando a suposta ideologização de crianças na escola. Disse que liberdade de ensino "não é fazer o que você deseja". Avalia que "liberdade é agir, fazer escolhas dentro dos limites da lei e da moralidade. Fazer o que dá vontade não é ser livre. Isso é libertinagem." Esta mídia...

Tadinho dele

Todos devem dar crédito ao da Educação, Ricardo Vélez-Rodriguez, quando ele diz que não tem nada a ver com determinada coisa. O crédito se justifica porque a tese, de tão repetida, tornou-se coerente. Seria muito ruim se Vélez parasse de dar entrevistas. Uma solução alternativa seria mandar tatuar na testa uma frase singela: "O ministro da Educação não tem nada a ver com isso." A providência eximiria o ministro de se explicar. E desobrigaria a plateia de ouvi-lo. O problema é que, ao final do mandato de Jair Bolsonaro, quando ficar constatado que a gestão de Vélez foi um desastre, não haverá culpados sobre o palco. Ora, se o doutor nunca tem nada a ver coisa nenhuma, por que passaria a ter daqui a quatro anos?

Boff Nele

O ministro da Educação, Ricardo Vélez-Rodriguez, mandou Leonardo Boff voltar para a Coreia do Norte, “que é o único lugar em que esse marxismo-leninismo de botequim ainda é consumido”, escreveu. Boff respondeu que o ministro não é conservador, mas sim “atrasado, no dizer de Sérgio Buarque de Holanda. Nossos alunos/as não merecem esse castigo.

ANTIFASCISTAS DE LÁ

Um texto em alemão assumindo a autoria do ataque à Embaixada do Brasil em Berlim, na semana passada, afirma que o ato foi em protesto ao governo Jair Bolsonaro e em solidariedade à “resistência feminista, transgênero e antifascista no Brasil”, além de movimentos como o MST, informa a Folha. A nota diz que a intenção foi marcar um mês de governo Bolsonaro, a quem classifica como “fascista”. O prédio da embaixada teve fachadas pintadas de preto e rosa e janelas quebradas. O grupo não assina a nota, publicada no portal de esquerda Indymedia.

REFORMA PSIQUIÁTRICA ENTERRADA

Não foi da noite para o dia: uma série de portarias e resoluções publicadas desde 2017 vêm desmoronando rapidamente o que a Reforma Psiquiátrica construiu nas últimas décadas. Mas agora há um documento que concentra as mudanças e explicita o desmonte. O Ministério da Saúde publicou uma nota técnica com “Esclarecimentos sobre as mudanças na Política Nacional de Saúde Mental e nas Diretrizes da Política Nacional sobre Drogas”. Ao longo de 32 páginas, o texto resume as decisões que viraram de ponta-cabeça a política de saúde mental brasileira. Mas, obviamente, não diz desta maneira. Afirma, por exemplo, que as novidades tornam a política “mais acessível, eficaz, resolutiva e humanizada”.

Tititi

A nova nota técnica foi publicada sem alarde no dia 4 e agora começa a circular entre profissionais da saúde mental e militantes da Reforma Psiquiátrica. Ela explica detalhadamente como deve ser a nova formação da Rede de Atenção Psicossocial e ressalta que “o Ministério da Saúde não considera mais Serviços como sendo substitutos de outros, não fomentando mais fechamento de unidades de qualquer natureza”, numa referência aos leitos.

Menores no manicômio

A internação de menores de idade também é tema da nota: “Vale ressaltar que não há qualquer impedimento legal para a internação de pacientes menores de idade em Enfermarias Psiquiátricas de Hospitais Gerais ou de Hospitais Psiquiátricos. A melhor prática indica a necessidade de que tais internações ocorram em Enfermarias Especializadas em Infância e Adolescência. No entanto, exceções à regra podem ocorrer, sempre em benefício dos pacientes”. O embasamento para essa afirmação é um parecer do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. “Apesar de ser posicionamento de um Conselho profissional local, vale para embasar o tema”, justifica a nota.

Quem assina o lixo

O documento é assinado por Quirino Cordeiro Júnior, que no governo Temer coordenou a área de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, sempre com a perspectiva de aumentar as internações. No último dia 25, ele foi nomeado Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas da Secretaria Especial de Desenvolvimento Social.

O FIM DO MAIS MÉDICOS

A pedra já estava cantada, mas agora é oficial: o governo Bolsonaro decidiu encerrar o programa Mais Médicos. A informação foi confirmada primeiro ao El País por Mayra Pinheiro, secretária de gestão do trabalho e educação do Ministério da Saúde, e depois à Folha pelo ministro Luiz Henrique Mandetta (ainda que com ares mais amenos). A ideia é criar um novo programa “de provimento para a atenção primária e carreira federal para áreas de difícil provimento”, disse Pinheiro, sem detalhar a proposta. O edital do Mais Médicos em curso será mantido, e o prazo de três anos dos contratos respeitado, acrescentou ela. Já Mandetta – que preferiu não se comprometer e respondeu a reportagem com perguntas (“Será que vai continuar com esse formato? Ou vamos partir em algumas localidades para ser por concurso?) – morde e assopra. Ao mesmo tempo que acusa algumas prefeituras de despedirem médicos contratados com recursos próprios para entrar no programa e diz que Brasília é um exemplo de cidade que não precisaria do Mais Médicos, afirma que tudo será discutido com as secretarias municipais de saúde. Ao que parece, o governo federal vai arcar com o provimento de médicos para o “Brasil profundo”, nas palavras de Mandetta, e deixar os outros municípios à própria sorte. Até então, um dos pontos que balizavam a discussão sobre o provimento de médicos era o reconhecimento de que prefeituras encontram dificuldade de fixar profissionais em periferias de grandes e médias cidades. 

