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Segunda-Feira 25.jun.2018

Ano VI - Nº 308

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Coluna Ágora Digital

Se não é Lula nem o capitão, quem virá nos assombrar?

A política, no que ela tem de surreal, com o jornalista Victor Barone

Postado em 09 de Março de 2018 - Victor Barone

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Dificilmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) figurará entre os candidatos ao Planalto. Sua prisão, salvo alguma surpresa, é fato consumado. Lula tenta empurrar com a barriga a própria candidatura, como se fosse uma válvula de escape, uma forma de manter a sociedade mesmerizada sob a incerteza da conclusão de uma novela que a Justiça tem tido pressa pouco usual em finalizar. O fato é que o melhor para o arco de centro-esquerda seria que Lula abrisse mão de uma vez da candidatura e deixasse que novas forças se aglutinassem para fazer frente a ameaça de extrema-direita representada por Jair Messias Bolsonaro (PSL-RJ). Se por um lado Lula amara a centro-esquerda, por outro, a centro-direita também dá cabeçadas diante do crescimento do ex-capitão e do fato de que seu discurso totalitarista agrade a vinte e poucos por cento dos brasileiros. O país está diante de uma encruzilhada e a presidência pode acabar caindo no colo de uma opção de centro que aglutine o horror que a maioria da população parece ter dos extremos. Quem vem lá?

Lula e o STF

No Supremo Tribunal Federal (STF), articulações ocorrem a passo rápido no sentido de livra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) da cadeia. Enquanto a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, se nega a revisar a regra que permitiu a prisão de condenados na segunda instância, outros ministros discutem a hipótese de levar ao plenário um habeas corpus salvador que lhes permita deliberar sobre a execução antecipada das penas. Lula poderia ser beneficiado por tabela.

Preso político ou político preso

Em vídeo publicado na internet após a derrota no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) disse que não vai fugir e que se tornará o “primeiro preso político brasileiro” caso seja preso pela condenação Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Lula chamou de “encenação” e “coisa absurda” o julgamento no TRF e acusou os magistrados de não terem lido os autos de seu processo.  O ex-presidente disse não ter motivos para acreditar na Justiça depois do julgamento no TRF-4, mas que espera que os tribunais superiores revejam e repensem a sua condenação. “

Ciro defende Lula

O ex-ministro e pré-candidato ao Planalto, Ciro Gomes (PDT-CE), criticou a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de negar o habeas corpus (HC) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). Para o pedetista, com a intenção de dar uma resposta à população sobre a morosidade e lentidão da justiça, o Supremo Tribunal Federal (que em 2016 negou o HC nº 126292 e autorizou cumprimento da pena após decisão de segunda instância) permitiu, em uma decisão apertada e “exótica”, a prisão antecipada, o que, segundo o político, configura uma “aberração” jurídica (ouça abaixo trechos da entrevista). Para Ciro, a possível prisão do petista é muito grave, além de afetar a paz pública e a história do Brasil.

Ouça trechos da entrevista:

Renan defende Lula

Em vídeo veiculado nas redes sociais, o multi-investigado senador Renan Calheiros (PMDB-AL) associou a perspectiva de encarceramento do aliado Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) a uma atmosfera apocalíptica: “Se prenderem o Lula sem trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal, não tenham dúvidas: atirarão o país na mais insana crise institucional”, declarou o ex-presidente do Senado.

Esquivel defende Lula

 

Ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, afirmou no Twitter que vai indicar o ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT-SP) ao comitê norueguês organizador da premiação para que também receba a honraria. Ele afirma que no governo de Lula milhões de pessoas saíram da pobreza extrema, a desigualdade foi diminuída e o índice de desenvolvimento humano cresceu. O argentino visitou o petista na sexta-feira no Instituto Lula, em São Paulo, onde, criticou o impeachment de Dilma e a condenação do ex-presidente pela Justiça Federal. Pérez foi torturado entre 1976 e 1983 durante a ditadura militar argentina. Em 1980 recebeu o Nobel da Paz por sua luta não-violenta contra o regime.

Sou o Messias

 

O discurso de Jair Bolsonaro durante sua filiação ao PSL nesta semana é revelador. Em certo momento, o ex-capitão entra na onda é diz “Eu sou o Messias, Jair Messias Bolsonaro”. O Messias da extrema direita brasileira tem como prioridade a liberação das armas no país; além de “colocar no seu devido lugar” (leia-se, como sub-cidadãos) as minorias, em especial os homossexuais. Para Bolsonaro, “um pai prefere chegar em casa e ver o filho com o braço quebrado no futebol, e não brincando de boneca”.

