Semana On

Terça-Feira 15.out.2019

Ano VIII - Nº 367

Coluna

Talkei?

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 17 de Janeiro de 2019 - Victor Barone

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O pedido feito pelo senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) para suspender a investigação criminal sobre movimentações financeiras de seu ex-assessor Fabrício Queiroz foi considerado uma “confissão da culpa” por um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o magistrado, o caso ficou ainda mais grave e a atitude é uma confissão de que o envolvido é o senador eleito e não o motorista. Outros ministros da corte acreditam ainda que, se a questão for aberta no STF, o presidente Jair Bolsonaro também será investigado, já que existem movimentações financeiras ligadas à primeira-dama Michelle. O inquérito suspenso temporariamente foi instaurado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. São investigadas movimentações financeiras feitas por Queiroz consideradas “atípicas” pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Estrago inestimável

Ainda é inestimável o estrago que a ação movida por Flávio poderá causar ao clã Bolsonaro. O primogênito do presidente alçou seu caso à corte de maior ressonância do país, abriu brecha para ofensiva da PGR sobre o pai e, ainda, ceifou parte das alternativas que, à frente, poderiam beneficiá-lo. Se devolver o caso à primeira instância, o relator, Marco Aurélio Mello, colocará uma pedra sobre a chance de a defesa, adiante, alegar nulidades na investigação. Criminalistas com larga atuação no STF explicam que, ao levar a apuração sobre a movimentação na conta de Fabrício Queiroz, o ex-motorista, à última instância, a defesa de Flávio deu chance para que, com sua decisão, Marco Aurélio Mello valide todos os atos do Ministério Público do Rio até aqui.

Discurso trincado

A ação de Flávio para se blindar recorrendo ao foro especial no STF também trincou discursos de juízes e ex-juízes que simpatizam com os Bolsonaro. Sergio Moro, abril de 2018, tratou o foro como “um escudo” para corruptos. Um mês antes, Marcelo Bretas disse que a prerrogativa era o que “segurava a corrupção”.

Dancinha

O ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) Fabrício Queiroz divulgou um vídeo em que diz estar revoltado com a circulação na internet de uma gravação em que aparece dançando com a filha e a mulher no hospital (veja abaixo). Segundo Queiroz, o vídeo registrou “cinco segundos” de alegria que ele queria dar à família na noite de réveillon.

No vídeo, Queiroz aparece dançando, em meio a gargalhadas, ao lado de uma das filhas e da mulher. "Agora é vídeo, pai!", diz a jovem. "Pega teu amigo, pega teu amigo!", prossegue. No início, ele repete o sinal com o polegar e o indicador feito pelo presidente Jair Bolsonaro em referência a uma arma. Em seguida, dança com o suporte do soro fisiológico.

“Estão dizendo que nesse vídeo eu estava comemorando o meu não comparecimento ao Ministério Público. É muita maldade”, reclamou. "Foram cinco segundos que quis dar de alegria a uma tristeza que tomava conta dentro da enfermaria em que eu me encontrava", explicou.

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro já faltou a dois depoimentos no Ministério Público, alegando problemas de saúde. Nesta semana, as duas filhas dele e a esposa também não compareceram ao MP. Elas afirmaram que estavam em São Paulo, cuidando dele.

Tropeçou na língua

Num vídeo divulgado em redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro reclamou em 2017, ao lado do filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), da existência do foro especial para políticos. Na última quarta (16), Flávio Bolsonaro pediu ao STF que avoque investigação aberta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sobre movimentações suspeitas de R$ 1,2 milhão, feitas por um ex-assessor de seu gabinete na Assembleia Legislativa do estado. No vídeo, feito em 2017, Bolsonaro protesta: “Não quero essa porcaria de foro privilegiado!”. O post foi lançado em abril daquele ano pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em sua conta no Twitter.

Mal estar

Causou mal estar e preocupação no governo a decisão do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, de recorrer ao STF para travar as investigações relativas à movimentação financeira do ex-assessor Fabrício Queiroz. O principal incômodo foi pelo fato de Flávio ter tomado a atitude depois de passar mais de um mês sustentando que nada tinha a ver com as movimentações financeiras de Queiroz e que não era investigado. Dois auxiliares do presidente classificaram a estratégia do senador como um tiro no pé.

