Semana On

Quinta-Feira 18.jul.2019

Ano VII - Nº 356

Coluna Ágora Digital

Os cavaleiros do apocalipse

A política, no que ela tem de surreal, com o jornalista Victor Barone

Postado em 08 de Maio de 2019 - Victor Barone

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E Bolsonaro assinou o decreto que flexibiliza as regras de porte de arma para caçadores, atiradores e colecionadores – grupo conhecido pela sigla CACs. Eles poderão transportar armas com munição. Segundo o Instituto Sou da Paz, em 2018 havia 255 mil registros de CACs ativos, sendo 133.085 de atiradores, 70.805 de caçadores e 51.512 de colecionadores, uma alta de nada medos do que 897% em relação a 2014, quando havia pouco menos de nove mil. Estão em posse dessas pessoas mais de 350 mil armas – 54% mais que em 2014. A Época comparou: em fevereiro de 2019 havia 39.925 armas nas mãos das polícias civis do país e 244.894 armas nas mãos das empresas de segurança privada.

Especialistas contestam decreto

Especialistas não estão de acordo com o Decreto n.º 9.785, que trata da flexibilização do registro, posse e porte de armas de fogo para diversas categorias, inclusive políticos, jornalistas e caminhoneiros. Para juristas, o decreto cria previsões que estão além do que estipula o Estatuto do Desarmamento, informou o Valor. Por esse motivo, tais alterações só poderiam ser feitas por lei. “O presidente está alterando uma política pública”, aponta o doutor em direito constitucional Ademar Borges. “O correto seria a discussão passar pelo Congresso”, considera. A mesma ideia é compartilhada pelo criminalista Eduardo Reale. “Uma ampliação do que consta do estatuto teria que ser feita por meio de outra lei”, afirma. Com o decreto, armas que antes eram restritas passam a ser permitidas. Para o presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais (Inscrim) da América Latina, José Ricardo Bandeira, “beira o absurdo” incluir equipamentos como as pistolas .40 e 9mm na classificação de armas com uso permitido para cidadãos comuns, segundo o Globo. “Beira o absurdo liberar esse tipo de calibre. Exige um treinamento, uma especialização que ele não vai ter”, afirma.

Decreto deve ser revisto 

Rodrigo Maia disse que o decreto que liberou o porte de armas para virtualmente 19 milhões de pessoas pode ser sustado pelos deputados por ter “algumas inconstitucionalidades”. O presidente da Câmara afirmou que a intenção é dialogar com o governo, mas se Bolsonaro não quiser fazer mudanças por conta própria, Maia disse que a Casa “vai votar um dois oito ou nove projetos de decreto legislativo” que sustam o decreto presidencial. Imediatamente, ele se tornou alvo de um dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para quem o presidente da Câmara não teve o mesmo “apetite” para atuar em outros assuntos que entram em competências do Legislativo. E deu o exemplo da suposta interferência do Judiciário em relação ao aborto. Ele também criticou o que chama de “acadelamento” da sociedade, que é basicamente esperar que as instituições funcionem. “Não é papel da polícia defender sua casa quando o bandido entrar lá. Ela vai se esforçar ao máximo, mas quanto tempo vai demorar? Então, quando alguém entra na sua casa, o primeiro responsável pelo combate é você.”

Maia teme ‘ampliação da violência’ com decreto

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ não só reforçou a possibilidade de inconstitucionalidade de algumas partes do texto, como também destacou a relação da flexibilização do porte de armamento com os índices de violência. “A gente precisa discutir a questão das armas, a gente não pode fazer uma interpretação excessiva e ampliar ainda mais a violência que existe no Brasil. Vamos avaliar junto com a nossa assessoria sobre o que pode ter sido usurpado e dar atenção a esse tema que tem mobilizado a sociedade brasileira nas últimas horas”, disse ele.

Senso comum x ciência

Esse argumento da defesa do “cidadão de bem” contra os “bandidos” não encontra eco nas estatísticas de homicídios. “Normalmente os criminosos profissionais matam colegas, e os homens de bem matam outros como eles. Por exemplo: um traficante mata outro e um indivíduo honesto mata alguém como ele numa briga de trânsito, bar, etc.”, escreveu na Época o investigador da Polícia Civil Guaracy Mingardi. Segundo o Anuário Estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apenas 4,6% dos mais de 50,3 mil assassinatos registrados em 2017 foram de vítimas de latrocínio, quando o roubo é seguido de morte. E estar armado (tampouco ser treinado) não são sinônimos de segurança, lembra Mingardi, já que no mesmo ano foram assassinados 216 policiais. Quando uma pessoa armada reage a um assalto, o mais comum é que a sua arma seja roubada também. “Para quem não sabe, é bom informar que apenas uma pequena porcentagem de pessoas mortas no país foi vítima de uma arma de grosso calibre, que não pode ser vendida para cidadãos comuns. A arma mais letal ainda é o revolver .38. Aquele que muita gente tem guardado no armário desde sempre. E que um dia é vendido para quem não deve ou é roubado. E é esse “três oitão” e a pistola 380 que são usados na maioria dos roubos.”

A obsessão pela bala

“Parece obsessão e é mesmo: com tantos problemas gravíssimos no Brasil, econômicos, fiscais, sociais, éticos, o presidente Jair Bolsonaro só pensa em ampliar a posse e agora escancarar o porte de armas a níveis nunca antes vistos ou imaginados”, escreve Eliane Cantanhêde no Estadão a respeito do controverso decreto assinado por Jair Bolsonaro e que escancara o porte de armas para vários setores da sociedade. A colunista diz que pode-se dizer que o presidente está cumprindo uma promessa de campanha, mas não é só isso: o fato de os dois projetos de fato pessoais do presidente em menos de cinco meses de mandato tratarem de arma mostram uma paixão, que foi transferida do pai aos filhos e, agora, transformada em política de Estado.

Bancada evangélica contra decreto de armas

Integrantes da bancada evangélica na Câmara vão tentar barrar o decreto do presidente Jair Bolsonaro que flexibiliza o porte de armas para várias categorias profissionais da sociedade. A oposição já apresentou decretos ao Legislativo para revogar a medida, mas os deputados evangélicos, apesar de estarem a favor da causa, não querem se aliar ao grupo. “Estou conversando com vários deputados, e já temos vários que vão apoiar sim o decreto legislativo, desde que não seja apresentado por partidos de esquerda. Não apoiamos nada do PT. Se for do PT não terá nosso apoio”, disse ao O Globo Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), ligado ao pastor Silas Malafaia.

Performance

O deputado federal Pastor Sargento Isidoro (Avante-BA) virou notícia ao fazer ontem uma performance teatral nos corredores da Câmara com uma arma na mão junto com assessor simulando suposta troca de tiros. Deitado no chão, Isodoro fez um discurso contra o decreto do presidente Jair Bolsonaro que ampliou o porte de armas para vários segmentos. "Não é essa a nação que queremos, porque não somos os Estados Unidos", disse o deputado. Veja o vídeo.

Armas com menores de 18 anos e em aeroportos?

