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Segunda-Feira 21.ago.2017

Ano V - Nº 268

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Coluna Cine Drops

Doença rara aproxima e embala romance juvenil em Tudo e Todas as Coisas

A história de amor é previsível e açucarada para arrancar lágrimas de quem está descobrindo o mundo e a si mesmo

Postado em 16 de Junho de 2017 - Danilo Custódio

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Cada geração tem seu “Love Story”, aquele filme de amor e lágrimas. É o caso de “Tudo e Todas as Coisas”, que já vem sintonizado com o presente, embalando um romance interracial e relações digitais, escondendo o empoeirado mote de garota que se apaixona por garoto, mas que não podem viver a relação por algum motivo – no caso, por uma condição imunológica rara e grave que a impede de sair de casa. O fato de sua mãe ser médica e rica ajuda no tratamento.

Maddy (Amandla Stenberg, de “Jogos Vorazes”) tem quase 18 anos e vive confinada em uma mansão esterilizada, onde mantém contato apenas com a mãe, Pauline (Anika Noni Rose), e a empregada/enfermeira mexicana, Carla (Ana de la Reguera), que cuida dela há tempo suficiente para se ter tornado amiga. Entre os sonhos da menina está ver o mar de perto, mas sua condição a impede. Para aplacar a solidão, ela lê muito e conversa, pela internet, com seus amigos – também portadores da doença – espalhados pelo mundo.

A chegada de Olly (Nick Robinson), que se muda para a casa ao lado, desperta emoções e sentimentos que Maddy não conhecia ou sufocava. Não custa muito, e eles se veem pela janela de seus quartos, e logo estão trocando mensagens pelo celular. Seria maçante acompanhar duas pessoas apenas digitando e lendo mensagens, mas a diretora Stella Meghie encontra uma saída criativa para isso.

Porém, ela não é capaz de escapar das armadilhas da trama, escrita por J. Mills Goodloe, a partir do romance homônimo juvenil de Nicola Yoon. A história de amor é previsível e açucarada para arrancar lágrimas de quem está descobrindo o mundo e a si mesmo.

O fato de Maddy arriscar a própria vida – ela convida Olly para dentro de sua casa, com ajuda de Carla, embora cada um fique num extremo da sala – não é inesperado, nem a reviravolta do filme digna de novela mexicana. Basta prestar atenção nos detalhes – coisa que a própria protagonista não faz – que o clímax faz até sentido.

O que não muda, porém, o fato de a resolução da trama ser ética e moralmente condenável. O filme pede simpatia por uma personagem que beira a psicopatia. Tal qual Maddy, “Tudo e Todas as Coisas” é um filme que acontece numa bolha selada sem muitos pontos de contato com a realidade. Nele, pobreza ou preconceito racial não existem. E nem seu retrato da condição da saúde da personagem é muito honesto, dando margem a uma visão equivocada da imunodeficiência e seu tratamento – tanto que a associação americana de portadores da doença lançou uma nota condenando a abordagem do filme.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

 

Olhar Cinema: Festival encerra sua sexta edição sem deixar de celebrar o cinema paranaense

Esse ano, uma das novidades do Olhar foi o prêmio para melhor curta da Mirada Paranaense, mostra dedicada a destacar os olhares produzidos no estado do pinhão. O prêmio é oferecido pela AVEC-PR, através de uma parceria linda que merece ser celebrada, considerando a importância dessa mostra, que recebeu esse ano cerca de 800 pessoas de acordo com a assessoria de imprensa do evento. Foram nove filmes selecionados, sendo um longa – Entre Nós, O Estranho, de Guto Pasko – e oito curtas, vistos e discutidos pela curadoria da associação, que escolheu conceder o Prêmio AVEC 2017 para A Rua muda, de Eduardo Colgan.

O curta traz uma representação muito honesta sobre a truculência do Estado ao reprimir as pessoas que ocupam espaços públicos para celebrar ou protestar, questionando o registro como arma política e o controle do imaginário coletivo através da mídia. Outro curta que merece destaque é o belíssimo A Canção do Asfalto, de Pedro Gionco, que aposta num olhar sincero acerca da exploração da força de trabalho de um jovem imigrante chinês.

Para além da Mirada, o cinema paranaense foi celebrado nos Olhares Clássicos, que exibiu ao lado de filmes emblemáticos o Visionários, de Fernando Severo, considerado um dos filmes mais importantes já feitos no estado. Mas nada pra mim foi mais marcante do que ser conduzido por João e Lúcia naquela viagem acerca da vida, do universo e tudo mais... A Casa de Lúcia, de João Marcelo e Lúcia Luz, que estava concorrendo aos prêmios Outros Olhares e Olhares Brasil, é uma obra impressionante. A maneira como o espectador é conduzido ao longo do desenrolar daquela viagem é algo que ainda reverbera dentro de mim.

 

Sepultura Endurance

Uma das estreias tupiniquins mais aguardadas da semana é a de um filme que nos levará a conhecer as entranhas de uma das bandas mais importantes do rock mundial. Sepultura Endurance, de Otávio Juliano, chama atenção por voltar a Belo Horizonte para ilustrar alguns fragmentos do surgimento da banda, além de destacar momentos cruciais nos 30 anos de história do Sepultura. O documentário já pode ser visto em Belo horizonte, Brasília, Curitiba, Niterói, Palmas, Rio de janeiro, Salvador, Santos, São Paulo e Campinas, mas logo logo chegará em outras cidades brasileiras considerando a distribuição pesada que está sendo feita pela O2 play. Fique ligado na fã-page do filme e programe-se!

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Colunista

Danilo Custódio

Danilo Custódio

Cinéfilo desde criancinha. Coordenador e professor na escola de artes visuais e cinema Espaço de Arte.


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