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Quarta-Feira 11.dez.2019

Ano VIII - Nº 374

Coluna Conexões

A financeirização sem fim e o caso do HSBC

Um exemplo da apropriação privada dos recursos coletivos.

Postado em 06 de Março de 2015 - Bruno Lima Rocha

O HSBC já fora pego em outras situações bem O HSBC já fora pego em outras situações bem "delicadas" como foi o caso de sua agência central em NYC.

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Como se sabe, no Brasil se sonega mais imposto do que se paga de carga tributária. E essa mesma carga tributária incide mais sobre o salário, consumo e as taxas sobre as necessidades básicas (como água, luz, combustíveis, telefonia e transmissão de dados, dentre outras rubricas afins) do que sobre a riqueza e os dividendos.

Assim, a massa de capital retida, trancada por parte de grandes investidores, somada com as ações corruptas na relação do aparelho de Estado com os grandes agente econômicos, faz com a riqueza desapareça na forma de obrigações financeiras e depósitos em base digitais. A sonegação e a evasão de divisas necessitam de um recipiente, vários por sinal, formas de receber as divisas evadidas.

Quem conhece um pouco - só um pouco, apenas trabalhando com fontes abertas como acadêmico, jornalista ou curioso - compreende que a compensação financeira é algo bastante complexo e necessita circular por redes de telemática e não com troca de emails ou como eram os faxes na década de "ouro" do neoliberalismo, os tenebrosos anos '90 do século XX. Tais redes operam em circuito e com intranets de espelho como redes de confiança.

Não há fiscalização supra-estatal sobre esta movimentação financeira. Logo temos uma governança de fato dos bancos que declaram sua movimentação e não contam com alfândega ou aduana digital-virtual para taxar entrada e saída de depósitos. Em suma, este é o modus operandi meio que consensual da fraude bancária, podendo ser mais ou menos sofisticado.

Os recursos podem trafegar por paraísos fiscais ou mesmo por "respeitáveis" instituições financeiras, como é o caso do banco inglês criado na China para lavar e transformar em recursos de investimento a acumulação obtida com o tráfico de ópio e outras formas de pilhagem inglesa - em nome de sua majestade - na decadente dinastia Ching (Qing) do século XIX. O HSBC já fora pego em outras situações bem "delicadas" como foi o caso de sua agência central em NYC e agora o fato indefensável de lavagem e fraude fiscal e receptação de recursos de corrupção e sonegação se deu na Suíça, a "que lava mais branco" segundo os críticos do mercado financeiro, como o ex-parlamentar e professor de Geneva e Sorbonne Jean Ziegler.

Este link da Carta Maior aponta para textos que estão irrepreensíveis e valem a pena serem lidos, debatidos e compartilhados. Eu, com esta postagem, estou quase fechando o artigo de análise a partir do caso do HSBC Suíça.


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Bruno Lima Rocha

Bruno Lima Rocha

Bruno Rocha é jornalista, mestre e doutor em ciência política pela UFRGS. Está vinculado aos setores mais combativos do movimento popular gaúcho e do cone sul.


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