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Quarta-Feira 17.jul.2019

Ano VII - Nº 356

Comportamento

Mulheres com roupas sensuais são vistas como menos capazes, diz estudo

Pesquisa revela que machismo em relação a vestimentas femininas vem tanto de homens quanto de outras mulheres

Postado em 05 de Fevereiro de 2019 - Galileu

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Menos competência e pior desempenho acadêmico: essa é a percepção que se tem de estudantes de universidades italianas que usam "roupas sexy", de acordo com pesquisa publicada recentemente no periódico Frontiers in Psychology.

O estudo da Universidade de Surrey, Reino Unido, mostrou a voluntários um conjunto de 24 fotografias de mulheres recém-graduadas usando saia curtas, shorts, decote e salto alto. Outro conjunto de 12 imagens de mulheres em roupas "mais profissionais", como terno e calça. Em seguida, foi pedido a eles que estimassem o quão sensuais, competentes e apropriadas em vestimenta elas são.

As mulheres do segundo grupo foram consideradas mais competentes que as do primeiro. Os participantes da pesquisa consideraram também que "trajes profissionais" são os corretos para o ambiente acadêmico.

Outro conjunto de fotografias, desta vez de 37 universitárias, foi mostrado a um grupo de 573 mulheres, entre estudantes, professoras e membros da sociedade civil. Cada uma das 37 aparece em uma imagem usando um traje "sexy" e outro "profissional".

As participantes estimaram o desempenho, sucesso profissional no futuro e se usariam as roupas que viram nas imagens. E, não diferente dos resultados mencionados acima, as voluntárias deram as maiores notas para aquelas que viram de terno e calça como as mais "competentes".

De acordo com as participantes, as mulheres de perfil mais "sério" têm mais chances de serem empregadas e ter carreiras de sucesso. Os homens consultados, por sua vez, se mostraram mais propensos a dizer que, se fossem essas estudantes e pudessem escolher entre a vestimenta "profissional" ou "sexy", escolheriam a segunda opção.

Fabio Fasoli, pesquisador por trás do estudo e professor de psicologia social na universidade, afirmou em comunicado que ligar o desempenho acadêmico de mulheres à maneira que elas se vestem é "injusto".

"É comum achar que o jeito que nos vestimos reflete a nossa personalidade, mas esse não é o caso das mulheres, uma vez que elas estão sob constante escrutínio por causa da aparência que têm", disse. "Conclusões indevidas são feitas a respeito delas, inclusive sobre suas inteligência e capacidade profissional."


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