A partir de agora, crianças e adolescentes não precisarão mais de autorização judicial para praticar tiro esportivo. Esse é um dos pontos polêmicos contidos no decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro que facilita porte de armas de fogo. O trecho que trata do assunto diz: “A prática de tiro desportivo por menores de 18 anos de idade será previamente autorizada por um dos seus responsáveis legais”. Para o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em Direito da Criança e Adolescente, a mudança está em desacordo com o artigo 227 da Constituição, que prevê que a família proteja a criança e o adolescente de toda forma de violência. “A constitucionalidade do decreto pode ser questionada por configurar exposição ou instigação à violência”, disse. As novas regras também deixam uma brecha para passageiros embarcarem armados em voos comerciais. O texto passa a definição dessas normas para as mãos do ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa atribuição era da Anac, que editou resolução bastante restrita e só autoriza o embarque armado dos agentes de segurança em serviço. Os demais, mesmo passageiros com porte, precisam despachar o armamento.

FRAQUINHO

Os alegados superpoderes de Sergio Moro minguaram com a retirada do Coaf do organograma comandado pelo ministro. Uma nítida derrota política. Mais uma. Cada vez que isso acontece, ressurge uma dúvida: a que temperatura ferve a paciência do ex-juiz da Lava Jato?

Moro: ‘Não fomos bem-sucedidos’

O ministro Sérgio Moro assumiu a derrota parcial sofrida por sua equipe com a aprovação em comissão da Câmara para que o Coaf saia da Justiça e retorne para o Ministério da Economia. “Na verdade, o Congresso tem a palavra sobre isso. Nós conversamos, dialogamos, tentamos explicar. Aparentemente, não fomos bem-sucedidos, pelo menos em relação à decisão da comissão”, disse o titular da Justiça a jornalistas após uma solenidade em que o Coaf homenageou pessoas atuantes no combate à lavagem de dinheiro. Parlamentares do Centrão e da oposição se uniram para tirar o órgão de inteligência financeira que detecta movimentações bancárias suspeitas das mãos do ex-magistrado. O requerimento foi assinado pelos líderes do PT, PRB, PTB, PP, MDB, Pode, PSC, DEM, PR, Solidariedade e Patriotas.

Abriu a porteira

Na esteira da série de derrotas impostas ao governo, e em especial ao ministro Sergio Moro (Justiça), dirigentes de partidos articulam submeter a votação, no curto prazo, projeto que pune o abuso de autoridade. A ideia é, com o aval dos presidentes das duas Casas do Congresso, trabalhar texto que está no Senado sob a relatoria de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e incluir na proposta medidas de combate ao crime organizado–esvaziando ainda uma das bandeiras do ex-juiz.

Medida inócua

Apesar de nos corredores do Congresso o governo já dar como perdida a disputa para manter o Coaf no Ministério da Justiça, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender na mídia que o órgão permaneça nas mãos de Moro. Em entrevista para rádio Bandeirantes, ele classificou como “inócua” a mudança. Moro foi ao Twitter reforçar a opinião do presidente. “O ministro Guedes, aliás, foi o mensageiro do convite ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Mas quero plantar para o futuro. O fato do Coaf ter ficado, em 2018, na Fazenda com apenas 37 servidores após vinte anos de existência ilustra que ali não é o melhor lugar”, escreveu o ministro.

Sérgio Moro está isolado?

A semana foi marcada por uma sucessão de derrotas do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Além de ver sua posição de restrição ao porte de armas ser ignorada no decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, o ex-juiz também perdeu, por ora, o Coaf para o Ministério da Economia. O órgão foi um pedido de Moro ao assumir a pasta da Justiça. Em sua coluna para a Folha nesta sexta-feira, 10, Bruno Boghossian analisa o isolamento político de Moro e o pouco apoio que vem recebendo do governo Bolsonaro. “Bolsonaro entregou Moro de bandeja ao Congresso para evitar derrotas maiores”, escreveu. Para o colunista, o fato de o presidente ainda não ter uma base aliada sólida no Congresso contribuiu para sua decisão de não apoiar o ex-juiz, a quem os partidos do chamado Centrão buscam enfraquecer. “Moro é um personagem mais popular do que Bolsonaro, mas as derrotas sucessivas e o respaldo vacilante do presidente impedem que o subordinado ofusque o próprio chefe”, pontua.

PAGANDO CONTA

O presidente Jair Bolsonaro disse que deverá indicar seu atual ministro da Justiça, Sergio Moro, para a vaga de Celso de Mello no STF. Bolsonaro participou do programa esportivo do jornalista Milton Neves, na Rádio Bandeirantes e confirmou que assumiu um compromisso com Moro. “Tenho um compromisso com ele (Moro). A primeira vaga (do STF) que vier é dele. Vou honrar o compromisso com ele, caso ele queira”, disse Bolsonaro. Celso de Mello deve se aposentar no final do ano que vem, quando completa 75 anos.

Exposto

Jair Bolsonaro parece ter pretendido agradar Sérgio Moro e encorajá-lo a enfrentar as dificuldades que tem encontrado na política pois, no fim das contas, vai finalmente levar o grande prêmio da Mega Sena. Mas a declaração do presidente de que vai indicar o ministro da Justiça para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal pode complicar sua vida. Não precisaria ser um gênio para prever isso e evitar a declaração pública. Afinal, se fosse para explicitar o acordo, o próprio Moro já teria tratado de fazê-lo.

Colocar na mesa que a negociação para a saída de Moro da magistratura era um “combo” que incluía um pedágio no Executivo para o grande prêmio depois enfraquece ainda mais o ministro nas tratativas com o Congresso. Não à toa, o Painel da Folhainforma nesta segunda-feira que parlamentares pensam em aumentar o sarrafo da idade de aposentadoria dos ministros do STF para dificultar a ida de Moro para lá. Melhor seria Bolsonaro ter chamado o auxiliar para uma conversa e reforçado a promessa em privado. Mas argúcia política não tem sido uma marca desse início atabalhoado de governo.

Por Vera Magalhães

VAI PRA CORÉIA

O presidente Jair Bolsonaro voltou a se comprometer com a manutenção da democracia e a não regulamentação da mídia. Em postagem feita no Twitter, Bolsonaro disse que em seu governo “a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais.” E completou: “Quem achar o contrário, recomendo um estágio na Coreia do Norte ou Cuba.” Durante a campanha, em seu programa de governo, o presidenciável já se dizia defensor da liberdade de imprensa e contra qualquer forma de regulamentação de mídia. Tratava-se de uma clara preocupação em se contrapor ao PT, que tinha como proposta a regulação de concessões e a criação de conselhos para dispor sobre conteúdo.

Relacionamento

Jair Bolsonaro, como se sabe, mantém um relacionamento inamistoso com a imprensa e os jornalistas. Mas não há meio de comunicação ou comunicador que lhe sonegue o direito de exercitar sua liberdade de expressão. Mesmo quando o capitão tem dificuldades para se exprimir —como num post em que falou sobre a mídia como se o livre fluxo de informações e opiniões fosse uma concessão do seu governo e de sua magnânima generosidade presidencial.

"Em meu governo a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais (sic). Quem achar o contrário recomendo um estágio na Coréia do Norte ou Cuba."

Tomado ao pé da letra, Bolsonaro insinua que, se quisesse, poderia lançar mão de seus poderes imperiais para controlar a imprensa e as mídias que ele ajudou a tornar antissociais. A julgar pela forma como cultua a ditadura militar, não deve faltar vontade. Entretanto, a presunção do capitão é autoilusória e ofensiva.

Bolsonaro se ilude porque, a essa altura, já deve ter percebido que seu poder efetivo não vai muito além do Planalto e de um grupo de umas 50 pessoas. Sua manifestação ofende porque parte do pressuposto de que a sociedade brasileira é feita de imbecis.

