Semana On

Segunda-Feira 21.out.2019

Ano VIII - Nº 368

Coluna

Bem-vindos a Gilead

A política, no que ela tem de surreal. Com o jornalista Victor Barone

Postado em 05 de Dezembro de 2018 - Victor Barone

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Como se não bastasse um chanceler estilo Opus Dei (que se chicoteia, usa cilício e crê que a terra é plana) e a influência do que há de pior no mundo evangélico – Mago Malta, Malafaia e etc – o futuro presidente da república vai entregar o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (e ainda a Funai) para a pastora evangélica Damares Alves que, em maio de 2016, em tom profético, disse que “as instituições estão todas piradas" no Brasil, e que apenas "uma instituição não pirou: a igreja de Jesus. Ela sentencia: "Chegou a nossa hora. É o momento de a igreja ocupar a nação. É o momento de a igreja governar. Se a gente não ocupar esse espaço, Deus vai cobrar da gente."

O discurso de Damares mostra bem o alcance do fanatismo religioso no governo vindouro e nos transforma em um tipo de Gileade onde comandantes, esposas e tias inspiradas em The Handmand’s Tale se sentiriam muito a vontade.

"O Judiciário está falindo", sustenta a nova ministra. Por quê? "Onze ministros que não foram nem eleitos pelo povo brasileiro vão decidir se a gente libera ou não o consumo de drogas no Brasil. Palhaçada!" Decidirão também "se os travestis e transexuais vão ou não usar os banheiros de nossas meninas."

No país de Damares, a família tradicional e suas crianças são assediadas por muitos fantasmas. "Estão confundindo a fé de nossas crianças no Brasil. As bíblias foram expulsas das escolas, porque eles dizem que o Estado é laico. Tem professores sendo processados no Brasil porque oram o Pai Nosso em sala de aula. Não se pode mais falar de Deus nas escolas."

Damares ataca também o Estado Laico. "Temos leis que obrigam o ensino da cultura afro e da cultura indígenas nas escolas. OK, legal. Mas fomos atrás do material (didático) e descobrimos que estão burlando a lei. Não estão ensinando cultura afro. Estão ensinando religião afro nas escolas, desrespeitando a fé das crianças cristãs."

Sobre a educação, a nova ministra é quase “inquisitiva”. Diz que "as bíblias vão ter que voltar para as escolas no Brasil". Sobre a diversidade de gênero nem se fale. Ela chegou a se queixar de um "desenho animado no SBT em que as crianças são duas lésbicas." Reclamou "do que fizeram com os príncipes" nos contos de fada. "Aladim apaixonado por outro homem…" Mais: "o príncipe não acorda mais a Cinderela com beijo, porque o príncipe virou gay." Pior: "Agora vai ter um desenho animado em que a princesa Aurora, do Frozen, vai acordar a Bela Adormecida com um beijo lésbico."

Tá brabo

É difícil pinçar, das reportagens que já saíram, só algumas das informações mais relevantes ou negativamente impressionantes sobre a titular do (novo) Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Damares Alves é advogada, pastora evangélica e assessora de Magno Malta (por sinal, ele está triste por não ter um ministério para chamar de seu). Foi anunciada ontem por Onyx Lorenzoni e deu sua primeira entrevista coletiva ao lado do deputado eleito Julian Lemos (PSL-PB), que foi acusado de agressão pela irmã e pela ex-mulher, como lembra o Jornal do Brasil.

Problema de 9 meses

Damares avisou que não vai lidar com aborto, mas com políticas de planejamento familiar. Porque “se a gravidez é um problema que dura só nove meses, o aborto é um problema que caminha a vida inteira com a mulher”. Você leu certo. “Essa pasta não vai lidar com o tema aborto, vai lidar com proteção de vida e não com morte”, declarou.

