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Segunda-Feira 22.jul.2019

Ano VII - Nº 356

Coluna Agromundo

Produtores de soja têm pressa para início do novo Plano Safra; agricultores familiares mostram apreensão

Plano Safra atende plenamente expectativas do setor, diz secretário da Semagro

Postado em 19 de Junho de 2019 - Rikardy Tooge - G1

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Produtores rurais estão com opiniões divididas após a divulgação do Plano Safra 2019/20, lançado terça-feira (18), em Brasília. Para produtores de soja, o atraso no lançamento do plano prejudicou o planejamento da atividade, já para agricultores familiares, existe apreensão para os próximos anos.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, afirmou que o setor tem pressa para que as novas linhas sejam implementadas pelos bancos.

Braz disse que o atraso no anúncio do plano, provocado pelo impasse na liberação do crédito suplementar pelo Congresso ao governo federal, afetou o calendário do principal produto do agronegócio brasileiro.

“A demora no anúncio [do plano] atrasou a retirada do pré-custeio [financiamento que agricultor utiliza para compra de insumos] com juros controlados [valor abaixo do preço de mercado]. A taxa de juros para grande produtor subiu de 7% para 8% [ao ano] e isso tira competitividade, mas a gente entende que é do momento do país”, disse.

Para os representantes da agricultura familiar, um ponto positivo foi o anúncio de R$ 500 milhões para a construção de 10 mil moradias rurais, uma novidade no plano. Mas o setor queria pelo menos R$ 3 bilhões para garantir a construção de 60 mil casas.

“Nós pedimos R$ 3 bilhões com juros subsidiados, mas a minha expectativa é que as 10 mil [moradias] sejam um início para avaliar [mais recursos] para o próximo ano. É um bom começo”, disse o secretário de política agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Antoninho Rovaris.

O governo anunciou nesta terça que vai liberar R$ 225,59 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores. A liberação dos recursos do plano agrícola começará em 1º de julho e seguirá até junho do ano que vem. O valor é pouco acima dos R$ 225,3 bilhões anunciados na safra passada.

Menos burocracia

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a promessa do governo de enviar uma Medida Provisória para distribuir os recursos oficiais subsidiados para bancos privados e cooperativas pode dar mais competitividade para o setor.

A confederação destacou ainda que o Plano Safra desta temporada vai diminuir a burocracia do setor.

“Um exemplo é a questão das garantias bancárias, agora o produtor não vai precisar hipotecar a propriedade inteira, a garantia vai ser correspondente ao valor do financiamento, isso dá mais agilidade e ajuda quem produz mais de uma cultura”, explicou o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi.

Apreensão

Os representantes da agricultura familiar estão apreensivos com o futuro de políticas públicas para o setor, especialmente sobre o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

A justificativa é que a ideia do governo de unir pequenos e grandes produtores em um mesmo plano, o que não acontecia há mais de duas décadas, possa mudar o direcionamento de recursos públicos para a atividade.

“A única diferença foi o crédito [maior], mas outras políticas não foram anunciadas e isso causa apreensão sobre a continuidade do Pronaf, se vamos continuar tendo crédito diferenciado, compras do PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] e a que condições”, afirmou Rovaris.

Novidade do plano

Outra novidade do Plano Safra 2019/20 foi a inclusão de pesca e aquicultura nas linhas de financiamento desta temporada. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, explica que a mudança facilita o acesso ao crédito.

“É o principal fator, vai atender mais fatias [tamanhos] de produtores. Esperamos que isso seja mantido nos próximos planos. Outra novidade, que precisa se confirmar, é que o Ministério da Agricultura prometeu a não pedir mais o Registro Geral do Piscicultor na hora de pedir financiamento”, disse Medeiros.

'Expectativa é boa'

Bartolomeu Braz, da Aprosoja Brasil, disse que o Plano Safra está dentro das expectativas e ressalta como pontos positivos o aumento do subsídio ao seguro rural e nas linhas de crédito para o Programa de Construção de Armazéns (PCA) e para o Programa para Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), linha de crédito utilizada para a recuperação ambiental das propriedades.

“Foi importante R$ 1 bilhão para o seguro rural porque isso traz uma certeza para o setor e a certeza é um dos pilares principais de uma política agrícola. A expectativa é boa”, reforçou Braz.

Para Verruck, plano cumpre objetivo

O Plano Safra 2019/2020 corresponde amplamente aos anseios da classe produtora, na avaliação do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck. “É fundamental perceber que, depois de 20 anos, se faz o anúncio de um Plano Safra para agricultura empresarial e familiar juntas. A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) acerta nessa decisão, entendendo que o Plano Safra dá a diretriz para que a gente tenha um recorde na colheita de grãos no próximo ano. ”

O secretário ponderou, ainda, sobre dois receios que o mercado tinha e que não se confirmaram com o anúncio do Plano Safra 2019/2020, fato capaz de gerar uma onda de otimismo no setor. O primeiro era quanto a uma possível redução no montante que seria disponibilizado para financiamento, tendo em vista a situação complicada das finanças do país. “Isso não aconteceu, o valor é praticamente o mesmo do ano passado. ”O segundo era de uma elevação substancial na taxa de juros. “Já se esperava que tivesse um ajuste, porém ficou até abaixo do que o mercado previa, com aumento de apenas 1 ponto percentual em relação ao ano passado”, afirmou Verruck.

Outro ponto importante destacado pelo secretário foi o montante de R$ 1 bilhão para subvenção do Seguro Agrícola, quantia que representa o dobro do que foi ofertado na safra passada. “Essa era uma reivindicação forte dos produtores, para que se ampliasse o seguro agrícola”, pontuou.

No conjunto, o anúncio do Plano Safra 2019/2020 cria “um cenário positivo para a agricultura brasileira”, observa o secretário, na medida em que o governo destaca a importância do agronegócio para a economia. “O Plano Safra indica que o novo governo reconhece a importância do agronegócio e demonstra a competência e eficiência da ministra Tereza Cristina ao trazer um plano que corresponda aos anseios da classe produtora.”


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