Os últimos que cometeram esse tipo de equívoco foram os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Imaginando-se dotados de poderes autocráticos, os dois tentaram censurar notícia que deixava Toffoli mal. A reação foi tão devastadora que tiveram de recuar para não ser desautorizados por seus próprios colegas de tribunal.

Imagine-se o que ocorreria se Bolsonaro enviasse ao Congresso uma proposta de regulação da mídia, eufemismo para censura. O barulho seria instantâneo. As reações ecoariam dentro e fora do país. Hoje, seria mais fácil aprovar um pedido de impeachment do presidente da República.

Deve-se a manifestação presunçosa do capitão a uma tentativa de se distanciar de posições anti-mídias sociais atribuídas ao general e ministro palaciano Carlos Santos Cruz. De quebra, o capitão estabelece um contraponto em relação a Lula.

Em entrevista à Folha e ao El Pais, o presidiário petista declarou: "Quando falam em autocrítica, eu acho que nós devemos ter muitos erros. Eu, por exemplo, tive um erro grave. Eu poderia ter feito a regulamentação dos meios de comunicação. É uma autocrítica que eu faço."

Quer dizer: para Lula, a liberdade de expressão não é senão uma lamentável negligência dos governos do PT. Ironicamente, ele fez tal insinuação a dois jornais que guerrearam no Judiciário para que ele pudesse se expressar mesmo estando preso. Foi preciso ouvi-lo por mais de duas horas para descobrir que ele tinha pouquíssimo a dizer.

Bolsonaro e Lula ainda se darão conta de que as duas coisas mais perigosas numa democracia são a imprensa livre e a sociedade consciente. Juntas, elas conduzem governantes ineptos à impopularidade e larápios à cadeia.

Por Josias de Souza

Macarthismo

A Rede Bahia, uma das principais afiliadas da Globo no Nordeste, demitiu cerca de 40 pessoas de seus canais, como da TV Oeste e da TV São Francisco. Uma das demitidas desta última emissora foi a jornalista Priscila Guedes, que vinha atuando, até então, como âncora da ‘BATV’, principal telejornal local do canal. Chamou a atenção nas redes sociais o fato de que Priscila aproveitou a demissão para se posicionar politicamente, algo que é proibido entre funcionários da Globo e de suas afiliadas. Na noite do mesmo dia da demissão, a jornalista usou sua conta do Instagram para postar uma foto do ex-presidente Lula e fazer, em anos, sua primeira manifestação política. “Lula livre”, escreveu. Horas depois, pelo ‘stories’ da rede social, Priscila foi além e disparou contra o presidente Jair Bolsonaro. “Bolsonaro é o caralho. Lula livre, porra”, postou. Boa parte dos seguidores apoiaram a atitude da jornalista, mas alguns a criticaram. Priscila, no entanto, não caiu em provocações. “Vá se lascar”, escreveu como resposta a inúmeros comentários ofensivos. um dia após a demissão, a jornalista postou uma foto em um estúdio da emissora com uma mensagem de despedida. Na postagem, ela agradeceu aos colegas pelos anos de trabalho, sem deixar de criticar as dificuldades pelas quais passou. “Foi uma escola. Tive grandes profissionais, grandes amigos e companheiros do dia a dia, dos perrengues… E que perrengues! A gente devia ganhar por insalubridade”, ponderou.

MAIS BRIGA

Em vídeo publicado no Facebook, Olavo de Carvalho voltou a fazer ataques ao ministro Santos Cruz (Secretaria de Governo). Ele disse que o general deveria ser investigado por relatos feitos pela ex-diretora da Apex Letícia Catelani. “Tem que haver uma investigação disso. Vamos investigar o Santos Cruz, vamos investigar Olavo de Carvalho e vamos botar tudo isso a limpo. E alguém vai parar na cadeia. E não sou eu” afirmou. O escritor publicou o vídeo para falar de seu embate com os militares e para explicar a origem de seu dinheiro que, segundo ele, teria sido questionada por integrantes das Forças Armadas.

Pisando no freio

O vice-presidente Hamilton Mourão decidiu pisar no freio nas entrevistas que vinha concedendo a grandes veículos de comunicação, do Brasil e do exterior. A ordem é ficar em silêncio por um tempo, para sair da linha de tiro de Olavo de Carvalho, guru de Jair Bolsonaro, e dos filhos do presidente. A decisão foi tomada antes ainda de Carvalho e os filhos de Bolsonaro virarem suas baterias para o general Santos Cruz, da Secretaria de Governo. A pressão para que o general fale, no entanto, é grande: há 116 pedidos de entrevistas registrados na vice-presidência da República. Boa parte dos pedidos são de veículos internacionais como Wall Street Journal, The New York Times, La Nación e outros da Alemanha e da Holanda. Desde o começo do governo, Mourão é procurado pela imprensa estrangeira, que Bolsonaro raramente atende —​em geral, o presidente fala quando viaja para fora do Brasil.

Amigão

O presidente Jair Bolsonaro elogiou publicamente o escritor Olavo de Carvalho e disse esperar que os recentes desentendimentos entre o ideólogo e os militares se tornem página virada.
Em sua página nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que a obra do ideólogo de direita contribuiu para a sua vitória na disputa eleitoral do ano passado, ressaltou que ele se tornou rapidamente um “ícone” e fez questão de dizer que o admira. “Sempre o terei nesse conceito, continuo admirando o Olavo. Quanto aos desentendimentos ora públicos contra os militares, aos quais devo minha formação e admiração, espero que seja uma página virada por ambas as partes”, escreveu o presidente. O elogio do presidente não era esperado pela cúpula militar, que se incomodou com a apatia de Bolsonaro e cobrava uma manifestação enfática dele em defesa das Forças Armadas.

Peito de aço

A passagem de Villas Bôas pelo Congresso, no dia 8, foi marcada por atos de desagravo. Além do ministro Sergio Moro (Justiça), parlamentares de diversas siglas fizeram questão de dirigir deferências a ele. O ex-comandante do Exército chamou para si a defesa dos militares e o embate com Olavo de Carvalho. Assessor especial do GSI, o general postou foto ao lado de Santos Cruz, nesta quarta. Um deputado da oposição viu a imagem e disse: “O guru do Bolsonaro deu um tiro no pé”. Deputados articulam derrubar na Câmara a condecoração concedida por Bolsonaro a Olavo de Carvalho.

Reação

Integrantes da cúpula do Congresso e de siglas simpáticas a Jair Bolsonaro assistem atônitos aos embates entre o presidente, simpatizantes de Olavo de Carvalho e os militares do governo. “Incrível” e “tudo explode do nada. Eles são loucos” foram o teor de algumas das mensagens trocadas, em privado, por esses políticos. A inação de Bolsonaro diante das ofensas a Santos Cruz (Secretaria de Governo) reforçou a sensação de que o presidente avaliza o ataque e tenta enviar nova mensagem aos militares de que tem se incomodado com a tentativa deles de tutelá-lo. As críticas de Olavo de Carvalho aos membros das Forças foram replicadas pelos evangélicos nas redes. Parlamentares ligados às igrejas entendem que os militares atuam para afastar Bolsonaro da base social conservadora que o elegeu.

