Semana On

Terça-Feira 13.abr.2021

Ano IX - Nº 438

Coluna Ágora Digital

Nosso Pinóquio

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 23 de Março de 2021 - Victor Barone

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Às vésperas de inaugurar a mais nova obra de seu governo, a marca de 300 mil brasileiros mortos por covid-19, Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em cadeia de rádio e TV (no último dia 23). Adotando um estilo modesto, tentou afastar a paternidade por essa conquista. Mas uma trilha sonora de panelas mostrou que ele já está eternizado por isso.

Mais moderado, no famoso estilo "não-posso-perder-o-apoio-do-centrão-e-do-empresariado-se-não-me-lasco", o presidente da República focou o discurso na vacinação. Disse que nunca foi contra elas, mesmo após ter sido sistematicamente contra. E mentiu descaradamente ao afirmar que fez tudo o que podia para combater o coronavírus e garantir a maior quantidade possível de imunizantes.

Relembrar é viver... No ano passado, alegando que vacinas poderiam causar mutações a quem optasse por recebê-las, ele alertou: "Se você virar um jacaré, é problema de você". Também afirmou que o melhor imunizante é pegar a doença. "Eu tive a melhor vacina, foi o vírus", disse no dia 23 de dezembro para o seu rebanho. E acrescentou "sem efeito colateral". O problema é que o efeito colateral são algumas centenas de milhares de brasileiros mortos.

Bolsonaro fez um autoelogio sobre o ritmo de vacinados, o que é um insulto à nossa inteligência. O médico sanitarista e fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina, diz que o Brasil poderia estar imunizando 2 milhões de pessoas por dia, por conta da experiência do Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde, se tivesse doses o suficiente. Mas não têm.

Bolsonaro afirmou que fechou contrato, no ano passado, para a aquisição de milhões de doses da Oxford/AstraZeneca e do consórcio Covax Facility, mas não contou que colocou entraves para a compra da Coronavac, desenvolvida na China e produzida pelo Instituto Butantan, e mesmo da vacina da Pfizer, que só adquiriu agora. Aliás, a da Pfizer é a que foi alvo de seu alerta para o risco de mutação jacarezenta.

Com tudo isso, ele garantiu que, até o final do ano, estaremos todos vacinados - mesmo que a desorganização de seu governo e constantes atrasos de chegadas de doses apontem para um desfecho apenas em 2022. Se quisesse defender vidas e empregos, como disse, não teria sido omisso e negacionista até aqui. Poderíamos estar vacinados até o final do primeiro semestre deste ano. Se o presidente fosse outro.

Jair começou o pronunciamento culpando a variante brasileira do coronavírus pelo aumento da mortalidade pela doença. Praticou, dessa forma, seu esporte preferido: o Arremesso de Responsabilidade à Distância.

A doutora em microbiologia e fundadora do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak, discorda dessa avaliação. Ela já havia explicado, em entrevista ao UOL, que o que causou a situação calamitosa não foi a variante, pelo contrário: ela é consequência da situação calamitosa em que o governo Bolsonaro nos colocou. "A gente se torna uma ameaça sanitária para o mundo. Por que se tem um país do tamanho do nosso que não controla a pandemia, o mundo não controla a pandemia", alertou.

Bolsonaro, ao menos, solidarizou-se com quem perdeu entes queridos para a doença. Em um discurso em São Simão (GO), em 4 de março, a abordagem havia sido outra: "Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?"

E o dia escolhido por ele para tentar dar um migué na população também não poderia ter sido pior. O Brasil atingiu 3.158 mortes registradas em 24 horas, ultrapassando, pela primeira vez, a marca dos três mil óbitos por covid-19 em um só dia, de acordo com a contagem do consórcio de veículos de imprensa. E ainda estamos longe do pico. Prova disso são as filas por leitos de UTIs e a insistente luta pessoal do presidente contra os lockdowns.

Ao mesmo tempo, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal concedeu um habeas corpus à defesa de Lula e considerou que o ex-juiz federal Sergio Moro foi parcial no processo contra o ex-presidente. Isso somado à anulação das condenações do petista, após a 13ª Vara Federal de Curitiba ter sido considerada incompetente para analisar o processo, reforça que Lula está elegível e, muito provavelmente, irá enfrentá-lo nas eleições presidenciais do ano que vem. Dessa forma, o pronunciamento do dia 23 também foi uma resposta ao retorno do petista ao jogo político. Lula tem defendido a vacina, pedindo para os brasileiros tomarem o imunizante, independente de quem seja o fabricante, forçando Bolsonaro a se adaptar.

Parte do centrão, apesar das declarações de seus líderes reafirmando que continuam com Bolsonaro, pode muito bem pular para o colo de Lula em 2022 se perceber que o barco vai afundar. Ou melhor dizendo, que a economia não irá reagir na velocidade com que Jair espera para tentar a reeleição.

