Semana On

Quarta-Feira 18.set.2019

Ano VIII - Nº 363

Coluna

Pensa numa história mal contada...

A política, no que ele tem de surreal. Com o jornalista Victor Barone

Postado em 12 de Dezembro de 2018 - Victor Barone

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Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão de um ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Segundo a investigação, parte de um desdobramento da Lava Jato que prendeu deputados estaduais cariocas, R$ 24 mil desse montante foram destinados à atual esposa do presidente eleito, Michelle Bolsonaro.

Jair Bolsonaro afirmou em um primeiro momento que o valor se refere a uma dívida pessoal que o ex-assessor e policial, Fabrício José de Queiroz, tinha com ele. Disse que o total, na verdade, era de R$ 40 mil e que ele pediu que a devolução fosse feita para a conta da futura primeira-dama.

Flávio Bolsonaro declarou, por sua vez, que o ex-assessor relatou a ele uma "história bastante plausível" sobre o R$ 1,2 milhão, garantindo que as transações não são ilegais. O deputado estadual não deu detalhes sobre qual história é essa, mas disse manter a confiança no ex-funcionário.

Seguindo rastros

Funcionários familiarizados com as ações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) dizem que só será possível entender a dimensão das transações identificadas nas contas de assessores da Assembleia Legislativa do Rio se os investigadores quebrarem o sigilo fiscal e analisarem as contas telefônicas dos envolvidos (leia a nota acima). O Ministério Público do Rio recebeu informações do Coaf sobre pessoas que trabalharam para 22 deputados, entre eles Flávio Bolsonaro (PSL).

Embora o Coaf não tenha encontrado informações que liguem essas transações a ilícitos, chamou a atenção dos auditores o fato de terem sido  fracionados os pagamentos que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, diz ter recebido por um empréstimo de R$ 40 mil ao policial Fabrício José de Queiroz.

As suspeitas existentes sobre as contas do ex-assessor do filho de Bolsonaro, que movimentou R$ 1,2 milhão em transações consideradas atípicas pelo Coaf, causaram incômodo em integrantes da futura bancada do PSL. Muito conectados às redes sociais, eles têm recebido cobranças de eleitores.

Nem eu, nem ele

Jair Bolsonaro deu uma leve pincelada, em vídeo publicado nas redes sociais, no assunto do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, que teve uma movimentação financeira incompatível com sua renda, de acordo com relatório do Coaf. “Gostaria de destacar que eu não sou investigado. Meu filho não é investigado. Esse ex-assessor nosso será ouvido pela Justiça na semana que vem”, disse.

“Se algo estiver errado que paguemos a conta deste erro que nós não podemos comungar com o erro de ninguém. Doí no coração da gente, porque o que temos de mais firme é o combate a corrupção”, afirmou.

Errei acertando

 

Passam os dias, faltam explicações

Passaram-se quase 10 dias desde a revelação de que um assessor de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 1,2 milhão em um único ano e deu um cheque de R$ 24 mil à mulher de Jair. De saída, a família julgou que devia poucas explicações, mas o episódio tem potencial para depreciar um dos principais ativos do próximo presidente. Por enquanto, apenas explicações pela metade. As suspeitas levantadas até agora são especialmente danosas para Jair Bolsonaro, que foi eleito carregando a bandeira do combate à corrupção. O caso do Coaf é, portanto, o primeiro teste da estratégia de poder de Bolsonaro.

Mais blábláblá, menos explicações

As explicações, ou melhor, a falta de explicações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre o cheque de R$ 24 mil na conta de sua mulher, Michelle, mostra todo o esplendor da nossa velha, bolorenta, carcomida, decrépita, putrefata política. Eleito para pôr termo às “práticas do passado”, para mudar tudo isso aí, como se portou Bolsonaro diante da revelação de que um ex-assessor de seu filho Flávio movimentou uma minifortuna em uma infindável triangulação bancária, incluindo o cheque para Michelle?

Angustiado

Flávio Bolsonaro está "angustiado" com o noticiário que encostou sua biografia na movimentação bancária "atípica" do seu ex-motorista Fabrício Queiroz. "Não fiz nada de errado", escreveu o primogênito de Jair Bolsonaro na penúltima nota oficial que emitiu sobre o caso. "Sou o maior interessado em que tudo se esclareça pra ontem, mas não posso me pronunciar sobre algo que não sei o que é, envolvendo meu ex-assessor." "Não sei o que é", eis o miolo da argumentação. Logo que Fabrício Queiroz reaparecer para dar a sua versão sobre a encrenca, Flávio Bolsonaro talvez possa parar de correr para, finalmente, ocorrer. Nessa hora, considerando-se o ensaio, o filho mais velho do capitão erguerá a fronte, atualizará o tempo do verbo e afirmará: "Eu não sabia!"