Na mira

A hashtag #ForaSantosCruz, em referência ao ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Carlos Alberto Santos Cruz, pede a cabeça do general. Começou depois de internautas recuperarem uma entrevista publicada no Estadão no último 5 de abril.  Na conversa, o general fala sobre o uso das redes sociais por parte do governo. “Podem até ser um instrumento importante de governo, para a divulgação das suas ideias, dos seus projetos. Isso tem de ser feito. Mas tem de usar com muito cuidado, para evitar distorções, e que vire arma nas mãos dos grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra. Tem de ser disciplinado, até a legislação tem de ser aprimorada, e as pessoas de bom senso têm de atuar mais para chamar as pessoas à consciência de que a gente precisa dialogar mais, e não brigar”, disse ele na ocasião. Nas redes sociais, seguidores do presidente Jair Bolsonaro distorceram a fala do ministro para dizer que ele seria partidário de algum tipo de controle da internet.

Carluxo e seu brinquedo

Parece que a fritura do ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, é realmente de responsabilidade do filho do presidente Jair Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). A aliados, Carlos tem se vangloriado de atuar diretamente nos ataques ao ministro, que se tornou alvo de um ataque virtual nos últimos dias, segundo o Globo. A um interlocutor, o filho de Bolsonaro disse ter “explodido” o ministro, referindo-se a uma publicação na semana passada no Twitter no qual criticou a comunicação do Palácio do Planalto, área subordinada à pasta de Santos Cruz. Em outra conversa, Carlos, que é alinhado ao escritor Olavo de Carvalho, disse não se importar com a opinião de integrantes do Executivo, que o criticam por desencadear crises no governo. Ele se defende afirmando que está “fazendo o que é certo.”

O que motiva os ataques a Santos Cruz

A defesa incidental que o general Carlos Alberto Santos Cruz fez a algum aprimoramento da legislação que regulamenta as redes sociais é apenas um pretexto a mais para o grupo olavista do governo fritar o ministro-chefe da Secretaria de Governo. A verdadeira contenda se dá em torno da verba de publicidade do governo, que está sob a responsabilidade do general. Os bolsonaristas alinhados com Carlos Bolsonaro querem gastar mais em publicidade para tentar melhorar a avaliação do presidente. Na mesma entrevista a mim, Santos Cruz defende que não se deve esbanjar dinheiro do Orçamento em propaganda. A tentativa de derrubar o general é para tentar abrir os cofres da publicidade estatal.

Por Vera Magalhães

Clube militar

O Clube Militar divulgou uma nota de desagravo aos militares que fazem parte do governo de Jair Bolsonaro, na qual, sem citar nomes, critica o escritor Olavo de Carvalho. Segundo o texto, que é assinado pelo Coronel Sérgio Paulo Muniz Costa, os militares estão sendo “atingidos pela incontinência verbal que, impune, prospera inexplicavelmente em distintas esferas de poder”. O Clube Militar, que foi comandado pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão, até tomar posse, indica profunda preocupação com o “acirramento de ânimos por conta de pronunciamentos, atitudes e medidas que conspiram contra o entendimento pelo qual anseia a sociedade brasileira.” O desagravo também se estende à República que, segundo a nota, é “equivocadamente tida por vulnerável ao assalto de aventureiros ignorantes mancomunados em uma nova internacional extremista.”

Trótski de direita

O ex-Comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, chamou o guru bolsonarista, Olavo de Carvalho, de um “verdadeiro Trótski de direita”, a comparação foi postada no Twitter. “Mais uma vez o Sr. Olavo de Carvalho, a partir de seu vazio existencial, derrama seus ataques aos militares e as FFAA (Forças Armadas Brasileiras) demonstrando total falta de princípios básicos de educação, de respeito e de um mínimo de humildade e modéstia”, escreveu. E continua: “Verdadeiro Trótski de direita, não compreende que substituindo uma ideologia pela outra não contribui para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas Brasileiros”. Segundo Villas Bôas, Olavo inverte a ordem das ideologias e “não compreende que substituindo uma ideologia pela outra não contribuiu para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas brasileiros”, afirma.

Doente

Olavo de Carvalho não para. Numa entre várias novas postagens com ataques aos militares, mirou no general Eduardo Villas Bôas, assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional e ex-comandante do Exército. A razão foi o tuíte em que Villas Bôas compara o ideólogo bolsonarista a uma espécie de “Trotsky de direita”. Na sua publicação nas redes sociais (originalmente no Facebook, e depois reproduzida no Twitter), Olavo diz que os militares, sem argumentos para rebater suas críticas, se escondem atrás de “um doente preso a uma cadeira de rodas”, numa referência à condição do militar em razão de uma doença degenerativa.

Filme queimado

Para o ex-comandante do Exército e atual assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional, general da reserva Eduardo Villas Bôas, Olavo de Carvalho “passou do ponto“. Para ele, o autoproclamado filósofo presta “enorme desserviço ao País” ao tratar os militares com total falta de respeito. “Rebater Olavo de Carvalho seria dar a ele a importância e a relevância que não tem e não merece. Ele está prestando um enorme desserviço ao País. Em um momento em que precisamos de convergências, ele está estimulando as desavenças. Às vezes, ele me dá a impressão de ser uma pessoa doente, que se arvora com mandato para querer tutelar o País”, afirmou.

Favelagem

No segundo escalão militar, que lota os gabinetes de ministros de Bolsonaro, a indignação era a mesma. Em mensagens de WhatsApp, coronéis se referiam às atitudes de Olavo de Carvalho, apoiado por Bolsonaro, como “favelagem”.

Voz alta

O ex-ministro Gustavo Bebianno, que coordenou a campanha de Bolsonaro e se mantém próximo de militares mesmo depois de demitido da Secretaria-Geral, quebrou o silêncio em relação ao governo para defender Villas Bôas. “É um dos melhores seres humanos que já tive a oportunidade de conhecer. Exemplo de força, bravura, inteligência, serenidade e resiliência. Não pode ser alvo de ataques covardes e infames, como esses recentes, promovidos por teóricos remotos que só atrapalham o governo”, diz ele. “O governo precisa entender a dureza e pragmatismo do mundo real e começar a trabalhar de verdade, em prol da nação. O general Villas Bôas merece respeito. Forças Armadas merecem respeito”, completa Bebianno.

Ninguém está a salvo

Ouvi de um ministro que existe um grupo de radicais encastelado no governo que acha que o Brasil votou em Bolsonaro por “pura ideologia”, o que não corresponderia à verdade. Enquanto o governo ateia fogo às próprias vestes, suas ações em pastas importantes como Educação e Meio Ambiente fomentam protestos nas ruas e nos fóruns internacionais, com mais potencial de estrago para a imagem de Bolsonaro.

Por Vera Magalhães

Fosseta lacrimal

O presidente Jair Bolsonaro se mostrou irritado quando questionado se irá pedir ao escritor Olavo de Carvalho para deixar os militares do governo em paz. “Olavo é dono do seu nariz, assim como eu sou do meu e você é do seu (…) Eu recebo críticas muito graves e não reclamo. O pessoal fala muito em engolir sapo e eu engulo sapo pela fosseta lacrimal (órgão presente em serpentes)”, afirmou o presidente, informa Tânia Monteiro do Estadão.

Pau mandado de Deus

Mais novo olavista de carteirinha, o deputado federal Marco Feliciano defendeu em suas redes sociais que os evangélicos fiquem ao lado de Olavo no embate entre os militares no governo e o “guru” da Virgínia. Tudo porque Carvalho defenderia posições mais parecidas com o que os religiosos acreditam ser certo. “Ala militar do Planalto está fechada contra a mudança da embaixada para Jerusalém! Qual deputado evangélico apóia isso? Olavo é a favor da mudança da embaixada para Jerusalém. Qual deputado evangélico é contra isso?”, questionou.

