Semana On

Quarta-Feira 22.nov.2017

Ano V - Nº 280

Super Banner na capa e em toda a revista

Coluna Ágora Digital

Ele pedia dinheiro sem cerimônias, diz Joesley sobre Temer

A política, no que ela tem de surreal, com o jornalista Victor Barone

Postado em 01 de Setembro de 2017 - Victor Barone

“Esse Temer que você vê na televisão é falso. O Temer verdadeiro é o que eu gravei. Aquele Temer que fala sem cerimônia”. A frase é do empresário Joesley Batista, dono da JBS, em entrevista à revista Veja desta semana. Segundo ele, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) pedia dinheiro sempre de uma forma muito direta. O empresário afirmou também que considerava estar agindo “dentro de um padrão de normalidade”, mas que depois se deu conta de que levava uma vida de crimes. “Nós somos empresários e os empresários estão subordinados ao Estado. Se os mandatários do Estado negociam com você daquela forma, você acaba achando que opera dentro de um padrão de normalidade. A gente vai ficando anestesiado”, afirmou. Disse ainda que 1.829 candidatos eleitos, incluindo um presidente e uma ex-presidente da República, receberam propina de sua empresa. “Na hora em que os nossos anexos começarem a revelar outras organizações criminosas, aí talvez a sociedade vá olhar e dizer: ‘Pô, o Joesley teve a imunidade, mas olha como ele ajudou a desbaratar a corrupção’.” A conferir.

Bomba nova

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, entregaram na quinta-feira (31) à Procuradoria Geral da República (PGR) novos anexos como complemento para o acordo de delação premiada.  Há documentos, relatórios e áudios de novas gravações de conversas entre Joesley e interlocutores, incluindo políticos. As delações dos executivos da JBS causaram a maior crise política do governo do presidente Michel Temer (PMDB-SP). Com base nos depoimentos, Temer foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime de corrupção passiva. Mas o STF só poderia analisar a acusação se a Câmara autorizasse. A maioria dos deputados rejeitou o prosseguimento do processo. Também com base nas delações, o ministro do STF Luiz Edson Fachin afastou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato parlamentar. Mas outro ministro da Corte, Marco Aurélio Mello, derrubou o afastamento e negou o pedido de prisão de Aécio.

Fator Funaro

Num dos depoimentos que integram o seu acordo de colaboração judicial, o operador de propinas Lúcio Funaro confirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que recebeu dinheiro do empresário Joesley Batista, dono da JBS, para não revelar atos de corrupção. Na segunda denúncia contra o presidente da República, por obstrução de Justiça, o procurador-geral Rodrigo Janot sustentará que Joesley comprou o silêncio de Funaro e do ex-deputado Eduardo Cunha com o aval de Michel Temer. A notícia sobre o conteúdo do depoimento de Funaro foi veiculada pelo repórter Jailton de Carvalho no site do Globo. A Procuradoria vinculará as revelações do novo delator com a gravação da conversa que Joesley manteve com Temer no Palácio do Jaburu.

Tudo dominado

A despeito dos esforços da Procuradoria Geral da República (PGR), são escassas as chances de a Câmara Federal autorizar o Supremo Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o presidente Michel Temer (PMDB-SP). Os cargos e as verbas gerenciadas pelo Planalto já não conseguem mobilizar uma maioria de 308 votos para aprovar matérias como a reforma da Previdência. Mas o governo ainda é capaz de cooptar os 172 votos de que precisa para evitar que os rivais de Temer levem ao painel da Câmara os 341 votos exigidos para levar adiante uma investigação criminal contra o presidente.

Enquanto isso na Saúde...

O delator Eduardo Lopes de Souza, dono da construtora Valor, afirma ter negociado com o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), a compra de um cargo no governo do Paraná pelo valor de R$ 15 mil mensais. A delação é relacionada a um desvio de verba pública no estado. Os pagamentos teriam sido realizados ao cunhado do ministro da Saúde, Juliano Borguetti, irmão de Cida Borghetti (PP), vice-governadora da gestão de Beto Richa (PSDB) e mulher do ministro. O cunhado, Borguetti, chegou a receber três parcelas, totalizando R$ 45 mil. O caso teria ocorrido em 2015, quando o ministro era deputado federal.