Magno, o fanfarão da Bíblia

Diga com quem Magno Malta (PR-ES) anda, e ele te dirá quem é... Ao lado de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), o fanfarão da Bíblia e dos tatames quer agora ser vice na chapa do ex-capitão e paladino da extrema-direita. Em entrevista à Folha de SP, com uma Bíblia como escudo, desconversou ao ser questionado sobre a possibilidade. “Quem fala isso são as redes sociais. Sou candidato à reeleição. Agora, minha vida está na mão de Deus. Do meu futuro não sei. A única coisa que sei é que o presidente será Bolsonaro, eu de vice ou não”, assegurou. Nos bastidores, o homem que Malafaia descreve como “político evangélico de maior prestígio no país” opera para se viabilizar como opção. No último dia 8, afinando o discurso com seu líder, o senador decidiu usar o Dia Internacional da Mulher reproduzindo no Instagram uma cena de “O Grande Gatsby” em que Leonardo Di Caprio oferece um brinde: “Parabéns para todas as mulheres de verdade. Para vocês que nasceram homens e pensam que são mulheres, esperem o 1º de abril”.

 

Eu concordo !! @cantoralauriete @legirao @pastormalafaiaoficial

Uma publicação compartilhada por Magno Malta (@magnomalta) em

 

As pesquisas falam

Pesquisa divulgada o dia 6 aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) seguem liderando as intenções de voto à Presidência. O levantamento feito pela CNT/MDA indica vitória de Bolsonaro nos cenários sem o petista. Na estimulada (quando o entrevistador apresenta uma lista de candidatos), Lula aparece no primeiro turno com 33,4% das intenções de voto, e Bolsonaro, com 16,8%. No segundo turno, numa disputa entre Lula e Bolsonaro, o ex-presidente chega a 44,1%, ante 40,5% em setembro. Bolsonaro, que tinha 28,5%, aparece com 25,8%. Sem Lula na disputa, todos os cenários testados para o primeiro turno mostram que Bolsonaro e Marina Silva (Rede) avançariam na disputa. Já no segundo turno, Marina e Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados. Bolsonaro tem 27,7% e Marina, que antes alcançava 29,2%, ficaria com 26,6% do eleitorado.

O povo e Lula

A pesquisa CNT/MDA divulgada no dia 6 (leia acima) questionou a opinião dos eleitores sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) no caso do tríplex no Guarujá: 52,1% concordam com decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de manter a sentença contrária a Lula. Para 52,5% dos eleitores, Lula não deveria disputar as eleições presidenciais neste ano, E 42,8% afirmam que votariam em qualquer candidato indicado pelo petista ou que votariam dependendo do candidato.

Disputa na rede

Pré-candidatos à Presidência da República já deram a largada na corrida presidencial mesmo há cinco meses do início formal das campanhas eleitorais deste ano (16 de agosto). No território livre das redes sociais, a interação com o eleitorado já está a pleno vapor, mesmo ainda não tão explicitamente – a ordem geral é evitar desgaste com eventuais denúncias de crime eleitoral. Com pouco mais de 5 milhões de curtidas e seguidores em sua página no Facebook, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) lidera em número de curtidas diárias. Atrás dele aparecem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem pouco mais de 3 milhões de fãs na mesma rede social, e o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), com 1 milhão de fãs na página virtual.

Temer quase perde para a margem de erro

A pesquisa CNT/MDA divulgada no dia 6 (leia as duas notas acima) mostra que o governo do presidente Michel Temer (MDB-SP) tem apenas 4,3% de aprovação popular. Em setembro de 2017, 3,4% consideram boa ou ótima a atual gestão. Para 20,3%, o governo Temer é regular. Na última pesquisa, esse percentual era de 18%. A avaliação negativa oscilou de 75,6% para 73,3%, também dentro da margem de erro. A avaliação pessoal de Temer ficou em 10,3%. A reprovação alcançou 83,6%.

Cirão vem aí

Com forte discurso anti-Temer, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes oficializou na quinta-feira (8), na sede do Partido Democrático Trabalhista (PDT), sua pré-candidatura à Presidência da República. Um dos nomes que têm sido considerados para vice, embora nada esteja confirmado, é o do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Nesse caso, haveria conflito com as tendências petistas que não aceitam abrir mão da cabeça de chapa. Durante seu discurso, Ciro voltou frequentemente para as críticas à gestão Temer, a quem não tem poupado de termos como “golpista” e “conspirador”.