Todos têm de ser investigados

A deputada estadual eleita por São Paulo, Janaina Paschoal, colega de partido do presidente, Flávio Bolsonaro, se mostra bastante empenhada em que se investigue o relatório do Coaf em que movimentações suspeitas foram feitas na conta de um ex-assessor de Flávio. “Tem que ser investigado. Todos”, disse, em entrevista ao Estadão, uma das autoras do pedido impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Vamos apurar e o que tiver de ser será. Não é isso que o presidente sempre fala? Que não temos que ter medo da verdade? Seja ela qual for.”

Incomodado

O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, admitiu que “causa incômodo” a demora de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro, a dar explicação sobre a sua movimentação bancária atípica apontada pelo Coaf. “Óbvio que toda vez que você tem de dar explicação, isso incomoda, é desagradável. Mas volto a dizer. Tenho plena confiança no presidente e no Flávio. “Confio nos dois”, afirmou em entrevista ao Estadão. Disse, no entanto, que há um déficit de explicações sobre o caso. Ele cobra esclarecimentos de Fabrício Queiroz, o ex-assessor de Flavio Bolsonaro pilhado numa movimentação bancária suspeita de R$ 1,2 milhão no intervalo de um ano. "O ex-motorista, que conheço como Queiroz, precisa dizer de onde saiu este dinheiro. O Coaf rastreia tudo. Algo tem, aí precisa explicar a transação, tem que dizer", declarou Mourão.

Vidente

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, comentou com parlamentares numa reunião na semana passada que “agora vão começar a bater nos meus filhos”, segundo um dos presentes. A afirmação, feita dois dias antes da revelação de que um ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) movimentou R$ 1,2 milhão de forma atípica, foi interpretada posteriormente como uma tentativa de “vacina” diante do que explodiria pouco depois. ​

Paladino... só que não

Instado por repórteres a comentar o caso Coaf, Sergio Moro declarou: "Fui nomeado para ser ministro da Justiça, não cabe a mim dar explicações sobre isso." De fato, o futuro ministro não deve dar explicações, mas cobrá-las. Moro acrescentou: "Acho que o que existia de ministro da Justiça opinando sobre casos concretos é inapropriado." Não deu nome aos bois, mas decerto referia-se a antecessores como Márcio Thomaz Bastos e José Eduardo Cardozo. É, sim, papel do ministro interferir. Não para inibir, mas para vitaminar as apurações. Num momento em que Moro compõe o staff do novo Coaf, prometendo fortalecer o órgão, seria ótimo que usasse o "caso concreto" para iluminar intenções abstratas.

Despreparadíssimo

O futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, abandonou uma coletiva de imprensa, em um evento empresarial em São Paulo, depois de ter se irritado com perguntas de repórteres sobre um a confusera envolvendo  Flávio Bolsonaro, COAF, motoristas e uma bolada de dinheiro (leia as notas acima). Na coletiva, os repórteres queriam saber qual a origem do dinheiro. A pergunta era simples e demandaria uma resposta direta. Mas não foi isso o que aconteceu. O futuro ministro primeiro usou o PT como muleta, depois teceu uma resposta quase filosófica sobre a busca da verdade e terminou atacando os repórteres antes de deixar a coletiva.

Chá de sumiço

Fabrício 'Coaf' Queiroz tomou chá de sumiço. Desapareceu há 9 dias. É uma pena, pois muitos esperavam que explicasse rapidamente o trânsito "atípico" de R$ 1,2 milhão na sua conta bancária. Mas dá para ver o lado bom da situação, mesmo que seja preciso procurar um pouco. Basta dar ouvidos a tudo o que não foi dito, para perceber que há método no silêncio do "amigo" de Jair Bolsonaro e ex-motorista do primogênito Flávio Bolsonaro. Poucas vezes um silêncio soou tão eloquente.

