Semana On

Terça-Feira 12.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Coluna Ágora Digital

A ficha começa a cair – pelo menos entre os menos tapados

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 27 de Março de 2019 - Victor Barone

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Com atraso de cinco meses, o chamado mercado e parcela da população que elegeu Jair Bolsonaro vão percebendo que o despreparo atávico do capitão reformado pode ter consequências desastrosas para o país. A piora de indicadores econômicos nos últimos dias e a queda da popularidade do governo aferida pelo Ibope mostram que, para alguns atores, a ficha está caindo.

Bolsonaro, porém, não dá sinais de que tenha compreendido a gravidade da situação. Não só se recusa a negociar com o Congresso como ainda faz questão de adotar posicionamentos disruptivos, chegando ao ponto de atacar um aliado indispensável.

É tudo tão fora da realidade que já especulações sugerindo que o presidente faz isso de propósito tem surgido aqui e ali. Como um Jânio Quadros, ele apostaria no agravamento da crise para dela reemergir com poderes reforçados. Se o plano é esse, penso que, como Jânio, ele vai se dar mal.

A tática de “quebrar o sistema”, além de antidemocrática, quase nunca dá certo. As chances ficam ainda menores quando a popularidade do líder é declinante e ele se indispõe até com aliados naturais. Há notícias de que os militares estão irritadíssimos com a barafunda que se tornou o governo.

A seguir nessa toada, em breve restará a Bolsonaro apenas a linha dura da extrema direita, reunida em torno de figuras como Olavo de Carvalho. É gente que tem parafusos soltos e, no mundo real, não conta com nenhuma divisão. É preciso mais que palavrões e mapas astrais para se manter no poder.

Via Hélio Schwartsman

Caindo a ficha

“Os investidores estão começando a se dar conta”, escreve a coluna Bello, na nova edição da revista britânica Economist: “a menos que Jair Bolsonaro aprenda a governar, seu mandato pode ser curto”, alerta. No dia anterior, a Bloomberg havia publicado que, “Depois de somente 86 dias, Bolsonaro já está em apuros”. A análise trouxe trechos como “Às vezes, seu governo parece que pode desmoronar”. Outra reportagem da Bloomberg destacou como analistas financeiros, citando da britânica Aberdeen Standard à polonesa Cinkciarzpl, começam a reagir com variações da expressão “Eu avisei”. Ainda outro texto da Bloomberg, listando empresas que deixam o país, ouviu do economista Marcos Lisboa: “Não vejo nenhum investimento significativo acontecendo. Onde está a fonte de crescimento?”. Antes, a agência Associated Press havia despachado para New York Times e outros “o novo golpe” no país, com o fechamento das fábricas do laboratório Roche, depois de Ford e outras. Um quadro que é “dramatizado na forma de filas colossais” de desempregados em São Paulo.

Aprendiz

O artigo da The Economist diz que, uma das razões para Bolsonaro ter sido eleito foi a promessa de fazer a economia voltar a crescer depois de quatro anos de recessão, mas que depois de três meses ela segue estagnada e Paulo Guedes começa a encarar as dificuldades de ver aprovada a reforma da Previdência. O texto elenca as controvérsias recentes de Bolsonaro: desentendimentos com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia e uma exortação “desnecessária” à ditadura militar. Diz que o presidente ainda precisa “entender” suas funções e que a reforma só andará sob seu comando. “Por mais que odeiem Bolsonaro, os democratas não devem desejar que ele não chegue ao fim do seu mandato. Ainda é o início. Mas sua Presidência já enfrenta um teste crucial.”

Olhar chinês

Também a China está de olho. Na agência Xinhua, “Dívida pública continua crescendo, e o processo de reformas está sendo testado”. Enfatiza que “a dívida do governo brasileiro cresceu em fevereiro apesar das promessas de redução”.

Termina o mandato?

Até outro dia, piscava no letreiro da conjuntura nacional uma pergunta: Jair Bolsonaro conseguirá aprovar a reforma da Previdência? Hoje, há uma interrogação nova no ar: Será que o presidente termina o mandato? O governo ainda nem completou três meses e a carta do impeachment já voltou para o baralho, afirma o jornalista Josias de Souza.

Pode cair

Fernando Henrique Cardoso comentou o arranca-rabo que Jair Bolsonaro trava com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Para ele, presidente que não entende a força do Congresso "pode cair". FHC fez o comentário no Twitter, o habitat natural de Bolsonaro. No seu post, o ex-presidente tucano realçou o que chamou de "paradoxo brasileiro: os partidos são fracos, o Congresso é forte." Para ele, um "presidente que não entende isso não governa e pode cair." Sem citar os nomes de Bolsonaro e Maia, FHC anotou: "Maltratar quem preside a Câmara é caminho para o desastre." Pela Constituição, cabe ao comandante da Câmara decidir se eventuais pedidos de impeachment devem tramitar ou ser arquivados.