Nasci para ser mãe

Damares deu uma entrevista ao Globo pintando um autorretrato. Disse que, por natureza, a mulher nasce para ser mãe e o homem para ser provedor, mas alivia, reconhecendo que “a raça humana mudou”. Mas quando a conversa sobre gênero engrena, logo começa: “Todos os meninos vão ter que entregar flores para as meninas nas escolas, para entender que nós não somos iguais. Quando a teoria de gênero vai para a sala de aula e diz que todos são iguais e que não tem diferença entre menino e menina, as meninas podem levar porrada, porque são iguais aos meninos”.

Salvos por missionários

Há alguns anos, em pregação, a ministra disse que bebês indígenas que foram ‘salvos’ por missionários – ela própria tem uma filha adotiva indígena. A futura ministra explicou nesta semana essa ‘salvação’: “assessorando a CPI da Funai, descubro que alguns povos no Brasil, por uma questão cultural, ainda matam crianças porque não sabem o que fazer com elas quando nascem com alguma deficiência física ou mental”. Mas Saulo Feitosa, que é professor da UFPE e já foi do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) disse ao El País que os casos de abandono são esporádicos, muito menores do que os do mundo urbano. E que a atuação de Damares vai no sentido de retratar povos indígenas como comunidades bárbaras, para facilitar a desterritorialização dos povos tradicionais do país. Na coletiva, Damares afirmou que “o índio é gente e precisa ser visto de uma forma como um todo. Índio não é só terra”.

Ô Silas

Aos 60 anos, o eloquente, assertivo, rusguento e patusco Silas Lima Malafaia vem sendo visto como um interlocutor-chave entre Bolsonaro e o meio evangélico. O candidato do PSL foi eleito com mais de 70% de votos apenas nesse segmento religioso. Durante a campanha eleitoral, o pastor aparecia semanalmente ao seu lado em, ganhando espaço e mais fama junto ao eleitorado. Em corridas presidenciais passadas, o pastor já apoiou camaleonicamente Lula, Marina Silva, José Serra e Aécio Neves.

Magoou

De volta ao Senado após se isolar no interior do Espírito Santo, Magno Malta (PR-ES) negou estar frustrado por não ter sido escolhido para comandar um ministério no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Um dos principais cabos eleitorais do presidente eleito, Malta foi de "vice dos sonhos", quando Bolsonaro anunciava publicamente que o queria para o cargo, a alguém que ficou sem qualquer espaço na Esplanada dos Ministérios. Na quarta-feira (5), em sua primeira aparição depois de o primeiro escalão do futuro governo estar praticamente completo, o senador estava arredio. Sem blazer, foi direto ao plenário, conversou com colegas e evitou os jornalistas o quanto pôde. Chegou a discursar, mas apenas falou contra "ativismo judiciário". Concedeu entrevista andando durante os dois minutos e 38 segundos que levou até chegar a seu gabinete.

Ciência e fé

É possível ser, ao mesmo tempo, um bom católico, um honesto protestante pentecostal ou um gentil muçulmano na vida privada (o que exige humildade) e um brilhante cientista da vida pública (orgulhoso de seus feitos), desde que estas esferas continuem separadas. A confusão entre elas anula as suas virtudes e pode ter consequências desagradáveis. A ação pública resolve-se no campo da política que procura a solução dos conflitos através do razoável consenso coletivo, do respeito à opinião do “outro” e da recusa a todo abuso de poder que discrimine minorias em resposta ao “pretendido” conhecimento da “vontade da maioria”. O seu instrumento é a construção de uma república democrática sem adjetivos, como a que está implícita na Constituição de 1988. Um exemplo dessa confusão é a intromissão dos evangélicos nas políticas públicas de gênero. É melhor respeitar e deixar cada um a vida privada que mais o conforta. Bolsonaro foi eleito por um velho movimento cíclico de “mudar tudo o que está aí”, que se repete de tempos em tempos. Torçamos para que o cumpra e não meta a religião na política pública, o que pode desviá-lo de seu objetivo.