Aumentam as especulações

“A liminar do ministro Luiz Fux suspendendo as investigações do Ministério Público do Rio sobre as contas do ex-assessor do senador eleito Flavio Bolsonaro é daquelas que parecem coisa de amigo, mas só podem ser de inimigo”, escreveu Eliane Cantanhêde no Estadão. A colunista analisa que em vez de suspender, o efeito da liminar pode ampliar e apressar as investigações contra Flavio. Logo, tudo isso demonstra um certo desespero e joga ainda mais suspeitas e especulações sobre os envolvidos.

Marco Aurélio nem aí para Queiroz: ‘Estou de férias’

De férias no Rio de Janeiro, o ministro Marco Aurélio Mello não quer nem saber da confusão gerada após o ministro Luiz Fux aceitar pedido de Flávio Bolsonaro para suspender a investigação contra Fabrício Queiroz. “Quero continuar de férias”, disse para a jornalista Andréia Sadi, do G1, avisando que não conhece o caso e que só irá se inteirar sobre a situação quando encerrar o recesso do Supremo, no dia 1º de fevereiro. Marco Aurélio é o relator do caso no Supremo e irá decidir se a investigação poderá continuar em 1ª instância ou se, por causa do foro privilegiado conquistado por Flavio Bolsonaro ao se eleger senador, as investigações serão remetidas para Brasília.

Fux se defende

O ministro Luiz Fux, que entrou no olho do furacão ao acatar pedido de Flavio Bolsonaro para suspender a investigação sobre Fabrício Queiroz, explicou os motivos que o levaram a tomar essa decisão. Para a jornalista Andréia Sadi, do G1, Fux alegou que o fez para não prejudicar toda a investigação, que, na visão dele, já que provas que citassem Flavio Bolsonaro poderiam ser consideradas nulas. “Não suspendi o caso. Enviei para o relator. Se eu não o fizesse, a investigação toda poderia ser prejudicada. Todo mundo sabe que não tenho hábito de suspender investigação.A investigação não foi anulada. A paralisação por poucos dias, quem vai decidir sobre isso é o ministro Marco Aurélio”, disse Fux.

RAPOSA NO GALINHEIRO

“Aqui não tem raposa [cuidando de galinheiro]”, garante Luiz Antonio Nabhan Garcia, ex-presidente da UDR (União Democrática Ruralista), novo secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura e responsável pela demarcação de terras indígenas e quilombolas no Brasil. 

TUDO 171

O governo brasileiro fez uma defesa enfática da atuação de Sergio Moro e da Lava Jato em documento enviado à ONU contra ação movida pelo ex-presidente Lula no organismo internacional. A peça apresentada ao Comitê de Direitos Humanos afirma que o petista pretende “confundir e enganar” o colegiado ao apontar direcionamento da Justiça e diz que a alegação de perseguição política “é uma afronta às instituições”. O texto sustenta que a acusação de parcialidade de Moro é infundada. As alegações do Brasil foram enviadas à ONU em novembro de 2018. No dia 1º daquele mês, Moro anunciou que aceitaria o convite de Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Justiça. Lula recorreu à entidade dizendo ser vítima de um processo parcial e injusto.

O ex-presidente diz que seus direitos constitucionais, como liberdade de expressão e de exercício político, estão sendo infringidos. O governo brasileiro refuta. Afirma que o petista “falta com a seriedade” ao alegar perseguição e lembra que a Lava Jato atingiu “pessoas de diferentes espectros partidários”, citando Aécio Neves (PSDB) e Sérgio Cabral (MDB) como exemplos.

Os advogados Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira e Geoffrey Robertson vão apresentar uma contestação à resposta do Brasil em fevereiro. Eles alegam que há “um fundamentalismo exacerbado” no entendimento sustentado pelas autoridades locais.

MENOS SAÚDE

Com a redução de 1 bilhão de reais no orçamento da Saúde para 2019, autorizada pelo Congresso Nacional, programas como o Farmácia Popular, que teve redução de 20% na modalidade gratuita, passando de R$ 2,5 bilhões para R$ 2 bilhões, ações de prevenção e tratamento à dengue, chikungunya e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), assim como investimentos na saúde indígena deverão ficar comprometidos.

DESEMBARGADORA DOIDONA

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu um novo procedimento disciplinar contra a desembargadora Marilia Castro Neves por ela ter postado mensagens ameaçadoras contra Guilherme Boulos em uma rede social. Em seu perfil no Facebook, ela compartilhou uma foto do ex-candidato à Presidência pelo PSOL e líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) acompanhada da mensagem: "A tristeza no olhar de quem vai ser recebido na bala, depois do decreto do Bolsonaro".