A tentativa tardia de reposicionamento de marca do presidente da República não ocorre por conta da percepção de que estamos vivendo uma tragédia sem precedentes e que ele governa o país com o maior número de óbitos por dia no mundo. Sinceramente, o capitão não se importa com isso. Mas porque está com a corda no pescoço. É medo o que ele está sentindo.

Em tempo: A moderação do pronunciamento, claro, vai durar até o próximo encontro com seus seguidores na porta do Palácio do Alvorada. Mas será suficiente para a turma do autoengano celebrar que ele mudou.

Por Leonardo Sakamoto

SEM NOÇÃO

Quase um ano após ter dito que pelo seu “histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus”, não precisaria se preocupar com a covid-19 e no momento em que o país bate recordes de mortes, Jair Bolsonaro voltou a fazer piada sobre o “histórico de atleta”. O revival da “célebre” frase foi feito em uma postagem do presidente com uma reportagem sobre os benefícios das atividades físicas na prevenção de casos graves. “Pelo meu histórico de atleta…Bom dia a todos”, escreveu. Em 24 de março de 2020,  Bolsonaro que “no meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”. A afirmação foi feita em pronunciamento nacional em cadeia de rádio e TV.

RESSENTIDOS

O bolsonarismo despertou um ressentimento contido há muito tempo no Brasil. A jornalista Eliane Brum identificou este fenômeno em 2018. Ela não foi a primeira a falar sobre isso, mas sintetizou o horror.

“Todo o tipo de recalque emergiu dos esgotos do inconsciente e hoje desfila euforicamente pelas ruas, escolas, universidades, repartições públicas, almoços de família.

Gays são ameaçados de espancamento se andarem de mãos dadas, ou simplesmente por existir, mulheres com roupa vermelha são xingadas por motoristas que passam, negros são avisados que devem voltar para a senzala, mulheres amamentando são induzidas a esconder os seios em nome da 'decência'.

Aquele amigo de infância de quem se guardava uma boa lembrança escreve no Facebook que chegou a sua vez de contar o quanto o odiava em segredo e que pretende exterminá-lo junto com a sua família de 'comunistas'.

Um conhecido que passou a vida adulta acreditando merecer mais sucesso e reconhecimento do que tem, agora espalha sua barriga no sofá da sala e vocifera seu ódio contra quase todos.

Outro, que se sempre se sentiu ofendido pela inteligência alheia, sente-se autorizado a exibir sua ignorância como se fosse qualidade.”

Eliane estava correta.

O país de Jair Messias Bolsonaro é o paraíso dos ressentidos:

dos que sempre foram incapazes de raciocinar criticamente e de forma independente, longe de uma dicotomia de arquibancada, e hoje, orgulhosos da própria burrice, perderam a vergonha de expor sua ignorância;

dos que relativizam qualquer barbárie em nome de uma pretensa superioridade moral advinda de uma seita que relaciona dinheiro e ascensão espiritual, e , hoje, transborda dos templos para a vida privada e para a política com seu discurso medieval;

dos que, até então contidos pelas grades carcomidas da civilidade, encontraram brechas para posicionar claramente sua homofobia, sua misoginia e racismo;

dos que escaparam das limitações da ética para expressar abertamente sua inconformidade com uma sociedade democrática.

Estes ressentidos não estão limitados a esta ou aquela faixa sócio-cultural, econômica ou ideológica. De lixeiros a desembargadores, de analfabetos a doutores, estão espalhados pela trama social brasileiro como um câncer difícil de ser extirpado.

Teremos no Brasil um longo período de trevas. Que nos inundemos de luz para enfrentá-lo.

GENTE DOIDA

Ganhou as redes um vídeo em que homens fantasiados com roupas camufladas — e a boina da brigada paraquedista — e camisetas de apoio a Jair Bolsonaro ameaçam a esquerda a “tentar” levar adiante um processo de impeachment contra o presidente.

O tom da fala de um dos personagens é de levante: “Aê pessoal da esquerda. Quer dizer que vocês querem impeachment, querem derrubar o nosso presidente. Deixa eu falar uma coisa para vocês (mostrando outros homens fantasiados no vídeo), ele não está sozinho. Só para lembrar. Junta o que vocês tiveram de melhor e tentem”.

Em nota, a Seção de Comunicação Social do Comando Militar do Leste informa que não há nenhuma relação da Instituição com o evento citado e que o grupo que aparece no vídeo é formado por ex-militares e civis em geral: “O Exército Brasileiro não compactua com qualquer tipo de conduta ilícita por parte de seus integrantes, repudiando veementemente atitudes e comportamentos em conflito com a lei, com os valores militares e/ou com a ética castrense”.