Janaina bolada

Em entrevista à revista Marie Claire, a deputada estadual pelo PSL, Janaina Paschoal, disse que não descarta escrever um novo processo de impeachment, se necessário. “Ai, é tão desgastante. Mas acho difícil dizer não, sabe? Espero que não seja preciso, mas se for, a conversa é outra. O que te digo com tranquilidade é: adoraria que isso nunca mais fosse necessário. A gente quer que os governos deem certo”, disse.

Feliciano: ‘A situação está patetando’

O deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), aliado do presidente Jair Bolsonaro, vê “Torre de Babel” no governo. Segundo Feliciano, há um “amadorismo ‘jamais visto na história deste País'”. Pelo Twitter, Feliciano disse que falta “humildade” e “articulação eficiente” ao governo. Há alguns dias o deputado já havia usados as redes sociais para fazer críticas à comunicação no governo. “Pela 1ª vez vejo a oposição sempre ruidosa, silenciar. Entendo, não precisam, neste momento, usar a sua narrativa costumeira, afinal, a situação está patetando, escorregando, duelando entre si. Executivo x Legislativo. Legislativo x legislativo. Uma Torre de Babel”, escreveu o pastor.

Governadores se descolam de Bolsonaro

Governadores que fizeram campanha atrelando sua estratégia à de Jair Bolsonaro começam a se descolar do presidente uma vez empossados. O fenômeno atinge tanto Wilson Witzel, do Rio como o presidente e eleito pelo PSC de um dos filhos de Bolsonaro, Carlos, quanto João Doria Jr., que depois de adotar sem reservas o “Bolsodoria” no segundo turno da campanha começa a alçar voo próprio, inclusive lançando pontes com o Congresso e os tribunais superiores, como o Estadão mostrou. Reportagem do jornal O Globo aprofunda a análise desse descolamento entre governos dos Estados e o federal, que se dá ao mesmo tempo em que governadores querem ser atores da aprovação da reforma da Previdência, que pode ajudar sua própria governabilidade.

Oposição pra que?

Líder do bloco de oposição na Câmara, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) ironiza os desacertos de Jair Bolsonaro com os partidos de tendência governista. "O governo está tentando tornar as forças de oposição desnecessárias", disse.

ERRO ESTRATÉGICO

Em caráter “urgentíssimo”, o comando do Exército informou às unidades militares via ofício que estão mantidas as comemorações do aniversário do golpe militar de 31 de março de 1964 “previamente agendadas”, segundo o Estadão. O documento foi preparado pelo gabinete do comandante Edson Pujol e pediu que os militares aguardem o resultado de uma análise feita pelo Ministério da Defesa e pelas consultorias jurídicas das Forças Armadas sobre “inúmeras” recomendações do MPF contra a realização de solenidades relativas à data de deposição do presidente João Goulart. Nesta manhã de quinta, 28, o presidente Jair Bolsonaro disse que não pediu para que os quartéis “comemorassem” a data, e sim que “rememorassem”.

Sem autocrítica

No texto que deverá ser lido nos quartéis por ocasião do aniversário de 55 anos do golpe militar de 1964, nada de autocrítica pelos anos de chumbo. O texto fala em “lições aprendidas”, mas enaltece o movimento que depôs o presidente João Goulart, dizendo que as Forças Armadas “atenderam” ao clamor popular na ocasião para a “estabilização” da nação. “Cinquenta e cinco anos passados, a Marinha, o Exército e a Aeronáutica reconhecem o papel desempenhado por aqueles que, ao se depararem com os desafios próprios da época, agiram conforme os anseios da Nação Brasileira. Mais que isso, reafirmam o compromisso com a liberdade e a democracia, pelas quais têm lutado ao longo da História.”

Miopia histórica

“O presidente não considera 31 de março de 1964 um golpe militar. Salvo melhor juízo, se isso não tivesse ocorrido, hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”, disse o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

Probleminhas

Diante da polêmica ordem autorizando que os quartéis comemorem os 55 anos do golpe militar de 1964, o presidente Jair Bolsonaro fez uma comparação no mínimo duvidosa para defender o período. Novamente tecendo elogios aos anos de chumbo, Bolsonaro reconheceu que “houve probleminhas”, provavelmente se referindo as perseguições, torturas, mortes e censura comandados pelos militares. Comparou ainda o regime com um “casamento”.

“Não foi uma maravilha. Regime nenhum. Qual casamento é uma maravilha? De vez em quando tem um probleminha, é coisa rara um casal não ter um problema, tá certo?”, disse. “Se esse pessoal que no passado tentou chegar ao poder usando as armas e que hoje estão presos, se esse pessoal tivesse ganho aquela guerra, imagina como estaria o Brasil”, afirmou, novamente dando a versão que, sem os militares, um regime comunista teria sido instaurado no Brasil. Sobre a polêmica comemoração do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart, Bolsonaro disse que elas ficarão restritas aos quartéis. “Vamos citar as datas, os números. Só isso”, disse.