Tudo mentira dos cientistas

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), incluiu o professor de geografia Ricardo Felício entre as opções analisadas para o Ministério do Meio Ambiente. O nome do ex-procurador Paulo de Bessa Antunes, especialista em direito ambiental, também está em avaliação. Professor da Universidade de São Paulo, Felício considera o aquecimento global uma farsa criada por cientistas e organismos multilaterais. Seu currículo foi analisado por colaboradores de Bolsonaro, e ele tem simpatia do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente eleito.

Misticismo no poder

“Daqui em diante, a superstição norteará nossas políticas externa e educacional. Não adianta dizer que a Ursal não existe, pois ela existe na mente dos que nos governarão”, escreveu Demétrio Magnoli no Globo. Para o colunista, os temores alardeados pelos futuros ministros da Educação e Relações Exteriores são dignos de piadas nas redes sociais. Diz que há, inclusive, doses de ridículos nas teses elaboradas por ambos. Assim, devemos estar preparados, pois o misticismo estará, em breve, no poder.

Porco

Vestindo a camisa 10 do Palmeiras, o presidente eleito Jair Bolsonaro , ao lado de dirigentes do time, juntou-se ao grupo no campo e entregou a taça de campeão brasileiro ao capitão palmeirense Bruno Henrique. Ele também participou da foto oficial e da volta olímpica dada pelos jogadores.  Após o final do jogo, Bolsonaro saudou os torcedores e foi recebido aos gritos de "mito". Em seguida, antes de subir ao palco para entrega de medalhas e do troféu, o presidente eleito se misturou ao elenco do Palmeiras e tirou fotos com os jogadores e com o técnico Luiz Felipe Scolari.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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Animador de torcida

A participação de Jair Bolsonaro na festa da vitória do Palmeiras no Brasileirão é um exemplo do que deverá ser a rotina em seu governo, ressalta Eliane Cantanhêde no Estadão. “O novo presidente da República terá o papel de animador da torcida, sempre em evidência e em contato com a população, para manter o apoio e o otimismo dos seus milhões de eleitores, entre bolsonaristas puros e antipetistas agregados”, analisa a colunista. Ela lembra que o estilo contraria preocupações como a expressada pelo general Sérgio Etchegoyen com a segurança do eleito, mas que Bolsonaro não pretende abdicar da “parte boa do poder”.

Porca

A Polícia Civil de SP abriu um inquérito para apurar quem mandou entregar um pacote com uma cabeça de porco e uma peruca loira no flat da deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP). “Estamos ouvindo testemunhas e tentando fazer levantamento de impressões digitais da encomenda”, diz o delegado José Mariano Araújo Filho. Joice diz que já na campanha teve que mudar quatro vezes de endereço. “Chegaram a entrar armados no flat em que eu morava. Passei 20 dias dormindo escondida em uma clínica médica, numa maca”, diz ela.

O ex-presidente Lula está recebendo pressão de amigos, correligionários e familiares para concordar com o pedido de uma prisão domiciliar. O petista sempre rechaçou a ideia, com o argumento de que faz questão de ter a inocência reconhecida. De acordo com interlocutores, ele segue resistindo à hipótese. Mas pessoas que o visitam estão dispostas a insistir nela. A chance de Lula obter o benefício de cumprir o restante de sua pena em casa surgiu em junho, quando o advogado Sepúlveda Pertence entregou um memorial aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) fazendo o pedido. Lula, no entanto, repeliu a ideia. Mesmo que o ex-presidente agora concorde e que o pleito seja novamente apresentado, não é seguro que será atendido pelo tribunal.

Segunda instância

A possibilidade de Lula ser beneficiado por uma eventual revisão, no STF (Supremo Tribunal Federal), da regra que autoriza a prisão depois de condenação em segunda instância está por um fio. O STF, que deve voltar a discutir o tema em 2019, está dividido —mas há uma possibilidade de consenso em torno da ideia de que um condenado tenha seu processo apreciado por mais uma instância, o STJ (Superior Tribunal de Justiça), antes de ser recolhido ao cárcere. Se ela vingasse o ex-presidente poderia ser solto. O caso de Lula, no entanto, já está na reta final no STJ: o ministro Félix Fischer negou recurso especial de sua defesa. A 5ª turma dará a palavra final —a chance de rever a decisão do magistrado é considerada remota. Depois disso, o assunto estará encerrado no tribunal.