GOLPISTA E MALQUISTO

"Enquanto eu for presidente, só Deus me tira daqui", bradou Bolsonaro no domingo a uma centena de devotos, que foram ao Alvorada para comemorar o aniversário de 66 anos do presidente. No Rio, numa cena assustadora, um batalhão de paramilitares uniformizados (veja a nota acima) marchou pela Barra da Tijuca em homenagem ao "Mito". Se alguém tentar tirá-lo de lá, o capitão ameaça chamar o " meu Exército". Não sei o que Deus e os generais pensam disso, mas a maioria dos brasileiros quer vê-lo pelas costas, como mostram todas as pesquisas, com viés de alta na rejeição.

Entre eles, incluem-se agora mais de 500 empresários, banqueiros, economistas e ex-ministros da Fazenda, que lançaram um manifesto pedindo "lockdown" nacional e providências do governo para enfrentar a pandemia fora de controle. É a primeira vez nesta crise sem fim que a elite econômica dá o ar da sua graça, para se juntar às centenas de entidades da sociedade civil que já se manifestaram contra o desgoverno bolsonarista, prestes a contabilizar 300 mil mortos e 12 milhões de brasileiros infectados pelo coronavírus, sem qualquer solução à vista.

Por Ricardo Kotscho

FERVEU

Gilmar Mendes ferveu ao ouvir o voto de Kassio Nunes Marques, que isentou Moro. Investiu contra o colega como se quebrasse uma garrafa de cerveja na quina de uma mesa de ferro, com os pés em formato de 'X'.

TERRAPLANISTA FUJÃO

A imagem tragicômica de um homem de sunga fugindo de guardas no Rio de Janeiro viralizou na internet brasileira na quarta-feira (24). Os agentes tentaram multar o homem por quebrar as medidas de restrição estabelecidas contra a covid-19. Ao ser abordado por um dos fiscais, o rapaz se recusou a mostrar os documentos pessoais e começou uma fuga pelas ruas do bairro, usando apenas sunga, sem soltar a bola de plástico que carregava nas mãos. No Twitter, Felipe Neto contou uma coincidência curiosa sobre o fugitivo, não identificado pela reportagem: ele é um ex-colega do youtuber. “Lembra que eu falei pra vocês que eu tinha um colega terraplanista e negacionista? É contra isolamento, contra vacina, etc…Eis que hoje ele decide ir pra praia e aparece no jornal da manhã…”, escreveu o empresário, compartilhando o vídeo do flagra. “Ele tem um coração de ouro, mas se perdeu totalmente em páginas de facebook de terraplanismo e negacionismo, acabei cortando relações”. Na continuação da história, Felipe contou que acabou cortando relações com o colega por conta da discordância de ideias entre os dois. E ainda notou que o guarda segurava uma arma de choque, destacando que ela não foi usada.

ONYX ABUSOU DO REMEDINHO

O ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral do governo Bolsonaro, disse em entrevista realizada nA quinta-feira (25) que o isolamento social rígido (lockdown) não funciona porque não é possível fazer um “lockdown dos insetos”. Não há evidências de que insetos transmitam a covid-19.

“Eu considero todos muito tolos. Muitos ainda insistem numa ferramenta chamada lockdown que já está provada por várias experiências no mundo que é ineficiente. Alguém consegue impedir nas áreas urbanas o passarinho, o cão de rua, o gato, o rato, a pulga, a formiga, o inseto, eles se locomovam? Alguém consegue fazer o lockdown dos insetos? É claro que não. E todos eles transportam o vírus, não são contaminados, mas podem transportar o vírus. Podem, é uma possibilidade”, afirmou o ministro em entrevista à Jovem Pan. Ele criticava governadores e prefeitos que adotaram medidas restritivas.

No portal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) há uma seção de perguntas e respostas sobre o Sars-Cov-2 e em uma delas a questão é “Os insetos que entram em casa podem funcionar como vetores para a covid-19?”. A resposta, atualizada em fevereiro de 2021, é a seguinte: “Até o momento não foi documentada a transmissão do novo coronavírus por moscas ou outros insetos”.

Sobre animais domésticos a posição da entidade é parecida: “Embora não existam estudos aprofundados sobre o tema até o momento, o risco de animais domésticos contraírem ou transmitirem o novo coronavírus é praticamente inexistente”. “Em todo o mundo há menos de 25 relatos de cães e gatos que contraíram o Sars-CoV-2 e nenhum relato oficial de animais que tenham transmitido para seus donos ou tutores. Além disso não há relatos de casos positivos de covid-19 em animais no Brasil, afirmam.

MAKE UP

Sem avisar a estados e municípios a tempo, ontem o Ministério da Saúde começou a solicitar novos dados para o preenchimento das fichas de óbitos por covid-19 no Sivep-Gripe, sistema em que os registros são consolidados. Passaram a ser exigidas informações como número do CPF, Cartão Nacional do SUS (CNS) e se o paciente havia sido vacinado contra a doença. 