Dinheiro fora

Um dos funcionários do deputado estadual Flávio Bolsonaro que, segundo investigação, fizeram depósitos para um ex-assessor que movimentou R$ 1,2 milhão em um ano recebeu pagamentos mesmo fora do Brasil. O tenente-coronel da Polícia Militar Wellington Sérvulo Romano da Silva começou a trabalhar como assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do RJ) em abril de 2015. Nove dias depois, embarcou na primeira de oito viagens que fez a Portugal, sempre pela companhia área TAP, até sua exoneração definitiva em 1º de setembro de 2016. Os salários e gratificações de Sérvulo na Alerj somavam R$ 5.400 por mês. Flávio Bolsonaro —que é senador eleito e filho de Jair Bolsonaro— afirmou que “não procede” a informação de que o ex-funcionário  morava em Portugal enquanto trabalhou para ele na Alerj, mas que a família do ex-assessor mora no país europeu e tem cidadania portuguesa.

A dama de Deus

Na esteira do caso do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, a deputada eleita Janaina Paschoal condenou a prática do chamado “mensalinho”, em que assessores parlamentares sem capacitação, muitas vezes fantasmas, são contratados com altos salários para devolver boa parte ao deputado contratante. Na sequência de 18 tuítes, a advogada conclui que é preciso criar mecanismos institucionais para que esses assessores possam delatar a prática ilícita sem serem retaliados, uma vez que hoje “é ele próprio “enquadrado” em irregularidade, exonerado e (pasmem) obrigado a devolver todos os salários!”.

Falando em Deus...

Damares Alves, a chefe do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, é Pastora evangélica e advogada. Além disso, a futura ministra se caracteriza por frases polêmicas e distantes da noção de progresso pretendida pelas mulheres do século 21. Se você tomar cuidado, pode achar que o pensamento defendido por Damares é digno da República de Gilead – nação patriarcal militarizada, que tem a bíblia como Constituição e tomou o lugar de boa parte dos Estados Unidos no seriado e no livro The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia). Voltando aos conceitos distópicos da política brasileira, Damares pretende construir “um Brasil sem aborto”. Segundo ela, por meio de políticas que tratem de planejamento familiar.

1. “A gravidez é um problema que dura só nove meses”

Para a ministra, “a gravidez é um problema que dura só nove meses”. Damares afirma que o “aborto caminha a vida inteira com a mulher”, disse ao sair de reunião com o presidente eleito.

Agora, como acabar com problema da gravidez precoce diante do avanço do Escola Sem Partido e de teorias contrárias ao ensino de educação sexual nas escolas? A contrário do que é dito por aí, o conteúdo é aliado importante contra a gestação indesejada e o avanço de doenças como o HIV.

2. “Nenhuma mulher quer abortar”

“Eu sou contra o aborto. Nenhuma mulher quer abortar. Elas chegam ao aborto, porque, possivelmente, não foi lhe dada nenhuma outra opção. A mulher aborta acreditando que está desengravindando (sic), mas não está”.

Damares Alves, que foi assessora parlamentar de Magno Malta (PR-ES), também deu seu parecer sobre a comunidade LGBT brasileira. Segundo a ministra, a discussão é “delicada”. Contudo, aos seu olhos foi criada uma “falsa guerra entre cristãos e LGBT”.  

“Essa guerra não existe e vamos mostrar que essa guerra não existe”, opinou a futura ministra dos Direitos Humanos. Será?

3. “Ninguém nasce gay”

O pastor evangélico Ezequiel Teixeira (PTN-RJ) apresentou na Câmara dos Deputados o projeto de lei 4931 de 2016, que propõe um decreto legislativo autorizando a aplicação de terapias para “auxiliar a mudança da orientação sexual, deixando o paciente de ser homossexual para ser heterossexual, desde que corresponda ao seu desejo”.

Assim como outras correntes fundamentalistas, ele acredita em ‘cura gay’. Para Teixeira, “a homossexualidade causa diversos transtornos psicológicos”. Sem contar que o Brasil é o que mais mata LGBT no mundo, um a cada 19 horas.

Não há prova científica que exista gene gay. Não há prova científica que o gay nasça gay. Se tivesse, já tinham jogado na nossa cara. A homossexualidade, ela é aprendida a partir do nascimento, lá na infância. A forma como se lida com a criança. Mas ninguém nasce gay.

4. “Não é a política que vai mudar esta nação, é a igreja”

Falando em religião, para Damares, “não é a política que vai mudar esta nação, é a igreja”. Quando você ouvir igreja, leia-se igreja evangélica.

A ex-assessora parlamentar não acredita que a política seja instrumento de mudança. Aliás, a presença da igreja evangélica foi destaque durante toda a campanha de Bolsonaro. Teve até culto ao vivo puxado por Magno Malta para celebrar a vitória em segundo turno.