OAB denuncia Bolsonaro na ONU

Nesta sexta-feira, 29, a OAB e o Instituto Vladimir Herzog denunciaram o presidente Jair Bolsonaro na ONU por ter ordenado que o os quartéis façam “comemorações devidas” no próximo dia 31 de março, dos 55 anos do golpe militar de 1964. A petição cita as recentes entrevistas do presidente, em que ele nega o caráter ditatorial do regime e os crimes cometidos contra a humanidade por agentes do Estado. O documento denuncia a “tentativa do presidente e de outros membros do governo – como o chanceler Ernesto Araújo – de modificar a narrativa histórica do golpe que instaurou uma ditadura militar que, durante 21 anos, aterrorizou o país com uma séria de gravíssimas violações de direitos humanos”.

Reviravolta Sombria

Ao fundo, espalha-se a reação à ordem de Bolsonaro para as “comemorações” militares do golpe de 1964, no domingo (31). Na América Latina, veículos como o jornal argentino La Nación e a revista de finanças mexicana Expansión abordaram a ação “polêmica”, que “representa uma reviravolta na interpretação da história desde que o país recuperou a democracia”. Foram pela mesma linha, entre muitos outros, o espanhol El País, o francês Le Figaro e o alemão Der Tagesspiegel. O Washington Post recordou passagens da “história sombria que o presidente brasileiro quer festejar”, ouvindo vítimas de tortura. Encerrou com a avaliação de que “a falta de responsabilização ajudou Bolsonaro a buscar aplausos em cima de um passado sangrento”.

MPF recomenda que golpe não seja comemorado

Em uma ação coordenada com as Procuradorias da República em, pelo menos, 19 Estados, o MPF emitiu nota para recomendar aos comandos militares e quartéis das Forças Armadas que se abstenham de qualquer tipo de comemoração do golpe militar de 31 de março de 1964. E alerta: “A homenagem por servidores civis e militares, no exercício de suas funções, ao período histórico no qual houve supressão de direitos e da democracia viola a Constituição Federal”.

Human Rights: ‘Bolsonaro celebra ditadura brutal’

A ONG Human Rights Watch criticou a iniciativa do governo federal de autorizar ao Ministério da Defesa a comemoração do golpe de 1964 que depôs o então presidente eleito João Goulart. A entidade lembra que Jair Bolsonaro já dissera que “o erro da ditadura foi torturar e não matar” ao criticar a postura do Brasil de condenar as violações dos direitos básicos em Cuba e na Venezuela. “Bolsonaro critica com razão os governos cubano e venezuelano por violarem os direitos básicos da população. No entanto, ele celebra ao mesmo tempo uma ditadura militar no Brasil que causou um sofrimento indescritível a dezenas de milhares de brasileiros. É difícil imaginar um exemplo mais claro de dois pesos e duas medidas”, disse José Miguel Vivanco, diretor da divisão das Américas da ONG.

Mudando o foco

Ao comentar uma análise de que o presidente Jair Bolsonaro quer comemorar o golpe de 64 porque não sabe como construir o Brasil de 2019, Ciro Gomes afirmou que a ordem presidencial se trata de uma estratégia para mudar de assunto tirar o foco de outras questões. “É isto! Tentar trocar de assunto e coesionar seu bando que está tonto de tanta bobagem produzida em tão pouco tempo!”, escreveu o ex-candidato à Presidência no Twitter.

Freixo: Bolsonaro ‘está celebrando a morte, a tortura’

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que o presidente está “celebrando a morte, a tortura, o extermínio, o suplício de crianças, mulheres, a memória de assassinos”, escreveu no Twitter. Segundo o deputado, que é defensor dos direitos humanos, “é grotesco o presidente da República comemorar crimes contra a humanidade”. Ao finalizar a mensagem, Freixo ainda usou a hashtag #DitaduraNuncaMais, que nesta manhã aparece como o segundo assunto mais comentado no Twitter do Brasil.

Procuradoria critica ‘comemoração’ de golpe de 1964

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão avisou: é “incompatível com o Estado Democrático de Direito festejar um golpe de Estado”, como autorizou o presidente Jair Bolsonaro aos quartéis fazerem em relação aos 55 anos do golpe de 1964. “Se repetida nos tempos atuais, a conduta das forças militares e civis que promoveram o golpe seria caracterizada como o crime inafiançável e imprescritível de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. O apoio de um presidente da República ou altas autoridades seria, também, crime de responsabilidade”, afirmam em nota assinada pelas procuradoras dos Direitos do Cidadão Deborah Duprat e Eugênia Augusta Gonzaga, e também pelos procuradores Domingos Sávio Dresch da Silveira e Marlon Weichert.

Até o Lobão

O cantor e compositor Lobão causou turbulência nas redes sociais após divulgar um vídeo em que critica a ditadura militar e as comemorações defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro aos 55 anos do golpe militar. Conhecido por sua militância à direita e pelos ataques que desfere à esquerda, Lobão disse que o período ditatorial foi "muito escroto" e "uma merda", e que ter saudade do regime militar é uma "estupidez". O comentário gravado por Lobão em seu canal no YouTube foi parar na lista dos assuntos mais comentados do Twitter nesta manhã.