Como são campos novos e não houve prazo para os municípios se adaptarem à mudança, é óbvio que muitos deles não conseguiram preencher as fichas. O resultado, então, foi uma queda artificial no número de óbitos – o que, curiosamente, aconteceu, um dia após o Brasil ter ultrapassado pela primeira vez a marca das três mil mortes diárias. O estado de São Paulo, por exemplo, na véspera tinha registrado mais de mil óbitos, e ontem ficou com menos de 300. 

A reclamação dos gestores estaduais foi automática. Quem falou primeiro do problema foi o secretário estadual de Saúde de SP, Jean Gorinchteyn, em coletiva de imprensa. O Conass e o Conasems (conselhos que reúnem secretários estaduais e municipais de saúde) pediram ao ministério a retirada temporária da obrigatoriedade do preenchimento dos campos e, mais tarde, o pleito foi atendido

Na verdade, a inclusão desse tipo de informação nas fichas já estava em debate e era defendida pelos conselhos para melhorar as informações coletadas. O pesquisador da Fiocruz Marcelo Gomes, que coordena a plataforma InfoGripe, explicou a vários veículos que a mudança tem lógica e é uma demanda de quem trabalha com bancos de dados: o CPF ou o CNS, por exemplo, fornecem uma identificação única de cada pessoa, o que ajuda a evitar duplicidades e a identificar suspeitas de reinfecção. Essa ausência é, portanto, um problema que já devia ter sido sanado há muito tempo.

Só que nem todo mundo leva esses documentos para o hospital, e forçar uma mudança desse naipe da noite para o dia é bem complicado. “O impacto na ponta é muito grande por conta da falta de acesso fácil ao CPF e CNS de todos os pacientes internados”, diz Gomes ao G1, explicando que, quando esses números não estão à mão, o agente de saúde precisa pesquisar o CNS do paciente, o que leva tempo. Ou, pior ainda: fazer o cadastro, caso a pessoa ainda não o tenha. “A mudança tem sentido, tem pontos positivos, mas fazê-la no momento atual acaba trazendo diversos riscos não só de aumento no atraso da notificação, mas até de ficarmos sem algumas notificações. Na urgência, na pressa, pode ser que simplesmente deixem de preencher e uma morte pode ficar sem notificação“, diz o mesmo pesquisador ao Estadão.

Para os secretários, o problema maior foi a falta de comunicação: as prefeituras precisavam ter sido informadas da mudança com antecedência e um período de transição deveria ter sido estabelecido. 

O Ministério da Saúde recuou da decisão à tarde, tornando as novas informações optativas. Mas, mesmo com a obrigatoriedade durando apenas algumas horas, pelo menos cinco estados tiveram dificuldades ao formalizar os registros:  São Paulo, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

DIFÍCIL MAQUIAR

Uma queda no número de óbitos diários neste momento de colapso geral viria bem a calhar para o Ministério da Saúde, cujo histórico em relação à transparência na pandemia é tudo menos positivo. Com razão, a notícia sobre a alteração nas fichas despertou grande desconfiança. O novo ministro, Marcelo Queiroga, se defendeu: “Não sou maquiador, sou médico. Minha função não é maquiagem, é salvar vidas”, disse ele, afirmando que não determinou as mudanças. 

O fato é que, mesmo com o represamento que a trapalhada gerou em várias cidades, ontem ainda foi um dos dias com mais óbitos desde o começo da pandemia: 2.244. A defasagem só conseguiu interromper os seguidos recordes na média móvel – que, no entanto, manteve-se alta (2.279). São oito dias seguidos com esse número acima de dois mil.

Com os registros de ontem (25), o país ultrapassou a marca de 300 mil óbitos. Quase todas as cidades brasileiras têm menos habitantes do que isso. Foram 100 mil mortes em apenas 75 dias. Com a escalada mais recente dos números, frear as próximas 100 mil é uma tarefa hercúlea – que, como se nota, o governo federal não parece disposto a encarar. 

UM COMITÊ DE INCERTEZAS

O comitê de coordenação das ações de combate à pandemia anunciado por Jair Bolsonaro nasce cercado de incertezas – e crise. Para começo de conversa, o próprio presidente não concordava com a proposta, feita há semanas pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Apresentada novamente ontem, desta vez pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a ideia recebeu o aval do chefe do Executivo – que, no entanto, delegou a Pacheco a interlocução com governadores.

A terceirização não foi bem recebida por vários deles – que, além do mais, nem foram convidados para a reunião em que a criação do comitê foi acertada. O Planalto só chamou sete governadores, seis deles alinhados ao bolsonarismo:  Claudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás), Wilson Lima (Amazonas), Marcos Rocha (Rondônia) e Ratinho Jr. (Paraná). O sétimo conviva, considerado independente, foi Renan Filho (MDB), governador de Alagoas – “que, contudo, também não costuma fazer embates públicos com o presidente, ao contrário da maioria dos governantes do Nordeste”, destaca reportagem do jornal O Globo.