Na ação, o CNJ pede providências e dá prazo de quinze dias para que ela se manifeste sobre o assunto. O órgão se baseou em notícias sobre as menções de Boulos por neves veiculadas na internet.  O conselho cita que ela também é alvo de outros cinco procedimentos disciplinares "em que se atribui o uso de redes sociais, em tese, contrários aos princípios que norteiam a conduta do magistrado". 

Reincidente

No ano passado, Marilia Castro Neves escreveu que a vereadora assassinada Marielle Franco "estava engajada com bandidos" e questionou o que uma professora portadora de síndrome de Down poderia ensinar

Bem doida

Em seu perfil no Facebook, ela disse que considera as reações contrárias ao seu comentário um tipo de "censura".  "É muito importante que lutemos contra esse tipo de censura —esse, sim, um discurso de ódio. Não tanto por mim, mas pela garantia do sagrado direito de expressão!!! Se me calarem hoje, amanhã todos estaremos calados!!!", postou ela. 

ANIMAL

Anunciado na quarta-feira (16) pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, como novo secretário do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), o deputado Valdir Calatto (MDB-SC) é autor de projeto de lei que libera a caça de animais silvestres no país. A proposta permite a caça até em unidades de conservação ambiental, retira o porte de armas de fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e, ao mesmo tempo, flexibiliza a posse para proprietários rurais.

BOLSONARO PERDIDINHO

Faria um bem enorme à nação se Bolsonaro contratasse um profissional com pleno acesso a ele e a alguns de seus ministros e que, a qualquer hora e em qualquer lugar, sem o risco de ser enxotado ou demitido, pudesse sussurrar aos seus ouvidos ou transmitir via ponto eletrônico um respeitoso "olha, vai dar merda". Desde que assumiu a Presidência da República, no primeiro dia do ano, seu governo tem colecionado recuos. Claro que há uma certa condescendência para que novas gestões tenham tempo de arrumar a casa. E voltar atrás é também sinal de prudência e grandeza. O problema é que, quando ocorre com frequência, gerando ansiedade junto à sociedade e insegurança no mercado, passa a ser visto como incompetência, desleixo, falta de planejamento ou tilt comunicacional.

Incompetência intrínseca

“O próprio Jair Bolsonaro já deu mostras de que é figura de relevo no núcleo dos despreparados. Sua ignorância em relação àquilo que assina indica que ele não tem muita ideia do que está fazendo”, escreveu Hélio Schwartsman na Folha. Para o colunista, nessas duas semanas de governo, ainda é difícil separar os erros típicos de um começo de administração, da incompetência intrínseca da gestão. Ainda assim, como consequência do governo feito por Dilma Rousseff, Bolsonaro será avaliado pelos resultados econômicos que vier a produzir.

TODO MUNDO ARMADO

A íntegra do discurso do presidente no ato em que tocou o foda-se na violência urbana nacional ao liberar armamento para geral.

Dedo no gatilho 

No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto para facilitar a posse de armas de fogo no país, o Instituto Sou da Paz lançou nas redes sociais as primeiras campanhas contrárias à medida. A entidade preparou duas peças. A primeira reforça a ideia de que só ricos poderão ter armas em casa. “Com o preço de uma pistola”, diz o Sou da Paz, é possível comprar uma geladeira, um fogão, uma máquina de lavar roupas, uma TV de 32 polegadas e um micro-ondas. A segunda publicidade afirma que, ao facilitar o acesso a armas, o Planalto está repassando ao cidadão uma responsabilidade que, na verdade, é dele. “Se você está doente, o governo não te pede para comprar um bisturi e se operar. Então por que se você sofre com o crime tem que se proteger sozinho?”, diz a campanha. O instituto acredita que a política adotada por Bolsonaro fará “o número alarmante de 43 mil homicídios anuais cometidos com armas de fogo crescer ainda mais”.

Ciência pra que?

O Ministro da Justiça Sergio Moro afirmou na terça (15) que a lei anterior que proibiu a posse de armas no Brasil teve não êxito em reduzir o número de homicídios e disse que pesquisas sobre o tema que indicam mais riscos com a liberação do armamento são controversas.