Bola nas costas

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, em Madri que trocou a magistratura pelo Executivo porque estava “cansado de tomar bola nas costas”. Ele usou a expressão para caracterizar o que seria um alcance limitado de suas sentenças enquanto juiz. Para Moro, só o trabalho de procuradores, policiais e juízes não basta para enfrentar a corrupção. É preciso alistar outros atores, outros Poderes. “Como gostamos de futebol, temos no Brasil uma expressão segundo a qual alguém diz estar cansado de levar bola nas costas”, afirmou à plateia de um seminário promovido pela Fundação Internacional para a Liberdade, presidida pelo Nobel de Literatura peruano Mario Vargas Llosa, que mediou a mesa. “Meu trabalho no Judiciário era relevante, mas tudo aquilo poderia se perder se não impulsionasse reformas maiores, que eu não poderia fazer como juiz.”   

Tudo certo

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, em Madri que “jamais” faria parte de um governo que executasse políticas públicas discriminatórias contra minorias ao ser questionado sobre as recentes declarações homofóbicas, racistas e misóginas do presidente eleito Jair Bolsonaro.  “Não vislumbro no presidente eleito um risco de autoritarismo ou risco à democracia (…) As pessoas às vezes dão declarações infelizes (…), isso não significa que se traduziriam em políticas públicas concretas e não há nada que indique que adotará políticas discriminatórias contra as minorias no Brasil”, afirmou o ex-magistrado da Lava Jato ao lado do escritor Mario Vargas Llosa.

Paz e amor

O presidente eleito, Jair Bolsonaro enviou uma mensagem aos adversários para destacar que o momento é de paz. Ele apelou para que “relaxem” e abandonem o “ódio sem necessidade”. “Estou vendo muitos derrotados politicamente pregando ódio sem necessidade, relaxem, cultivem o que dizem pregar que a alma fica em paz. Um conselho de quem quer ver todos bem”, afirmou Bolsonaro, na sua conta no Twitter.

Filhotes nervosos

A atuação intensa dos filhos de Jair Bolsonaro preocupa integrantes da equipe do presidente eleito. O vereador Carlos Bolsonaro, do Rio, é o que mais causa apreensão, desde a campanha eleitoral. O parlamentar é considerado o mais tempestuoso dos três filhos de Bolsonaro que seguiram carreira política. E o mais propenso a gerar crises, ainda que permaneça distante do núcleo do futuro governo. Carlos Bolsonaro já se desentendeu com o futuro secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e acaba de comprar briga com um dos parlamentares eleitos mais próximos do futuro presidente, Julian Lemos (PSL-PB). No entrevero, o vereador pediu que Lemos pare de “aparecer atrás” do presidente eleito, “por algum motivo como faz sempre”. Julian Lemos diz que não quer comentar os ataques. E afirmou: “Fui forjado acompanhando, por quatro anos, a vida política de Bolsonaro, vendo seu exemplo e ouvindo seus conselhos. Sou soldado de primeira hora. Respeito a família, mas só sigo as orientações do presidente. Ele me lidera e só aceito o seu comando”.

Sem freio

O deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro fala demais, na opinião de auxiliares do presidente. É dele a declaração de que bastariam um soldado e um cabo para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal), o que gerou uma crise com a corte.

Mais maduro

O filho mais velho, Flávio Bolsonaro, que foi eleito senador pelo Rio, é considerado o mais maduro, ponderado e amistoso dos três. É definido como “um amor de pessoa” por um político do círculo íntimo do presidente eleito. Na quinta (6), no entanto, ele foi envolvido na notícia de que um ex-assessor movimentou R$ 1,2 milhão, de forma atípica. E virou um dos assuntos mais comentados do Twitter.

