Semana On

Segunda-Feira 25.set.2017

Ano V - Nº 272

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Coluna Cine Drops

Fala Comigo

O tabu da afetividade sexual entre pessoas de idades muito diferentes

Postado em 14 de Julho de 2017 - Redação Semana On

Premiado como melhor filme da última edição do Festival do Rio, Fala Comigo chega ao circuito comercial tupiniquim essa semana. Trata-se do primeiro longa do jovem cineasta carioca Felipe Sholl, que chega demonstrando maturidade e competência na condução de seu elenco, composto por nomes já consagrados e também por alguns marinheiros de primeira viagem. A escolha por abordar uma questão sexual comum a todo ser humano, partindo de um recorte comportamental da classe média brasileira, talvez seja o maior trunfo de Fala Comigo. E fica aqui o convite pra você testemunhar na telona os traumas e neuroses de uma sociedade doente, que sofre pela falta de amor e respeito, principalmente no que tange os tabus das relações interpessoais.

 

Festival de Locarno

Três filmes nacionais foram selecionados pelo festival suíço, considerado a janela mais importante do cinema independente mundial. A edição desse ano acontecerá entre 2 e 12 de agosto e na Competição Internacional – que é a mostra principal - concorre o longa de terror e aventura As Boas Maneiras, co-produção de Brasil e França com direção de Juliana Rojas e Marco Dutra. Um filme que deve ser bem divertido e assustador ao mesmo tempo, porque conta a saga de uma criancinha que aterroriza todas as babás que seus pais tentam contratar, com os estranhos poderes que possuí. Os outros dois que serão exibidos em mostras paralelas são Era uma vez Brasília de Adirley Queirós e Severina de Felipe Hirsch. Ficou curioso para conhecer o trabalho desses diretores? Então sugiro que comece pelo Branco Sai Preto Fica do Adirley Queirós que está disponível no Netflix.

 

Enquanto isso, em Brasília

O cinema brasileiro – como toda arte burguesa – também é uma atividade predominantemente de homens brancos. Calcula-se que as mulheres tem apenas 30% na participação dos investimento públicos para o setor e para reverter essa situação, a Agencia Nacional de Cinema acaba de estabelecer bancas julgadoras mistas em seus editais para aprovação de projetos. Uma iniciativa necessária para descentralizar a atividade cinematográfica e democratizar seu acesso a todo tipo de gente. O Correio Brasiliense publicou um estudo acerca dessa iniciativa, encabeçada pela atual gestão de Debora Ivanove, presidente em exercício da Ancine. Vale a pena conferir!

 

Política

Foi aprovada na Câmara, no último dia 4, a Medida Provisória 770/17, que determina a extensão da vigência do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica – RECINE para 31 de dezembro de 2019. Nessa oportunidade, foi determina prioridade, no âmbito do RECINE, à alocação de recursos em municípios de porte médio, observando a distribuição proporcional dos projetos entre as regiões do País. O texto aprovado incluiu também a prorrogação de validade dos dispositivos previstos pelos artigos 1º e 1ºA da Lei do Audiovisual, e do artigo 44 da MP 2.228/1, que trata dos Funcines, pelo mesmo prazo. A papelada segue agora para aprovação do Senado. Vale lembrar que a medida proposta no RECINE, que desonera de todos os impostos federais qualquer operação voltada à implantação e/ou a modernização de salas de cinema no país, integra o Programa CINEMA PERTO DE VOCÊ, que vem sendo peça importante na expansão experimentada pelo parque exibidor brasileiro nos últimos anos. Entretanto, não podemos esquecer que esse é mais um dos esquemas que favorecem diretamente a iniciativa privada estrangeira, que continua sugando todo o nosso mercado.


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Colunista

Danilo Custódio

Danilo Custódio

Cinéfilo desde criancinha. Coordenador e professor na escola de artes visuais e cinema Espaço de Arte.


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