Milícia? Ok

Na esteira da decisão do governo de ampliar a posse de arma no Brasil, Fernando Haddad previu que  a próxima medida a ser adotada na área de Segurança pela administração de Jair Bolsonaro será a legalização das milícias. “Pouca gente sabe, mas segurança é dos primeiros direitos assegurados pelo Estado moderno. A liberação de armas nos remete à pré-modernidade e nos conduzirá à privatização desse serviço público. A legalização das milícias é o próximo passo. Há um PL de Bolsonaro sobre o tema”, escreveu Haddad na sua conta oficial no Twitter.

Matadora

A deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) divulgou um vídeo gravado nos Estados Unidos em que aparece praticando tiro ao alvo com uma pistola e um fuzil de sua propriedade, que ela mantém na América do Norte. Joice publicou a gravação no Twitter, junto com o comentário em que comemora o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) que flexibiliza a posse de armas no país e se compromete a lutar pela facilitação do porte. Joice é dona de um fuzil semiautomático AR-15. "Nos EUA ando de salto agulha e AR-15", diz a jornalista na Jovem Pan em agosto do ano passado.

Liquidificador

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , comparou uma arma de fogo e um liquidificador em relação ao grau de perigo dos dois objetos para uma criança. Ao ser indagado sobre como seria a fiscalização dos cofres em que as armas devem ser guardadas — exigência da nova legislação para residências com crianças, adolescentes e deficientes mentais — o ministro ressaltou o cuidado "redobrado" que deveria ser tomado e usou como exemplo um acidente doméstico com um liquidificador. “Quem tem criança pequena, adolescentes ou pessoas com deficiência mental tem que ter um cuidado redobrado com arma. Às vezes a gente vê criança pequena que coloca o dedo no liquidificador, liga o liquidificador, vai lá e perde o dedinho. E daí, nós vamos proibir o liquidificador? É uma questão de educação e de orientação. Nós colocamos isso (no texto do decreto) para mais uma vez alertar e proteger as crianças e os adolescentes”, afirmou o ministro Onyx.

Querem mais

A chamada bancada da bala no Congresso já se articula para ampliar os efeitos do decreto. Os deputados querem aprovar um projeto de lei que muda o Estatuto do Desarmamento, para facilitar ainda mais a posse e garantir o porte. No ano passado a bancada já trabalhava pela aprovação de um projeto de lei (PL 3722/12) do deputado Peninha (MDB-SC) que reduz a 21 anos a idade mínima necessária para a posse (o decreto de Bolsonaro manteve os 25 anos) e estabelece que os interessados na compra podem responder a inquérito, o que não é permitido. Esse texto já está pronto para ser votado em plenário. No entanto, o líder da bancada da bala, Capitão Augusto (PR-SP), acha que será possível aprovar em 2019 um projeto ainda mais completo, segundo ele, devido ao perfil mais conservador do novo Congresso.

O REINO ENCANTADO DE DAMARES

Um vídeo que começou a circular na quarta-feira (9) mostra Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, afirmando que a Igreja Evangélica "perdeu espaço" na história e na ciência quando "deixou" a teoria da evolução "entrar nas escolas".

Estreia no Twitter

Rede social escolhida por Jair Bolsonaro para fazer seus anúncios oficiais, o Twitter tem desde a noite de domingo a ministra Damares Alves como sua nova usuária. A ministra estreou anunciando a chegada de “uma nova era” e fazendo uma postagem em defesa das crianças e enaltecendo o presidente e o ministro Sérgio Moro e mandando recado geral.

Turminha da Damares

A equipe de Damares Alves no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos é da pesada. O responsável pela Secretaria de Proteção Global, pasta que abriga a Diretoria LGBT, é Sérgio Augusto de Queiroz, pastor evangélico que prega na mesma igreja batista frequentada pela ministra. Também faz parte da equipe a ex-deputada Tia Eron (a mesma que deu o voto decisivo pelo impeachment de Dilma Rousseff). Ela é a responsável pela Secretaria da Mulher. Em seu histórico parlamentar, está o apoio a uma manobra legislativa para sustar o decreto assinado por Dilma que autorizou o uso do nome social por travestis e pessoas trans na administração pública.

Já a Secretaria da Família foi entregue à Ângela Vidal, filha do jurista Ives Gandra Martins que, segundo a Pública, é “membro notório do Opus Dei”. Ano passado, a advogada participou do seminário promovido pelo STF defendendo a posição da União dos Juristas Católicos de São Paulo contra a descriminalização do aborto.