Mas, voltemos para Damares. Na mesma palestra em que colocou a homossexualidade em dúvida, ela exaltou a fé como saída única para o Brasil. Lembrando que estamos falando de um estado laico.

“Naquele dia, Deus renovou nossas forças. Porque Deus nos disse que não são os deputados que vão mudar essa nação, não é o governo que vai mudar esta nação, não é a política que vai mudar esta nação, que é a igreja evangélica, quando clama. É a igreja evangélica, quando se levanta (que muda a nação)”, profetizou.

5. ‘É o momento de a igreja governar’

A nova ministra falou novamente sobre o tema em 2016, em Belo Horizonte. A integrante do governo de Jair Bolsonaro expôs suas ideias na Igreja Batista da Lagoinha.

As instituições piraram nesta nação. Mas há uma instituição que não pirou. E esta nação só pode contar com essa instituição agora. É a igreja de Jesus. Chegou a nossa hora. É o momento de a igreja ocupar a nação. É o momento de a igreja dizer à nação a que viemos. É o momento de a igreja governar.

6. “A mulher nasceu para ser mãe”

Para terminar essa seleção, repetimos, digna do roteiro de The Handmaid’s Tale, o pensamento da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos sobre as próprias mulheres. Ela afirma que se “preocupa com a ausência da mulher na casa”. A ministra acredita que a mulher nasceu pra ser mãe e que ideologia de gênero é morte.

“A mulher nasceu para ser mãe. Também, mas ser mãe é o papel mais especial da mulher. A gente precisa entender que a relação dela com o filho é uma relação muito especial. E a mulher tem que estar presente. A minha preocupação é: dá pra gente ter carreira, brilhar, competir, consertar as bobagens feitas pelos homens. Sem nenhuma guerra, mas a gente conserta algumas. Dá pra gente ser mãe, mulher e ainda seguir o padrão cristão que foi instituído para as nossas vidas”, declarou a líder evangélica.

Isentão

Ao arquivar o caso em que analisou a reação do ex-juiz Sergio Moro a uma ordem para soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho, o corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, deixou em aberto o destino de outros processos que ele enfrenta. Martins isentou Moro de culpa nesta segunda, mas o ex-juiz queria que o caso da prisão de Lula fosse arquivado pelo fato de ele ter deixado a magistratura, sem análise de mérito. Um dos processos pendentes no CNJ discute a conduta de Moro ao aceitar ser o ministro da Justiça de Bolsonaro.

Direitos Humanos

Nesta semana a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos. O famoso texto de 30 artigos diz: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.” E também: “Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si a à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.” O documento foi adotado pela ONU no contexto pós-Segunda Guerra Mundial. Não tem força de lei, mas estabelece um ideal comum a ser atingido por todos os países e nações.

A fala de Rosa

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, falou sobre direitos humanos durante a cerimônia de diplomação de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.  Em discurso de cerca de 20 minutos, Weber ressaltou a importância de proteger direitos básicos a todos os cidadãos. “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, sem distinção de raça, língua, crença, origem nacional, orientação sexual, identidade de gênero, ou qualquer outra condição”, afirmou. A ministra afirmou ainda que as minorias não devem ter suas posições "abafadas" pelas maiorias. "Em especial aquelas estigmatizadas e em situação de vulnerabilidade", finalizou.

Direitos humanos incomodam

O discurso da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, durante a cerimônia de diplomação de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão (leia acima) incomodou deputados federais eleitos pelo partido de Bolsonaro. Nas redes sociais, eles criticaram a atitude de Weber.

 A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), recordista de votos da Câmara, disparou: “Fora de tom e de propósito. Desnecessário”.

Carla Zambelli (PSL-SP) também criticou o tempo utilizado pela presidente do tribunal e defendeu que houvesse réplica a ela.
Zambelli aproveitou a data para levantar a pauta contra a descriminalização do aborto, e citou o trecho da Convenção Americana de Direitos Humanos que dá as garantias "desde o momento da concepção".

Já o deputado eleito Luiz Philippe de Orleans e Bragança classificou o discurso como “inadequado”.