Desagravo

Jair Bolsonaro fez um desagravo público em mensagem de aniversário ao seu segundo filho Carlos, vereador do Rio de Janeiro pelo PSC e gerenciador das mídias sociais do pai durante a campanha eleitoral.

"O primeiro a aceitar o desafio de encarar os ventos das adversidades que enfrentamos até chegar aqui. Não fosse seu intuito em tomar iniciativas e se antecipar a problemas, talvez não tivéssemos chegado tão longe. Muito mais acertos que erros. Carlos sempre foi e é decisivo em nossas conversas. Enganam-se os que creem que irão nos separar", foram algumas das palavras do presidente eleito sobre o aniversariante.

Pode dar ruim

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) rastreou a movimentação bancária de R$ 1,2 milhão por Flávio José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). O deputado estadual fluminense e senador pendurou na conta que mantém no Twitter uma nota que destoa de sua retórica habitual. Sempre na ofensiva, Flávio expressou-se em timbre meticulosamente defensivo.

Flávio escreveu o seguinte: "Fabrício Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta. Em outubro foi exonerado, a pedido, para tratar de sua passagem para a inatividade. Tenho certeza de que ele dará todos os esclarecimentos."

Quem lê a nota assim, inteiramente descontextualizada, fica curioso para conhecer os fatos que lhe deram origem. Trata-se de um desses episódios que podem definir de que tipo de matéria-prima é feito um governo. Vai abaixo um decálogo da encrenca:

1. Já se sabia que a decisão de transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da área econômica para a pasta da Justiça havia transformado Sergio Moro num gestor de nitroglicerina.

2. A apenas 25 dias da instalação do novo governo, descobre-se que o o estoque de material radioativo colecionado pelo Coaf inclui um conjunto de dados que encostam o futuro ministério de Moro na família Bolsonaro.

3. Responsável pelo mapeamento das transações bancárias suspeitas realizadas em todo país, o Coaf farejou movimentação esquisita de um ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa flumiense.

4. Chama-se Fabrício José Carlos de Queiroz o personagem fisgado pelos radares do Coaf. Trata-se de um ex-PM que estava lotado no gabinete de Flávio Bolsonaro até o último dia 15 de outubro. Era meio motorista, meio segurança.

5. Detectou-se movimentação R$ 1,2 milhão numa conta bancária atribuída a Fabrício entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

6. A cifra é incompatível "com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira" do correntista, cujo salário na Assembleia somava R$ 8.517. Que ele acumulava com R$ 12,6 mil recebidos da Polícia Militar.

7. Entre as esquisitices detectadas pelo Coaf há grande número de saques em dinheiro vivo. Há também um cheque que eleva o nível de radioatividade do episódio. Menos pelo valor do que pelo nome da favorecida.

8. Na frieza de sua linguagem técnica, o Coaf descreveu assim o artefato tóxico extraído do levantamento de cheques emitidos por Fabrício: "Dentre eles constam como favorecidos a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função–Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil."

9. Michelle Bolsonaro é a atual mulher de Jair Bolsonaro (pode me chamar de primeira-dama).

10. Há cinco dias, Moro sacou a "carta branca" que recebeu de Bolsonaro para confirmar que o Coaf estará mesmo sob sua jurisdição a partir de janeiro. Indicou para comandar o órgão um craque: o auditor fiscal Roberto Leonel, da inteligência da Receita Federal. Logo, logo o país ficará sabendo qual é o tamanho da liberdade que Bolsonaro diz ter concedido a Moro para combater os malfeitos.

Chanceler paralelo

De passagem pelos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comportou-se como uma espécie de chanceler paralelo do Brasil. O filho de Jair Bolsonaro levou às redes sociais uma entrevista que concedeu à Fox News. Com a humildade reduzida à mínima potência, disse que sua viagem teve o propósito de abrir o caminho para a recuperação da credibilidade do Brasil, um país que abandonou o "socialismo" para ser "uma economia muito mais liberal."