Despacito amazônico

Depois do tremendo tiro no pé aplicado de forma certeira pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP), o Ministério de Minas e Energia informou ter suspendido os efeitos do decreto que extinguiu a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca). O governo também anunciou um "amplo debate" sobre o tema. O Ministério informou que em 120 dias apresentará as conclusões do debate, assim como eventuais medidas para preservar a região. O decreto, contudo, foi alvo de críticas de vários setores da sociedade e de diversas contestações judiciais. A Justiça Federal em Brasília, por exemplo, determinou a suspensão imediata de "todo e qualquer ato administrativo" que busque extinguir a Renca.  Segundo técnicos do governo, a área, com cerca de 4 milhões de hectares, aproximadamente o tamanho da Dinamarca, tem potencial de extração de ouro e outros minerais, como ferro, manganês e tântalo. A natureza e os povos indígenas que se danem.

Surpresa!

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho (PV-MA), disse ter sido “pego de surpresa” sobre o natimorto decreto presidencial que extinguia a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca), liberando para a mineração privada uma área na região Amazônica, de 4,7 milhões de hectares, equivalente ao território da Dinamarca. “Pessoalmente acho que o decreto deveria ser revogado”, afirmou o ministro em entrevista ao jornal Valor Econômico

Ninguém confia neles

Índices megalíticos de rejeição – acima de 50% - de políticos, apontados pela pesquisa Ipsos (divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta semana), revelam um cenário de incertezas para a sucessão presidencial de 2018. O mais rejeitado é o presidente Michel Temer (PMDB-SP), com 93%, seguido pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), com 91%. A rejeição a caciques tucanos - José Serra (82%), FHC (79%) e Geraldo Alckmin (73%) – é maior do que a de Lula (66%). Do PSDB, o menos rejeitado é João Doria com 52%. Dos citados, o prefeito de SP só perde para o apresentador de TV Luciano Huck com 42%. Jair Bolsonaro (PSD), que disputa até agora com Lula a preferência do eleitorado, tem 56% de rejeição.

Advogado do diabo

Conhecido como “o advogado dos políticos”, devido sua extensa e influente carteira de clientes, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, rebateu o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima que, em publicação no Facebook, o mandou tomar “vergonha na cara” devido às críticas que fez contra o juiz Sérgio Moro. Kakay acusa o procurador de usar o “Facebook como maneira de intimidação” e de “desonrar” o Ministério Público. Tá...

Demitido por Bolsonaro

Por exigência do presidenciável Jair Bolsonaro, o Partido Ecológico Nacional (PEN) destituiu o advogado que representava a legenda na ação sobre prisão na segunda instância: Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay (da notinha aí de cima). O advogado foi informado da novidade por meio de uma notificação cartorial. “Tenho 36 anos de advocacia. Só faço advocacia criminal. Jamais fui destruído de uma procuração. Ser afastado pelo Bolsonaro é algo que entra para o meu currículo. Ele diz que sou advogado de rico. Não conhece a minha advocacia. Deve dizer isso porque me procurou para fazer a defesa dele no processo contra a Maria do Rosário. E eu não aceitei”, disse ele. Kakay defende vários políticos envolvidos na Lava Jato. Entre eles os caciques peemedebistas José Sarney, Romero Jucá e Edison Lobão. Mas ele dissocia o processo sobre prisão dos inquéritos contra seus clientes. ''As pessoas que defendo dispõem de prerrogativa de foro. Não seriam afetadas. Essa ação é minha, a tese é minha e a sustentação feita no Supremo no ano passado foi minha.”

Analfabetismo político

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta semana que o bom desempenho do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) em pesquisas sobre os possíveis cenários das eleições de 2018 são resultado do "analfabetismo político no Brasil". "Essa figura [Bolsonaro], no fundo, é resultado do analfabetismo político no Brasil Você passa a compreender que, fora da política, você vai encontrar um cara que é diferente e que pode resolver, ou um político grotesco, como é essa figura, agressivo, que ofende as mulheres, que ofende negros", disse o ex-presidente em entrevista ao escritor Pablo Villaça.