Outra parlamentar eleita que se incomodou com o discurso foi Bia Kicis, eleita pelo PRP mas que desde o fim do pleito frequenta eventos do PSL e já afirmou publicamente várias vezes que migrará para o partido do presidente eleito durante a janela partidária. Kicis afirmou que a posição de Weber foi "aulinha".
Risco de retrocesso

Políticas anunciadas por Jair Bolsonaro em áreas como migração, meio ambiente e direitos humanos, em que o Brasil tem um acúmulo positivo de práticas e doutrinas reconhecido no exterior, podem representar retrocesso, aponta Eliane Cantanhêde em sua coluna no Estadão. “Todas as sinalizações externas do governo Bolsonaro replicam, sem tirar nem por, as posições de Trump: contra o Acordo de Paris, contra o Pacto de Migração, beligerância com a China, alinhamento explícito a Israel, implicância com a ONU e a OMC… Só que, assim como o Brasil não são os EUA, Bolsonaro não é Trump. E nem tudo o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”, escreve.

Tatuado

A denúncia de recebimento de caixa dois não marcou apenas a biografia de Onyx Lorenzoni. Produziu também numa marca indelével na pele. O futuro chefe da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro mandou tatuar no braço um versículo bíblico (João 8:32): "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." "Eu fiz isso para que eu nunca mais erre. Isso é para me lembrar do dia em que eu errei", explicou Onyx. "Isso é pra mim, não é para sair por aí mostrando", disse ele, enquanto exibia a inscrição gravada no corpo.

Sem conversa

Representantes de diferentes povos indígenas foram na última quinta até o CCBB em Brasília, onde se reúne a equipe de transição do governo, protocolar um pedido para que a Funai permaneça no Ministério da Justiça. Ninguém os recebeu.

Lula e Múcio

O ministro José Múcio Monteiro tomou posse no último dia 11 como presidente do TCU (Tribunal de Contas da União). Em seu discurso de posse, ele agradeceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela indicação para integrar a corte, em 2009. A referência ao ex-mandatário, condenado e preso pelo caso do tríplex do Guarujá, foi seguida de aplausos de parte da plateia, composta por autoridades diversas, servidores do tribunal e ex-integrantes do governo do petista, como a ex-ministra Miriam Belchior, o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento e Social) Luciano Coutinho e o ex-advogado geral da União Luís Inácio Adams. Presente ao evento, o ex-juiz e futuro ministro da Justiça Sergio Moro, que sentenciou Lula em primeira instância, não se manifestou, assim como outros integrantes já anunciados do governo de Jair Bolsonaro, como Paulo Guedes, indicado para chefiar a pasta da Economia.

Moro e Lula

O ex-juiz e futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, disse lamentar o fato de ter sido o autor da sentença que condenou o ex-presidente Lula. "Da minha parte nada tenho contra o ex-presidente. Acho até lamentável que eu, infelizmente, tenha sido o autor da decisão que condenou uma figura pública que tem a sua popularidade e que fez até coisas boas durante sua gestão, mas também erradas", afirmou durante entrevista ao apresentador José Luiz Datena no programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes. "Isso no fundo não é um bônus para mim, é um ônus. Mas o fiz cumprindo o meu dever.", completou o ex-juiz.

Mais um ameaçado

O jornalista Bruno Abbud, da revista Época, decidiu registrar um Boletim de Ocorrência por ameaças que está recebendo nas redes sociais. Abbud está preparando um perfil sobre o vereador Carlos Bolsonaro. Contrariado, o filho do presidente eleito Jair Bolsonaro postou no Twitter que está tendo a vida vasculhada. Desejou “boa sorte” ao profissional e pediu a seus seguidores que não dessem “bola”. Depois disso, o repórter passou a ser atacado nas redes.

Amigo, amigo...

Depois do bate-boca no grupo da bancada do PSL no WhatsApp entre Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann, o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, entrou em campo para serenar os ânimos, mas a disputa deixou rusgas. Eduardo e Hasselmann tiveram uma reunião. Na saída, ela publicou nas redes sociais uma selfie ao lado dele fazendo um coração com as mãos.

Mentiroso

Circula nas redes sociais uma foto da capa da revista Time com o presidente eleito Jair Bolsonaro como personalidade do ano. A imagem é #FAKE . A "Time" escolheu os jornalistas mortos e presos como "Pessoa do Ano" de 2018. A publicação revelou nesta terça-feira os protagonistas de sua edição especial de fim de ano. Os profissionais mencionados pela revista são o colunista do "Washington Post" Jamal Khashoggi, a ex-repórter da CNN nas Filipinas Maria Ressa, além de funcionários do jornal "Capital Gazette", em Annapolis (EUA), e da agência Reuters.

Governo triste ou feliz?