Maia peita Temer

Na convenção nacional do Democratas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ) assumiu oficialmente a pré-candidatura à Presidência da República em 2018. Em discurso, o deputado reafirmou compromisso de “desburocratizar e repactuar” o país. Maia afirmou que estará no segundo turno e que não há “plano B” para sua candidatura, que, segundo ele, vai decolar. “Eu estou no segundo turno, pode ter certeza”, declarou a jornalistas.

Legado uma ova

O agora candidato do DEM a presidência da República, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), disse que quem tem a obrigação de defender o legado do Governo Temer é o próprio presidente, e que sua candidatura não fará isso. “A obrigação de defender o legado é do governo. Não é obrigação da minha candidatura. A minha candidatura quer representar um projeto para o futuro. Acho que só isso precisa ficar claro. Naquilo que eu acredito que foi feito ou que foi prometido e não foi feito ainda, no que eu acreditar que está certo eu vou defender”, disse o deputado, dizendo que não está disposto a defender legado e quer olhar para o futuro. O novo presidente do DEM, ACM Neto (BA), reforçou: “Não será uma candidatura de governo”, disse.

Marun...

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), afirmou que o presidente Michel Temer (MDB-SP) pode apoiar a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) mesmo ele tendo afirmado que não será um garoto-propaganda do Palácio do Planalto (leia as duas notas acima).

Meirelles no aguardo

Em visita oficial a Nova York, onde se encontrou com investidores, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD-SP) disse que tomará até o final do mês uma decisão sobre sua candidatura ao Planalto e que a escolha do partido vai depender de seu alinhamento com sua “visão de modernização do país”. Ele vai decidir entre seu partido, o PSD, e o governista MDB.

Gilmar aprontou

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) usou verba da cota de passagens do STF para se deslocar de avião a um compromisso pessoal, o casamento da enteada dele, a advogada Maria Carolina Feitosa, no dia 21 de outubro de 2017, em Fortaleza (CE). Ela é sobrinha do 1º suplente do senador Tasso Jereissati (PSDB), o empresário Chiquinho Feitosa (DEM). Não há lei ou mesmo norma do regimento interno do Supremo que obrigue os ministros a justificarem a natureza das viagens pagas com dinheiro público...

Desculpa aí

O suplente de senador Pastor Bel (PRTB-MA), que exerce o mandato na vaga de Edison Lobão (PMDB-MA), pediu desculpas por ter usado verba pública em restaurantes de Fortaleza durante o réveillon. Em discurso no Senado, Bel apresentou comprovante de que devolveu à Casa R$ 1,2 mil utilizados indevidamente durante passeio à capital cearense com sua família na virada do ano. O senador disse que jamais esteve envolvido em irregularidade e nunca foi a “porta de delegacia”.

No nosso bolso não

Integrantes da elite do funcionalismo público formada por membros do Judiciário, do Ministério Público e dos tribunais de contas têm quase um terço de sua renda isento de Imposto de Renda (IR), segundo dados da Receita Federal. Cada juiz, procurador, ministro ou conselheiro de Tribunal de Contas do país recebeu em média R$ 630 mil em 2016. Desse total, cerca de R$ 180 mil ficaram livres de qualquer tributação. Esse nível de isenção é três vezes maior que a média do funcionalismo. Isso ocorre por causa do recebimento de auxílio-moradia e de uma série de outros “penduricalhos”, como a ajuda de custo, criados pela própria cúpula desses poderes para escapar do teto salarial e da tributação de IRPF. Se fossem tributadas, essas parcelas normalmente pagariam alíquota de 27,5%.

Magoou

Ex-secretário de Segurança do governo tucano de Geraldo Alckmin (SP) e ex-chefe da pasta da Justiça sob Michel Temer (MDB-SP), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está chateado devido ao excesso de “palpites” sobre um tema que lhe é caro: a segurança pública. “Triste vermos tantos ‘especialistas’ em segurança pública dando palpites, sem nunca ter atuado na investigação ou no processo penal”, reclamou Moraes no Twitter. “Não conhecem a polícia, o Ministério Público ou a Justiça, mas se sentem competentes para criticar, ignorando a dor das vítimas. Incompetência pura.”

Globo na mira

 

O parque gráfico do grupo Globo, em Duque de Caxias (RJ), foi ocupado na manhã de quinta-feira (8) por um grupo com cerca de 500 pessoas liderado por mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Durante cerca de 30 minutos, manifestantes picharam paredes, vidros e móveis e tentaram atear fogo em um totem com o nome do jornal. Não houve confronto. De acordo com o MST, a ação fez parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, cujo lema é “Quem não se movimenta, não sente as cadeias que a prendem”, frase da filósofa Rosa Luxemburgo. Em nota, o Grupo Globo chamou o episódio de um ataque à imprensa livre.


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Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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