Semana On

Segunda-Feira 25.set.2017

Ano V - Nº 272

AL

Coluna Ágora Digital

Bolsonaro: um fanfarrão perigoso

A política, no que ela tem de surreal, com o jornalista Victor Barone

Postado em 14 de Julho de 2017 - Victor Barone

Fanfarão e perigoso, Bolsonaro faz graça em Mato Grosso do Sul. Foto: Denilson Secreta Fanfarão e perigoso, Bolsonaro faz graça em Mato Grosso do Sul. Foto: Denilson Secreta

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) participou nesta semana das comemorações dos 150 anos da Retirada da Laguna, em Nioaque (MS). Provável candidato à presidência da República, ele tem crescido nas pesquisas (16% das intenções de voto no último levantamento Datafolha) e representa uma fatia do eleitorado que, desiludida com a política e com a crise econômica, acredita que um governante com “pulso firme” pode solucionar os problemas da nação. O Datafolha traça um retrato bastante claro deste eleitorado: homens (68% dos apoiadores de Bolsonaro), jovens (59% de seus adeptos tem até 34 anos), com ensino superior (29%), apolíticos, habitantes dos Estados do Sudeste e economicamente privilegiados (25% têm renda mensal superior a R$ 4.686,00). Trata-se de uma pequena elite que desdenha da política e sonha com um Estado forte em detrimento de liberdades civis.

Cara feia

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) não parecia nada confortável em Nioaque ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Por outro lado, o deputado estadual Cel. David (PSC-MS) sorria de orelha a orelha ao lado do mentor.

Temer se deu bem?

A vitória do presidente Michel Temer (PMDB-SP) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados teve um duplo preço. O primeiro, pecuniário, custou alguns bilhões de reais em emendas parlamentares. O outro, político, revelou - com a troca de mais de 20 deputados – até onde o grupo político que sustenta este Governo é capaz de ir para garantir seus interesses (revelou também o preço destes 20 novatos na CCJ). Agora, o presidente terá que completar a estratégia no Plenário. De olho no Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fixou o quórum mínimo para abertura da sessão em 342 deputados. E o governo, que outrora se gabava de ter 411 votos na Casa, se deu conta de que não dispõe da claque necessária.

Tudo gente muito boa

PP, PR, PSD e PRB devem ser agraciados com cargos atualmente ocupados pelo PSDB no governo para que essas siglas ajudem a salvar Michel Temer (PMDB-SP) na votação da denúncia no Plenário. Em reuniões nas últimas duas semanas com caciques desses partidos – o chamado Centrão – o presidente disse que vai redistribuir ministérios e outros espaços comandados pelos tucanos para reforçar o apoio dessas siglas a seu governo. Temer afirmou ainda que os partidos que demonstrarem fidelidade agora serão recompensados na recomposição da coalizão governista. PP, PR, PSD e PRB têm, ao lado do PMDB, 208 deputados. Temer precisa do apoio de pelo menos 172 parlamentares para barrar as denúncias no plenário da Câmara.

De olho nesta gente

Observe bem estes nomes (dois deles de Mato Grosso do Sul) e partidos. Eles votaram pela impunidade do presidente Michel Temer (PMDB-SP).

PMDB

Alceu Moreira (PMDB-RS)
Carlos Bezerra (PMDB-MT)
Carlos Marun (PMDB-MS)
Daniel Vilela (PMDB-GO)
Darcísio Perondi (PMDB-RS)
Hildo Rocha (PMDB-MA)
Paes Landim (PTB-PI)

PP
Arthur Lira (PP-AL)
Fausto Pinato (PP-SP)
Luiz Fernando (PP-MG)
Maia Filho (PP-PI)
Paulo Maluf (PP-SP)
Toninho Pinheiro (PP-MG)

DEM
Carlos Mellis (DEM-MG)
José CarloAleluia (DEM-BA)
Juscelino Filho (DEM-MA)

PRB
Antonio Bulhões (PRB-SP)
Beto Mansur (PRB-SP)
Cleber Verde (PRB-MA)

PTB
Cristiane Brasil (PTB-RJ)
Nelson Marquezelli (PTB-SP)

