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Ano V - Nº 281

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Coluna Cine Drops

Como nossos pais

Maria Ribeiro diz que homens não têm sentimento de culpa na paternidade

Postado em 01 de Setembro de 2017 - Danilo Custódio

"Como nossos pais", novo longa de Laís Bodanzky ("Bicho de sete cabeças") que estreou na última quinta (31), mostra uma protagonista perdida entre pressões e culpas relacionadas aos filhos, ao casamento, ao trabalho e à relação com os pais. Quem dá vida a Rosa é Maria Ribeiro, que defende: o dilema de sua personagem é uma exclusividade feminina.

A incapacidade de manter todos os aspectos da vida sob controle já fez a atriz, mãe de dois filhos e casada com o ator Caio Blat, desistir de algumas coisas. "Unha feita eu abandonei", conta. Outras, ela se permite não fazer. "Festinha de criança, não vou".

"Fico muito ligada em ser uma boa mãe, e ao mesmo tempo adoro trabalhar. Quando venho para São Paulo para trabalhar, parece que estou descansando", diz. "Estou tentando me livrar das pressões. Mas é tão cultural, tão segunda pele, que é uma luta diária."

Pai de pet

No filme, Paulo Vilhena interpreta Dado, o marido desleixado de Rosa que deixa a criação dos filhos quase inteiramente nas mãos da mulher. Na vida real, o mais perto que chega do impasse retratado na história é nos cuidados com seu cachorrinho.

"Não posso nem falar, senão você vai me espancar", brinca com a colega de cena. "Tenho um animalzinho. Cuido dele como se fosse meu filho. Mas não é parâmetro, eu sei."

Em meio a discussões fervorosas sobre o tal "lugar de fala", o ator avalia que, agora, "as pessoas não estão muito afim de ouvir" o que os homens heterossexuais têm a dizer.

Vencedor de seis Kikitos no Festival de Cinema de Gramado, "Como nossos pais" é quarto longa de Bodanzky, que já retratou a velhice em "Chega de saudade" (2007) e o comportamento adolescente em "As melhores coisas do mundo" (2010). "Faltava falar da minha geração. E quis falar do meu ponto de vista, enquanto mulher", explica.

"É um filme que fala da opressão que existe no dia-a-dia da mulher, mas sem colocar os homens numa posição de vilões", diz. "Em muitas situações, o machismo não é feito por maldade, mas por falta de consciência. E o filme, talvez, sirva como uma espécie de alerta para muitos homens que se identificam nessas situações. Eles se veem na tela como uma fotografia."


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Colunista

Danilo Custódio

Danilo Custódio

Cinéfilo desde criancinha. Coordenador e professor na escola de artes visuais e cinema Espaço de Arte.


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