PSOL defende Maduro?

No quadro “Pergunte ao Chico”, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) responde questionamentos de seus seguidores nas redes sociais sobre um assunto recorrente no noticiário. Nesta semana a dúvida foi quanto ao posicionamento do PSOL sobre o suposto apoio da legenda ao governo de Nicolás Maduro, da Venezuela, que tem sido apontado como ditadura. Veja o que diz o deputado:

Casa de ferreiro

Pedreiros e azulejistas trabalhavam sem carteira assinada e sem receber horas extras em prédios da Justiça do Trabalho enquanto, dentro de seus gabinetes, juízes decidiam sobre direitos de outros trabalhadores. Eles afirmam que a jornada ultrapassava o máximo permitido e que não havia descanso nos finais de semana durante reformas de tribunais em três cidades do interior de São Paulo: Campinas, Cruzeiro e São José dos Campos. Agora eles estão de volta aos mesmos tribunais onde trabalharam, mas para pedir por seus direitos. O Tribunal Regional da 15ª Região, responsável pelos prédios nas três cidades, afirma que não tinha conhecimento e que não compactua com situações que ferem a lei trabalhista. Confira a reportagem completa no Repórter Brasil.

Cacique Pataxó

Julgamento de cacique Pataxó mobilizou indígenas de toda Bahia. Depois de 11 anos em prisão domiciliar, a sentença final foi dada para Joel Braz. Argumentando contra o cacique, o Ministério Público Federal acusou toda a etnia de promover o “terror”. Os Pataxó estão há anos fazendo as retomadas: ocupação de territórios tradicionais indígenas. Diversas entidades assinaram carta de repúdio à posição do MPF no caso. Saiba qual foi a decisão do júri.

Salada ideológica

O lançamento do 14º Congresso do PCdoB, na quarta-feira (30), no Salão Nobre da Câmara, foi um retrato da política partidária no país: um samba do “serhumaninho” doido. O presidente interino da República, Rodrigo Maia (DEM-RJ), era o convidado de honra, e se esforçava para transparecer naturalidade. O Partido Comunista do Brasil foi fundado em 1962, com inspiração stalinista. O Democratas, fundado em 2007, tem base em um ideário conservador e liberal. Isso não impediu Maia de propor um novo “centro” entre democratas e comunistas para tirar o país de "uma grave crise política, ética e econômica".

Política tatibitati

O Movimento Brasil Livre (MBL) vai investir forte, mais forte ainda, em seus 2,5 milhões de curtidas no Facebook. Para atingir esta massa, vai apelar, ainda mais, para memes e piadinhas de internet contra seus desafetos. Kim Kataguiri, líder da turminha, diz que a "fórmula MBL" é a soma de um funkeiro, um cineasta, um programador, um articulador político e "memeiros" (aqueles que produzem "memes"). Um "meme" é uma publicação com amplo potencial de reprodução somada a uma dose de humor. No caso do MBL, os "memes" estão vinculados à defesa da ideologia liberal e frequentemente são agressivos. A cara do Brasil Paneleiro...

Fufucão

O Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF-1) determinou o prosseguimento de ação penal contra o prefeito de Alto Alegre do Pindaré (MA), Francisco Dantas Ribeiro Filho, o Fufuca. Motivo: trabalho escravo. Ele é pai de André Fufuca, ou Fufuquinha, que assumiu interinamente, na terça-feira (29), a Presidência da Câmara dos Deputados.

Para não dizer que falei de flores

Em Bucareste, onde está em viagem, a advogada Guiomar Mendes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, ficou bastante brava com os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro. Eles disseram que o empresário Jacob Barata Filho comprou flores para ela e Gilmar em 2015. Com base nisso, o MPF reforçou o pedido de suspeição de Gilmar no caso. Guiomar disse que os procuradores fazem uma grande associação de "fatos ridículos" e que não "provam nada". Ela ainda questiona: "Desde quando flores enviadas em 2015 se prestam a reforçar um pedido de suspeição?", perguntou. Guiomar acrescenta ainda que ela e Gilmar nunca tiveram proximidade com Jacob Barata. Já o ministro Gilmar Mendes afirmou que o pedido de suspeição se baseia “num falso escândalo”. Hmm.