A Secretaria de Igualdade Racial é ocupada por Sandra Terena, amiga de Damares e presidente da ONG Aldeia Brasil, conhecida pela evangelização indígena. Outra de suas pautas é o combate ao “infanticídio indígena”. Sandra responde à ação movida pelo Ministério Público Federal pelo caráter discriminatório de um documentário sobre o tema. Indígena, ela apóia a decisão de transferir o processo de demarcação de terras do Ministério da Justiça para a Agricultura.   

Outra ‘amiga’ ocupa a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Priscilla Gaspar foi indicada pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ela atuou na campanha eleitoral fazendo a tradução para libras de transmissões ao vivo do presidente.  

A Secretaria da Juventude é chefiada por Jayana Nicaretta, 24 anos, militante bolsonarista que se apresenta nas redes sociais como “antifeminista”. Jayana, que é filiada ao PP, foi indicada depois que a primeira opção, Desire Queiroz (PRB), perdeu condições de assumir o cargo ao defender a vereadora assassinada Marielle Franco. Foi considerado “esquerdismo” da parte dela.

E tem mais: a pasta que cuida da pessoa idosa será tocada por Antônio Fernandes Costa, ex-pastor evangélico que presidiu a Funai entre janeiro e maio de 2017 por indicação do PSC. 

Destoa do time a indicada para comandar a Secretaria da Criança e do Adolescente, Petrúcia de Melo Andrade, filiada ao PT. Ela é frequentadora da Igreja Batista Getsêmani, membro do grupo Cristãos Progressistas e assinou manifestação junto com outros evangélicos contra o impeachment. 

Os funcionários do ministério ouvidos pela reportagem temem que a defesa de pautas como igualdade para mulheres e combate à homofobia seja entendido como “ideologia comunista”. Por enquanto, a primeira mulher trans a comandar uma diretoria ministerial, Marina Reidel, responsável pela Promoção dos Direitos LGBT, continua no cargo.  

Somos lindinhas

Feministas não gostam de homem porque são feias e nós somos lindas”, diz Damares.

FAKEDA?

O canal do YouTube “True or Not”, responsável pelo documentário “A Facada no Mito”, que analisa imagens e levantas suspeitas sobre o atentado a faca contra Jair Bolsonaro em setembro do ano passado, apresentou  um vídeo inédito enviado por uma das pessoas que estavam na passeata em Juiz de Fora (MG) no momento do ocorrido. A nova análise traz outras evidências que reforçam a tese de que a ‘facada’ faria parte de algum tipo de esquema que poderia envolver, inclusive, a participação do próprio presidente eleito. Além das interações mais que suspeitas entre o esfaqueador, Adélio Bispo, que está preso, seguranças e o próprio Bolsonaro, o vídeo inédito capturou uma instrução estranha dada ao capitão da reserva por um segurança segundos antes da facada: “Dá uma viradinha e pontua”, disse o homem, que fazia um gesto com a mão. Pouco antes, o mesmo homem, que estava perto de Adélio, diz: “Calma, cara. Agora não dá. Tem que ter paciência”.

CONTENTE E FELIZ EM DAVOS

O presidente Jair Bolsonaro, que na próxima semana embarca para Davos, na Suíça, para o Fórum Econômico Mundial, disse estar “confiante e feliz com a viagem”. Sem a presença de Donald Trump, Bolsonaro deve atrair as atenções no evento.

MISS AGRICULTURA

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, ironizou a modelo Gisele Bündchen em uma entrevista à Rádio Jovem Pan. Disse que a modelo critica as políticas ambiental e de agronegócios do País sem conhecimento de causa. “É um absurdo o que fazem hoje com a imagem do Brasil. Infelizmente são maus brasileiros.”

SEM OBSTÁCULOS

Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do STF, Dias Toffoli, procurou afastar a percepção de que a Corte será um anteparo para a implementação das políticas defendidas pelo governo Jair Bolsonaro. Em tom conciliador, Toffoli, que já foi alvo de ira do grupo ligado a Bolsonaro por ter sido assessor dos governos petistas e indicado por Lula, diz que as reformas passarão pelo Supremo, como passaram as anteriores, e que o ideal são mudanças que diminuam a Constituição, e não que a inchem ainda mais. Sobre permissão para porte de armas ou aumento do tempo de penas ele é vago quanto ao mérito, mas diz que a única barreira que o STF vai cuidar para que não seja atravessada são as cláusulas pétreas da Constituição –o que, reconhece, essas duas matérias não fazem.