É Guerra

No que depender de Eduardo Bolsonaro, a lógica belicista que tomou conta das eleições ano passado e que tem permeado os primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro, devem continuar por um longo tempo. O deputado federal deu a entender em seu Twitter que os ataques ao “establishment” (muitas vezes identificados até mesmo como membros do atual governo) irão ser uma tendência pelos próximos anos. “Quem achou que as eleições seriam a guerra errou. As eleições foram uma batalha, a guerra está apenas começando”, disse o filho do presidente.

EDUCAÇÃO REAGE

Em resposta a decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de reduzir investimento nas faculdades de Ciências Humanas, intelectuais de diversos países assinaram dois abaixo-assinados contra a medida. Ambos reúnem, individualmente, mais de mil assinaturas. Um deles foi organizado pela rede de pesquisadores Gender International, e publicado pelo jornal francês Le Monde. “As ciências sociais não são um luxo. Pensar sobre o mundo e compreender nossas sociedades não deve ser privilégio dos mais ricos”, afirma o texto.

São signatários do manifesto acadêmicos de Harvard, Princeton, Yale, Oxford, UnB e USP, por exemplo. O segundo abaixo-assinado foi organizado por sociólogos de Harvard, e já conta com mais de 13 mil assinaturas. “O objetivo do ensino superior não é produzir ‘retornos imediatos’ a partir de investimentos. O propósito deve ser sempre produzir uma sociedade educada e enriquecida que se beneficie do esforço coletivo para criar conhecimento humano”, afirma o segundo manifesto. O trecho refere-se ao tuíte de Bolsonaro no qual o presidente afirma que o objetivo do corte nas ciências humanas é “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”.

Mestrado e doutorado asfixiados

Os cortes de R$ 7,4 bilhões do MEC já começam a ser sentidos nos cursos de mestrado e doutorado das universidades federais. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) vai congelar neste semestre bolsas que estão ociosas e reduzir aquelas que são concedidas em instituições mal avaliadas, o que deve causar uma asfixia nos programas de pesquisa. Além do aperto na distribuição de bolsas, a Capes vai precisar cancelar programas, como o Idiomas Sem Fronteiras. Será preservado neste primeiro momento o pagamento de bolsas para formação de professores de educação básica. Atualmente, são 107.260 bolsistas. Nos registros da Capes, havia em fevereiro deste ano 92.253 bolsistas na pós-graduação. Os auxílios repassados estão há anos sem reajuste. Para mestrado, o valor mensal é de R$ 1,5 mil; para doutorado, é de R$ 2,2 mil. Associações das áreas de ciência e educação devem começar hoje a se mobilizar para reverter bloqueios no Congresso.

KAFTA

Na audiência do Senado em que não conseguiu expor adequadamente os seus planos nem explicar convenientemente os critérios que levaram ao corte linear do orçamento das universidades, o ministro Abraham Weintraub relatou um drama pessoal. Disse ter arrostado "um processo inquisitorial e sigiloso" na Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, onde atuou como professor do departamento de Contabilidade. Na sua definição, foi uma coisa típica do "livro do cafta". Ai, ai, ai…

A ideia de um réu que seja silenciado tem, de fato, algo de pesadelo kafkiano. Do modo como contou, Weintraub não se manteve apenas mudo, mas também surdo. O sigilo compulsório não lhe permitiu ouvir, nem mesmo pela voz de um advogado, o jargão incompreensível de uma acusação que diz ter sido inepta. Joseph K., de O processo, réu por excelência, também não entedeu nem se fez entender.

Entretanto, o caso do ministro de Weintraub talvez não se enquadre em Kafka. Está mais para Dostoiévski, com pitadas fortes de Agatha Christie —um surdo-mudo acusado de não se sabe o quê. Inocentado, vira ministro da Educação do governo de um ex-capitão expulso do Exército, por indicação de um assassino de reputações que se faz passar por filósofo. Súbito, passa a desferir tesouradas ideológicas em orçamentos universitários. Chamado a dar explicações, golpeia sua própria reputação ao confundir Kafka, um dos gênios da literatura moderna, com 'cafta' (ou 'kafta'), iguaria de origem árabe, feita de carne moída condimentada, amassada com farinha de trigo e enfiada em espetos.

Weintraub não esclareceu aos membros da Comissão de Educação do Senado quais foram as acusações que lhe fizeram no processo administrativo sigiloso. Limitou-se a dizer que, no final, foi inocentado. Pena. Talvez devesse ser condenado por ter privilegiado o estômago em detrimento do intelecto durante sua vida acadêmica. O barulhinho que se ouve ao fundo requer a abertura de uma investigação. Suspeita-se que seja o ruído de Franz Kafka revirando no túmulo.

Por Josias de Souza

Chocolatinhos

O ministro Abraham Weintraub foi o convidado principal da transmissão ao vivo via Facebook, feita todas as quintas por Bolsonaro. Foi chamado a explicar o contingenciamento nas universidades federais. Dispôs cem chocolates sobre a mesa para tal. E errou a conta, provavelmente de propósito. “A gente tá pedindo, simplesmente, que três chocolatinhos e meio, desses cem chocolates… A gente não tá falando pra pessoa que a gente vai cortar, não tá cortado, deixa pra comer depois de setembro, é só isso que a gente tá pedindo, isso é segurar um pouco”, afirmou. Só que para representar o contingenciamento de 30% o ministro teria que usar 30 unidades… Enquanto o correligionário articulava tais argumentos, Bolsonaro comia chocolate.

Explicando a explicação...

A assessoria do MEC enviou nota explicando o raciocínio: Inicialmente, a pasta falou em congelamento de 30% da verba das universidades. Esse valor se refere ao orçamento que pode ser congelado ou cortado - verbas chamadas "não discricionárias", usadas, por exemplo, para gastos com água e luz. Essas despesas são 13,8% do orçamento total das universidades - e é 30% desse valor que está bloqueado. Gastos com pagamento de salários de funcionários são "obrigatórios" e não há margem de bloqueio sobre eles. Não são alterados. O valor bloqueado, portanto, equivaleria a 3,4% do orçamento total das universidades neste ano - que totaliza R$ 49,6 bilhões. A pasta discorda também do uso do termo "corte" em relação ao orçamento das universidades. Fala em "contingenciamento".

QUEM QUER DINHEIROOOOOO?

Silvio Santos declarou apoio à aprovação da reforma da Previdência. O reforço do empresário e apresentador foi dado durante a entrevista com Jair Bolsonaro exibida na noite de domingo no SBT. Bolsonaro também fez a defesa da aprovação da reforma e procurou associá-la à melhora da vida dos mais pobres. “Deixo bem claro que essa reforma é para ajudar os pobres, é exatamente o contrário do que alguns políticos de esquerda vem falando”, afirmou. O dono da emissora, no entanto, criticou a flexibilização da posse e do porte de armas. “Não pode aprovar, senão vai virar o faroeste”, disse Silvio. Bolsonaro retrucou que o decreto já havia sido assinado e que a medida segue a lei dos Estados Unidos, onde o apresentador tem residência. “Mas nos Estados Unidos o cara vai para a cadeia e fica lá. Aqui é piada”, respondeu o apresentador.

SIGILO QUEBRADO

O Ministério Público do Rio vai pedir à Justiça a quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-motorista, Fabrício Queiroz, que hoje habita lugar incerto, segundo informações do jornalista Lauro Jardim, n’O Globo. Flávio chegou a entrar na Justiça acusando o MPRJ de ter aberto seus dados ilegalmente. Queria, assim, trancar, a pré-investigação dos procuradores. O pedido foi indeferido pelo Tribunal de Justiça do Rio, assim como foram barradas pelo Judiciário outras tentativas de matar as investigações na sua fase inicial.

