Semana On

Segunda-Feira 25.jun.2018

Ano VI - Nº 308

lUGARES

Coluna A Arte de ser Viajante

Fortaleza do Morro de São Paulo aberta à comunidade

Um bom exemplo para a valorização e uso do Forte de Coimbra, em Corumbá, para o turismo, unindo história e natureza

Postado em 08 de Março de 2018 - Silvio Andrade

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Um dos mais importantes monumentos militares do Brasil, a Fortaleza do Morro de São Paulo, no município de Cairu (BA), foi inaugurada em janeiro como espaço aberto à sociedade e ao turismo, contando com locais para exposição, espetáculos teatrais e eventos, de maneira a acolher os visitantes com a infraestrutura e as condições necessárias para que conheçam e valorizem esse rico patrimônio cultural.

Após uma extensa obra de restauro, supervisionada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a edificação contará agora com um Plano de Gestão Participativo que tem como objetivo garantir a sustentabilidade no uso do monumento. A edificação foi restaurada com recursos da Lei Rouanet, captados junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) pelo Instituto do Desenvolvimento do Baixo-Sul (IDES), executor do projeto, num montante de R$ 14 milhões.

O complexo, cujo projeto é atribuído ao engenheiro militar português Miguel Pereira da Costa, é composto por 600 metros de muralhas e ruínas da construção original e passou por um intenso trabalho de recuperação, restauração e revitalização. Para implementar o uso sustentável do espaço, o projeto para restauro do bem inclui a criação de um Comitê de Governança da Fortaleza do Morro de São Paulo, envolvendo representantes da sociedade civil, trade turístico, além de órgãos públicos como o Iphan, Secretaria de Patrimônio da União (SPU), Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), Secretaria Estadual de Turismo, Sebrae, Secretaria do Trabalho, Prefeitura Municipal de Cairu, dentre outros.

Plano de Gestão

O objetivo é a elaboração de um Plano de Gestão Participativo que estabeleça reflexões e deliberações em diversas áreas – como comunicação, infraestrutura e segurança – o que fortalecerá uma gestão integrada contínua do monumento, visando colocar o conjunto arquitetônico junto à dinâmica turística, econômica e cultural da região.

O monumento é um sistema fortificado tombado pelo Iphan em 1938, pelo seu relevante interesse arquitetônico e histórico para a Bahia e o Brasil. Por sua posição geográfica estratégica, o local já existia na época da Invasão Holandesa e, tempos depois, teve grande importância durante a Independência do Brasil, contribuindo para a libertação da Bahia. O bem concentra parte da rica história da Marinha Imperial do Brasil.

Valorizar o passado

As obras de restauro foram executadas em duas etapas, dada a complexidade das intervenções. A primeira delas correspondeu à elaboração de projetos executivos e complementares, juntamente com a intervenção imediata e emergencial nas muralhas da Fortaleza, cujo estado de conservação oferecia risco iminente de perda de trechos consideráveis do monumento, em decorrência da ação constante das marés, as enxurradas oriundas do morro e, também, do esforço causado pelas raízes da vegetação existente nas suas imediações. 

A segunda etapa contemplou a intervenção no restante do monumento, restaurando-o readequando-o aos novos usos propostos, destacando-se a restauração do Portaló, do Corpo da Guarda, do Forte da Ponta e do caminho ao longo da muralha. A intenção é valorizar o passado da região, por meio da implantação de um espaço de educação patrimonial e histórica, fazendo sua ligação com o presente e apontando caminhos para o futuro.

O espaço será usado para exposição e comercialização de produtos típicos, impulsionando empreendimentos da economia criativa: artesanato, culinária, entre outros serviços da comunidade artística local. Ao ar livre haverá um anfiteatro (desmontável), dinamizando o calendário de eventos. Serão implantados também um núcleo receptivo turístico logo na entrada do monumento, bem como um pequeno núcleo de apoio aos visitantes.


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