Mediquinhos felizes

O anúncio vai ao encontro do pleito de entidades médicas que têm um canal de comunicação direto com o governo desde a transição. “Há muito tempo o Conselho Federal de Medicina não tem uma relação de proximidade com o governo federal. A nova gestão abriu essa oportunidade para as entidades médicas”, comemora o primeiro secretário do Conselho Federal de Medicina, Hermann Von Tniesehause. O CFM propõe um plano de carreira que inclua apenas médicos formados no país ou com diplomas revalidados. Esses profissionais começariam a trabalhar em locais ‘vulneráveis’ (leia-se, onde a maioria dos médicos brasileiros nunca gostou de atuar) e depois ‘progrediriam’, migrando para municípios maiores, explicou Von Tniesehause.

E O QUEIROZ?

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), filho de José Dirceu, usou hoje suas redes sociais para provocar o ministro da Justiça, Sérgio Moro. O ex-juiz da Lava Jato vai hoje à Câmara para falar sobre seu pacote anticrime e Zeca afirmou que vai aproveitar para perguntar “cadê o Queiroz?”. A provocação se refere a Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, que até hoje não prestou depoimento sobre as movimentações financeiras atípicas em sua conta descobertas pelo Coaf.  “O superministro da Justiça vai estar hoje na Câmara dos Deputados hoje e eu quero sanar minha dúvida. Cadê o Queiroz?”, postou Zeca.

ESTES COMUNAS...

O presidente Jair Bolsonaro publicou um vídeo em sua conta do Twitter para criticar aquilo que chama de “doutrinação ideológica”. Nas imagens, um casal de formandos em Direito aparece no palco e abre um faixa com os dizeres “Fascistas. Racistas. Machistas e Homofóbicos. Não passarão!”. Na sequência, eles começam a dançar, supostamente ao som de uma versão funk de “Ele não”.

Numa segunda parte do vídeo, imagens antigas do ideólogo Olavo de Carvalho falando sobre Gramsci e comunismo surge. Junto ao vídeo, o presidente disse que: “A doutrinação ideológica nas instituições de ensino forma militantes políticos e não cidadãos com bom senso e preparados para o mercado de trabalho. É preciso quebrar essa espinha para o futuro saudável do Brasil.”

PILULA DO DEMO

Capitalizar em cima da pauta moral vai ser a tônica para muitos parlamentares. O deputado federal Marcio Labre (PSL-RJ) conquistou seus cinco minutos de fama ontem, ao apresentar um projeto de lei para proibir o comércio, propaganda, distribuição ou doação da pílula do dia seguinte, pílulas de progestógeno, implantes anticoncepcionais e do DIU. Após pressão nas redes sociais, o parlamentar anunciou que retiraria o PL que tem como justificativa “a proteção de Deus”.

VAI CHOVER VENENO, LITERALMENTE

Em 2018, o Brasil bateu recorde de liberação de agrotóxicos. Foram aprovados 450 produtos, segundo o Ministério da Agricultura. Em 2017, haviam sido 405; em 2016, bem menos: 277. Nos anos anteriores, o número ficava na casa dos cem. A partir deste ano, porém, o quadro pode ficar ainda pior: até agora, já foram liberados 28. E em 27 de janeiro, mais de uma centena de pedidos de liberação foram apresentados.

LEIA MINISTRO

O deputado federal Marcelo Freixo (PSol/RJ) entregou no último dia 6 ao ministro da Justiça Sérgio Moro o relatório da CPI das Milícias, trabalho que foi conduzido por ele em 2008 na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “É importante o senhor entender que a milícia ajuda a eleger gente. Elegeu gente no Senado, inclusive. Não esquece, não deixe de ler”, diz Freixo a um Moro constrangido. “Coloquei no meu projeto”, diz, apenas, o ministro. Na publicação no Twitter, Freixo diz ter sido impedido de fazer indagações a Moro durante a audiência com deputados federais. “Fomos impedidos de fazer pergunta durante a audiência com o ministro Moro sobre o pacote anticrime. No final, entreguei o relatório da CPI das Milícias. Estamos abertos para dialogar e fazer um debate sério sobre Segurança Pública”.

GUEDES O LIBERTADOR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que assim que o presidente Jair Bolsonaro estiver recuperado e de volta a Brasília, o texto da reforma da Previdência será apresentado. Sobre o regime de capitalização, que estará no projeto enviado ao Congresso, Guedes disse que é necessária uma “legislação para que o jovem tenha escolha e não seja prisioneiro de uma legislação fascista”. A declaração foi dada no contexto em que se discute que cada trabalhador deverá contribuir para sua própria aposentadoria. ”Queremos libertar os jovens de regime obsoleto, atrasado e injustiçado”, disse ele sobre o modelo atual em que a contribuição dos mais jovens é o que sustenta o pagamento das aposentadorias dos mais velhos.

Drugs

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou as estatais brasileiras a "filhos que fugiram de casa e hoje são drogados". Em sua visão, disse, todas deveriam ser privatizadas, mas o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e os militares pediram que algumas permaneçam estatais. "Eu falava que tinha que vender todas [as estatais], mas naturalmente o nosso presidente, os nossos militares olham para algumas delas com carinho, como filhos, porque foram eles que as criaram. Mas eu digo, olha que seus filhos fugiram e hoje estão drogados", disse, em evento sobre privatizações no BNDES.

LAVA TOGA

O movimento para enquadrar ministros do Supremo por meio de uma comissão parlamentar de inquérito que investigue os togados tem sido acompanhado pela cúpula da Corte. Segundo apuração do Valor, o lobby viria de parlamentares ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Como se sabe, o ministro Dias Toffoli anulou a manobra do plenário da Casa a favor do voto aberto para que se cumprisse o regimento interno que estabelece voto secreto.


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