No mundo real

Enquanto nossos políticos nadam num mar de escândalos e milhões, no mundo real a coisa está cada vez mais feia. Um em cada cinco domicílios brasileiros não tem renda fruto do trabalho, formal ou informal, de acordo com reportagem publicada no Valor Econômico. Até o segundo trimestre deste ano, o Brasil tinha 15,2 milhões de residências onde ninguém trabalhava. O número representa um crescimento de 22% em relação ao registrado em 2014.De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,6 milhões de brasileiros perderam seus empregos entre o fim de 2014 e o segundo trimestre de 2017. A taxa de desemprego passou de 6,5% para 13% da força de trabalho nesse período. O número de desempregados nesse intervalo saltou de 6,4 milhões para 13,5 milhões.

Observando tucanos

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber decidiu autorizar abertura de inquérito para investigar o senador José Serra (PSDB-SP) pelo suposto crime eleitoral de caixa dois. O pedido de abertura foi feito pelo procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, com base nas delações da empresa JBS. A decisão foi assinada no dia 18 passado. De acordo com a PGR, em um dos depoimentos de delação, Joesley afirmou ter “acertado pessoalmente com o senador José Serra” uma contribuição de R$ 20 milhões para a campanha presidencial de 2010, dos quais R$ 13 milhões foram repassados como doação oficial e aproximadamente R$ 7 milhões, via caixa dois, por meio de notas fiscais fraudulentas.

Nega sua, não

Uma confusão generalizada, com direito a arremesso de livreto com regimento interno, tomou conta do plenário da Câmara, na noite de terça-feira (29), durante a análise de vetos presidenciais em sessão do Congresso. No auge da confusão, em que deputados contrariados com a condução dos trabalhos protestavam de dedo em riste, o presidente do Senado (e do Congresso), Eunício Oliveira (PMDB-CE), no comando da Mesa Diretora, não se conteve e proferiu a seguinte pérola, dirigindo-se aos interlocutores em rebelião: “Baixa os dedos, não sou nega sua”, bradou Eunício em direção ao deputado federal maranhense Weverton Rocha (PDT).

Fim da Lava Jato

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu o fim da Operação Lava Jato antes que “mãos externas” a encerrem. Em evento promovido pelo jornal O Globo, Janot diz que vislumbra um possível desfecho para a operação depois que ela chegou ao alto escalão, inclusive ao presidente Michel Temer (PMDB-SP), denunciado por ele por corrupção. Ele relatou conversa que teve no ano passado com a então vice-presidente da Câmara italiana, na Embaixada da Itália em Brasília. “Ela me disse: ‘Vai chegar um momento em que, ou o Ministério Público se programa para encerrar a investigação, ou mãos externas vão encerrá-la. Então, é melhor que o senhor faça um final programado para ela.’”

Na ativa

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, planeja tirar férias por 30 dias a partir de 18 de setembro – quando será substituído no cargo por Raquel Dodge –, mas voltará ao órgão como subprocurador-geral da República, condição que já detinha por critério de progressão na carreira. Janot foi aconselhado a não se aposentar imediatamente após a sua saída da chefia do Ministério Público porque deverá ser alvo de processos por sua atuação no posto nos últimos quatro anos, quando exerceu dois mandatos à frente da PGR. O cargo de subprocurador-geral dá direito a foro especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para responder a esse tipo de ação.

Contramão

Embora tenha anunciado a abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com expectativa de adesão de cerca de 5 mil servidores, o governo federal contratou 7.089 servidores a mais do que desligou entre o final de janeiro e o final de julho deste ano, segundo dados do Ministério do Planejamento, que não vê incoerência em relação ao ajuste fiscal do governo. De acordo com o Painel Estatístico de Pessoal (PEP), do Ministério do Planejamento, ao final de janeiro o governo contava com um total de 581.098 servidores. Ao final de julho, eram 588.187 - diferença, para mais, de 7.089. Além da meta de corte com o PDV, o número de novos contratados também supera os 4.184 cargos comissionados que o governo diz ter cortado nos últimos meses, e que teriam gerado economia de R$ 202 milhões por ano.