Loba no galinheiro

A atual presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, a pediatra Mayra Pinheiro, foi convidada para assumir uma secretaria no futuro ministério da Saúde, que será comandado pelo deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) em 2019. Contrária ao Mais Médicos, Pinheiro foi chamada para assumir a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (STGES), que hoje cuida justamente do programa, além de políticas públicas de gestão da área e formação de profissionais no país. Sua ida para a pasta estaria dependendo de detalhes para ser confirmada. Ela foi uma das organizadoras das ações hostis contra médicos cubanos no início do programa. Vai vendo.

Século 19

O compromisso assumido por Jair Bolsonaro com seus eleitores era o de racionalizar o governo, reduzindo a 15 o número de ministérios. Num modelo assim, a extinção do Ministério do Trabalho seria um tema passível de discussão. Mas o enxugamento da máquina estatal virou conversa mole de campanha. Haverá na Esplanada de Bolsonaro mais de 20 ministérios. Num formato assim, mais elástico, acabar com a pasta do Trabalho é uma decisão que oscila entre o erro e a pura maldade. Trata-se de vale-tudo que ameaça transformar a globalização num avanço mercantil capaz de devolver o trabalhador ao século 19.

De olho no Onyx

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, sugeriu que poderá demitir o futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, se houver denúncia robusta contra ele. "Olha só, havendo qualquer comprovação obviamente ou uma denúncia robusta contra quem quer que seja do meu governo que esteja ao alcance da minha caneta bic, ela será usada", afirmou. A declaração é uma resposta a questionamento feito sobre uma fala de seu vice, general Hamilton Mourão. Em Belo Horizonte, Mourão disse que Onyx teria de deixar o governo se for provado que ele cometeu ato ilícito.

Muito confiado

Após o ministro Edson Fachin autorizar abertura de investigação sobre o pagamento de caixa 2 do Grupo J&F – que comanda a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista – ao deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS), o futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse que o futuro chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PSL) tem sua “confiança pessoal”. Rigoroso sob a toga, Moro revela ser um político um pouco mais tolerante. Onyx é suspeito de ter recebido R$ 200 mil da JBS via caixa dois

Assombrados

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal) afirmou em uma palestra na procuradoria-geral do Rio, há alguns dias, que “quem pensa que o problema da educação no Brasil é Escola Sem Partido, ideologia de gênero ou saber se 1964 foi golpe ou não, está assustado com a assombração errada”.“Os problemas são outros: não alfabetização na idade própria, evasão no ensino médio, déficit de aprendizado e capacitação de professores”, disse o magistrado. Barroso é o relator de ações que questionam a implantação da Escola Sem Partido em estados e municípios e concedeu liminar suspendendo as medidas.

Falando na mordaça

O pau tá comendo na Câmara.

Cabeçadas

Flávio Bolsonaro, ao comentar um tuíte de seu irmão, Carlos Bolsonaro, sobre ameaças de morte contra o pai deles por pessoas próximas, afirmou não ter entendido a mensagem do irmão. As declarações foram feitas na noite desta segunda-feira, 3, no programa Central das Eleições, da GloboNews. “Não tem ameaça nenhuma que eu saiba. Todo mundo que está compondo o governo é de nossa total confiança”. E completou: “Eu confesso que não entendi muito bem qual foi a intenção e pra quem ele dirigiu esse tuíte”, disse.

Jair foi eleito para colocar militar lá dentro

O senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL), filho mais velho do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que seu pai foi eleito para colocar militares no Palácio do Planalto. As declarações foram feitas na noite desta segunda-feira, 3, no programa Central das Eleições, da GloboNews. “Jair foi eleito para colocar militar lá dentro. Se fosse para pôr ladrão, votava no PT”, disse.