Bom exemplo

Diante da orientação recente de Jair Bolsonaro para que os militares comemorem o aniversário do golpe de 1964 que instituiu a ditadura no Brasil, voltou a circular nas redes um vídeo de 2014 que mostra o vereador Renato Cinco (PSOL) disparando contra o vereador Carlos Bolsonaro (PSC). No plenário da Câmara municipal do Rio de Janeiro, Cinco denunciou o “discurso daquele machão troglodita”, em referência à Bolsonaro, citando o episódio em que o então deputado federal afirmou que não estupraria Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”.

Nossa opinião

“Comemoram o golpe de 64 os desinformados e os lacaios do fascismo, que cinicamente tiram proveito daquilo que os militares nos roubaram – a democracia – para torná-la vulnerável. Que os democratas levantem sua voz: ditadura nunca mais!” A manifestação do pessoal do Congresso em Foco é ecampada pela equipe da Semana On.

PALPITE INFELIZ

Com taxa de desaprovação em ascensão, o presidente chileno Sebastián Piñera disse discordar de Jair Bolsonaro sobre frases já ditas pelo presidente brasileiro relacionadas à ditadura no Brasil, como a de que “quem procura osso é cachorro”, sobre os desaparecidos do Araguaia. “São palavras tremendamente infelizes. Não compartilho muito das frases do passado de Bolsonaro”, informa o jornal chileno La Tercera. A declaração de distanciamento de Bolsonaro foi dada horas depois de uma reunião com o mandatário do Palácio do Planalto. Piñera votou contra a continuidade do regime militar, em plebiscito de 1989.

OLAVO E OS MILITARES

O incômodo da cúpula militar do governo Jair Bolsonaro (PSL) com Olavo de Carvalho cresce à medida que se avolumam os ataques do polemista reverenciado pelo presidente e pelo grupo ideológico que o cerca. O ministro general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, reagiu às ofensas de Olavo aos militares que hoje trabalham no Palácio do Planalto, em especial o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). “Eu nunca me interessei pelas ideias desse sr. Olavo de Carvalho”, disse Santos Cruz. Nem a forma nem o conteúdo agradam a ele,  afirmou. “Por suas últimas colocações na mídia, com linguajar chulo, com palavrões, inconsequente, o desequilíbrio fica evidente”, criticou o ministro.

Me cospe que eu te cuspo

O escritor Olavo de Carvalho rebateu as críticas do ministro general Santos Cruz (Secretaria de Governo), acusando os militares do governo Bolsonaro de serem covardes. “Meus dois livros (um com 23 aninhos de idade) continuam na lista de best-sellers da [editora] Record. Ficarão lá até o Santos Cruz desaparecer da memória nacional”, afirmou o escritor, em uma série de postagens em rede social. “O Santos Cruz, quando ouve conversa de soldados no quartel, fica todo arrepiadinho de horror. Olhe aqui, Santos Cruz: Soldados de verdade falam assim”, disse, postando em seguida vídeo em que policiais militares cantam ‘vai dar merda’ em um curso.

Antecedentes

No dia 16, Olavo de Carvalho, no estado americano da Virgínia, foi uma das estrelas da festa que precedeu a chegada de Bolsonaro a Washington. Lá o polemista disse que Mourão é um “cara idiota”, “um estúpido”, uma figura “que não tem ideia do que é a Vice-Presidência”. “Não o critico, eu o desprezo”, soltou.

Mais rusgas

O conselheiro informal da Presidência, Olavo de Carvalho, voltou a criticar o vice-presidente, general Hamilton Mourão, ao perguntar pelo Twitter se os recentes elogios feitos pelo militar a Jair Bolsonaro eram resultado dos “puxões de orelha” que ele dera no desafeto. E ainda coloca se não seria “excesso de vaidade” fazer a pergunta. Mourão tem ignorado as ofensas, mas, em jantar na casa de Paulo Skaf, afirmou diante de vários convidados que o conselheiro “terá que se haver com a Justiça” na próxima bordoada.

OLHA O NÍVEL

O deputado federal Émerson Petriv, o Boca Aberta (Pros-PR), levou um soco do vereador Amauri Cardoso (PSDB), de Londrina, no último dia 23. Imagens divulgadas na internet mostram o momento em que o vereador acerta um soco no rosto do deputado e o deixa ensanguentado. Os dois têm uma rixa antiga. Em 2017, Amauri votou pela cassação do mandato do então vereador Boca Aberta por quebra de decoro parlamentar. A cassação foi aprovada pelo plenário da Casa, mas ele conseguiu revertê-la na Justiça no ano passado. No hospital, Boca Aberta classificou a agressão como "um ato baixo, medíocre e rasteiro" e anunciou que vai processar o ex-colega. Ele afirma, ainda, que teve vários ossos e dentes quebrados.

FOI O MORDOMO

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, explicou a parlamentares que mensagens postadas em seu perfil oficial no Twitter, com críticas ao PPS e ao deputado Kim Kataguiri, foram escritas por sua assessoria —e não por ela. Joice comunicou aos colegas que fez mudanças em sua equipe. E que, a partir de agora, apenas ela administrará diretamente as redes sociais. As postagens resultaram numa crise, já que a legenda e Kataguiri apoiam a reforma da Previdência —e o governo precisa desesperadamente de votos. 