Nem quem participou da reunião tem clareza do desenho do comitê. “Eu também não entendi exatamente. É uma coisa que eu vou conversar com o Pacheco agora, para entender qual vai ser a formatação. Ficou de nos próximos dias ele entrar em contato com os governadores, formatar exatamente o comitê. Se vão ser líderes dos governadores, se vão ser todos, se ele vai ser o interlocutor”, disse Claudio Castro (PSC).

“Fiquei animado com a possibilidade de criação do comitê, mas, pelo relato de pessoas que estavam na reunião, a perspectiva é de pouca mudança. O comitê ficou sem estados e municípios, então mantém desintegração, terceirizando para o senador Rodrigo Pacheco a relação com governadores para tratar da rede de saúde, da falta de insumos, da estratégia de prevenção e vacinação… Ou seja, não vai dar certo”, criticou Wellingon Dias (PT), governador do Piauí. 

Maior antagonista do presidente nessa seara, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), apelidou a iniciativa de “comitê de adulação”. Para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), “parece que Bolsonaro tem medo dos governadores”. O discurso de que o comitê é um passo na direção de um “pacto nacional” ficou bastante prejudicado pela exclusão da maioria dos gestores.

Arthur Lira afirmou que o comitê terá integrantes do Executivo, parlamentares, governadores e representantes de outros Poderes. O presidente do STF, Luiz Fux, confirmou que indicará um integrante do Conselho Nacional de Justiça para compor a estrutura. Ficou faltando, é claro, os prefeitos. 

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) se manifestaram, lembrando que são as prefeituras as responsáveis pela aplicação das vacinas contra a covid-19 e por parte da assistência aos doentes. Segundo a FNP, a reunião foi uma demonstração de “federalismo de conveniência”. Em entrevista ao Estadão, o consultor da CNM para estudos técnicos, Eduardo Stranz, até agora houve apenas interlocução entre prefeitos e governos estaduais. O diálogo de estados e municípios com o governo federal, ele diz, foi marcado por “uma disputa desnecessária que nos levou ao ponto que estamos agora, na fase mais aguda da pandemia”.

Mesmo entre aliados, houve saia justa e constrangimento. Na reunião, Bolsonaro defendeu enfaticamente o mentiroso “tratamento precoce” contra a covid-19. No pronunciamento feito em seguida, insistiu no assunto:  “Tratamos também da possibilidade de tratamento precoce, isso fica a cargo do ministro da Saúde, que respeita o direito e o dever do médico ‘off label’ tratar os infectados. É uma doença como todos sabem, ainda desconhecida”. Na terça-feira, 81 entidades médicas e científicas pediram o banimento do chamado “kit-covid”, e se multiplicam relatos de pessoas que usaram os medicamentos e tiveram complicações sérias, levando à falha renal e morte

O presidente também bateu pela milésima vez na tecla da destruição da economia para se colocar contra medidas de restrição da circulação de pessoas, principalmente do lockdown. Esse ponto teria sido deixado de lado na reunião por falta de clima para discussão. 
“Pelo menos dois governadores, Renan Filho (Alagoas) e Ronaldo Caiado (Goiás), argumentaram que essas restrições podem ser importantes em algumas situações. Outra ponderação feita é que isso ajuda a diminuir o risco de contaminação nos transportes coletivos. Como Bolsonaro persistiu na sua visão, o tema acabou se tornando um constrangimento no encontro”, apurou o Estadão.

Em tempo: o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que o próprio governo vetou a criação de um comitê de crise que estava previsto na PEC do Orçamento de Guerra. Um ano atrás

ALINHADO

No pronunciamento coletivo feito depois da reunião, Marcelo Queiroga demonstrou alinhamento com Jair Bolsonaro e disse ser preciso evitar o “lockdown”. Como? Não explicou. “O que nós temos, do ponto de vista prático, é adotar medidas sanitárias eficientes que evitem lockdown. Até porque a população não adere a lockdown”, sentenciou.

Também chamou para si a responsabilidade pela cerimônia de posse clandestina: “Eu solicitei ao presidente da República que fizéssemos uma posse simples, uma posse sem cerimônias, uma posse sem solenidade, porque nós vivemos – como vocês sabem, tem tão bem divulgado – uma emergência sanitária de importância internacional que já dura mais de ano”.

Questionado sobre o que fará de diferente do seu antecessor, Eduardo Pazuello, se esquivou: “Vocês vão perceber ao longo do tempo”.

PRIMEIRA INSTÂNCIA

Sem foro privilegiado, o inquérito aberto para investigar se houve omissão de Eduardo Pazuello na crise de falta de oxigênio no Amazonas foi enviado ontem à primeira instância. Correrá na Justiça Federal do DF. De acordo com o blog de Fausto Macedo, o inquérito pode levar a uma condenação do general da ativa e até mesmo à perda de posto e patente.

