Semana On

Sexta-Feira 07.ago.2020

Ano IX - Nº 405

Coluna Re-existir na diferença

Medidas in-sanitarias

O modelo brasileiro de enfrentamento da pandemia

Postado em 01 de Julho de 2020 - Emerson Elias Merhy

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Tem um shopping no Estado de São Paulo que fica na divisa de duas cidades, o que levou a uma discussão profunda sobre o modo de enfrentar a Pandemia da COVID-19 neste ambiente. Uma das cidades estava adotando a proposta de isolamento social, impedindo que o comércio não essencial (a maioria do comércio que um shopping oferece) fosse aberto; a outra, entretanto, adotava o caminho oposto, abertura total do comércio e da circulação das pessoas. A grande discussão, então, foi se metade do Shopping ficaria fechado, enquanto a outra metade ficaria aberto.

Essa possibilidade, de termos fatos como esse no Brasil afora, é exemplificada à exaustão pela simples razão de que, por aqui, tem-se adotado o modelo IN-SANITÁRIO para enfrentar a pandemia.

Agora mesmo, na capital do país, por ação do governador, está se discutindo a possibilidade de abrir todo o comércio, sem restrição, e liberar a livre movimentação das pessoas, sem restrição, também. Recentemente, esse mesmo governador havia adotado o isolamento social em algumas regiões e na própria Esplanada dos Ministérios, mas agora, pouco tempo depois, passou a dizer que a COVID-19 deveria ser tratada como uma simples gripe e não como uma ameaça maior, como muitos estão propondo.

Não é preciso dizer que atitudes assim vão criando uma grande confusão nas pessoas, que ficam sem saber no que se fiar, isto é, ouvem especialistas dizendo que é uma pandemia grave, que vêm matando centenas de milhares de pessoas pelo mundo afora, inclusive no Brasil, enquanto, por outro lado, ouvem políticos e alguns líderes religiosos dizendo o contrário, até afirmando que o perigo já passou. Sem dúvida, isso cria um Pandemônio na Pandemia, convencendo as pessoas de que o melhor é ir para a rua se expor, pegar logo a tal da covid e ponto final.

Essas propostas IN-SANITÁRIAS estão produzindo um país que vai, junto com os Estados Unidos da América do Norte, bater o recorde de mortes pela COVID-19, ceifando dezenas de milhares de vidas que não iriam ser perdidas se houvesse uma política nacional de enfrentamento, que impediria o Dilema do Shopping, relatado no início desse texto.

Mas, não há essa política de enfrentamento, pois o Governo Federal defende uma não política, gerando um caos enorme, incentivando que cada um ou uma faça o que bem entender. A confusão está instalada.

Antes de terminar essa coluna, gostaria de pedir que todos os leitores relatassem algumas dessas ações IN-SANITÁRIAS que estão vivenciando. Enviem seus relatos aqui no email. Irei reuni-los e apresentá-los em uma conversa ao vivo mais à frente, para termos uma pequena amostra do que estamos vivendo em termos desse Pandemônio.

Obrigado, protejam-se.

Cuidar de si é cuidar do outrx.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Colunista

Emerson Merhy e Ricardo Moebus

Emerson Merhy e Ricardo Moebus

Emerson Merhy e Ricardo Moebus são médicos.


Saiba mais sobre Emerson Merhy e Ricardo Moebus...