O imbróglio

A líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), e o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) trocaram ofensas pelo Twitter. "Cara de pau", "oportunista", "moleque" e "pega a chupeta e vai nanar neném" foram algumas das expressões utilizadas no bate-boca virtual. Joice não gostou do comentário em que o colega cobrava coerência do PSL em relação ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PSL) têm atacado Maia menos de dois meses após terem apoiado sua reeleição, alegando que ele era o único dos candidatos que tinha compromisso com a reforma da Previdência.

"Não seja mais oportunista que a média de sempre, Kim. Você não fala pelo PSL nacional. O partido em nenhum momento fez a afirmação citada por você. Honestidade pelo menos com seu seguidor faz bem. Nosso partido segue com o mesmo objetivo: aprovar a reforma da Previdência", respondeu a deputada.

"Tem de ser muito cara de pau para falar em oportunismo. Dizia que Maia era o demônio na Terra, arqui-inimigo da Lava Jato, o símbolo-mor da corrupção. Depois de eleita, passou a ser Maia desde criancinha. Tenha dó. Quer seguir o Carluxo [Carlos Bolsonaro, filho do presidente] e afundar o governo no Twitter também?", respondeu Kataguiri.

"Kim, você está realmente o que sempre foi: um moleque. Só isso e mais nada. Biruta de aeroporto. Seus comportamentos em relação ao Jair Bolsonaro no 1º e 2º turnos da eleição mostra bem isso. Pega a chupeta e vai nanar, neném, deixa os adultos trabalharem", devolveu. O deputado é o segundo mais jovem da Casa, com 23 anos.

Pau no PPS

Num instante em que apoiadores da reforma da Previdência viraram uma desesperada utopia que o Planalto persegue no Congresso, duas deputadas do PSL, partido de Jair Bolsonaro, agrediram no Twitter um dos raros partidos que se declaram a favor da matéria. Carla Zambelli e Joice Hasselmann, ambas do PSL de São Paulo, ironizaram a decisão do PPS de trocar de nome, rebatizando-se de Cidadania. Líder de Bolsonaro no Congresso, Joice lembrou que "o partido ainda consta como membro do Foro de São Paulo, no site da organização". O deputado Daniel Coelho (PE), líder do Cidadania na Câmara, reagiu: "Lamentável", disse, em vídeo. Ao cair-lhe a ficha, Joice telefonou para Daniel Coelho. Desculpou-se. Disse que havia apagado das redes sociais a ironia pouco refinada. Pediu ao interlocutor que também excluísse do Twitter as observações que fizera sobre o entrevero. Não foi atendida. Daniel Coelho manteve no ar o vídeo e os posts em que realça que seu partido defende a mexida na Previdência "sem pedir nada em troca", ao contrário do que sucede com parlamentares do próprio PSL.

SABE NADA

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou que vai entrar com uma ação judicial pedindo a transferência do traficante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCCP), levado para o Presídio Federal de Brasília, anexo ao Complexo Penitenciário da Papuda. Para Ibaneis, ao determinar a vinda do líder do PCC para Brasília, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, demonstra seu completo desconhecimento sobre segurança pública. “Já pedi à Procuradoria uma ação judicial com base na Lei de Segurança Nacional. Essa atitude do ministro Moro demonstra que ele não sabe nada de segurança. Você não pode trazer um criminoso desse quilate, que arrasta com ele todo o crime organizado [para a capital do país]”, reclamou o governador, que foi surpreendido com a chegada do criminoso na manhã de ontem.

LULA NO SÍTIO?

Com obras paradas desde 2017, a prefeitura de São Bernardo do Campo autorizou a retomada das atividades na propriedade de cerca de 20 mil m² da família do ex-presidente Lula às margens da represa Billings. Segundo o Estadão, a reforma e modernização do local seriam feitas para deixar a propriedade à disposição de Lula caso um eventual pedido dele de prisão domiciliar seja aceito pelo STF. A licença para as obras foi assinada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB) semana passada.

TROPEÇANDO NA LÍNGUA

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) trava um relacionamento conflituoso com sua língua. Voltou a tropeçar nela durante a visita do pai-presidente ao Chile. Depois do tombo, levou um vídeo às redes sociais para culpar a imprensa pelas escoriações. Numa entrevista, o filho 'Zero Três' de Jair Bolsonaro ecoou Donald Trump: "Todas as opções estão sobre a mesa", repetiu, ao falar dos planos para apear Nicolás Maduro do Poder na Venezuela. Indagado sobre sua opinião pessoal em relação à hipótese de uma intervenção militar, o deputado sapecou: "Ninguém quer uma guerra. Guerra é ruim porque haverá perda de vidas. Há consequências colaterais. Mas não creio que Maduro vá sair do poder de uma forma pacífica. De alguma maneira, em alguma hora, em alguma medida, será necessário o uso da força porque Maduro é um criminoso." As declarações deixaram de cabelos hirtos os militares brasileiros. Jair Bolsonaro foi compelido a negar que o Brasil cogite entrar numa aventura militar na Venezuela: "Tem gente divagando sobre isso. De nossa parte não existe essa possibilidade." O próprio Eduardo Bolsonaro, em litígio permanente com sua língua, teve de desmenti-la. Depois, atribuiu o vexame à imprensa.

