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Segunda-Feira 20.mai.2019

Ano VII - Nº 351

Camara maio

Coluna True Colors

Turismo LGBT é o que mais cresce no mundo

O contexto político atual faz com que o Brasil fique atrás de países da América Latina, como Chile e Argentina, no ranking de turismo LGBT

Postado em 08 de Maio de 2019 - Pedro Pulzatto Peruzzo - Igay

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Uma vez morando aqui na Ásia há alguns anos e dedicando boa parte do meu tempo aos trabalhos com a comunidade LGBT local, confesso que fiquei um pouco desligado dos acontecimentos no Brasil nos últimos meses. Mas numa rápida pesquisa, levei um susto ao constatar que o atual presidente segue falando absurdos sobre lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

Boa parte dos meus amigos que trabalham com ONGs e entidades em defesa dos direitos humanos tem comentado comigo como está o cenário atual do país para os LGBTs. Muitos dos meus seguidores nas redes sociais me pedem dicas de como morar fora do país. Então, não acredito que o cenário seja dos melhores.

Quer dizer, já não estava mil maravilhas para a economia nacional... E Jair Bolsonaro recentemente ainda foi falar que "o Brasil não pode ser reconhecido como um país de turismo e de mundo gay". Mal sabe ele que o turismo LGBT é o que mais cresce no mundo, registrando números muito maiores que o dito "turismo convencional".

É o mundo todo atrás do famoso " pink money " - a maioria dos LGBTs não possui as mesmas despesas com família que os casais heterossexuais têm, sobrando para eles o maior poder de consumo - e Bolsonaro querendo colocar o Brasil ainda mais para trás nesse mercado, com aquele velho discurso de "uma nação de família".

Pesquisas recentes de portais de turismo apontaram pela sexta vez o Uruguai - com suas políticas inclusivas a casais de mesmo sexo - como o destino mais convidativo para LGBTs na América Latina. O Brasil (com a ascensão do presidente machista, racista e homofóbico), só vem caindo mais posições no ranking, ficando atrás de nações como o Chile, Argentina e Peru.

E olhe que, também trabalhando como guia turístico aqui em Bangkok, convivo com muitos europeus, asiáticos e americanos que chegam para mim aflitos e perguntam: "É seguro mesmo visitar o Brasil depois que este novo presidente assumiu?". Acho que tem tanta coisa mais problemática rolando no país para Bolsonaro ficar atirando pedra nos LGBTs.

Como "pai de família" que ele sempre afirma ser, poderia estar mais preocupado com o desemprego, o crescimento da inflação, no número de miseráveis... Posso garantir que meus amigos estão gastando o tempo deles com outras coisas ao invés de estarem tentando transformar o país numa "nação gay". Não precisa ficar noiado em tirar palavras como “lacrou” e outras gírias LGBT do dicionário de publicidade estatal (como se fosse fazer diferença).

Há poucos dias, Pedro Pulzatto Peruzzo - que é advogado e professor do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos  e Desenvolvimento Social da PUC Campinas - publicou uma carta aberta ao presidente falando tudo que todo ativista gostaria de dizer. Nela, ele pede para que Bolsonaro pare de “incitar ódio” aos gays, que assim sobra tempo para o Brasil:

"(...) Como indivíduo, o senhor pensa o que o senhor quiser pensar. Mas na condição de Chefe de Estado, o senhor tem o dever de respeitar as instituições e, nesse aspecto, andou muito mal, andou fora da lei ao dizer que não podemos ser um 'país do mundo gay por termos famílias'. O senhor acertou ao usar 'famílias', no plural, mas errou ao recusar, na condição de Chefe de Estado, espaço no mundo às famílias LGBT+.

(...) O STF já reconheceu o direito à família aos casais homoafetivos, razão pela qual perder tempo incitando picuinha, ódio e alimentando desejos estranhos em relação a essa comunidade é algo que o senhor deveria retirar da pauta do governo para que lhe sobrasse mais tempo para fazer pelo Brasil

(...) Todo brasileiro, LGBT+ ou não, paga muito caro pelos tributos que sustentam o senhor e sua família em altos cargos de gestão e, mais do que isso, pelos tributos que sustentam as milionárias emendas parlamentares que o senhor e seus ministros andam prometendo pagar para quem se aliar aos senhores na reforma da Previdência.

Por isso, Senhor Presidente, trabalhe institucionalmente e só! Trabalhe com respeito às instituições democráticas da nossa República Federativa, pois é isso que o povo espera de um Presidente eleito nas urnas". 


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