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Segunda-Feira 27.mai.2019

Ano VII - Nº 352

Brasil

Ministro da Educação diz que universidade é somente para algumas pessoas

Para Vélez, nível superior é destinado a uma elite intelectual

Postado em 31 de Janeiro de 2019 - Josias de Sousa (UOL) e Rafael Neves (Congresso em Foco)

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A universidade "não é para todos", disse o ministro Ricardo Vélez Rodriguez (Educação) em vídeo veiculado no Twitter. Ele avalia que o ensino superior é "somente para algumas pessoas" que têm desejo e capacitação. Numa crítica velada ao sistema de cotas, Vélez declarou que a melhor forma de democratizar as universidades é o "ensino básico de qualidade". Não disse o que pretende fazer para qualificar o ensino.

Vélez levou o vídeo ao ar dois dias depois da publicação de uma entrevista que concedera ao jornal Valor. Nela, o ministro defendeu a valorização do ensino técnico como porta de acesso rápido dos jovens ao mercado de trabalho. E acrescentou: "A ideia de universidade para todos não existe."

O ministro insinuou na entrevista que, para muitos, o banco de universidade pode ser uma perda de tempo, pois não faz sentido o sujeito estudar durante anos para ser advogado e depois virar motorista de Uber. "Nada contra o Uber, mas esse cidadão poderia ter evitado perder seis anos estudando legislação", afirmou.

Vélez esmiuçou seu raciocínio com um comentário que ateou polêmica nas redes sociais: "As universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica." Foi a péssima repercussão do comentário que levou o ministro a retornar ao tema. Em vez de convocar os jornalistas, Vélez recorreu às redes sociais, tal como costuma fazer o chefe Jair Bolsonaro.

"Digo que universidade, do ponto de vista da capacidade, não é para todos. Somente algumas pessoas que têm desejo de estudos superiores e que se habilitam para isso entram na universidade", declarou Vélez, expressando-se num em português espanholado. "O que não significa que eu não defenda a democracia na universidade. A universidade tem que ser democrática."

"Ou seja, todos aqueles que quiserem entrar estarem em pé de igualdade para poder competir pelo ingresso na universidade", prosseguiu o ministro. "Então, a coisa melhor para democratizar a universidade, sabe qual é? Ensino básico de qualidade, onde todo mundo se forma, todo mundo se habilita e todo mundo pode competir em pé de igualdade. Universidade para todos, nesse sentido, vale."

É improvável que as novas declarações do ministro da Educação apaguem a polêmica que ele próprio acendeu.

Segundo o MEC, o Plano Nacional De Educação (PNE), lei que estipula metas para melhorar a qualidade da educação no país, estabelece que pelo menos 33% da população de 18 a 24 anos devem estar na universidade até 2024. Atualmente, essa porcentagem chega a 23,2%. Além disso, determina que a porcentagem total de estudantes em relação a população de 18 a 24 anos, a chamada taxa bruta de matrícula, chegue a 50%. A taxa atual é 34,6%.


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