Semana On

Quarta-Feira 11.dez.2019

Ano VIII - Nº 374

Coluna

Teorias da Conspiração

Três Possibilidades Delirantes que Explicam o Brasil

Postado em 24 de Julho de 2014 - Rodrigo Amém

O cérebro humano evoluiu para identificar padrões, mas a diferença entre correlação e causa ainda nos confunde. O cérebro humano evoluiu para identificar padrões, mas a diferença entre correlação e causa ainda nos confunde.

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O cérebro humano evoluiu para identificar padrões, mas a diferença entre correlação e causa ainda nos confunde. E como é difícil para nós, meros mortais, aceitar que o aleatório, o imprevisto e o trágico podem ocorrer sem aviso nem razão de ser, surgem as teorias conspiratórias. Americanos são bons nisso. O homem nunca foi à Lua. O governo esconde os ETs. Os adoradores de Satanás escondem mensagens nos discos de Heavy Metal. Imaginar que nada acontece sem que uma força política ou econômica esteja atrás da cortina comandando o espetáculo é muito melhor do que aceitar que o caos regula as relações humanas.

E poucos países necessitam tanto desse conforto paranoico quanto o Brasil, onde o acaso é cruel. Apresento a seguir algumas teorias conspiratórias que, apesar de não terem qualquer fundamentação na realidade, explicam a nossa brasilidade.

O rodízio secreto da CBF

Toda vez que um time brasileiro vai mal por mais do que quatro rodadas, o técnico é demitido e a situação é dada como resolvida, como se a culpa de tudo fosse do “professor”. Existe uma sórdida razão para isso – o rodízio secreto da CBF. O órgão máximo do futebol nacional autoriza que apenas 21 técnicos atuem na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Isso significa um para cada um dos 20 times e um de reserva. A razão para isso é simples: a função do técnico brasileiro não é desenvolver um esquema tático vencedor: é escalar jogadores que garantam boas oportunidades de marketing para seus empresários e as empresas patrocinadoras. Dessa forma, não faz muita diferença quem está no comando. O importante é que seja alguém “do rodízio”. Dizer que o campeonato brasileiro é movido pela competição das equipes é o mesmo que afirmar que a Playboy é uma revista sobre cultura e estilo. Mas, como eventuais derrotas acabam acontecendo, é preciso dar a ilusão de mudança para o torcedor do time derrotado. Daí a necessidade do técnico reserva. Em 2014, foi a vez de Luxemburgo ficar de plantão. Na zona de rebaixamento, Flamengo viu a necessidade de apresentar uma “mudança” no esquema. Daí, Ney Franco e Luxa trocaram de lugar. E outros tantos farão a mesma cena até o final do ano. Tudo para garantir que os passes certos sejam valorizados e gerem o lucro esperado.

A Sociedade da Redenção Programada

Seguindo os passos de Jesus, a indústria da música gospel se tornou uma máquina bilionária. Poucas – se alguma – gravadora secular consegue atingir os números de vendagem dos ídolos de louvor musical. Afinal, se o seu público acredita que piratear CDs é coisa do capeta, fica fácil garantir discos de platina. O problema é que, por maior que seja, a indústria gospel continuava a enfrentar resistência dos meios de comunicação. E é difícil expandir público se só quem é do nicho consegue ouvir seu trabalho. Daí, as gravadoras do gospel se reuniram no porão de algum templo e desenvolveram uma nova estratégia. Criaram gravadoras de fachada dedicadas a divulgar artistas mundanos, mas bem mundanos mesmo. Grupos de pagode com dançarinas voluptuosas, funkeiros com dançarinas voluptuosas, cantoras pop voluptuosas.  A estratégia, inspirada no tradicional truque do exorcismo ensaiado, visa promover esses artistas até que eles estourem na mídia e, aos olhos da imprensa secular, promover sua conversão ao Gospel. Carla Perez, as filhas de nome impronunciável da Baby do Brasil e Mara Maravilha são alguns dos casos de sucesso da Sociedade da Redenção Programada. As conversões de Naldo Benny e sua esposa-fruta já estão em curso e dentro do cronograma. Em breve, Anitta.

 Os Reptilianos do Planalto Central

Durante os anos 50, o governo brasileiro permitiu que os Estados Unidos utilizassem uma região desértica e remota do Planalto Central como campo secreto de testes atômicos. A contaminação do solo acabou afetando a fauna local e os calangos do serrado sofreram uma série de mutações genéticas, que transformaram esses répteis em humanoides chamados Reptilianos.

Para acobertar as experiências nucleares e evitar o pânico, os americanos enviaram Walt Disney ao Brasil. Aos olhos do público, o mago do cinema e da animação veio ao Brasil para lançar o Zé Carioca. Na verdade, Disney havia criado uma pele sintética que dava aos reptilianos a aparência de seres humanos. Ele veio apenas difundir sua técnica e treinar os reptilianos na sua fabricação. Para completar a farsa, construíram uma cidade sobre o local de testes: Brasília. Como as autoridades queriam vigiar de perto os reptilianos, transferiram a capital para lá. 

Revoltados por serem obrigados a usar máscaras sob o forte sol do Centro-Oeste, os reptilianos orquestraram sua vingança. Passaram a assassinar e ocupar o lugar de todos os políticos, conspirando para que os humanos de todo Brasil fossem sempre submetidos a toda forma de exploração e abuso moral e psicológico que uma classe política pudessem proporcionar.

E, desde então, não importa quem o povo brasileiro eleja e quão bem intencionado seja o candidato. Assim que ele põe o pé em Brasília, um homem-calango corta seu pescoço, veste uma máscara com suas feições e começa a sabotar os sonhos dos seus eleitores.

Muita viagem? Tem uns blogueiros políticos por aí que não perdem em nada em termos de imaginação conspiratória. Todos Reptilianos, aposto.


Voltar


Comente sobre essa publicação...