Mais poder a Guedes

Com o fim do Ministério do Trabalho, o superministro da Economia Paulo Guedes vai gerir dois fundos bilionários do governo: o FGTS e o Fundo de Amparo ao Trabalhador, que banca os pagamentos de abono salarial e seguro-desemprego. Juntos, eles reúnem um patrimônio de R$ 800 bilhões em recursos dos trabalhadores e são considerados estratégicos para o financiamento de investimentos em habitação, infraestrutura e saneamento, informou o Estadão.

Índio quer ser branco

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a reclamar da atual política indigenista e afirmou que vai “proporcionar meios para os índios” se “integrarem à sociedade”. Ele criticou a Fundação e disse que o órgão indigenista impede que o índio tenha “um tratamento adequado”. “O índio quer médico, quer dentista, quer televisão, quer internet. Vamos proporcionar meios para que o índio seja igual a nós", disse Bolsonaro.

Barraco no avião

O advogado Cristiano Caiado de Acioli, 39, foi levado a prestar esclarecimentos à Polícia Federal na terça (4) após criticar Ricardo Lewandowski, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), em um voo do qual eram passageiros. O advogado, ao ver o ministro a bordo do voo da Gol, que partiu de São Paulo rumo a Brasília às 10h45, afirmou, quando a aeronave ainda estava em solo: "Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês". A fala foi filmada por ele próprio. O ministro responde e pede ao comissário de bordo que chame a PF para prender Acioli. "Vem cá, você quer ser preso? Chama a Polícia Federal", diz Lewandowski. "Eu não posso me expressar? Chama a polícia federal então", rebate o advogado. Acioli é filho de Helenita Caiado de Acioli, subprocuradora-geral da República.

Em nome da honra

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirma que só reagiu ao advogado que criticava o tribunal no avião em que viajariam de SP para Brasília, na terça (4), porque ele ofendia a corte (leia a nota acima). “Eu me senti na obrigação de defender a honra do Supremo”, afirmou o magistrado.  “Se fosse ofensa ao meu trabalho, eu poderia até relevar, como já relevei em várias outras ocasiões”, afirma. “Eu aceito a crítica democrática. É um direito do cidadão. Mas a ofensa às instituições é um perigo para o Estado Democrático de Direito”, garante.

Liberdade de expressão

O Brasil é o 2º país em que as garantias para a liberdade de expressão mais decaíram nos últimos três anos, diz relatório Agenda de Expressão (Expression Agenda ou XPA), elaborado pela organização não governamental Artigo 19. Segundo o estudo, o nível de liberdade de expressão tem declinado no mundo há dez anos, mas teve sua queda acentuada nos últimos três, quando a imprensa mundial viu sua liberdade cada vez mais restrita. Hoje, segundo a Artigo 19, a liberdade de expressão está no seu nível mais baixo em uma década. O Brasil registrou uma decadência mais acentuada na liberdade de expressão em ambientes online ou no espaço público comum, como em protestos ou manifestações.

Apaga tudo

O grafite feito por Yuri Sousa, 21, não durou 48 horas. A cena desenhada no dia 25 de novembro chamava a atenção: o presidente eleito, Jair Bolsonaro, dava um beijo na boca do presidente dos EUA, Donald Trump. Alguém parece não ter gostado e passou por cima uma tinta azul, apagando a obra do artista que demorou quase nove horas para ficar pronta. A prefeitura informou, por meio da assessoria de comunicação, que não teve nada a ver com o ocorrido. O beijo entre Bolsonaro e Trump do artista cearense remeteu também a um famoso desenho do russo Dmitri Vrubel, feito em 1990 no recém-derrubado Muro de Berlim, que retratava um beijo dado pelos líderes da União Soviética, Leonid Brejne, e da Alemanha Oriental, Erich Honecker, em 1979. Batizado de "Meu Deus, Ajuda-me a Sobreviver a Este Amor Mortal", foi um dos grafites mais conhecidos de todos pintados no muro que separava a Alemanha.