GREVE GERAL

A primeira reunião das seis maiores centrais sindicais do país após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) vai começar com um chamado a greve geral. O presidente da Força, Miguel Torres, defende a articulação de uma grande paralisação, a ser iniciada assim que o governo apresentar sua proposta de reforma da Previdência, o que deve acontecer no início de fevereiro. Torres diz ver indícios de que as mudanças serão feitas de forma a poupar determinadas categorias, em especial os militares. “Por enquanto está claro que será uma reforma para manter privilégios e prejudicar os mais pobres. Não tem condições de o trabalhador pagar o pato de novo”, diz Torres.

NO MEU BOLSO NÃO

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostra que um grupo de 142 deputados e ex-deputados, entre eles o presidente Jair Bolsonaro, poderá pedir aposentadoria, já a partir do mês que vem, com direito a um benefício de até R$ 33.763 – seis vezes mais que o teto do INSS. Enquanto se movimenta para aprovar no Congresso a reforma da Previdência, Bolsonaro poderá acumular o benefício com o salário de presidente, hoje fixado em R$ 30.934,70, e a aposentadoria como capitão reformado do Exército, que recebe desde 1988, quando tinha apenas 33 anos. A soma não estará sujeita ao teto do funcionalismo público.

Privilegiados

Atualmente os parlamentares podem se aposentar por meio de dois planos, com regras mais generosas do que as aplicadas aos trabalhadores da iniciativa privada. Nenhum dos dois regimes está limitado ao teto do INSS, que é de R$ 5,6 mil mensais.

TODO MUNDO DE MÃO DADA

O capítulo do último dia 12 da novela das 19h da TV Globo, " O Tempo Não Para", contou com uma frase que faz alusão a uma manifestação usada para fazer oposição a Jair Bolsonaro desde sua vitória na eleição presidencial. "É isso, ninguém larga a mão de ninguém", disse a personagem da atriz Christiane Torloni durante cena em que é organizado um abraço simbólico em torno de um edifício para evitar sua implosão pelos vilões da trama.

Outras críticas

O episódio se soma a outras manifestações recentes de expoentes da emissora que foram associadas a críticas contra Bolsonaro. No dia 6 de janeiro, o apresentador Fausto Silva desabafou durante seu programa dominical sobre "um idiota que está ferrando com todo mundo".

"Lutar pela educação, por saúde pública, contra a corrupção, contra a incompetência, que é uma forma de corrupção. O imbecil que está lá –e não devia estar– pode até ser honesto, mas é um idiota que está e está ferrando com todo mundo. Você paga imposto, o que você recebe? Vamos ver se esses novos ares vão mudar, tem que rezar para dar certo".

No dia 3, foi a vez do casal de apresentadores Angélica e Luciano Huck se manifestarem contra a frase polêmica "Menino veste azul e menina veste rosa", da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Huck publicou em sua conta no Instagram uma foto em que ele aparece de camisa rosa e sua mulher, a apresentadora Angélica, vestindo azul. “Rosa ou azul? Tanto faz”, escreveu ele.

FASCISTA

O deputado federal eleito Kim Kataguiri (DEM) perdeu processo que moveu contra o jornalista Altamiro Borges, o site Brasil 247 e a CUT, por textos escritos pelo jornalista, em que Borges chama Kataguiri de fascista. A juíza Marcela Dias de Abreu Pinto Coelho, da 2ª Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo, disse que o uso do termo “fascista” para classificar Kim Kataguiri é consequência de sua própria postura política. “Imperioso destacar, ainda, que a utilização do termo ‘fascista’, destaca, de forma extrema e em teor de veemente crítica à sua conjuntura, o posicionamento político do autor, sob a ótica dos requeridos”, escreveu a magistrada.

VALENTE DE INTERNET

O jornalista Juca Kfouri entrou com representação no Ministério Público de São Paulo contra o corretor de imóveis José Emílio Joly Junior. Kfouri notificou o procurador de Justiça Paulo Marco Ferreira Lima, chefe do Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos do MP, ameaças e comentários feitos por Joly Junior em seu blog, no UOL. Nos comentários (reproduzidos abaixo), Joly Junior faz graves ameaças ao jornalista" 

O corretor, que atua em Curitiba, afirma ser ex-militar, apoiador de Jair Bolsonaro e faz menção a "famosos helicópteros dos tempos áureos da ditadura". Segundo o jornalista, o "valentão" autor das ameaças e comentários ofensivos usava o apelido de "JConselheiro" e o e-mail da mulher dele.