FHC: ‘ASSIM NÃO DÁ’

Em artigo no Estadão deste domingo, 5, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreve que o maior medo do brasileiro, no inconsciente nacional, é o de não “darmos certo” e o que mais desejamos é crescer, ter desenvolvimento. Para que esse último aconteça, aponta FHC, é preciso que os que mandam se empenhem no bem-estar coletivo. Para isso, defende que a reforma da Previdência e as outras que devem vir na sequência sejam aprovadas. Mas para isso: “falta explicar o porquê das reformas, no plural, e estabelecer uma ligação clara entre a agenda do governo e os interesses nacionais e populares de longo prazo. Só assim voltaremos a crer em nós. Sem isso assistiremos a uma indefinida transição entre a estagnação que herdamos do lulopetismo e não se sabe o quê. Assim não dá”, escreveu.

QUEM?

“Quem é Ingrid Guimarães”, perguntou o ministro da Cidadania, Osmar Terra, durante entrevista ao Estadão. Ele é alvo de críticas da classe artística, inclusive da atriz, por conta das mudanças na Lei Rouanet. Mas ele também tem outras polêmicas envolvendo a pasta, que agrega os antigos ministérios da Cultura, Esporte e Desenvolvimento Social. Sobre as críticas, o ministro afirmou que “não é porque é artista que não precisa prestar contas” e que o deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP), um de seus maiores críticos, “quer nomear todo mundo no ministério”. “Estamos fazendo um pente-fino nas contas. Tinha muita prestação de contas ruim. Tem gente que morreu sem prestar conta. Mas isso é dinheiro público e tem de ter o mínimo de controle. Não posso dizer que só porque é artista não precisa prestar conta”, disse.

BONS DE GARFO

O vice-presidente do TRF-1, desembargador Kassio Marques, atendeu pedido da AGU, e cassou a decisão liminar que havia suspendido a licitação do STF para a compra de bebidas, entre elas vinhos importados e premiados, e refeições, incluindo lagosta. A decisão foi assinada na segunda-feira, 6, mas divulgada só na manhã desta terça, a licitação está permitida, segundo o G1. A juíza federal Solange Salgado, do Distrito Federal, havia cancelado o pedido do STF com o argumento de que o edital da lagosta e do vinho não se insere como “necessário para a manutenção do bom e relevante funcionamento do Supremo Tribunal Federal” e os itens exigidos na licitação “destoam sobremaneira da realidade socioeconômico brasileira, configurando um desprestígio ao cidadão brasileiro que arduamente recolhe seus impostos para manter a máquina pública funcionando a seu benefício”.

CNBB RESISTE

Principal entidade da Igreja Católica no Brasil, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou uma mensagem em que, sem mencionar diretamente o presidente Jair Bolsonaro (PSL), contesta bandeiras do governo dele. Os líderes católicos atacaram pontos como o estímulo ao liberalismo econômico, a ausência de medidas eficazes para combater o desemprego, o corte de verbas para a área da educação, a extinção de conselhos de participação da sociedade, a flexibilização das regras sobre armas e a interferência em terras indígenas e quilombolas. Também se colocaram contra a criminalização dos defensores de direitos humanos e pregaram o combate a qualquer tipo de discriminação, preconceito e ódio. Os problemas apontados pelos bispos fazem parte do documento "Mensagem da CNBB ao povo brasileiro" e se somam a uma nota divulgada na semana passada com ressalvas ao projeto de reforma da Previdência defendido pelo Planalto.

POSSÍVEL INFLEXÃO

A expectativa cresce à medida que se aproxima a data do julgamento do STF sobre o porte para consumo pessoal de drogas ilícitas. Acontece no dia 5 de junho e está sendo considerado por especialistas como uma chance imperdível de avançar, se distanciando do proibicionismo que já caracteriza o governo Jair Bolsonaro. “O Supremo é a maior esperança de progresso no tema nos próximos quatro anos. Infelizmente, essa é mais uma das pautas séries tratadas de forma ideológica e ultrapassada pelo governo federal”, diz Ilona Szabó na Folha.

RACISMO, ONDE?

“No Brasil, é coisa rara o racismo”, a afirmação foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao programa Luciana by Night, da apresentadora Luciana Gimenez. Antes da declaração, os dois conversavam sobre as acusações de o presidente ser racista e homofóbico.  Ele se defendeu dizendo que em 1978 salvou um soldado negro de afogamento e recebeu uma medalha do Exército pelo ato. Segundo Bolsonaro, se fosse racista, de fato, teria ficado de braço cruzado. Quando perguntado pela apresentadora sobre por que não contou essa história nos momentos das críticas e acusações, Bolsonaro considerou que seria apelativo. E depois disse: “Tentam o tempo todo jogar negro contra branco, homo contra hétero, pai contra filho. Desculpe o linguajar de um presidente da República, mas isso já encheu o saco”. No entanto, a despeito da declaração do presidente, as pesquisas sobre o assunto apontam para outra realidade. No Brasil, segundo o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, o risco de um jovem negro ser vítima de homicídio no Brasil é 2,7 vezes maior que de um branco.

MPF acusa União de censura, racismo e homofobia

Em ação cível pública, o MPF do Rio Grande do Sul acusou a União por “ilegal veto (censura) imposto à peça publicitária do Banco do Brasil”. A ação pede à Justiça que a exibição da propaganda seja retomada, conforme contratação original da mídia, e que a União pague, por dano moral coletivo, indenização de R$ 51 milhões, o equivalente a três vezes o custo do anúncio e sua veiculação, informou o Broadcast Político. O “montante deverá ser aplicado em campanha de conscientização de enfrentamento ao racismo e à homofobia”, diz a ação assinada pelo procurador da República Enrico Rodrigues de Freitas.O MPF do Rio Grande do Sul alega que a proibição da propaganda viola a Lei das Estatais (Lei 13.303/2016), que proíbe a redução ou a supressão da autonomia conferida pela lei.

BOLA MURCHA

O presidente Jair Bolsonaro parece não estar com a popularidade tão em alta entre os alunos de escolas militares. Homenageada “pelo seu desempenho e defesa de valores éticos e morais da instituição”, Marina Reis, aluna do Colégio Militar da Tijuca, Zona Norte do RJ, reclamou na rede social após ter seu depoimento postado em um vídeo no Twitter oficial do Planalto. Ela foi homenageada durante a comemoração dos 130 anos da instituição. O presidente participou da cerimônia e foi recebido por um protesto de alunos, famílias e professores contra o corte de verbas para as universidades federais.

Em seguida, a estudante foi até seu Twitter e respondeu a postagem do Planalto pedindo para excluir o vídeo da página e dizendo que é “totalmente contra Bolsonaro”. “Ele não, ele nunca”, disparou a estudante.

RECADO INÉDITO

Nunca antes na história desse país todos os ex-ministros de uma pasta se uniram contra o atual ocupante dela. Aconteceu, quando Rubens Ricupero, Gustavo Krause, José Sarney Filho, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc, Izabella Teixeira e Edson Duarte lançaram um manifesto contra o que consideram uma “política sistemática, constante e deliberada de desconstrução e destruição das políticas meio ambientais”. Para eles, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles está desmantelando toda a política levada a cabo desde os anos 1990 e esvaziando organismos de proteção e fiscalizadores, com o Ibama e o ICMbio. 

