Semana On

Segunda-Feira 20.nov.2017

Ano V - Nº 280

Super Banner na capa e em toda a revista

Coluna Cine Drops

Vazante

O lugar de fala do cinema brasileiro

Postado em 10 de Novembro de 2017 - Danilo Custódio

Em 1821, nas serras das Minas Gerais, depois do colapso da economia local baseada na extração de diamantes, o patriarca português Antônio retorna ao lar depois de uma longa viagem conduzindo uma tropa de escravos. Descobre então que sua mulher morreu em trabalho de parto. Nem mesmo a criança sobreviveu. Beatriz, menina que lhe é dada em casamento, passa a viver esse drama da ausência do marido, ficando muitas vezes sozinha com os escravos. Solidão, incomunicabilidade e preconceito levam a uma espiral de violência.

Essa é a história de Vazante, de Daniela Thomas, que ao assumir sua representação do cotidiano dos negros acorrentados, subjugados pelo homem branco eurocêntrico do século XIX, foi duramente criticada pelo público afrodescendente. Durante a última edição do Festival de Brasília, Daniela enfrentou um duro debate que colocou em cheque suas escolhas na direção desse projeto. “Foi horrível. No meu país, onde eu achava que Vazante ia ter uma boa acolhida nos movimentos progressistas, apanhei como se fosse o mais vil dos inimigos”, afirmou a diretora sobre o que aconteceu no planalto central.

O que está em foco nesse debate é o que chamamos de “lugar de fala”, termo presente em qualquer discussão de minoria. Afinal de contas, o que tem a dizer hoje, sobre escravidão e machismo, uma mulher branca? “Entendi nesse debate/combate, que Vazante não produziu a imagem que alguns grupos gostariam de ver. Lamentei profundamente. Seria incrível se na forma e no conteúdo eu tivesse acertado exatamente o tom que se espera.” – concluiu da diretora. Com todo esse debate gerado ao redor de um grande filme, o melhor que temos a fazer é conferir. Então fique ligado na sua fanpage e programe-se!

Chuck Norris e seu adeus ao cinema

Desisti da minha carreira no cinema para me concentrar em Gena, toda a minha vida no momento está concentrada em mantê-la viva. Eu acredito que isso seja muito importante”, disse o ator em entrevista à mais recente edição da revista Good Health, que foi noticiada pelo jornal inglês Daily Mail. O ator dá adeus a sua carreira na indústria do entretenimento para acompanhar o tratamento da esposa. Na avaliação de Norris, o excesso de metal em um líquido de contraste colocado em seu corpo para passar por uma ressonância magnética teria envenenado Gena, que agora luta contra a morte.

Ninguém quer mais saber de Kevin Spacey

Depois do pé no freio na produção de House of Cards anunciada pela Netflix e do cancelamento do filme biográfico Gore, agora é Ridley Scott quem decide agir contra Kevin Spacey, O diretor concordou em retirá-lo do quadro de astros que estreariam seu próximo longa, intitulado All the Money in the world, que já estava pronto e com estreia anunciada durante a programação do AFI Fest em Los Angeles, que acontece de 9 a 16 de novembro. Após as acusações de assediar sexualmente um jovem de 18 anos, os produtores decidiram cancelar a participação no festival em Los Angeles, mas mantiveram a data do lançamento mundial do longa para o dia 22 de dezembro. Os tabloides The Hollywood Reporter, Variety e TMZ informam que Ridley Scott decidiu pela regravação das cenas com a substituição de Spacey pelo ator veterano Christopher Plummer, trabalho que deve acontecer ao longo das próximas duas semanas.

Enquanto isso, em Brasília

Por maioria, os ministros do STF decidiram pela constitucionalidade das quatro Ações Diretas que questionavam dispositivos da Lei 12.485/2011, conhecida como a Lei da TV Paga, marco regulatório das TVs por assinatura no Brasil. As ações julgadas foram impetradas pelo partido Democratas (DEM), pela Associação NEOTV, pela Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA) e pela Associação Brasileira de Televisão por Assinatura em UHF (ABTVU), sendo inicialmente analisadas pelo plenário do STF em 2015, mas o julgamento foi paralisado na época e retomado na última quarta-feira (8). Desde a promulgação da lei, os Canais de Espaço Qualificado exibiram, em média, 53% mais conteúdo brasileiro no horário nobre e as emissoras infantis, por sua vez, exibiram 92,4% a mais de obras nacionais. Também foi registrado um crescimento de 271% no volume de produções brasileiras independentes financiadas através dos mecanismos de impostos gerados pela lei, dos quais 62% já se encontram licenciadas.

Cinema e Educação


Voltar


Colunista

Danilo Custódio

Danilo Custódio

Cinéfilo desde criancinha. Coordenador e professor na escola de artes visuais e cinema Espaço de Arte.


Saiba mais sobre Danilo Custódio...

Comente sobre essa publicação...