Semana On

Quarta-Feira 16.out.2019

Ano VIII - Nº 367

Coluna Cine Drops

Bacurau

O confronto pela terra no interior do Brasil

Postado em 28 de Agosto de 2019 - Danilo Custódio

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Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados.

Essa é a sinopse de Bacurau, que faz sua estreia no circuito comercial tupiniquim nessa semana, em meio a tantas produções estrangeiras que cotidianamente invadem os cardápios cinematográficos das salas Brasil afora. O longa é pernambucano e tem roteiro e direção de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, que protagonizaram um feito histórico para o cinema brasileiro ao vencerem o Prêmio do Júri do Festival de Cannes, que é um dos prêmios mais importantes dentre as mostras competitivas do festival e uma das mais cobiçadas honrarias do cinema mundial.

Trata-se de uma obra de arte política. Um grito de protesto contra a violência promovida pela exploração da terra. Uma aventura de ficção científica que vem impressionando plateias de todo mundo e que agora chega no cinema mais próximo de você. Bora se programar pra ver?

Irmão de Jorel é sim a melhor série brasileira de animação!

Quem disse foi a curadoria da mais importante premiação do audiovisual nacional: o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. A animação criada por Juliano Enrico e coproduzida pela Copa Studio e Cartoon Network está no ar desde 2014 e conta a história do filho caçula de uma excêntrica família de acumuladores. Com a ajuda de sua melhor amiga Lara, ele enfrenta os primeiros obstáculos da vida em um ritmo alucinante e divertido, sempre fazendo de tudo para não ser ofuscado pela popularidade de seu irmão mais velho, o Jorel. O nome do protagonista nunca é revelado, ele é apenas o irmão do Jorel. Com uma audiência de mais de 21 milhões de pessoas na TV paga em 2018, Irmão do Jorel segue firme na sua terceira temporada, exibida cotidianamente no Cartoon Network de segunda à sexta às 11hs e às 18hs; nos sábados às 11hs e nos domingos às 17:30hs e às 23hs.

Enquanto isso, no Rio Grande do Sul

Fanáticos bolsonaristas se reuniram para hostilizar artistas durante o Festival de Cinema de Gramado desse ano, que encerrou no último final de semana. O episódio aconteceu em retaliação aos protestos que os famosos realizaram abertamente na abertura do festival, condenando e criminalizando não apenas a censura promovida pelo presidente aos projetos com temática LGBTQI+ que foram aprovados pela Ancine, mas também o desmonte da cultura nacional promovida pelo governo Bolsonaro.

“Ao longo desta semana, nós articulamos uma ‘Carta de Gramado’ assinada por 63 entidades contra esse desmonte das políticas públicas para a cultura. Esta manifestação deveria fechar a mobilização, mas quando passamos, as pessoas começaram a urrar ‘Viva o Mito’, ‘Viva Bolsonaro’ e a nos chamar de vagabundos e jogar coisas em nós, restos de comida e pedras de gelo. Nunca imaginei passar por isso.” – relatou a produtora e diretora de arte Maira Carvalho.

“Pelo Brasil afora, pessoas como as agressoras dos artistas, responsáveis pela violência praticada no encerramento do Festival de cinema de Gramado, estão se sentindo autorizadas a defender as idéias próprias, com o uso da força e das armas, como se isso constituísse virtude cívica.” - escreveu Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos, que apontou ainda que "se o presidente se arroga poderes que constitucionalmente ele não tem, seus discípulos não vêem razão para não fazer o mesmo".

“Por uma arte livre e sem censura!” era a palavra de ordem emanada pelos protestos dos artistas durante a entrada no tapete vermelho, no primeiro dia de festival. “Eu estava com minha filha no colo, que não tem nem 2 anos. Quando mostrei minha câmera, ele (o agressor) se escondeu. Faço um apelo: sejam simpatizantes (de Bolsonaro), mas não recorram à barbárie” - disse Emiliano Cunha, diretor de “Raia 4” – eleito o melhor filme pela crítica do festival – que foi vítima das agressões.

Quanta loucura não?

“Enquanto nossos corações se abalam porque tem um vilão aí querendo nos destruir, permanecemos unidos. Mesmo sendo recebidos a gelo, nossa energia continua. Esse filme de terror vai ter um final feliz. Esse vilão vai ser vencido. Menos Bolsonaros, mais Pacarretes” disse Allan Deberton enquanto recebia o prêmio de Melhor Filme por “Pacarretes”, que foi o grande vencedor do festival, premiado com oito troféus, incluindo os de melhor filme (tanto pelo júri quanto pelo público), atriz (Marcélia Cartaxo) e direção e roteiro (Allan Deberton).


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Colunista

Danilo Custódio

Danilo Custódio

Cinéfilo desde criancinha. Coordenador e professor na escola de artes visuais e cinema Espaço de Arte.


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