Semana On

Terça-Feira 19.jan.2021

Ano IX - Nº 426

Coluna Crônicas de Theresa

Os sentimentos que a Pandemia despertou em nós

Quantas vezes você chorou no ano passado? Em quantos momentos teve medo? Raiva? Alívio? Esperança?

Postado em 07 de Janeiro de 2021 - Theresa Hilcar

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Eu não aguento mais, você não aguenta mais, ninguém aguenta mais. Quando, no início de abril, comecei a publicar minhas crônicas, aqui no Portal do CE, no intuito de retratar os momentos da pandemia, nem em sonhos poderia imaginar este cenário desalentador, para dizer o mínimo. 

Nesta semana, li um artigo onde o autor fazia algumas perguntas sobre esses tempos incertos: “Quantas vezes você chorou esse ano? Em quantos momentos teve medo? Raiva? Alívio? Esperança?”. 

Ao refletir sobre cada uma delas, acabei acrescentando mais duas: angústia e indignação. Cheguei a triste conclusão que, além dessas, o medo e a raiva ocuparam grande espaço dentro de mim, durante o ano de 2020. 

Como não sentir tristeza diante das centenas e milhares de pessoas que se aglomeram nas ruas, fazem festas, comportam-se como se tudo estivesse na mais perfeita ordem? E os que não usam máscaras? E aqueles que as usam no queixo? 

Como não sentir angústia ao ver as multidões atraídas pelo consumismo, gastando cada centavo do salário que mal dá para cobrir despesas básicas? E para isto, claro, estão se aglomerando.

É indignação o que sinto ao constatar o descaso com que supostos líderes – aqueles que deveriam nos proteger – tratam esta guerra. Sim, é uma guerra. Como já disse anteriormente neste espaço, é uma guerra sem bombas. E muitos de nós temos sorte de ter nossos bunkers confortáveis, com água, luz, comida e internet.

Dá para imaginar que se fossem trocados os fluidos, respingos e tudo que provoca contaminação, por morteiros e tiros, alguém ficaria na rua dando bobeira? Alguém questionaria os números que mudam a todo instante - milhões de infectados e quase 200 mil mortes? 

E pior: há quem não reconheça nem a doença nem os números.

Como não sentir a raiva subindo no peito ao ler, ouvir, perceber, a desinformação e, por conseguinte, a alienação sendo alimentada e consumida diuturnamente? Fala sério. Alguém consideraria usar uma capa de chuva para sair em meio ao bombardeio? Ou quem sabe um guarda-chuvas, galochas, ou tudo junto e misturado? E o riso de escárnio, a mentira deslavada, o gesto irresponsável, a burrice enfim que paira sobre nossas cabeças? 

O que dizer do coro dos desalmados gritando em nossos ouvidos – e daí? Dos olhares de esguelha, das frases prontas que para desacreditar a ciência? 

O ano que se foi, mas que talvez se prolongue, foi de aprendizado, mas também de desapontamento.  Aprendemos desde as coisas mais comezinhas, como lavar as mãos e usar a máscara, até as mais duras, como suportar a distância e a falta de abraços daqueles que amamos. Também vimos, às vezes bem do nosso lado, pessoas que continuam trocando o bom senso pela alienação. 

Estamos entrando na segunda onda da Pandemia, quando mal nos refizemos da primeira. Nas apurações e entrevistas com renomados cientistas, feitas para matérias que escrevi para o Portal MS, o consenso é igual: a situação pode piorar. Principalmente se a insensatez predominar nas festas de final de ano. 

A dor, a raiva e a indignação não mudam a natureza das coisas e das pessoas. Elas são como são. Entender isto nos poupa de sofrer em vão. E haja resiliência!

Agora só nos resta aguardar, com toda fé e a esperança que ainda temos dentro de nós, o momento em que finalmente, ofereceremos o braço para receber a dose que a ciência nos trará.  Que venha logo, e venha de qualquer lugar.    

 

Publicada opriginalmente no Correio do Estado


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Colunista

Theresa Hilcar

Theresa Hilcar

Mineira de Lagoa da Prata, é jornalista.


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