O MINISTRO E OS INDÍGENAS

O ministro da Saúde, Mandetta, já assumiu em janeiro dizendo que mudaria a saúde indígena e levantando suspeitas (sem provas) sobre os gastos na área e os contratos com ONGs. Esta semana, organizações indígenas e o Fórum de Presidentes dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena denunciaram que os cortes de pagamentos desde a posse está levando ao risco de morte. Na Folha, uma reportagem de Rubens Valente diz que 13 mil funcionários do setor  em todo o país estão com os salários atrasados. A matéria examina mais especificamente uma unidade de saúde em Brasília, a Casai (vinculada ao Ministério) que acolhe e acompanha indígenas que passam por tratamentos, incluindo crianças com câncer. Desde a posse de Mandetta, o abrigo está sem receber dinheiro para a alimentação e para bancar os salários. Teve que começar a devolver as pessoas às suas aldeias e procurar vagas em outras unidades. A reportagem procurou a pasta, e a resposta foi que alguns contratos estão em fase de finalização e em breve os repasses serão regularizados. 

FOGO NO CABARÉ

O ministro da Justiça, Sergio Moro, disse na quinta-feira (28) que o “tempo e a pauta” pertencem ao Congresso. A afirmação foi feita depois de uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após dias de clima ruim entre os dois. Na semana passada, Maia chamou Moro de “funcionário de Bolsonaro" e a aliados reclamou das cobranças do ministro da Justiça para pautar o pacote anticrime.  O projeto de mudanças na lei é a principal bandeira do ex-juiz desde que ele chegou ao governo.  A reaproximação ocorre em meio ao auge da crise entre Maia e Bolsonaro. Os dois têm trocado farpas desde o fim da semana passada, sobre a articulação política da Previdência. O presidente da Câmara disse na quarta-feira (27) que Bolsonaro “brinca de presidir” o país.

Meus palanque

Enquanto o presidente Rodrigo Maia diz que Jair Bolsonaro deve dedicar menos tempo ao Twitter e mais tempo à articulação da reforma da Previdência com o Congresso, o “pitbull” Carlos Bolsonaro foi justamente à rede social defender que o pai deve continuar se comunicando com seu eleitorado pela internet. Na visão do vereador e polemista, quem sugere que Bolsonaro diminua a intensidade nas redes sociais na verdade quer o presidente desconectado do “povo”. “Foi isso (a comunicação via internet) que garantiu sua eleição, inclusive. Em outras palavras, o querem fraco e sem apoio popular pois assim conseguiriam chantageá-lo”, escreveu Carlos.

Olavo xingador

Olavo de Carvalho, o “guru intelectual” do governo Bolsonaro, que sequer tem formação acadêmica, usou mais uma vez de seu habitual linguajar chulo para desferir ataques. Desta vez o alvo foi Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados que sequer poderia ser considerado inimigo de Jair Bolsonaro, mas que assim é classificado pelo “astrólogo”. “O Nhonho quer articular cu com piroca. A piroca dele e o cu nosso”, escreveu Carvalho, em seu Twitter. A declaração de Olavo, uma das pessoas mais próximas de Bolsonaro e seus filhos, vem em meio a uma crise que já dura semanas entre o Congresso e o governo. Parlamentares tem criticado o presidente pela sua falta de articulação para aprovar projetos como a reforma da Previdência e a troca de farpas entre o grupo governista e os deputados tem ficado cada vez mais intensa.

MARUN DE FORA

O desembargador do TRF-4, Rogério Favreto (o mesmo que durante um plantão da Corte tentou soltar o ex-presidente Lula), afastou o ex-ministro Carlos Marun do Conselho da Itaipu Binacional. A justificativa de Favreto para a decisão foi com base na Lei das Estatais, que diz que ministros de Estado não podem participar de Conselhos de empresas estatais. Como Itaipu é binacional, havia uma brecha para a participação de Marun, mas o Tribunal de Constas da União emitiu um parecer dizendo que a regra deveria também valer para a administração da hidroelétrica. Claro que Marun não gostou nenhum pouco da decisão. Ele disse que, assim como ocorreu no caso Lula, Favreto “errou” e avisou que irá recorrer da decisão. “Vou reagir a ela porque trata-se de decisão evidentemente ilegal. Claro que isso chateia, constrange porque vem de quem deveria ter serenidade e isenção para tomar decisão como essa. Mas em breve isso será reparado.”

