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Ano V - Nº 255

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Coluna Cine Drops

Okja recebe aplausos e vaias em Cannes

Produção da Netflix sofreu com problemas técnicos e antipatia do público francês, mas críticos elogiaram trama

Postado em 19 de Maio de 2017 - Danilo Custódio

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A controvérsia sobre o filme "Okja", do sul-coreano Bong Joon-ho, o primeiro produzido pela Netflix a disputar a Palma de Ouro, ofuscou sua estreia nesta sexta-feira, mas não impediu os aplausos ao longa-metragem.

Na aguardada primeira exibição do filme, no Grande Teatro Lumière do Palácio de Festivais, aconteceram algumas vaias quando o logo do Netflix - que decidiu não exibir o filme nas salas de cinema francesas -, apareceu na tela. As reclamações se repetiram quando problemas técnicos forçaram o recomeço do filme.

Mas ao final da exibição para a imprensa, os críticos aplaudiram a história da amizade entre uma menina e um animal insólito, geneticamente modificado, que uma multinacional deseja capturar. A mensagem principal é um apelo contra os maus-tratos dos animais e os métodos selvagens das grandes empresas.

Diretor minimizou polêmicas

Questionado sobre o incidente durante a entrevista coletiva após a exibição, o diretor Bong Joon-Ho minimizou o fato. "Sempre acontecem problemas técnicos nos festivais, estou muito feliz porque vocês assistiram as primeiras cenas duas vezes".

O cineasta também evitou briga com o presidente do júri desta edição do festival, o espanhol Pedro Almodóvar, para quem "seria um enorme paradoxo" que a Palma de Ouro ou qualquer outro prêmio entregue a um filme não possa ser assistido nas salas de cinema.

"Almodóvar pode dizer o que quiser. Estou feliz de ter meu filme aqui. Sou um fã de Pedro e que fale bem ou mal (do filme) já me sinto homenageado", declarou.

A atriz britânica Tilda Swinton, que interpreta a ambiciosa presidente da multinacional, opinou que as afirmações do diretor espanhol "comprometeram" as possibilidades de "Okja" estar entre os premiados, ao mesmo tempo que defendeu o direito de Almodóvar falar "o que quiser".

Desde o anúncio da seleção de "Okja" e de outro filme produzido pelo Netflix - "The Meyerowitz Stories", do americano Noah Baumbach, que será exibido domingo -, para a mostra oficial de Cannes, a plataforma americana enfrenta a revolta dos defensores das salas de cinema.


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Colunista

Danilo Custódio

Danilo Custódio

Cinéfilo desde criancinha. Coordenador e professor na escola de artes visuais e cinema Espaço de Arte.


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