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Quinta-Feira 24.set.2020

Ano IX - Nº 411

Coluna Paladar

Quase todos produtos da refeição básica do brasileiro estão mais caros

A saída é dar um jeitinho

Postado em 11 de Dezembro de 2019 - Marcia De Chiara – Estadão

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O tradicional prato feito – arroz, feijão, carne, batata e ovo – ficou indigesto. Os preços dos ingredientes pesaram mais no bolso do consumidor nos últimos doze meses, especialmente para a grande massa de desempregados e subempregados. A alta desses preços supera a inflação geral do País, que anda bem comportada e acumula alta de 3,27% em 12 meses até novembro, segundo o IBGE.

O que chama mais atenção foi a disparada recente do preço da carne bovina que bateu o recorde no campo no mês passado. No açougue, houve alta de até 50% nos preços de alguns cortes nas últimas semanas.

Mas o feijão, a batata e o ovo não ficaram para trás. Em doze meses até novembro, os preços médios do feijão carioca subiram 42,88%, aponta o IBGE.

O quilo da batata ficou 12,46% mais caro, a dúzia de ovos brancos subiu 8,84% e a carne bovina aumentou, em média, 14,43% em doze meses até novembro. O único ingrediente do prato feito que ficou mais barato no período foi o arroz, cujo preço caiu 0,20%.

O prato feito

O prato feito, a grande preferência do cidadão comum, resiste apesar da forte alta nos preços dos ingredientes. Reduzir as quantidades à mesa é uma alternativa para continuar fiel ao cardápio e segurar os gastos. Nos restaurantes, no entanto, a criatividade corre solta. Há, por exemplo, estabelecimentos que substituíram o bife por uma porção de carne moída, certamente mais em conta.

A saída de cada consumidor

O maior custo dos ingredientes do prato feito deixou os consumidores em situação difícil para substituir proteínas e grãos, pois esses produtos já são básicos. Mas cada um dá um jeitinho para driblar a alta.

TROCA

A desempregada Ana Daniela Andriani Oliveira, de 26 anos, mãe da Elisa e da Isabel, trocou a carne pelo ovo, que também está subindo. “Eles aproveitam para aumentar preço”, diz ela. O feijão também saiu das refeições da família.

FREQUÊNCIA

O advogado Damião Márcio Pedro, de 58 anos, está indo mais vezes às compras para aproveitar promoções. “Estou mais antenado”, diz. Na sua percepção, os preços dos produtos isoladamente sobem mais do que os índices de inflação.

HORÁRIO

Vegetariana, a diretora de teatro Simone Pompeo, de 59 anos, mudou o horário da feira. “Antes vinha às 8h para ficar livre, agora é só às 13h, quando os preços caem.” Com essa estratégia, ela diz economizar 50%.

SALÁRIO

A aposentada Marisa Lima, de 62 anos, também vai no fim da feira para gastar menos e trocou a carne por legumes. “A inflação está controlada no salário, mas nos preços, não”, afirma.


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Colunista

Vera Chaves

Vera Chaves

Vera Chaves é cheff internacional e advogada.


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