Limbo

E não há mais fiscalização ativa no meio ambiente desde abril, segundo o Intercept. Funcionários batem ponto, cumprem tarefas pontuais, mas operações foram canceladas ou reduzidas. Pior que há servidores que discordam das novas políticas implementadas por Ricardo Salles. Mas têm medo. “Já nos avisaram que estamos sendo monitorados e precisamos pegar leve. Eu publicava no Facebook notícias sobre o governo, eram coisas de cunho negativo, até porque é o que tem saído. Mas agora estou maneirando. Meu chefe deletou o Facebook”, disse um fiscal.

DOIDONA

A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL/SP) relembrou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) a encenação que fez em abril de 2016 na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para defender o pedido de impeachment elaborada por ela, após receber R$ 45 mil do PSDB, que resultou no golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff (PT) da Presidência. Ao rebater críticas do deputado Carlos Giannazi (PSol/SP) à ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, a deputada, em princípio, pediu em tom conciliador “por favor, pois a ministra Damares não merece esse tratamento”. Diante da continuidade das críticas de Giannazi, que disse que Damares é “uma vergonha nacional” com propostas “bizarras e patéticas para o Brasil”, Janaína reagiu aos gritos e teve de ser contida pela mesa diretora da sessão. “Vossa excelência é um professor”, gritou do plenário.

SUPERPODER PARA ASSEMBLEIAS LEGISLATIVAS

O STF autorizou, por 6 votos a 5, que as assembleias legislativas podem anular as prisões de deputados estaduais decretadas pela Justiça. Agora, parlamentares têm o poder de dar a palavra final se um colega pode ou não ser preso. O julgamento sobre a extensão da imunidade dos deputados estaduais começou em dezembro de 2017, dividiu o plenário do Supremo e sofreu uma reviravolta nos minutos finais, após o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, alterar o voto que havia lido há um ano e meio. Com o entendimento do STF, deputados estaduais não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, como tortura ou estupro – essas regras já estão previstas na Constituição para deputados federais e senadores. Já o presidente da República só pode ser preso após condenação. Os governadores, por outro lado, não possuem a mesma blindagem, informou o Estadão.

MAL ME QUER, BEM ME QUER

O presidente Jair Bolsonaro VAI viajar para Dallas depois de desistir da ida a Nova York para receber a homenagem Personalidade do Ano, da Câmara de Comércio Brasil-EU. A expectativa é de que ele receba a honraria na cidade do Texas e faça ainda alguns encontros, como um com o ex-presidente George W. Bush e empresários norte-americanos. O cancelamento da viagem se deu porque vários grupos da comunidade LGBT se juntaram em uma campanha massiva contra a visita de Bolsonaro a Nova York, fomentada pelo prefeito da megalópole, que chamou o presidente de “ser humano perigoso”. Com a repercussão negativa, três patrocinadores do evento desistiram da agenda.

Prefeito de Dallas afirma que ‘discorda fortemente’ de Bolsonaro

Não é porque o presidente Jair Bolsonaro será homenageado em Dallas que o prefeito da cidade irá afagá-lo. Segundo reportagem do Estadão, o democrata Mike Rawlings afirmou que “discorda fortemente” de algumas das posições defendidas pelo brasileiro. A diferença é que ele, ao contrário do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, quer se manter afastado das disputas políticas sul-americanas. “Eu tenho um grande respeito pelo povo brasileiro e não vou me envolver em uma disputa política pública com nenhum líder democraticamente eleito”, disse em nota enviada para reportagem. Bolsonaro irá passar dois dias na cidade texana segundo agenda divulgada pelo Planalto.

Bill de Blasio volta a responder Bolsonaro

Apesar de Jair Bolsonaro ter cancelado sua ida a Nova York e a homenagem ao presidente brasileiro ter sido transferida para Dallas, no Texas, o prefeito da cidade, Bill de Blasio, voltou a causar polêmica. Blasio compartilhou uma matéria em que Bolsonaro o chama de radical e contra-atacou: “Se você quiser desembarcar em nossa cidade e se gabar de destruir o meio ambiente ou de ser um “orgulhoso homofóbico” então os novaiorquinos irão de criticar por sua porcaria”, escreveu de Blasio. “Se é ‘radical’ se levantar contra sua ideologia destrutiva, então somos radicais orgulhos”, completou.

Bolsonaro responde

Jair Bolsonaro parece não estar disposto a sepultar a polêmica troca de ofensas com o prefeito de Nova York, Bill de Blasio. Em entrevista para a rádio Bandeirantes, o presidente voltou a xingar o norte-americano, que no último sábado chamou Bolsonaro de “orgulhoso homofóbico”. “Se tivesse PSOL lá, o partido adequado dele seria o PSOL”, disse Bolsonaro, se referindo a Blasio como um “bobalhão”, “paspalhão” e “fanfarrão”.

O brasileiro ainda acusou o prefeito de NY de de “ir para cima” da comissão que organizava o evento que Bolsonaro estaria. “Ele (Blasio) se organizou abertamente para o pessoal jogar ovo, jogar estrume”, disse. “Não é esse o comportamento de um prefeito, ele quer disputar as prévias do Partido Democrata para disputar contra o Trump, mas ele é um fanfarrão e não vai conseguir nada”, disse.

A dinastia Bolsonaro

Destacando a imagem dos três filhos do presidente Jair Bolsonaro no início do texto, o site do jornal britânico Financial Times publicou uma reportagem sobre o que chamou de construção de “uma dinastia no maior País da América Latina”. De acordo com a publicação, o presidente confia em poucas pessoas e, mais de quatro meses depois da posse, seus três filhos surgiram como uma força poderosa que está reformulando a política brasileira. “Um é conhecido como o “pit bull”. Outro está envolvido em um escândalo de corrupção. O terceiro é um entusiasta de armas de direita que busca difundir um movimento populista em todo o Brasil e na América Latina”, descreveu a publicação. “A palavra perfeita é dinastia”, acrescentou Esther Solano, professora de política da Universidade Federal de São Paulo. “A situação que temos é que votamos em um presidente, mas, na verdade, seus filhos têm poderes governamentais. Temos um clã familiar no governo.” A reportagem comparou o caso brasileiro com o norte-americano. Ivanka Trump e Jared Kushner, filha e genro do presidente, mantém um perfil discreto em comparação com os filhos de Bolsonaro, que invadiram o palco político do Brasil com uma combinação de meios de comunicação social e visível presença na elaboração de políticas para dar opinião sobre tudo.

EUA frustram o Brasil e mantêm bloqueio à OCDE

A delegação norte-americana manteve o bloqueio à adesão de novos membros na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) durante a reunião do Conselho de Representantes. A expectativa era de que os Estados Unidos desbloqueassem a demanda brasileira para aderir à organização, conforme o acordo feito entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro. No encontro dos dois líderes, em 19 de março, Bolsonaro anunciou que começaria a abrir mão do status de Tratamento Especial e Diferenciado (TED) do Brasil perante à Organização Mundial do Comércio. Em troca, os EUA apoiariam a entrada do Brasil na OCDE. Segundo o Valor, a equipe norte-americana diz que “não tinha instruções” para uma decisão do Conselho a favor do Brasil. Os americanos reafirmaram que o governo de Trump apoia a entrada do Brasil na OCDE, porém o alargamento da instituição deve ocorrer “em um contexto de sua modernização”. O tema deve voltar a ser discutido na reunião ministerial da OCDE, em duas semanas. O ministro da Economia Paulo Guedes deve participar na ocasião como convidado.