Que ruim é ser patrão

"É horrível ser patrão no Brasil", afirmou Jair Bolsonaro em reunião com a bancada do MDB.. Ele reclamava da legislação, defendendo o aprofundamento da Reforma Trabalhista, que mudou mais de 120 itens da CLT no ano passado. Depois, em coletiva à imprensa, afirmou que "continua sendo muito difícil ser patrão no Brasil". Ele poderia ter dito "é horrível ser trabalhador no Brasil" ou "continua sendo muito difícil ser trabalhador no Brasil" por conta dos baixos salários (em média, os brasileiros ganham 2,3 salários mínimos), do alto índice de informalidade (segundo os últimos dados do IBGE, são 11,6 milhões o número de empregados do setor privado sem carteira assinada – sem contar os que trabalham por conta própria), dos 12,4 milhões de desocupados, dos 27,2 milhões de subutilizados ou dos 4,7 milhões de desalentados – que nem procuram mais emprego porque sabem que não vão conseguir. Mas preferiu falar dos patrões quando tratou da legislação que rege a compra e venda da força de trabalho.

Tucanato

Recebido com aplausos pela bancada federal do PSDB, Jair Bolsonaro tratou os tucanos como velhos parceiros no encontro que tiveram nesta quarta-feira a portas fechadas, no escritório de transição, em Brasília. O presidente eleito chegou a dizer que o tucanato não terá um ministério no seu governo, terá as 22 pastas, pois todos os seus ministros serão orientados a atender às demandas dos deputados.

Mais ricos

A faixa dos 20% mais ricos do País são os maiores beneficiados pelo desenho atual das regras de aposentadoria e pensão. A cada R$ 100 gastos pelo governo com Previdência, R$ 40 ficam com essa camada mais privilegiada na distribuição de renda, enquanto os 20% mais pobres recebem apenas R$ 3 desse bolo. As estimativas foram feitas pelo Ministério da Fazenda, segundo o Estadão.

Troca de farpas

Mesmo proibido de dar entrevistas na prisão, Lula deu um jeitinho para falar com a imprensa. Na última quinta-feira, a BBC publicou uma entrevista com o petista feita por cartas. Entre as já conhecidas alegações de inocência e críticas ao agora ex-juiz Sérgio Moro, Lula provoca o presidente eleito. “Bolsonaro só venceu porque não concorreu contra mim”, escreveu, certo de que venceria o pleito se não estive atrás das grades e impossibilitado de ser eleito pela Lei da Ficha Limpa. Bolsonaro não deixou passar em branco. “Só não concorri com Lula porque ele está preso, condenado por corrupção”, escreveu.

Torta de Climão

Com clima tenso na bancada do PSL na Câmara, o presidente eleito Jair Bolsonaro deve fazer uma reunião com os parlamentares eleitos na próxima quarta-feira (12). O objetivo é apaziguar os ânimos na segunda maior bancada da Casa, com 52 deputados eleitos. A disputa interna pelos postos de liderança do governo e de liderança do partido têm atiçado os ânimos entre os parlamentares, mesmo aqueles que ainda não assumiram mandato. Protagonizaram brigas no grupo de WhatsApp da bancada o líder atual, Eduardo Bolsonaro (SP), a deputada eleita Joice Hasselmann (SP) e o senador eleito Major Olímpio (SP). Na conversa, o filho do presidente eleito chama a deputada de "sonsa" e diz que ela tem "fama de louca". Joice, por outro lado, o acusa de mandar "recadinhos infantis". Parlamentares dizem reservadamente que a deputada eleita, que já afirmou que há grandes chances de ser a líder do governo, está isolada. 

Mentiroso

A deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) chamou seu correligionário, o eleito Major Olímpio (SP), de "aproveitador" e disse que o parlamentar "mente descaradamente".  As publicações, feitas em redes sociais, são mais um capítulo da briga entre os parlamentares eleitos do PSL.  Leia a nota acima.

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