RETRATOS DA ELITE BRASILEIRA

“Um grupo de políticos e empresários, a maioria ligada ao setor de transporte de Minas Gerais, e seus familiares, tomou na terça-feira, dia 23, a primeira das duas doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19, em Belo Horizonte. Eles compraram o imunizante por iniciativa própria e não repassaram ao SUS, como prevê a lei. A segunda dose está prevista para ser aplicada nas cerca de cinquenta pessoas daqui a trinta dias. As duas doses custaram a cada pessoa 600 reais”. A reportagem da Piauí conseguiu até falar com um dos agraciados, o ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, que confessou que nem precisava ter recorrido ao expediente ilegal: “Estou com 69 anos, minha vacinação [pelo SUS] seria na semana que vem, eu nem precisava, mas tomei. Fui convidado, foi gratuito para mim”. Os organizadores da vacinação ilegal foram os irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur.

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) acionou o Ministério Público de Minas Gerais requisitando a abertura de investigação e o confisco das vacinas.

PARTE DO PIB DÁ SEU RECADO

Uma carta repleta de críticas ao governo federal deve chegar às mãos das maiores autoridades da República, incluindo o presidente Jair Bolsonaro. Iniciativas do tipo não são exatamente novidade, mas esta é diferente por partir de banqueiros, grandes empresários e economistas que ocuparam o Banco Central e o Ministério da Fazenda. E, por isso, é mais eficaz ao bater na falácia preferida do bolsonarismo, segundo a qual a retomada da economia deve se dar na marra, através da sabotagem das medidas de combate à pandemia.

O tom crítico do texto subscrito por gente como Armínio Fraga, Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles começa pelo título: “O país exige respeito; a vida necessita da ciência e do bom governo”. A carta constata que o Brasil se tornou o epicentro mundial da covid-19 e já contabiliza mortes não causadas diretamente pela doença, mas pela incapacidade de se atender tantos doentes ao mesmo tempo. Fala da situação econômica – queda na força de trabalho, alta histórica do desemprego, tombo do PIB – para constatar: 

“Esta recessão, assim como suas consequências sociais nefastas, foi causada pela pandemia e não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do governo federal. Este subutiliza ou utiliza mal os recursos de que dispõe, inclusive por ignorar ou negligenciar a evidência científica nas ações para lidar com a pandemia”.

A carta defende a adoção de quatro linhas de ação: negociar com laboratórios a antecipação de entrega de vacinas ou com países ricos o possível excedente de doses, distribuir máscaras PFF2 para a população, implementar medidas de distanciamento social, incluindo lockdown, e avançar na coordenação nacional das ações de combate à pandemia.  

“O quadro atualainda poderá deteriorar-se muito se não houver esforços efetivos de coordenação nacional no apoio a governadores e prefeitos para limitação de mobilidade. Enquanto se busca encurtar os tempos e aumentar o número de doses de vacina disponíveis, é urgente o reforço de medidas de distanciamento social. Da mesma forma é essencial a introdução de incentivos e políticas públicas para uso de máscaras mais eficientes, em linha com os esforços observados na União Europeia e nos Estados Unidos”, diz o texto, defendendo a urgência do estabelecimento de critérios para a adoção de lockdowns. 

A carta critica especialmente o desdém do governo federal em relação à compra de um portfólio mais variado de vacinas, o que fez com que o país começasse a campanha dependente de dois imunizantes que, por diversas razões, sofrem com atrasos na produção. 

“Poderíamos estar em melhor situação, o Brasil tem infraestrutura para isso. Em 1992, conseguimos vacinar 48 milhões de crianças contra o sarampo em apenas um mês. Na campanha contra a covid-19, se estivéssemos vacinando tão rápido quanto a Turquia, teríamos alcançado uma proporção da população duas vezes maior, e se tanto quanto o Chile, dez vezes maior. A falta de vacinas é o principal gargalo. Impressiona a negligência com as aquisições, dado que, desde o início da pandemia, foram desembolsados R$ 528,3 bilhões em medidas de combate à pandemia, incluindo os custos adicionais de saúde e gastos para mitigação da deteriorada situação econômica. A redução do nível da atividade nos custou uma perda de arrecadação tributária apenas no âmbito federal de 6,9%, aproximadamente R$ 58 bilhões, e o atraso na vacinação irá custar em termos de produto ou renda não gerada nada menos do que estimados R$ 131,4 bilhões em 2021, supondo uma recuperação retardatária em 2 trimestres. Nesta perspectiva, a relação benefício custo da vacina é da ordem de seis vezes para cada real gasto na sua aquisição e aplicação”.

