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Mundo

Metade dos latino-americanos não apoiam a democracia

Queda de quase cinco pontos percentuais ante o resultado de 2017 representa a pior marca para a democracia desde 2010

Postado em 04 de Dezembro de 2018 - Pablo Vicente – Folha de SP

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O respaldo à democracia está caindo mais acentuadamente e, com um índice de apoio de apenas 48%, mais de metade dos latino-americanos já rechaçam a situação atual desse modelo. É isso que afirmam os dados apresentados pelo estudo anual da Latinobarómetro, que se baseia em entrevistas com 20 mil latino-americanos, em 18 países.

A queda de quase cinco pontos percentuais ante o resultado do ano passado representa a pior marca para a democracia desde 2010, quando o índice de apoio à democracia atingiu seu resultado mais elevado, 61%.

Os números confirmam o desencanto dos latino-americanos com a saúde de suas democracias e colocam em xeque o sistema democrático existente na América Latina. Como responder a essa crise democrática é uma das interrogações que temos de nos propor para mudar uma realidade que pode sucumbir em forma de processos políticos vindos do passado.

O estudo da Latinobarómetro destaca, além disso, que, pela primeira vez desde que a pesquisa começou a ser realizada, 28% dos entrevistados se declararam indiferentes em termos de preferência por uma forma de governo. Quase 6 de cada 10 pessoas consultadas sinalizaram que não votariam em qualquer partido político, o que prova a fragilidade da democracia.

Isso é causa de preocupação, já que não há como conceber uma democracia sem partidos políticos, e a legitimação das siglas sempre surge de processos eleitorais, para os quais a cidadania desempenha papel fundamental na hora de eleger quem representará o povo. Assim, o fato de que 6 em cada 10 pessoas se sintam indiferentes constitui um desafio fundamental para os partidos, que precisam conquistar a confiança dos cidadãos.

Mas a situação é ainda mais preocupante, porque a indiferença se acentua entre os jovens dos 16 aos 26 anos, o que significa que as pessoas que representam essa faixa geracional demonstram indiferença cada vez maior diante do sistema político. Isso é evidentemente um sinal de alerta, dadas as consequências que poderia ter no futuro. Por isso, é necessário estabelecer uma estratégia política a fim de motivar a juventude a participar da política, e para isso os partidos políticos precisam criar condições para a participação efetiva dos jovens.

O estudo aponta que o apoio à democracia na região vem caindo há cinco anos, e que apenas 53% dos cidadãos entrevistados se declaram partidários dessa forma de governo. Assim, a atual crise de confiança está começando a erodir a legitimidade dos governos, cujos níveis de aprovação –salvo algumas exceções– andam especialmente baixos.

O estudo aponta que jamais havia surgido uma percepção tão forte de retrocesso, com os problemas econômicos (35%), crime (19%), situação política e corrupção (9%) como principais fatores. Isso demonstra que certas políticas públicas que têm como objetivo solucionar os grandes males que afetam a nossa região ainda estão pendentes. E a identificação desses males, que tem a ver com a desigualdade e a distribuição de riqueza, é perceptível no avanço, de 61% para 79% entre 2006 e 2018, da percepção de que em nossa região os países são governados "em benefícios de alguns poucos grupos poderosos".

Quanto a isso, fica claro que a queda na credibilidade dos governos e dos partidos políticos é sem dúvida o principal desafio à democracia. Assim, os governos devem implementar políticas que satisfaçam as necessidades de seus cidadãos, para que estes voltem a confiar nas instituições democráticas.


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