Lama

O juiz David de Oliveira, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado (MP-MS) contra o ex-secretário Estadual de Obras Edson Giroto e outros sete por irregularidades na obra do Aquário do Pantanal, além de determinar o bloqueio de bens dos acusados até o valor de R$ 10.789.102,48. Segundo a denúncia, os acusados forjaram uma situação de inexigibilidade de licitação para a contratação direta da empresa Fluidra Brasil Indústria e Comércio sem processo de licitação e por preço superfaturado para o serviço de construção de um sistema de suporte à vida no Aquário do Pantanal. Anunciada em 2011 como obra emblemática para atrair turistas a Mato Grosso do Sul, a construção do maior aquário de água doce do planeta, em Campo Grande, está parada desde novembro de 2016, depois de ter consumido cerca de R$ 200 milhões.

Delcídio subiu no telhado

O Ministério Público Federal do Distrito Federal pediu à Justiça na sexta-feira (1º) que o ex-senador Delícido do Amaral perca os benefícios do acordo de delação premiada. De acordo com o MPF-DF, Delcídio mentiu em depoimentos aos procuradores e à Justiça. As investigações se basearam nos depoimentos de Delcídio, que disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o banqueiro André Esteves, do banco BTG, teriam encomendado ao senador o silêncio do Cerveró. No entanto, para o MPF, o silêncio do ex-diretor, de acordo com as provas coletadas, não foi encomendado e interessava apenas a Delcídio. “Delcídio estava agindo apenas em interesse próprio. E Cerveró estava sonegando informações no que se refere a Delcídio, e não sobre Lula, a quem inclusive imputava fatos falsos, no intuito de proteger Delcídio”, diz o documento. O MPF conclui o documento pedindo as condenações, além de Delcídio, do ex-assessor dele, Diogo Ferreira, do advogado Edson Ribeiro, de Maurício Bumlai e do pai dele, o pecuarista José Carlos Bumlai pelos crimes de obstrução de justiça e patrocínio infiel. No mesmo documento, o MPF-DF pediu a absolvição de Lula e Esteves no processo. O órgão diz não ter encontrado evidências de que Lula e André Esteves cometeram crimes de obstrução de Justiça.

Farra no Detran

A Operação Antivírus do Gaeco – que investiga indícios de corrupção e fraudes em contratos de empresas de informática com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) em Campo Grande – prendeu um bocado de gente nesta semana. Mas, todos já foram soltos por meio de habeas corpus concedidos pelo desembargador João Maria Lós (de plantão no TJMS). Estão em casa o diretor-presidente do Detran-MS, Gerson Claro, o diretor-adjunto Donizete Aparecido da Silva, o diretor de tecnologia da informação, Gerson Tomi; o diretor de Administração e Finanças, Celso Braz; e o chefe de Arrecadação, Erico Mendonça. Além dos integrantes da cúpula do Detran, foram soltos Jonas Schimidt das Neves, sócio da Digitho Brasil (atual Digix), e seu secretário Claudinei Rômulo. Lós também mandou soltar o ex-deputado estadual Ary Rigo. Impedidos de exercer os cargos, frequentar dependências do Detran-MS e de manter contato com funcionários do órgão. Gerson Claro e o demais integrantes da cúpula do órgão pediram exoneração dos cargos.

Coreano vai a júri popular

O juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Carlos Alberto Garcete de Almeida, decidiu submeter o caso do policial rodoviário federal Ricardo Su Moon, acusado de matar o empresário Adriano Correia do Nascimento e de tentativa de homicídio dos outros dois ocupantes da caminhonete, a júri popular. A data ainda não foi definida. Na decisão, o juiz manteve as medidas cautelares alternativas à prisão, permanecendo o acusado suspenso do direito de portar arma de fogo; recolhimento domiciliar no período noturno, proibição de ausentar-se do país, exercício de suas atividades profissionais em função interna e fixação de fiança, tudo conforme decisão do dia 31 de janeiro deste ano, com exceção da monitoração eletrônica, visto que a tornozeleira tem prazo máximo de sua utilização de 180 dias, prazo este já ultrapassado. Segundo a denúncia, no dia 31 de dezembro de 2016, por volta das 5h40, na avenida Ernesto Geisel, esquina com a rua 26 de Agosto, o policial matou o empresário e atirou contra os outros dois ocupantes durante uma briga de trânsito. O acusado se deslocava para o trabalho no município de Corumbá, conduzindo o veículo até a rodoviária, onde pegaria um ônibus intermunicipal. Para o Ministério Público, o motivo do crime seria fútil, em decorrência de um incidente de trânsito (“fechada”) ocorrido momentos antes, bem como pela suspeita de que as vítimas pudessem estar embriagadas, de modo que, em atitude desarrazoada e excessiva, a conduta adotada pelo policial denota avantajada desproporção entre a motivação e os crimes praticados.