CAIU DE NOVO

Levantamento da XP Investimentos divulgado no dia 10 mostra que segue em 35% o número daqueles que consideram o governo Bolsonaro como ótimo ou bom. No entanto, desde o início do mandato, esse porcentual já caiu em 5 pontos. Empatados em 31% estão os que classificam o governo como regular, ruim e péssimo. Os que não sabem ou não responderam somam 3%. Sobre a expectativa para o restante do mandato, caiu de 63% em janeiro para 51% em maio os que imaginam que o governo será ótimo ou bom. No mesmo período, subiu de 15% para 27% o número de pessoas com expectativa ruim ou péssima. Caiu de 19% para 17% a avaliação de que será regular. Não sabem ou não responderam somam, em maio, 5%. Foram ouvidas 1 mil pessoas entre os dias 6 e 8 de maio. A margem de erro é de 3,2%.

BANDIDO AMIGO

O presidente Jair Bolsonaro fez uma defesa de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Para ele, Flávio é “vítima de uma acusação político maldosa” ao ser relacionado a investigação sobre movimentação financeira atípica de seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, também foi defendido pelo presidente em entrevista à Rádio Bandeirantes. “Você pode ver. O PSL do Rio tem a acusação de três mulheres laranjas. Cada uma recebeu R$ 2,8 mil. Por que recebeu? Para pagar contador. E a imprensa nos acusa, porque meu filho era presidente do PSL, em cima disso. Agora, vai afastar meu filho do Senado por causa de R$ 2,8 mil para três mulheres? Uma acusação política, maldosa. Não é o mesmo que pode estar acontecendo com o Marcelo? Pode”, disse Bolsonaro.

Flávio critica MP: ‘Investigação tem de ser anulada’

Flávio Bolsonaro voltou a falar sobre o caso Fabrício Queiroz. Em entrevista ao Estadão, o filho do presidente Jair Bolsonaro fez questão de afirmar mais de uma vez que é seu ex-assessor que tem de explicar as movimentações financeiras atípicas. Mas o alvo das principais críticas do senador foi o Ministério Público. “Sou investigado há quase um ano e meio e, até ontem, o chefe do Ministério Público estava falando que eu não era investigado”, disse. “Estou recorrendo para que o plenário vote abertamente e quero ver arquivar isso de público. Eles querem requentar uma informação que eles conseguiram de forma ilegal, inconstitucional. Como viram a cagada que fizeram, agora querem requentar, dar um verniz de legalidade naquilo que já está contaminado e não tem mais jeito. Não tem outro caminho para a investigação a não ser ela ser arquivada – e eles sabem disso. Por isso, o desespero de tentar justificar e correm agora para requerer a quebra do meu sigilo bancário e fiscal”, afirmou.

DÁ NADA NÃO

O Palácio do Planalto isentou de culpa os servidores que divulgaram na rede social oficial do Planalto um vídeo que defendia o golpe militar de 1964. Para a Folha, a Secom argumentou que foi um “erro” dos servidores motivado pela “sobrecarga de trabalho”.  “Não houve dolo nem culpa dos servidores envolvidos no caso, ao contrário [sic], são pessoas de reputação ilibada e que diante da sobrecarga de trabalho se equivocaram ao veicular um vídeo privado, supostamente achando que fora produzido internamente pela Secom/PR”, diz a nota. No mês passado, o ministro Santos Cruz assumiu a responsabilidade pela divulgação em uma audiência pública na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara. Ele disse que os responsáveis pelo erro teriam mais de 26 anos de carreira e que teria sido “um engano”.

FASCISTINHAS

Em viagem pela Europa, o chanceler Ernesto Araújo fez questão de registrar o momento com dois ícones da nova direita europeia. O mais conhecido é Matteo Salvini, ministro do interior italiano, famoso pela sua defesa de políticas anti-imigração. O outro é bem mais antigo. Araújo tirou uma foto diante de um quadro que retrata rei polonês Jan Sobieski, vencedor da batalha dos Portões de Viena contra o Império Otomano em 1683. Sobieski virou um recente ícone da extrema-direita como símbolo da união europeia contra os muçulmanos.

FHC IRRITA GOVERNISTAS

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso irritou os defensores da atual reforma da Previdência ao opinar sobre o que deveriam ser as prioridades da PEC. O secretário especial da Previdência e Trabalho, Bruno Bianco Leal, respondeu ao tucano lembrando que no governo dele já se buscava um sistema por idade, não por tempo de contribuição. “Diferente do seu governo, nós vamos conseguir! Não dê palanque para equivocados”, escreveu.

A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann, também chiou. “Seu governo tentou e fracassou”, disse a deputada. Ao final, quem foi defender FHC foi o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). “Fernando Henrique faz uma ponderação importante: temos que sempre proteger os mais pobres e ter olhar redistributivo. Nenhuma sociedade se desenvolve mantendo ou ampliando desigualdade.”

DEMARCAÇÃO DE TERRAS VOLTA PARA FUNAI

Segunda derrota do governo no dia na Comissão Mista da reforma administrativa. Os parlamentares decidiram, por 15 votos a 9, que a responsabilidade sobre a demarcação de terras indígenas não ficará com o Ministério da Agricultura e sim com a Funai.

Mamãe Damares

Com a Funai encaminhada de volta para o Ministério da Justiça, a ministra Damares Alves apelou para um meme para tentar “sensibilizar” os parlamentares a deixar com ela o órgão responsável pelas políticas indigenistas. Ela publicou em suas redes sociais uma foto de um índio falando ao celular: “Alô, Moro? Quero falar com a mamãe Damares”, diz a imagem. O retorno para o Ministério da Justiça é um pedido de movimentos ligados a causa dos índios. Na última semana, ao ser questionada sobre o assunto, Damares disse que a Funai tem que ficar com “a mamãe Damares, e não com o papai Moro”.

EDUARDO BOLSONARO X FROTA

Um novo conflito interno está surgindo no PSL. A disputa da vez é entre o deputado Alexandre Frota e Eduardo Bolsonaro, novo presidente estadual da sigla em São Paulo. Como é praxe, a disputa tomou forma nas redes sociais. Frota ironizou a possível filiação do apresentador José Luiz Datena ao PSL. “Vou torcer que não desista como fez na eleição passada”, recordando que o jornalista recusou concorrer ao Senado pelo DEM. O filho do presidente, que participa da articulação para trazer Datena à sigla, rebateu chamando Frota de “caroneiro”. “Falou o deputado eleito na carona do Bolsonaro e que só fala mal da direita. Acredite, eu não queria essa função de presidente, relutei muito, mas não podemos fugir da nossa responsabilidade de moralizar o partido. Isso evitará eleição de caroneiros.”

Mimado

Na opinião de Frota, Eduardo ra precisa “deixar de ser mimado”. “Eduardo precisa deixar de ser mimado. Em fevereiro, na diplomação em São Paulo, quando coloquei os militantes do PSOL para correr do palco, ele tuitou que precisava de dez Alexandres Frotas. Agora mudou de ideia? “, disse o ator. “Ele também é caroneiro. Pegou carona como filho e saiu de 82 mil votos para 1 milhão e 800 mil votos. Ele contou que dei os parabéns para ele pela eleição? Não? Mas dei. Ele até hoje já cruzou comigo mil vezes e nunca me deu parabéns, sendo que eu saí na porrada com o PT por causa do pai dele. Falta gratidão.”


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Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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