SD
Genecias Noronha (SD-CE)

PHS
Marcelo Aro (PHS-MG)

PSC
André Moura (PSC-SE)

PR
Bilac Pinto (PR-MG)
Edio Lopes (PR-RR)
Laerte Bessa (PR-DF)
Magda Mofatto (PR-GO)
Milton Monti (PR-SP)

PSD
Delegado Éder Mauro (PSD-PA)
Domingos Neto (PSD-CE)
Evandro Roman (PSD-PR)
Rogério Rosso (PSD-DF)
Thiago Peixoto (PSD-GO)

PROS
Ronaldo Fonseca (PROS-DF)

PSDB
Elizeu Dionizio (PSDB-MS)
Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)

PSB
Danilo Forte (PSB-CE)
Fabio Garcia (PSB-MT)

PV
Evandro Gussi (PV-SP)

Luz no fim do túnel?

Não é fácil dizer se há saídas para o aprofundamento da desigualdade no Brasil. Mas há alguns caminhos que levam a elas. Estes caminhos passam necessariamente pelo fortalecimento de um Estado de proteção social. E, neste aspecto, se proteção social tem a ver com um pensamento "de esquerda", então, sim, estes caminhos passam por este viés. Ao observarmos as democracias mais "desenvolvidas" no aspecto de cidadania na Europa, praticamente todas apostaram e continuam apostando em políticas de saúde e educação públicas, por exemplo. Todas apostaram em políticas de distribuição de renda. O resultado para os países que se fiaram no modelo que o empresariado brasileiro quer bancar via Michel Temer e cia (e suas reformas trabalhista e da previdência) pode ser observado hoje na Espanha, onde viceja desemprego em massa, especialmente entre os jovens, ou empregos precarizados. Só há um caminho que certamente não levará a saídas para o Brasil: o do maniqueísmo de arquibancada.

Batendo palma pra empresário dançar

Curioso perceber nas redes sociais a quantidade de gente que se arrasta entre as classes C e B batendo palmas em consonância com patronato para os nobres que votaram contra os direitos trabalhistas. Esta turma, dominada pelo maniqueísmo de arquibancada que domina o senso comum do debate político, abraça qualquer barbaridade desde que possa gritar "Fora PT". Serão os que mais sofrerão - e já estão sofrendo - as consequências da destruição do Estado de proteção social. Não é o Brasil que é uma piada. A piada são os brasileiros. Enquanto isso o grande empresariado comemora e alardeia a conquista.

No jogo

Se alguém pensa que com essa sentença me tirou do jogo, podem saber que eu estou no jogo”, disse Lula, em sua primeira manifestação depois de ser condenado a 9 anos e 6 meses de cadeia por corrupção. “Até agora, eu não tinha reivindicado, mas agora eu reivindico do meu partido o direito de ser candidato a presidente.” Na verdade, porém, a sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro, se confirmada pelo Tribunal Regional Federal, muda substancialmente o cenário eleitoral de 2018. Sem o primeiro colocado nas pesquisas, a tendência é a de pulverização de candidaturas, tornando a disputa do ano que vem mais parecida com a de 1989 (que teve 22 concorrentes) que com as mais recentes, nas quais prevaleceu a polarização PT x PSDB e outros poucos postulantes.

Exemplo

O deputado Wladimir Costa (SD-PA), investigado em dois inquéritos e réu em duas ações no Supremo Tribunal Federal, usou seu tempo de fala na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na quarta-feira (12), durante debate sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção, para defender Temer, constranger os colegas envolvidos em investigações no Supremo e ofender o relator da denúncia na comissão, deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). “Está na sua cara que o senhor é burro, incompetente e desqualificado”, afirmou o deputado, se referindo ao parecer elaborado por Zveiter, no qual ele recomenda que os demais membros da CCJ aceitem a denúncia da PGR. “Volte a estudar direito. O senhor envergonhou a categoria”, disparou. Um exemplo de parlamentar...

Intimidado

O juiz Sergio Moro afirmou que só não mandou prender Lula por prudência. Segundo o super-herói de Curitiba, o ex-presidente o intimidou...

