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Sexta-Feira 22.fev.2019

Ano VII - Nº 338

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Pela primeira vez na República, ministério que toma posse excluirá Norte e Nordeste

No primeiro escalão, há 11 integrantes do Sudeste, 8 do Sul, 2 do Centro-Oeste e 1 colombiano

Postado em - Thais Bilenky – Folha de SP

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Jair Bolsonaro obteve 13 milhões de votos no Norte e Nordeste, mas, pela primeira vez na história da República, o presidente eleito tomará posse sem nenhum representante dessas regiões no primeiro escalão.

Dos 22 ministros anunciados, 8 são do Sul, além do vice, Hamilton Mourão. Outros 11 nasceram no Sudeste, 2 no Centro-Oeste e 1 é colombiano naturalizado brasileiro.

Damares Alves (Mulheres, Família e Direitos Humanos) é quem mais se aproxima de ter uma identificação com o Nordeste, onde passou parte da infância e da juventude. Também fez trabalhos sociais como pastora na região, mas é do Paraná.

A reportagem levantou a composição ministerial dos governos republicanos brasileiros na Biblioteca da Presidência da República, considerando o local de nascimento dos presidentes, seus vices e os ministros que assumiram na posse. 

Presidente do PSL, o deputado federal pernambucano Luciano Bivar afirmou que não é a naturalidade da pessoa que garante a representatividade.

"Se fosse o caso de colocar 15 ministros sulistas, ele colocaria. Se fosse o caso de colocar 15 nordestinos, ele colocaria. Não há nenhuma discriminação com relação a região, etnia, gênero, nada disso. É uma questão eminentemente técnica", afirmou.

Desde 1889, quando a República foi proclamada, todos os governos tiveram representantes de alto escalão nascidos no Norte e Nordeste.

De 1985 para cá, nordestinos e nortistas foram protagonistas de todos os governos a começar pelo primeiro deles, o de José Sarney (1985-1990), natural de Pinheiro (MA). Ao assumir a Presidência, nomeou oito nordestinos em seu ministério. 

Depois, Fernando Collor (1990-1992), que, embora tenha feito sua história em Alagoas, nasceu no Rio, teve uma alagoana e um amazonense no primeiro escalão no dia inaugural do mandato.

Itamar Franco (1992-1995), estabelecido em Minas, nascido a bordo de um navio entre Rio e Salvador e registrado na capital baiana, colocou quatro nordestinos e um nortista na Esplanada --sem contar Ciro Gomes, que, a despeito da carreira no Ceará, nasceu em Pindamonhangaba (SP).

O carioca Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) tinha pernambucanos na Vice-Presidência e em mais dois ministérios, além de um baiano e um acriano na Esplanada.

Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), nascido em Caetés (PE) e criado em São Paulo, tomou posse acompanhado de três ministros nordestinos e uma acriana. Sem falar em Ciro, de novo, Humberto Costa, que nasceu em Campinas, mas faz carreira em Pernambuco, e Jaques Wagner, carioca que vive na Bahia.

A mineira Dilma Rousseff (2011-2016) assumiu a Presidência com sete nordestinos na Esplanada, fora Orlando Silva, baiano de nascença, paulista de adoção.

O paulista Michel Temer, por sua vez, oficializou-se presidente com sete ministros nordestinos, mais Henrique Eduardo Alves, que embora potiguar por adoção, nasceu no Rio.

Na eleição presidencial, o Nordeste foi a única região do país em que Bolsonaro perdeu a eleição para Fernando Haddad (PT) no segundo turno, com 30% dos votos válidos contra 70%. 

Também foi a única região para onde o então candidato não pôde viajar na campanha, já que sua agenda foi cancelada depois de sofrer um atentado a faca em setembro.  

Ciente das dificuldades que teria nesse reduto petista, Bolsonaro passou a fazer sucessivos acenos aos eleitores nordestinos, um quarto do total nacional.

Lamentou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, urgiu a conclusão da transposição do rio São Francisco, elogiou "a essência do povo nordestino, uma das principais belas formas da diversidade cultural do Brasil" e prometeu 13º salário para beneficiários do Bolsa Família.

Disse também que eliminaria o que chamou de coitadismo com que populações como a nordestina são tratadas por meio de políticas afirmativas.

Em seu programa de governo, pouco foi elaborado sobre a região. Mencionou-se que "com sol, vento e mão de obra, o Nordeste pode se tornar a base de uma nova matriz energética limpa, renovável e democrática".

Não há menção específica ao Norte, reservas indígenas, Amazônia ou extrativismo, temas que já na transição causam apreensão por declarações ambíguas de Bolsonaro. No Norte, a disputa presidencial foi acirrada, com vantagem para Bolsonaro (52% a 48%).

Distribuição de ministros e ministras por região

Sudeste: 11

Paulo Guedes

Economia

RJ

Marcelo Álvaro Antônio (PSL)

Turismo

MG

Bento Costa Lima Leite

Minas e Energia

RJ

Ricardo Salles (Novo)

Novo

SP

André Luiz de Almeida Mendonça

AGU

SP

Gustavo Bebianno (PSL)

Secretaria-geral

RJ

Wagner Rosário

CGU

MG

Fernando Azevedo e Silva

Defesa

RJ

Marcos Pontes

Ciência e Tecnologia

SP

Roberto Campos Neto 

Banco Central

RJ

Tarcísio Gomes de Freitas

Infraestrutura

RJ

Sul: 8

Onyx Lorenzoni (DEM)

Casa Civil

RS

Sergio Moro

Justiça

PR

Augusto Heleno

GSI

PR

Ernesto Araújo 

Relações Exteriores

RS

Carlos Alberto dos Santos Cruz

Secretaria de governo

RS

Gustavo Canuto

Desenvolvimento Regional

PR

Osmar Terra (MDB)

Cidadania

RS

Damares Alves

Mulheres, Família e Direitos Humanos

PR

Centro-Oeste: 2

Luiz Henrique Mandetta (DEM)

Saúde

MS

Tereza Cristina (DEM)

Agricultura

MS

Naturalizado - 1

Ricardo Vélez Rodríguez 

Educação

Colômbia

 


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