MATOU O PAÍS E FOI AO CINEMA

Em um compromisso fora da agenda oficial, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi ao cinema na manhã de terça-feira (26) antes de iniciar seus compromissos de trabalho. Ele foi à sessão com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, para a pré-estreia do filme “Superação, o Milagre da Fé”, em um shopping da capital federal. A presença do presidente na sessão de cinema foi uma sugestão da primeira-dama, que é evangélica e atuava como tradutora de libras em sua igreja. A ministra da Mulher, Damares Alves, também acompanhou a sessão. Segundo ela, o filme foi “espetacular”, e o casal presidencial se emocionou. “É um filme totalmente inclusivo. Cinema cheio de surdos, surdos se emocionando. Mãe surda com filho surdo podendo assistir a um filme”, disse a ministra, que acrescentou que compareceu a convite da primeira-dama. ​Inspirado em uma história real, o filme de produção americana conta a história de John Smith, 14, que se afogou no lago St. Louis, nos Estados Unidos, e foi considerado morto ao chegar no hospital. Sua mãe, Joyce Smith, inicia orações para que o filho sobreviva e acontece um milagre...

ELE SEGURA E EU COMO

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina anunciou que vai pedir explicações a um desembargador que enviou um vídeo com declarações de conotação sexual e machista a um grupo de juízas. Na gravação que circula pelas redes sociais, o desembargador Jaime Machado Junior aparece ao lado do cantor Leonardo. Depois de citar o nome de cinco magistradas às quais dirigiu o vídeo, ele mostra a elas que está acompanhado do cantor, que manda beijos para elas. Em seguida, o desembargador diz: "Nós vamos aí comer vocês. Ele segura e eu como". Os dois gargalham na sequência. Suprimimos o som no momento em que ele diz o nome das juízas.

Depois que o vídeo vazou, o desembargador divulgou uma gravação na qual afirma que tudo não passou de uma "brincadeira" com amigas juízas do município de Lages (SC). Ele pede desculpas se, "eventualmente", ofendeu alguém ou "se tiver outra interpretação". Jaime diz ainda que é uma pessoa "irreverente".

No início da noite, o desembargador divulgou uma nota (íntegra abaixo) por meio da assessoria do Tribunal de Justiça em que admite que errou, foi "infeliz" com uma declaração que "reforça uma cultura machista que ainda é latente em nossa sociedade". Jaime afirma que espera que o caso sirva de lição para ele e "todos os homens que tratam um assunto muito sério como se fosse brincadeira".

MAIA É NEGÃO

Pois é. Comemoramos o aumento do número de deputados federais negros com as últimas eleições, chegando a 125. No Intercetp temos a matéria de Bruno Souza, que foi atrás de descobrir quem são estes 125 e por que se declararam pretos ou pardos. No fim das contas, um deles é Maia, que no entanto não quis responder a suas perguntas. Outros disseram que aconteceu algum engano, pois na verdade nunca se autodeclararam negros. 

INCOMPETENTE

Demitido pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, da presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Texeira (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues afirmou ao GLOBO que o ex-chefe é "gerencialmente incompetente" e "não tem controle emocional" para comandar a educação brasileira. Apesar de classificar Vélez como uma "pessoa do bem", Marcus Vinicius desqualificou a formação acadêmica do ministro, dizendo que ele "não teve acesso a boas faculdades" e disse que Vélez é "refém" das próprias limitações.

Gente doida

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, criticou a brigalhada em que se transformou o Ministério da Educação. “Bolsonaro nomeou vários ministros que claramente não dão conta de tocar suas pastas. Isso acontece. Mas o que ele fez no MEC, com essa gente maluca brigando sem trégua, passa de qualquer limite. Educação deveria ser a grande prioridade de um país. Sempre foi nos nossos governos!”.

Vergonha Alheia

Uma deputada de 25 anos se destacou com um bombardeio de perguntas e críticas na audiência pública na Câmara com o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, na quarta-feira (27). A paulista Tabata Amaral (PDT) cobrou uma proposta do ministro para a área, chamou-o de incapaz e sugeriu a ele que, diante da falta de projetos, pedisse demissão do cargo: "Mude de atitude ou saia do cargo". O vídeo viralizou e se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter.

FANTASMAS DE DAMARES

Damares Alves está comemorando o mês da mulher em grande estilo. O ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos promoveu em Brasília o evento “O protagonismo da mulher jovem no Brasil’, com um painel sobre ‘“As armadilhas do feminismo”. Para palestrar, Ana Caroline Campagnolo: aquela jovem professora e agora deputada do PSL que se criou em cima de polêmicas do tipo viralizar em foto com cara fofa e arma na mão, fazer projeto de lei prevendo que alunos gravassem professores etc. Seguidora de Olavo de Carvalho, a deputada tem um livro (sim) chamado “Feminismo: perversão e subversão”, em que “revê a trajetória do feminismo, confrontando as alegadas motivações e supostas conquistas do movimento com suas reais consequências na história cultural do Ocidente e, em especial, do Brasil”.

Haja ânimo...