Italiano

Apesar dos imbróglios jurídicos e políticos em que está atolado, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) é candidatíssimo ao governo do Estado em 2018. Quem diz isso é um assessor de longa data e longos tentáculos. Será?

Trator desgovernado

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) é um trator desgovernado. Histriônico, não mede saliva para defender os que o patrocinam e atacar os inimigos de seus inimigos. Nesta semana, logo após a notícia da condenação de Lula pelo juiz Sergio Moro, interpelou os petistas Wadih Damous (RJ) e Paulo Pimenta (RS) no corredor da Câmara para fazer troça. “Tá vendo? Vocês ficam aí acusando sem prova, cacete na bunda de vocês”, disparou, delicado, referindo-se às acusações que a oposição faz ao presidente Michel Temer (PMDB-SP).

Feliz e satisfeito

O presidente da Federação das Indústrias de MS (Fiems), Sérgio Longen, gostou da aprovação da Reforma Trabalhista. Segundo ele, este é o primeiro passo para retomada da geração de empregos no Brasil. Para Longen, as mudanças na CLT poderão reverter o atual cenário de 14 milhões de trabalhadores desempregados, em razão da flexibilização das relações entre o empregador e empregado, ampliando, assim, as possibilidades de contratação, ao passo em que serão mantidos todos os direitos conquistados pelo trabalhador, como férias, 13º e FGTS. Há, no entanto, muita gente que discorda desta visão e atribui à Reforma o início de um período difícil para os trabalhadores brasileiros.

Pontualidade britânica

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) se incomodou com os atrasos das sessões da Assembleia e fez uma moção de protesto. Segundo o parlamentar, ultimamente as sessões estão iniciando as 10h, quando deveriam ter início as 9h. “Acho que a gente tem que organizar melhor as coisas aqui”, espetou.

Bloqueado

O ex-prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP), e a empresa Taíra Prestadora de Serviços, tiverem bens bloqueados pela Justiça. Eles são investigados por suspeita de superfaturamento de 140% em contratos emergenciais. Segundo a denúncia do Ministério Público, em 2015 Olarte cancelou a licitação para serviços de limpeza, sepultamento e outros no Cemitério Santo Amaro e estabeleceu contrato emergencial com a empresa causando prejuízo de aproximadamente R$ 700 mil ao município.

Zeca patrão

O novo presidente estadual do Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul, o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, parece estar em outro mundo bem diferente do que vive a presidente nacional do Partido, a senadora Gleisi Hoffmann. Enquanto ela ocupou a Mesa Diretora do Senado na tentativa de evitar a aprovação da Reforma Trabalhista, cena que marcou o auge da luta das mulheres guerreiras naquela Casa em favor dos trabalhadores contra o sepultamento da CLT, Zeca promoveu demissão em massa dos funcionários do Diretório Estadual do PTMS.

Empossado no dia 22 de junho, Zeca só compareceu à sede do partido no último dia 10 de julho, depois que sua secretária de Finanças, cumprindo ordem dele, dispensou todos os funcionários do Diretório, oito ao todo, no primeiro dia útil de julho, 3, com um detalhe, com "aviso indenizatório". Permaneceu apenas a responsável pelo serviço de limpeza. Funcionários com mais de 10 anos e até 16 anos de trabalho estão sem perspectivas de receberem os direitos trabalhistas. Na reunião da Direção Executiva Estadual, ocorrida na segunda-feira, 10, Zeca do PT, já deu recado aos novos diretores e disse que "não adianta ninguém vir chorando que não recebeu".

A revolta maior dos funcionários, que também são militantes do partido, é que o novo presidente construiu sua trajetória política no sindicato dos bancários. A partir daí, conseguiu se eleger deputado estadual, governador, vereador na Capital e agora deputado federal. Muitos dos demitidos foram seus assessores nesta trajetória, mas hoje se afastaram dele por não compactuarem com suas posições políticas.

Os colaboradores não estão questionando a decisão tomada por Zeca, embora argumentam que ela tem caráter de perseguição política e assédio moral, mas reivindicando os direitos trabalhistas, tão defendido pelos companheiros e companheiras petistas em todo o Brasil.


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Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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