Aprendi que cão que ladra não morde, disse Juca Kfouri

Outro fanfarrão

A 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL) a indenizar o jornalista Juca Kfouri em R$ 30 mil por danos morais. Cabe recurso da decisão. Frota publicou no Twitter mensagens ofensivas contra o jornalista, após Kfouri ter publicado um texto em seu blog em que chamava o deputado de "ator pornô" e afirmava que ele conduzia Roque Citadini, então candidato à presidência do Corinthians, para o abismo.

TRUMPINIKIM

Durante um discurso a agropecuaristas americanos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Brasil terá um grande líder e citou a comparação feita pela imprensa entre os dois. "Eles terão um novo grande líder. Dizem que é o Donald Trump da América do Sul. Vocês acreditam?", disse Trump, na convenção da agência de agricultura americana, em Nova Orleans, arrancando risos e aplausos da plateia. "Ele [Bolsonaro] está feliz com isso [a comparação]. Se não estivesse, não gostaria do país, mas eu gosto", acrescentou Trump.

AUXILIO MUDANÇA

Três dias antes de renunciar ao mandato de deputado federal para assumir a Presidência da República, Jair Bolsonaro recebeu da Câmara R$ 33,7 mil a título de auxílio-mudança, um salário extra que o Congresso destina todo início e fim de legislatura a parlamentares. A benesse caiu em 28 de dezembro na conta do então presidente eleito. Somado ao seu salário de deputado daquele mês e acrescido à metade do 13º, Bolsonaro recebeu R$ 84,3 mil brutos no mês passado.

Cofrinho 

Reeleito, Eduardo Bolsonaro (PSL) embolsou, dia 28 de dezembro, assim como o pai, o auxílio-mudança de R$ 33,7 mil pago pela Câmara todo fim de legislatura.

RENAN X DALLAGNOL

O senador Renan Calheiros (MDB) atacou O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava em Curitiba. "Deltan Dallagnol continua a proferir palavras débeis, vazia, a julgar sem isenção e com interesse político, como um ser possuído", escreveu o pré-candidato à presidência do Senado. O ataque FOI uma resposta a uma publicação feita por Dallagnol na semana passada. Na ocasião, ele afirmou que a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de manter a votação secreta na eleição do Senado prejudica a pauta anticorrupção ao favorecer Renan.

CARNE FRACA

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu 19 inquéritos para investigar políticos que foram citados em delações premiadas de investigados na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), deflagrada em 2017. A ministra Cármen Lúcia será a relatora das investigações. 

Os detalhes das investigações não foram divulgados porque estão em segredo de Justiça. Há dois anos, a Operação Carne Fraca revelou o envolvimento de ex-fiscais do Ministério da Agricultura em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos por meio do recebimento de vantagens indevidas.

Em 2017, as investigações levaram a União Europeia a proibir a importação de carne de frango de pelo menos 20 frigoríficos brasileiros. Empresas investigadas foram acusadas de fraudar resultados de análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactéria salmonella pullorum. 

POPULAR

O ministro Sergio Moro (Justiça) está com a popularidade em alta. Pesquisa da XP Investimentos em parceria com o Ipespe mostra que a avaliação positiva do ex-juiz supera a do presidente. O levantamento mensurou opiniões sobre 11 personalidades da política. Moro recebeu a maior nota média: 7,3, numa escala de 0 a 10. Bolsonaro apareceu em seguida, pontuando 6,7. Paulo Guedes ficou com o terceiro lugar, com 6,1. O ex-presidente Lula é o quarto colocado, com nota média de 5,5. A pesquisa será refeita mensalmente. Mil pessoas foram ouvidas.

GURU QUE NADA

No vídeo em que detona os integrantes da bancada de deputados e senadores do PSL que foram à China conhecer um sistema de conhecimento de face para possível adoção no Brasil, o ideólogo Olavo de Carvalho critica ainda a possível instalação da CNN no Brasil e diz que, se fosse “guru” do governo Jair Bolsonaro, fatos como esses não ocorreriam –como se coubesse ao presidente proibir a instalação de uma emissora no País. “O governo permite isso aí! E eu sou guru dessa porcaria? Não sou guru de merda nenhuma! Se eu fosse, as pessoas não tinham nem coragem de apresentar essas ideias. Mas não só apresentaram como estão realizando. É isso aí”, vocifera.