Outro cálculo presente na carta é em relação às máscaras PFF2. Se o governo federal comprasse cinco dessas máscaras consideradas as mais eficientes na proteção dos contágios para cada uma das 68 milhões de pessoas que receberam o auxílio emergencial ano passado, desembolsaria R$ 1 bilhão. “A distribuição gratuita direcionada para pessoas sem condições de comprá-las, acompanhada de instrução correta de reuso, teria um baixo custo frente aos benefícios de contenção da covid-19”. 

O principal recado da carta é para o presidente Jair Bolsonaro. “O desdenho à ciência, o apelo a tratamentos sem evidência de eficácia, o estímulo à aglomeração, e o flerte com o movimento antivacina, caracterizou a liderança política maior no país. Essa postura reforça normas antissociais, dificulta a adesão da população a comportamentos responsáveis, amplia o número de infectados e de óbitos, aumenta custos que o país incorre”. O texto termina assim: “O país tem pressa; o país quer seriedade com a coisa pública; o país está cansado de ideias fora do lugar, palavras inconsequentes, ações erradas ou tardias. O Brasil exige respeito.”

DE CARONA

Tem gente que resolveu pegar carona no manifesto dos economistas para emplacar ideias já rechaçadas, como a compra de vacinas pelo setor privado neste momento da pandemia. O argumento agora tem gostinho de chantagem. O bolsonarista Flávio Rocha, dono da Riachuelo, afirma que garantir que o setor privado compre e aplique vacinas em seus funcionários servirá para evitar demissões

“Não queremos passar à frente de vulneráveis, velhinhos ou quilombolas”, disse ao Estadão, embora seja exatamente disso que se trata. “Estamos na linha de frente da guerra econômica. Não adianta vencer a guerra biológica e não ter o que comer. Como diz o ministro Paulo Guedes, desemprego mata”, completou. Para ele, aliás, a culpa da crise sanitária é de prefeitos e governadores e a escolha do novo ministro já se mostra positiva porque Bolsonaro tem usado máscara. 

O pleito foi apresentado em um jantar realizado no último dia 22 que contou com a participação de André Esteves (BTG Pactual), Luiz Trabuco (Bradesco) e Carlos Sanchez (EMS) e dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-Al) e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Ambos ficaram de levar a ideia – que sempre é bom lembrar, acabou de ser rechaçada pelo próprio Congresso – ao presidente. O pleito seria atendido por medida provisória.

Outro conceito de doação também foi forjado entre os empresários nesse jantar. Eles querem ‘dar’ recursos para abrir leitos para o tratamento da covid-19 e, depois, receber parte desse dinheiro de volta na forma de abatimento no Imposto de Renda. Não seria mais fácil argumentar pela destinação do orçamento do Ministério da Saúde, que deveria ser obrigado a assumir seu papel de coordenação nacional? Ao que parece não quando você pode fazer mais pressão por renúncia fiscal e aproveitar a chance para fazer marketing para sua empresa.  

OMS CRITICA GOVERNO

O Brasil foi foco do discurso de diversas autoridades da Organização Mundial da Saúde. A diretora do órgão regulador da OMS, Mariângela Simão – que é brasileira –, afirmou que “será preciso muita competência e firmeza na condução do enorme desafio” que a pandemia representa para o país. “Adotar políticas de saúde baseadas em ciência nas três esferas federativas é extremamente importante num momento em que há disseminação do coronavírus em todas as regiões do país. Mais que nunca é necessário alinhamento”, afirmou.

O diretor-geral do organismo, Tedros Adhanom, destacou os números. “Estamos preocupados, especialmente, com a taxa de mortalidade, que dobrou em apenas um mês”, disse, citando que no período entre 15 de fevereiro e 15 de março, as mortes semanais dobraram de cerca de 7 mil para 15 mil. “O número de casos aumenta, o número de mortes aumenta. O Brasil tem de levar isso a sério, seja o governo, seja o povo”. 

TENSÕES ESCALAM

Enquanto isso, Jair Bolsonaro continua com as ideias fora do lugar – que, no caso dele, são parte de um projeto político. O presidente defendeu uma médica do município gaúcho de Camaquã que aplicou nebulização de hidroxicloroquina em um vereador que apresentava sintomas de covid-19. A profissional foi demitida. Bolsonaro, em entrevista a uma rádio da cidadezinha, mentiu pela enésima vez sobre a existência de um tratamento precoce: “Para salvar vidas, vale qualquer coisa. Sabemos que a vacina é um custo bilionário para o mundo todo. E parece que grupos interessados em investir apenas na vacina é que deixam de lado a questão do tratamento preventivo que existe e também o tratamento logo após a contração da doença.”

No mesmo dia, chegou ao Supremo a ação direta de inconstitucionalidade contra medidas de distanciamento social adotadas pelos governos da Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Na ação, o governo argumenta que as medidas são comparáveis ao estado de sítio que só pode ser instituído a nível federal, com autorização do Congresso. A comparação não faz sentido, segundo juristas. Politicamente, no entanto, o presidente a tem usado para insinuar que ele próprio poderia instituir o estado de sítio. 