JBS em MS

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Irregularidades Fiscais e Tributárias da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul cancelou a visita à unidade frigorífica da JBS de Cassilândia depois da visita do advogado da empresa para informar que eles não haviam cumprido o pactuado no Termo de Ajustamento de Regime Especial (Tare). Metade das unidades do estado descumpriram os acordos dos termos de incentivos fiscais. A CPI também cancelou as visitas nas unidades de Ponta Porã e nas duas de Campo Grande depois da JBS informar a falta de cumprimento. A CPI foi criada para investigar o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) por crime de responsabilidade. Azambuja aparece na delação dos donos da JBS à Operação Lava Jato. Segundo eles, o chefe do Executivo estadual teria recebido propina para conceder incentivos fiscais à empresa. O governador nega.

Vale tudo na fronteira

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Mato Grosso do Sul, criou uma comissão especial mista para acompanhar o caso do desaparecimento dos irmãos de 20 e 27 anos depois de uma abordagem de policiais do Departamento de Operação de Fronteira (DOF) há 20 dias. Segundo Christopher Scapinelli, integrante da comissão especial e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MS, foi expedido ofício ao juiz Raul Ignatus Nogueira, da 2ª Vara Criminal de Maracaju, para ter informações sobre a prisão de Rosimeire da Silva, mãe do jovem de 20 anos. Câmeras de segurança registraram a abordagem dos policiais, em Ponta Porã, que revistaram os irmãos e depois encaminharam um para a viatura e o outro para o veículo onde estava e dois policiais foram conduzindo. O carro foi encontrado no mesmo dia no Paraguai. Os policiais que participaram da abordagem foram afastados dos postos e são investigados administrativamente.

Lá em Sapucaia

O ex-prefeito de Coronel Sapucaia Eurico Mariano, 64 anos, foi preso na quarta-feira (30) com a ajuda da Interpol no município de Capitán Bado, cidade paraguaia vizinha a que ele administrou em 2004. Mariano responde como réu em dezenas de processos em território brasileiro, muitos deles, relacionados à improbidade administrativa, crimes contra a administração pública e pistolagem.

Gentinha complicada

A Polícia Federal (PF) prendeu na tarde de quinta-feira (31), em Campo Grande, a namorada de Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos, filho da desembargadora presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso do Sul, Tânia Garcia Lopes. Conforme a PF, a jovem de 19 anos estava foragida e foi presa no momento que saía da casa onde morava com a mãe, no bairro Santo Amaro. Esta é a segunda vez que a jovem é presa neste ano. A primeira foi junto com Breno, em abril, em Água Clara. Os dois transportavam em um carro 129,9 quilos de maconha e 200 munições de fuzil. Segundo a Polícia Federal, a jovem também estaria envolvida, junto de Breno e outras pessoas, de tentativa de resgate de um preso em Campo Grande. O grupo foi investigado na operação Cerberus. Breno cumpre prisão em uma clínica médica no interior de São Paulo desde o dia 21 de julho, quando o desembargador José Ale Ahmad Netto concedeu liminar para ele deixar o presídio de Três Lagoas. A mãe dele o buscou pessoalmente. O juiz Idail de Toni Filho, da comarca de Água Clara, determinou a suspensão do processo de Breno até a conclusão do laudo de insanidade mental. Para a realização da perícia no acusado, o juiz escolheu dois médicos de São Paulo, uma vez que o Instituto Médico e Odontológico Legal (Imol) não tem profissionais da área da psiquiatria forense.


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Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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