Ideia minha

A rumorosa viagem de parlamentares do PSL à China foi organizada por Vinicius Aquino, um assessor de Alexandre Frota. É de Aquino a proposta de instalar um projeto piloto de reconhecimento facial no Rio, em parceria com empresa daquele país.

Briga de caipira

Após receberem críticas de Olavo de Carvalho, integrantes da comitiva brasileira na China —formada em sua maioria por congressistas eleitos do PSL—  usaram as redes sociais para explicarem a ida ao país comunista.

Em resposta, a senadora Soraya Thronicke disse que as críticas são “falácias”. “Com todo respeito, o querido e admirado @OdeCarvaIlho está mal informado sobre absolutamente tudo. Professor, cuidado com as suas fontes. Estou disponível para qualquer esclarecimento”, escreveu no Twitter.

O deputado federal eleito Gurgel Soares (PSL-RJ) afirmou no Instagram que a viagem não é uma visita de estado e que todos os parlamentares eleitos que compõem a comitiva ainda não tomaram posse. Segundo Soares, eles estão lá para conhecer e aprender com outras culturas. “Não quer dizer que levaremos essa tecnologia [reconhecimento facial] para o Brasil. (...) A própria comitiva também quer nos levar para Israel, para conhecer outras tecnologias”, afirmou em vídeo.

Eleita deputada federal pelo Paraná, Aline Sleutjes (PSL) rebateu as críticas de seus seguidores e afirmou que “buscar informação não é crime (...) O fato de fazer uma viagem à China não muda quem eu sou!”, afirmou em post do Instagram.

No Twitter, Soraya Thronicke falou sobre a compra de produtos vindos da China. “Levante a mão aquele brasileiro que possui menos de dez produtos chineses em casa!”.

Na legenda de uma imagem dentro do carro, ainda a caminho do aeroporto , o policial eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro Daniel Silveira (PSL-RJ) afirmou: “Sabemos do regime que governa o país desde 1940, mas a questão aqui não é ideológica, e sim para trazer melhorias ao Brasil”.

A deputada Carla Zambelli (PSL) foi citada nominalmente no vídeo de Olavo de Carvalho. "Nunca vou te perdoar isso aí. Já te ajudei muito e já apoiei muito. Se você não sair desse negócio, eu não falo mais com você", afirmou o escritor. Em um vídeo de resposta, Zambelli disse que continua "fã de Olavo de Carvalho" e que não tira as razões de receio do escritor, "mas eu preciso despreocupar vocês: não existe qualquer possibilidade de os parlamentares fecharem um acordo com empresas de reconhecimento facial, não existe qualquer possibilidade de nós incentivarmos um BBB no Brasil", afirmou.

PAGANDO CONTA

A funcionária Taíse de Almeida Feijó, da agência de comunicação que contratou disparos em massa de mensagens de WhatsApp para a campanha de Jair Bolsonaro, foi nomeada para um cargo comissionado na Secretaria-Geral da Presidência. Com salário de cerca de R$ 10,3 mil, Taíse será assessora do gabinete do secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, um dos principais articuladores da campanha. A nomeação foi feita no Diário Oficial da União na segunda-feira, 14, segundo a Folha.

PONTUAIS

O novo presidente da Funai, Franklimberg Ribeiro de Freitas, pretende fazer mais mudanças na estrutura do órgão e continuar a rever contratos. Em entrevista ao Estadão, Franklimberg afirmou que vai combater a corrupção e “ideologias” que ele ainda enxerga na instituição. Ao voltar ao cargo que ocupava até abril de 2018, o general afirmou que vai fortalecer as ações de combate a invasões e conflitos. Ele negou, porém, que essa seja uma ameaça generalizada. “São situações pontuais”, disse.

FANFARRÃO PERIGOSO

Ao participar da da passagem de Comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) na sede da unidade, em Laranjeiras, o governador do Rio, Wilson Witzel, chamou a atenção ontem ao realizar flexões com o comandante empossado, tenente-coronel Maurílio Nunes da Conceição. Também ganhou presentes inusitados da corporação: dois quadros feitos com balas de fuzil, um com seu rosto e outro com o emblema da "faca na caveira" do Bope.

 


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