No seu aniversário de 66 anos, confraternizou com cerca de cem apoiadores aglomerados em frente ao Palácio da Alvorada. Disse que “só Deus” o tira do cargo enquanto ele for presidente. Voltou a ameaçar de forma velada a instituição de estado de sítio usando como justificativa gestores que estão adotando quarentenas país afora: “Estão esticando a corda e faço qualquer coisa pelo meu povo. Qualquer coisa que está na Constituição, é o direito de ir e vir. Podem confiar na gente”.  

Por Outra Saúde

TORTURADORES FELIZES

Decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª região (TRF5) em Pernambuco que autoriza o governo federal a comemorar o golpe civil-militar de 1964 "pode custar caro aos valores democráticos". A avaliação é do advogado André Costa, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). 

“É importante a gente falar que o Poder Judiciário, com esse tipo de decisão, não só faz uma releitura, mas também empresta a responsabilidade a um debate que pode custar caro aos valores democráticos”, aponta. A data é celebrada em 31 de março, quando o então presidente João Goulart foi deposto.

A decisão do tribunal mudou o julgamento da 5ª Vara Federal do Rio Grande do Norte sobre a Ação Civil Pública movida pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), a qual exigia que o material fosse retirado do site do Ministério da Defesa.

O historiador Tasso Brito aponta que esse tipo de homenagem ainda é aceita porque o país não resolveu por completo as violações de direitos humanos ocorridas de 1964 a 1985, os mais de 20 anos da ditatura civil-militar.

GENTE DE BEM

A comerciante Beatriz de Moura Silva de Oliveira foi covardemente agredida dentro de sua padaria, em Itajaí, no interior de Santa Catarina, pelos policiais militares Adair de Oliveira e Khaique Ferreira da Silva.

GENTE DE BEM 2

Um assessor especial de Jair Bolsonaro - Filipe G. Martins (que se apresenta nas redes sociais como professor de política internacional e ‘analista político’ - criou uma crise ao fazer gestos obscenos durante sessão do Senado Federal em que acompanhava o chanceler Ernesto Araújo, que debatia com os parlamentares. O rapaz foi flagrado enquanto fazia o gesto que une o indicador e o polegar de forma arredondada, e que pode ser lido como "ok", mas também como "vai tomar no c.". O gesto ganhou nova conotação para grupos extremistas dos EUA, e foi classificado como "uma verdadeira expressão da supremacia branca" pela Liga Antidifamação (ADL), organização que monitora crimes de ódio naquele país. Por isso, entrou na lista de símbolos do ódio.

FRASES DA SEMANA

“Não tenho dúvida de que Mourão teria mais condições para liderar o país neste momento. Um eventual governo dele seria mais apto a tirar o Brasil desse pântano terrível. Mourão tem mais capacidade cognitiva, mais devoção ao trabalho”. (Flávio Dino, governador do Maranhão)

“Fico feliz de saber que com um ano de atraso resolveram montar uma comissão de especialistas e médicos”. (Luís Roberto Barroso, ministro do STF. Ao que Luiz Fux, seu colega, disse: ‘Foi muito bom’. E Barroso: ‘Um ano de atraso e 300.000 mortos’. Fux concluiu: ‘Exatamente’) 

“Tem cara de quem sofreu bullying na infância e quer descontar na gente”. (Sérgio Augusto, jornalista, sobre André Mendonça, ministro da Justiça, que anda tentando intimidar com processos professores, artistas e cidadãos comuns críticos do governo)

“Não se pode fazer exoneração e nomeação no gerúndio, demitindo um ministro e nomeando um novo há uma semana. Quem está tentando salvar vidas se pergunta: com quem eu falo? Quem está decidindo neste momento? O Brasil é um barco à deriva”. (Rui Costa, PT, governador da Bahia)

“Nossos corações e pensamentos com nosso patrimônio da alegria, o genial Paulo Gustavo! E com todos que estão passando dificuldades neste momento.” (Marcelo Adnet, humorista, sobre o ator Paulo Gustavo, vítima da Covid-19, intubado nesta madrugada)

“A Lei de Segurança Nacional é uma espécie de espectro que vaga no mundo jurídico e precisamos exorcizá-lo ou então colocá-lo na sua devida dimensão. O Supremo deve dizer se esse fóssil normativo é ainda compatível com a Constituição”. (Ricardo  Lewandowski, ministro do STF)

“Alguma coisa aconteceu no mundo que liberou das sombras vários demônios: racistas, fascistas, misóginos, homofóbicos e supremacistas. Precisamos enfrentá-los acendendo luzes na escuridão dando um choque de iluminismo”. (Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal)


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Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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