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Sexta-Feira 30.out.2020

Ano IX - Nº 416

Coluna Ponte Aérea

Piada pronta da semana

Raphael Tsavkko fala da rachadinha alheia, de perseguições e censura

Postado em 14 de Outubro de 2020 - Raphael Tsavkko

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Petista levava grana na cueca.

Bolsominion leva grana enfiada no c*.

E assim caminha o Brasil... Aliás, isso configura "rachadinha"?

CENSURA

Concordo integralmente com o artigo do Pablo Ortellado: Teria existido censura realmente na ação do Facebook e Twitter de impedir a postagem ou limitar alcance de uma matéria do NY Post? Com base nessa premissa surgiu um debate interessante no Twitter com o Pedro Doria.

Concordo com o Pablo que, sem dúvida, foi censura - e pior, ainda coloca tanto o Facebook quanto o Twitter em uma posição delicada no debate sobre se seriam empresas de mídia ou plataformas de rede social. O Facebook não quer nem saber de ser considerado uma empresa de mídia.

Mas ambas agiram como empresas de mídia vetando conteúdo ANTES da verificação independente. Adotaram uma posição de editores barrando conteúdo e não de plataformas que agem após verificação comprovar que um determinado conteúdo é danoso ou ilegal.

Sequer se sabe ainda a qualidade da informação da matéria do NY Post - que é, sem dúvida, um veículo suspeito e pouco confiável. Mas não cabe à redes sociais definirem de forma independente, sozinhas, autocraticamente, o que é ou não mau conteúdo jornalístico. Para isso existem verificadores. Claro que "repeated offenders" poderiam ser tratados de forma diferente (temos exemplos abundantes no Brasil, do Brasil 171 na esquerda ao Jornal da Cidade Online na direita, nenhum deles pratica jornalismo), e na verdade o Facebook tem regras sobre isso (falhas, muitas vezes não aplicadas, etc, mas é outro debate).

Censura não vem apenas do Estado. Isso me parece claro - ainda que obviamente a censura estatal possa ser mais efetiva e até mais cruel. Em um mundo dominado por redes sociais, ser excluído delas equivale à censura. Na internet, redes sociais são quase Estados independentes agindo por suas próprias regras enquanto tentam escapar das regras impostas pelos verdadeiros Estados.

Se por um lado a censura estatal poderia impedir a circulação do NY Post, por outro, a censura do Facebook e do Twitter virtualmente inviabilizam a circulação do NY Post online.

"Ah, mas o site está no ar". Sem dúvida, mas a gente sabe que, hoje, as redes sociais são a principal forma de consumo de notícias e para se chegar até uma determinada publicação.

Diz o Dória: "Os critérios não são nada transparentes. Quer dizer... Nas entrelinhas, o que Twitter e Facebook fizeram me parece evidente. Perceberam que houve uma tentativa de manipular as redes para produzir uma vantagem eleitoral artificial. Bloquearam."

A falta de transparência é exatamente o problema. Lembram do projeto 1619 do NY Times? Não me recordo de nenhuma matéria do projeto ter sido censurada nas redes sociais, mesmo sendo coalhadas de informações falsas e manipulações.

Haverá bloqueio semelhante em outros casos? Quais as regras, os critérios? A inexistência de critérios claros são prejudiciais à democracia em um mundo em que temos úm verdadeiro monopólio nas redes, logo, o que é mais prejudicial, a SUPOSTA tentativa de manipulação eleitoral feita por um jornal ou a censura de um monopólio que se coloca acima de quaisquer regras?

Texto do Pablo.

Thread do Pedro Dória no Twitter.

PERSEGUIÇÃO

O João Paulo Cuenca vem sendo vítima de uma perseguição que apenas nossas (sic) lideranças evangélicas poderiam promover.

Quer dizer, lideranças evangélicas e juízes, ambos membros de uma casta que se considera intocável, diferenciada e, curiosamente, ambos pensam serem escolhidos por deus (ou tem deus na barriga). Já me explico.

O Cuenca está sendo processado por pastores da IURD por ter, no Twitter, parafraseado um texto de Jean Meslier, autor do século XVIII, que escreveu: "O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre". Cuenca criou sua própria versão: "O brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal."

O resultado? Mais de 80 ações em 19 estados diferentes com pedidos de ressarcimento por danos morais na casa dos milhares de reais pelo crime de emitir uma opinião baseado em um documento histórico. O que tinha o potencial para ser mero meme nas redes sociais, se transformou em uma batalha pela liberdade de expressão.

O caso, porém, não é inédito. O mesmo tipo de instrumento com o objetivo de censurar jornalistas já foi usado antes. Em 2016, juízes e promotores do Paraná fabricaram dezenas de ações contra jornalistas da Gazeta do Povo por terem denunciado que eles "receberam, respectivamente, 28% e 23% acima da média salarial em 2015 – ou R$ 527 mil e R$ 507 mil, quando o teto é R$ 411 mil. A reportagem não diz que a prática é ilegal."

Quando membros de castas privilegiadas que se sentem intocáveis são "ameaçadas" por comentários inócuos e denúncias de jornalistas, logo partem para o ataque, fabricando processos vergonhosos para tentar vencer pelo cansaço e dar uma lição: A de que não devem ser incomodados.

É urgente que busquemos meios para impedir que a história se repita - e, claro, é preciso apoiar o Cuenca e denunciar a farsa montada por pastores evangélicos que até as horas vagas parecem buscar formas de extorquir dinheiro.

Carta da União Brasileira de Escritores (UBE) em defesa do Cuenca.

Mais sobre o caos da Gazeta do Povo.


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Colunista

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e Doutor em Direitos Humanos.


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