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Segunda-Feira 20.mai.2019

Ano VII - Nº 351

Coluna

O Beijo no Asfalto

Um olhar ousado para uma sociedade doente

Postado em 12 de Dezembro de 2018 - Danilo Custódio

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Segue em cartaz no circuito comercial tupiniquim O Beijo no Asfalto, primeiro filme de Murilo Benício, que debuta na direção em grande estilo, elencando Lázaro Ramos, Fernanda Montenegro, Débora Falabella, Stênio Garcia, Augusto Madeira, Otávio Müller e tantos outros nomes talentosos para dar vida ao maravilhoso texto de Nelson Rodrigues. O filme narra a história de Arandir, que num gesto banal da um beijo na boca de um homem que foi atropelado e está prestes a morrer, atendendo ao pedido do próprio sujeito. Tal ato provoca uma reação em cadeia recheada de absurdos, onde se discute muitos paradigmas sociais, principalmente o poder de manipulação da mídia e a relação entre o que é público e privado.

Apesar de se tratar de um texto antigo, que inclusive já recebeu diversas adaptações para o cinema de curta e longa metragem, O Beijo no Asfalto continua contemporâneo. A única diferença é que não é mais pelos jornais impressos onde se espalha fake News. E o ato da deslealdade acima de tudo é o que chama mais atenção. Uma verdadeira reflexão sobre a intolerância e a violência nos cerca, coisas tão banalizadas. No filme, Murilo Benício conduz como um maestro, através de uma adaptação ousada que só o cinema é capaz de produzir. Bora se programar pra ver?

E as coproduções nacionais?

Na última quarta (12), durante a 10ª edição do Ventana Sur, evento realizado em Buenos Aires por iniciativa do Marché du Film - Festival de Cannes em parceria com o INCAA - Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais da Argentina, o diretor-presidente da ANCINE, Christian de Castro, anunciou o “Edital de Coprodução Mundo”, linha de coprodução internacional para cinema e TV.  Serão investidos R$ 36,8 milhões, sendo R$ 18, 15 milhões para cinema e R$ 18,65 milhões para TV. O edital funcionará na modalidade de fluxo contínuo e atenderá a projetos cujas produtoras brasileiras sejam minoritárias ou majoritárias.

“Nos últimos anos, a ANCINE tem colocado em média R$ 5 milhões por ano em coproduções internacionais. Foram investidos algo em torno de R$ 29 milhões nos editais minoritários. Este ano, no Plano Anual de Investimento foi aprovado aproximadamente R$ 42 milhões de recursos do FSA em coproduções internacionais. O objetivo é fazer com que o empreendedor do audiovisual brasileiro consiga ser mais competitivo no mercado internacional, para coproduzir mais e atrair mais investimento”, explicou Christian durante o anúncio.

E um dos resultados desses investimentos a gente vai poder conferir a partir de 20 de dezembro, que é quando estreia o filme Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt. Trata-se de uma coprodução entre a portuguesa Maria & Mayer, a francesa Les Films du Belier e a brasileira Syndrome Films. O longa chega no circuito comercial brasileiro com distribuição da Vitrine Filmes, depois de conquistar o Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes e passar pelo Festival de Toronto, Mostra de Cinema de São Paulo e Festival do Rio.

A trama traz o jogador de futebol Diamantino (Carloto Cotta), que é responsabilizado por um dos maiores fracassos da história recente do futebol português e decide deixar os campos. Em crise, começa a buscar um novo propósito na vida...


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