A jornalista Anna Virginia Balloussier, da Folha, esteve lá e conta como foi. Ana Carolina defendeu aquela coisa de rosa versus azul, porque afinal “meninas têm certas preferências e tendências”; disse que algumas gritas feministas, como no combate à violência, são exageradas, porque “a maior parte das mulheres não sofrerá estupro ou agressão física” ao longo da vida; e que “o privilégio de ser mulher” não é uma invenção cultural. Sobre a filósofa Judith Butler, referência nos estudos de gênero, a crítica da palestrante se voltou à sua aparência. Afinal, de cabelos curtos, “ela perdeu nela mesmo todas as feições femininas”. A painelista disse ainda que o livro mais famoso de Beauvoir acerta numa coisa: mulheres são o segundo sexo, porque a Bíblia mesmo explica que primeiro Deus criou o homem. Ah, ela também falou sobre o que considera uma injustiça para com os homens: há muitos livros dedicados ao prazer sexual feminino e, para o masculino, pouquíssimos. Antes de começar o evento, Balloussier perguntou a Damares sobre 1964: se achava que tinha havido golpe ou revolução. A ministra não respondeu, mas lhe entregou uma flor. 

RECEPÇÃO CARINHOSA              

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) desistiu de sua agenda em São Paulo no último dia 27. Ele visitaria a Universidade Presbiteriana Mackenzie, mas abortou a missão após uma mobilização de estudantes contrários à sua presença. Os manifestantes repudiam a recomendação do político para que as Forças Armadas comemorem o golpe civil-militar de 1964.

IMBECIL E CORRUPTO

Em entrevista ao jornal português Diário de Notícias, o ex-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT-CE) — no melhor estilo Ciro Gomes de dar declarações — não poupou críticas ao governo de Jair Bolsonaro e ao ex-presidente Michel Temer, a quem considera a prisão chegou tardiamente. O ex-governador do Ceará citou uma série de acontecimentos recentes para dizer que o “capital político do governo está se decompondo”, enquanto a “máscara começa a cair”. “O que gerou esse fenômeno de eleger um despreparado, um semi-analfabeto — não no sentido de leitura, mas no sentido de compreensão da vida — como o Bolsonaro, um maluco, em rigor, um imbecil — uma palavra dura para se dizer de um presidente mas é um imbecil — foi a onda antipetista”. Sobre Temer, que foi preso no último dia 21 de março e solto quatro dias depois, Ciro disse que ele “merecia estar condenado e preso talvez há 10, 20 anos. Mas até hoje não remanesce ainda formalizada nenhuma condenação”.

PUNIDO POR TRABALHAR

Após ser exonerado de um cargo de chefia no Ibama, o servidor José Olímpio Augusto Morelli, que em janeiro de 2012 multou o então deputado federal Jair Bolsonaro por pesca irregular numa estação ecológica no litoral fluminense, afirma que houve motivação política na sua demissão e acredita que outras se seguirão. “Vejo tempos sombrios no Ibama”, disse em entrevista à revista Piauí. O nome do substituto de Morelli ainda não foi anunciado pelo Ministério do Meio Ambiente. Por ser funcionário concursado, o engenheiro agrônomo segue no Ibama, sem função definida por enquanto. Questionado sobre se enxergava ligação entre sua exoneração e a multa aplicada a Bolsonaro, o servidor do Ibama afirmou que “a conexão é total”. “Fui punido por ter feito minha obrigação”, alegou.

NÃO DÁ...

O nível de incompetência do Ministro das Relações Exteriores do Brasil é inacreditável.

Minha foto

Em uma ação que causou constrangimento entre diplomatas, a Presidência da República ligou para embaixadas estrangeiras em Brasília nesta semana e comunicou que lhes enviará uma foto oficial do presidente Jair Bolsonaro. A movimentação causou forte embaraço entre diplomatas estrangeiros, que consideraram o gesto fora da praxe das relações entre países. Sob condição de anonimato, chefes de missões diplomáticas em Brasília confirmaram a ligação e afirmaram que “não faz sentido” o envio de uma foto de Bolsonaro para as representações de outros países, uma vez que elas, embora localizadas no Brasil, são "extensões" de governos estrangeiros. O caso também gerou estranhamento entre diplomatas brasileiros. Segundo eles, o comum é o governo enviar as fotografias oficiais do presidente às embaixadas e consulados brasileiros no exterior.

LIBERA GERAL

Aplaudido euforicamente por empresários pró-Bolsonaro, Luciano Hang, dono da Havan, criticou a Receita Federal e pediu o fim do E-Social, projeto do governo federal para unificar o envio de informações trabalhistas e previdenciárias, que tem como principal objetivo reduzir a sonegação de impostos Voz ativa entre empresários que elegeram Jair Bolsonaro (PSL), Hang esteve no planalto na terça-feira (26) com um grupo de empresários – entre eles, Flávio Rocha, da Riachuelo. “Eu entreguei lá, para o secretário, uma pauta para desburocratizar a nossa vida. E a primeira delas é acabar com o E-Social. E-Social é uma putaria do cacete. E isso está ligado com a Receita Federal”, disse Hang, que foi aplaudido euforicamente. Segundo ele, o governo tem que acreditar nos empresários. “Nós somos contribuintes e o governo que acreditar na gente. E no Brasil é o contrário. Você é culpado até que prove que é inocente”, disse.


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Colunista

Victor Barone

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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