“Ainda é cedo para estabelecer se a administração Bolsonaro vai ser feliz ou infeliz, mas o futuro dirigente e seu círculo íntimo vão acumulando dissabores numa escala incomum para quem ainda nem assumiu o governo”, escreveu Hélio Schwartsman na Folha. Para o colunista, transições, em geral, tendem a ser confusas, mas a do futuro presidente tem sido menos entrosada. Inclusive porque membros de seu grupo parecem não têm noção do novo peso que suas declarações adquiriram.

Tutela e intimidação

O candidato derrotado à eleição presidencial, Fernando Haddad, diz que precisa férias para reorganizar a vida e “pagar os boletos”. Enquanto isso, em entrevista ao Valor, Haddad afirma não ter sequer lido última resolução do diretório nacional do PT, que fez uma avaliação do processo eleitoral e da atual conjuntura. Sobre governo Bolsonaro, o ex-prefeito de São Paulo avalia que haverá três núcleos centrais: o fundamentalista (coeso, com forte carga conservadora e ideológica), o econômico (“escancaradamente liberal”) e o núcleo político, formado pelo Ministério da Justiça e pelos militares. É o núcleo político, afirma, que dará o tom do novo governo, com “duas possíveis tarefas: tutela e intimidação”.

Polícia dos likes

Mais uma baixa na equipe de transição e da Secretaria-Geral da Presidência. O nome da vez é do embaixador Paulo Uchôa. A exoneração consta no Diário Oficial de quarta-feira, 12. Ele pediu demissão após ser acusado de curtir, no Twitter, post de jornalista que criticou o governo Bolsonaro. Ele nega e diz ser vítima de armação, informou a Coluna do Estadão.

Incômodo com militares

Um mal-estar que vinha se manifestando nos bastidores há algumas semanas chegou enfim a Jair Bolsonaro na forma de um alerta de conselheiros do grupo político que o cerca. O presidente eleito foi alertado de que pode ser excessivo o espaço dado aos militares no governo, sobretudo na seara da articulação política, representada pelos generais Augusto Heleno e Santos Cruz no Planalto. Tratei do tema na minha coluna desta quarta-feira no Estadão. Juntamente com a proeminência dos filhos de Bolsonaro, todos eles com mandatos eletivos, e a disputa por controle na bancada do PSL da Câmara, este é considerado um foco de tensão na largada do futuro governo caso os limites de cada um não sejam estabelecidos de forma clara pelo próprio presidente.

Mais armas?

Mesmo diante do atentado em Campinas, no qual um homem entrou atirando dentro da catedral da cidade, o senador eleito por São Paulo, Major Olímpio, não deixou de defender menor burocracia para a compra e porte de armas de fogo. “Lamento muito e externo meu apoio e sentimento à todas as vítimas e seus familiares, mas não podemos aceitar o discurso de ‘istas’ que condenam o direito à legítima defesa do cidadão”, disse.

Gostaram do futuro ministro?

Ao lado do locutor Cuiabano Lima, autointitulado “representante do rodeio brasileiro e do agronegócio”,  o presidente eleito Jair Bolsonaro perguntou: “Gostaram do ministro do Meio Ambiente agora, né? Com toda certeza”, disse se referindo à indicação de Ricardo Salles para o cargo. “Esse homem ainda vai fazer muito pelo agronegócio”, afirmou o locutor. Por outro lado, os ambientalistas não gostaram muito…

Vai estourar a bolsinha

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, visitou o COT (Comando de Operações Táticas) da Polícia Federal. A unidade da PF atua em operações especiais e atividades de contra-terrorismo e é considerada uma espécie de "tropa de elite" da corporação, pelo treinamento e funções especiais.

Informal

Acostumado ao discurso informal, agora, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, pretende aproximar também a legislação trabalhista da “informalidade”. “No que for possível, sei que está engessado no artigo sétimo (da Constituição), mas tem que se aproximar da informalidade”, declarou em reunião com parlamentares do DEM na quarta-feira, 12, no CCBB. O artigo a que Bolsonaro se refere trata de direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, como férias, décimo terceiro, descanso semanal remunerado, licença-maternidade, seguro-desemprego e fundo de garantia.

Índios pré-históricos

Ao defender o fim de áreas de reservas indígenas, Jair Bolsonaro afirmou nesta semana que os povos originários brasileiros devem se submeter à cultura dominante. “Por que no Brasil o índio deve ser pré-histórico? Quero que se integrem à nossa sociedade. Tem índios que falam nossa língua muito bem, que tem nossos costumes. Isso que queremos, não queremos que atrapalhem o desenvolvimento da nação.


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