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Terça-Feira 18.dez.2018

Ano VII - Nº 332

Governo

Poder

Bolsonaro presta continência a assessor de Trump e classifica encontro como muito producente

Filho de Bolsonaro dá sinais de que o próximo governo será subserviente aos americanos

Postado em 30 de Novembro de 2018   - Congresso em Foco e Mariliz Pereira Jorge (Folha de SP)

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O presidente eleito, Jair Bolsonaro, e o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, se encontraram na manhã de quinta-feira (29). Os detalhes da conversa não foram divulgados. Mas, pelo Twitter, o presidente eleito classificou a reunião, um café da manhã em sua residência no Rio, como “muito producente”. Havia a expectativa de que os dois tratassem de questões como o comércio entre Brasil e Estados Unidos no próximo governo, as relações entre os dois países com a China e a situação política da Venezuela.

Ao receber o assessor do presidente Donald Trump, Bolsonaro fez um gesto de continência. Ele estava acompanhado de seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, do futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e do próximo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

Desde sua campanha, o presidente eleito defende uma aproximação maior entre Brasil e Estados Unidos. O presidente Donald Trump foi o primeiro chefe de Estado a telefonar para parabenizá-lo pela vitória em segundo turno no último dia 28.

Preparando terreno

Em entrevista coletiva no último dia 27, em Washington, Bolton disse que o encontro seria um “momento histórico para a relação entre Brasil e Estados Unidos” e que pretendia ouvir as prioridades de Bolsonaro e falar sobre os pontos de vista de Trump sobre economia e segurança, entre outras áreas. O objetivo da conversa, segundo o conselheiro, é “preparar terreno” para uma ação conjunta dos dois presidentes.

“Compartilhamos muitos interesses bilaterais e trabalharemos de forma próxima para expandir a liberdade e a prosperidade por todo o continente americano”, disse Bolton pelo Twitter.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, está nos Estados Unidos, onde, segundo tem divulgado, tem se encontrado com autoridades e participado de palestras. Ele foi um dos convidados de Steve Bannon, ex-estrategista de campanha de Trump, para sua festa de aniversário. Os dois já haviam se encontrado meses atrás, o que despertou rumores de que Bannon também atuou, ainda que informalmente, na campanha de Bolsonaro.

Capacho

O deputado federal Eduardo Bolsonaro acha muito natural participar de eventos, incluindo uma reunião com Jared Kushner, conselheiro sênior e genro do presidente Donald Trump, e em algum momento aparecer vestido com um boné bordado “Trump 2020”.

Não bastassem as declarações, que não têm status oficial, mas podem deixar setores apreensivos e antecipar crises diplomáticas e comerciais, Eduardo resolve enfiar na cabeça a carapuça de que o próximo governo brasileiro será subserviente, capacho dos EUA, em relação a temas que são muito caros ao país e a outros. 

Tudo na atitude já seria esdrúxulo, mas piora porque ele posa de representante do presidente eleito quando não tem nenhuma autoridade para brincar de relações internacionais. Nem como líder de partido, o que ele almeja mas ainda não é, nem como parlamentar, e muito menos no cargo de filho, que não lhe confere qualquer poder, ao contrário do que ele e seus irmãos possam pensar. 

Os Bolsonaro precisam entender que a eleição acabou e que precisam respeitar hierarquias, instituições, protocolos. O episódio em Eduardo ameaçou ministros do STF ao dizer que para fechar o Supremo bastava apenas um soldado e um cabo parece não ter sido uma boa lição de que os filhos do presidente deveriam assumir apenas o papel que lhes cabe na vida pública. No caso de Eduardo, o de deputado federal. 

Está mais do que na hora de Jair colocar os garotos na linha e de eles agirem como zeros à esquerda para não atrapalhar papai e o país.


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