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Domingo 20.mai.2018

Ano VI - Nº 303

Prefeitura

Coluna Zapping Visual

Série de fotografias mostra fosso entre sonho e realidade na Índia

Sonhos Ruins de Cidade, de Arthur Crestani, mostra contrastes urbanos da grande economia que mais cresce no planeta

Postado em 19 de Abril de 2018 - João Pedro Caleiro – Exame

A Índia é hoje a grande economia que mais cresce no planeta. No processo, milhões de pessoas deixam a pobreza e cidades são transformadas radicalmente do dia para a noite.

Mas isso muitas vezes exacerba desigualdades. Os 10% indianos mais ricos acumulam 55% da renda nacional, exatamente o mesmo nível do Brasil, segundo o último World Inequality Report.

Mostrar estes contrastes é a ideia da série “Sonhos Ruins de Cidade”, de Arthur Crestani, um francês de 27 anos que estudou ciência política e planejamento urbano antes de se graduar em fotografia.

“A realidade se perde por trás da fachada brilhante de cidades ‘globais’ com a promessa de amenidades de ‘padrão mundial’ (…) Referências a Singapura, Dubai e países ocidentais estão em todo lugar. Elas ocultam as fraquezas gritantes, que infraestrutura e serviços públicos são inexistentes. No entanto apesar de suas limitações, esses projetos tem apelo para uma aspirante classe média urbana”, diz ele.

A história de Crestani com a Índia começou em 2010, quando ele foi fazer um intercâmbio de um ano em Nova Delhi – cidade que viraria sua “segunda casa”, entre visitas de trabalho e lazer, nos anos seguintes.

O processo da série urbanística começou com a coleta de material em várias feiras imobiliárias de Gurgaon, uma cidade-satélite a 20 quilômetros de Delhi que cresce rapidamente.

O fotógrafo digitalizou os catálogos e imprimiu reproduções em grandes cartazes de PVC que então instalou em locações chamativas.

Ele disse que o maior desafio foi prosaico – conseguir estabilizar os pôsteres diante de ventos – já que não faltou colaboração dos indianos.

“O novo tecido urbano de ilhas isoladas de prosperidade exclui a maior parte da população: são os imigrantes urbanos e aldeões retirados, que seguem vitais para a cidade. São as pessoas que você encontra nas ruas, em construções e em terrenos baldios. Eles também são parte da realidade que o discurso sobre a modernidade tende a apagar”, escreve Crestani.

O objetivo declarado do fotógrafo é gerar em quem vê a série o mesmo senso de “empatia inquieta” que ele sentiu em relação aos seus fotografados. Veja algumas fotos:


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Colunista

Elis Regina Nogueira

Elis Regina Nogueira

Elis Regina Nogueira vive e trabalha em Campo Grande (MS). Jornalista, com Pós Graduação em Comunicação Social, tem seu trabalho focado na produção de imagens e no audiovisual.


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