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Ano VII - Nº 342

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Poder

Grupos pró-Bolsonaro perdem fôlego nas redes sociais

Com o fim das eleições e caso envolvendo o ex-assessor de filho do presidente, apoiadores ficam na defensiva

Postado em 25 de Janeiro de 2019 - Cecília do Lago (O Estado de S.Paulo ), Beatriz Jucá e Flávia Marreiro (El País)

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O bom desempenho do grupo de apoio a Jair Bolsonaro nas redes sociais, apontado como uma das razões de sua vitória na eleição de 2018, não vem se mantendo após a posse do presidente da República. O caso envolvendo suspeitas sobre Fabrício Queiroz, ex-assessor do seu filho mais velho, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), colocou os apoiadores do presidente na internet na defensiva.

A rede pró-Bolsonaro já vinha demonstrando perda de fôlego mesmo antes de o “caso Queiroz” ser revelado. Dentre as dez postagens que citam Flávio Bolsonaro com maior engajamento no Facebook nos últimos três dias, seis são de veículos de comunicação repercutindo reportagens do Jornal Nacional, duas são de sátiras críticas à família Bolsonaro e somente duas são em defesa do senador eleito – uma do próprio Flávio e uma da deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), ambas com o vídeo da entrevista do filho do presidente ao Jornal da Record, veiculada na sexta-feira, na qual ele rebate acusações.

Monitoramento com a ferramenta Crowdtangle mostra que, após o 2.º turno das eleições de 2018, o engajamento das “bolhas de apoiadores”, muito ativas durante período eleitoral, teve queda em todos os espectros ideológicos.

Por ter a maior e mais volumosa rede, Bolsonaro sofreu a maior queda absoluta. Passou de 7,8 milhões de interações em seu auge, na semana anterior ao 1.º turno, para 1,7 milhão hoje, ou seja, tem apenas 22% da força de antes.

Essa queda é um sintoma de desmobilização de sua estratégia de campanha, desprovida de recursos tradicionais, como tempo de TV e máquina partidária. Entretanto, sua rede voltou a se movimentar intensamente durante a posse, em comemoração e com críticas à oposição. Atingiu uma audiência um pouco maior do que a da vitória no 2.º turno, com 5,6 milhões de interações. Mas, com as primeiras notícias sobre o caso Queiroz ainda durante a transição, a rede bolsonarista se colocou em posição defensiva.

O levantamento só leva em conta páginas anônimas de apoiadores, e não páginas oficiais. O escopo das oscilações são os últimos três meses. Ainda assim, o engajamento do presidente segue a mesma curva de queda das páginas que o orbitam.

Oposição

Com o fim da eleição, a rede petista foi a que sofreu a maior queda relativa, e tem hoje apenas 3% (foi de 2,3 milhões para 80 mil interações) de seu auge durante o período eleitoral, a semana de meados de agosto do ano passado. Esse grupo petista já vinha sendo “desafiado”, ainda durante a eleição, pelo terceiro campo político nas redes sociais: o grupo de páginas de esquerda não alinhadas com o PT ou que apoiaram candidatos derrotados no 1.º turno, como Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

Essa terceira rede está suplantando a presença do grupo petista como oposição ao governo Bolsonaro e nas críticas ao caso Queiroz. Atualmente, ela está em ritmo de recuperação pós-eleição, atingindo os mesmos índices da enfraquecida rede de Bolsonaro. Há um empate técnico: 1,69 milhão de interações ante 1,74 milhão dos bolsonaristas, no período após a divulgação de movimentações “atípicas” de Queiroz.

Durante o período eleitoral essa terceira rede não chegava nem perto do grupo pró-Bolsonaro, seja em tamanho, volume ou influência.

Escândalo acende alerta para clã Bolsonaro nas redes sociais

Análise da consultoria AP/Exata sobre a movimentação no Twitter mostra o impacto das acusações contra Flávio provocam: agitaram opositores e provocaram mal-estar nos apoiadores do presidente. Na semana entre os dias 14 e 21 de janeiro, as menções negativas a Bolsonaro superaram as positivas e chegaram a seu auge na sexta-feira, 18, um dia depois da divulgação de que o filho do presidente foi ao Supremo Tribunal Federal pedir o congelamento das investigações que envolvem o ex-assessor e amigo da família Fabrício Queiroz , reivindicando o foro privilegiado que terá a partir de fevereiro —um expediente legal que a família Bolsonaro sempre criticou.

Eleito com um estridente discurso de combate à corrupção, Bolsonaro viu as plataformas digitais se povoarem com questionamentos e pedidos de explicação. Pela primeira vez desde a posse, o levantamento da AP/Exata mostrou que as menções negativas do termo Bolsonaro superaram as positivas por quatro dias seguidos, coincidindo com as novas revelações do caso no fim de semana, como o rastro de depósitos suspeitos na conta do próprio Flávio Bolsonaro. "Depois das entrevistas de Flavio, no domingo, nas TVs, a polaridade positiva associada ao termo Bolsonaro volta a crescer", diz Sergio Denicoli, diretor da empresa de análises, que explica que a aparição pública deu argumentos aos defensores para se posicionarem.

A dinâmica da reação mostra a faca de dois gumes de ter as redes sociais como ponta de lança. As plataformas digitais exigem um fluxo constante de interação. "Quanto menos eles falam, mais perdem capital. Por isso, a pressa em sanar os impactos negativos acabam por deixá-los expostos", segue Denicoli.

Nesta terça-feira (22), houve nova batalha de hashtags no Twitter medindo a força dos grupos pró e contra o Governo, em meio à repercussão do breve discurso de Jair Bolsonaro na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos. Nos grupos pró-Bolsonaro no WhatsApp também há a preocupação de produzir respostas claras para o caso Queiroz. O movimento convive com um chamado para concentrar forças para derrotar a candidatura de Renan Calheiros (MDB-RN) ao comando do Senado, numa tentativa de reedição da mobilização contra a "velha política" estimulada na campanha.


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