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Sábado 29.fev.2020

Ano VIII - Nº 382

Coluna Meia Pala Bas

O impeachment de Bolsonaro

Se seus eleitores estiverem certos, o mandato do mito não dura muito

Postado em 17 de Novembro de 2017 - Rodrigo Amém

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É claro que Bolsonaro será eleito. Toda vez que nossa classe média se frustra, incorre no mesmo erro. Como um membro do Vigilantes do Peso que devora um chocolate depois de um dia estressante. É um gesto impulsivo, misto de protesto, desespero e auto-afirmação. Esse eleitor até tolera não ser diretamente beneficiado. Mas, a partir do momento em que sua visão de mundo é ameaçada, ele parte para ignorância. Literalmente. E a próxima partida se dará em 2018.

Bolsonaro será eleito numa plataforma moralizadora. Sustentado por uma coligação de meia dúzia de legendas de aluguel, Bolsonaro abraçará o PMDB para vencer o segundo turno, em troca de tempo de programa eleitoral de TV e verba de campanha.

Quando o PMDB vier cobrar a conta do apoio na forma de verbas e ministérios, encontrará um Bolsonaro menos receptivo. Depois de três ou quatro conflitos com sua base mal ajambrada, reportagens com denúncias sobre o passado e a vida pessoal do presidente ganharão destaque na Veja e no Jornal Nacional.

Diante da queda de popularidade, Bolsonaro tentará implementar medidas econômicas para apaziguar a opinião pública. O mercado verá a iniciativa populista com maus olhos. O dólar vai subir, o PIB vai estagnar.

O eleitor brasileiro sonha com o ‘Bom Ditador’ de Maquiavel. Procuramos esse homem branco, hétero, de boa ‘postura’ e educação, que governe com mão de ferro sobre os bandidos e faça cafuné nos cidadãos de bem. Votamos em qualquer variação disso que estiver à mão.

Diante da oposição empurrada por uma centro-esquerda ressentida e motivada, Bolsonaro recorrerá às Forças Armadas. Será respeitosamente lembrado das razões que levaram à sua exclusão do Exército.

Isolado, Bolsonaro enfrentará um novo processo de impeachment. É provável que renuncie.  

Foi assim com o Collor. O caçador de marajás, uma herança dos governos militares que hoje são vistos como "honestos e transparentes", sabe-se lá porquê. Foi assim com Jânio Quadros.

O eleitor brasileiro sonha com o "Bom Ditador" de Maquiavel. Procuramos esse homem branco, hétero, de boa "postura" e educação, que governe com mão de ferro sobre os bandidos e faça cafuné nos cidadãos de bem. Votamos em qualquer variação disso que estiver à mão. Nosso presidente ideal não dialoga, não debate, não escuta. Ele é truculento, arrogante e resolve na canetada. Não fosse tão circense, o Ratinho seria um candidato muito mais eficaz que, por exemplo, Luciano Huck.

O que o eleitor brasileiro parece se recusar a entender é que, sem apoio do Congresso, não adianta falar grosso. E nossos deputados e senadores tendem a não apoiar presidentes que não "jogam bola". Daí os processos de ejeção de presidentes são ridiculamente frequentes na história do nosso país. Moral da história: ou seu presidente-herói mergulha de cabeça na lama ou vai para casa mais cedo. É bom Jair se acostumando.


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