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Quarta-Feira 28.jun.2017

Ano V - Nº 260

Camara

Coluna Conta Gotas

Conde Temeraire

A política, no que ela tem de mais constrangedor, com o jornalista Victor Barone

Postado em 16 de Junho de 2017 - Victor Barone (Interino)

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O presidente Michel Temer (PMDB) pode se tornar personagem de um jogo de tabuleiro com temática pós-apocalítica zumbi. A CMON está promovendo uma campanha de financiamento coletivo para uma nova expansão de Zombicide e dentre as novidades está a presença do presidente como um novo vilão. No jogo, o político seria transformado no Conde Temeraire, um “sugador de sangue necromante corrupto que não se contenta em somente sugar o seu sangue”. Piadas de que Temer seria um vampiro já correm soltas na internet há anos, mas parece que ela chegou aos ouvidos franceses. E é bem possível que semelhança seja intencional: o personagem foi desenhado por Thiago Aranha, brasileiro envolvido no projeto. Zombicide é um jogo de tabuleiro cooperativo onde humanos, em uma cidade infestada por zumbis, devem derrotar hordas de mortos-vivos.

Ctrl C + Ctrl V

O desembargador Francisco Chagas Lima, do TRT-MS, foi condenado a pagar indenização de R$ 54 mil para o professor de Direito da Universidade Federal da Bahia, Paulo César Santos Bezerra, por supostamente plagiar a obra do baiano em sua tese de mestrado. A 3ª Turma do STJ manteve a condenação do Tribunal de Justiça da Bahia pela maioria dos votos. Para a Corte, o desembargador reproduziu a obra do professor com trechos de sua opinião e, em outros momentos, trechos completos do autor, "apenas efetuando determinados hipérbatos, flexões verbais diferenciadas ou outros tantos meios de evitar a identificação da correlação entre as obras". Francisco defendeu-se argumentando que só utilizou ideias do autor e fez referências a Bezerra em nove oportunidades na tese de mestrado. No entanto, no acórdão, os desembargadores destacam que, apesar de plágio se tratar de lesão de difícil constatação, a tese apresenta diversos trechos transcritos quase que literalmente. O magistrado ainda pode recorrer da decisão.

Funaro

Interessado em firmar um acordo de colaboração com a Justiça, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga Michel Temer. Ele admitiu ter atuado como operador de esquemas que abasteceram o caixa dois do PMDB com verbas de corrupção. Declarou que Temer tinha pleno conhecimento de que as campanhas da legenda eram vitaminadas com recursos provenientes de propinas.

Preparando o enterro

Prestes a ser acusado formalmente de corrupção pela Procuradoria-Geral da República, Michel Temer articula o sepultamento da denúncia na Câmara para antes do início das férias do Legislativo, em 18 de julho. Mas um enterro assim, a toque de caixa, tornou-se uma hipótese remota. Responsável pela denúncia, o procurador-geral Rodrigo Janot, que corria contra o relógio, já não exibe tanta pressa. Em privado, afirma que a peça acusatória pode ser enviada para o Supremo Tribunal Federal apenas na última semana de junho. Respeitados todos os prazos processuais e legislativos, a deliberação dos deputados seria fatalmente empurrada para o segundo semestre.

Tucano tonto

Três dias depois que o PSDB renovou seu apoio a Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra dos tucanos, defende a antecipação de eleições gerais. Há menos de um mês, FHC dizia que antecipar eleições, uma bandeira do PT, seria um “golpe”. Mas o líder máximo dos tucanato mudou de ideia. Ele agora avalia que, pelo andar da carruagem, pode haver uma erosão do poder, que levaria as ruas a exigirem a antecipação do voto. Está difícil de entender. O PSDB ameaçou desembarcar do governo. Terminou confirmando o casamento com um presidente prestes a ser denunciado por corrupção, cujo staff político é composto de presos ou investigados. FHC apoiou a decisão. Agora, diz que “preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado…”

Volta…

Um dia depois de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) dizer que um gesto de grandeza de Michel Temer seria pedir antecipação de eleições gerais, a página oficial do tucano no Facebook publicou texto do colunista da Folha Bernardo Mello Franco sobre pedido de realização de nova disputa eleitoral e adicionou a hashtag #voltafhc. Xico Graziano, que cuida das redes sociais de FHC, excluiu o post e afirmou que foi um erro de sua equipe. FHC disse que falta legitimidade a Temer para governar, que o país vive um tipo de “anomia” e condicionou a permanência do PSDB no governo à superação da crise política.“Se tudo continuar como está, com a desconstrução contínua da autoridade [de Temer], pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo”, escreveu o tucano.

Quero meu dindin

O ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB), o ex-secretário da Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) João de Marco e outras 27 pessoas vão ter que encarar outro pedido de bloqueio de bens. Desta vez, cinco promotores querem “guardar” R$ 369 milhões deste pessoal. Eles suspeitam que todos estejam envolvidos em um esquema de desvio de recursos públicos apoiado pelo serviço de tapa-buracos realizado na capital entre 2010 a 2012. O Ministério Público Estadual sustenta que houve um “esquema para lesar os cofres públicos, que se dava por meio de direcionamento de licitações para determinadas empresas, mediante adoção de cláusulas restritivas para habilitação nos certames; de sobrepreço dos serviços contratados; da execução fraudulenta dos serviços pelas empresas e de execução mais onerosa que a normal”. Eita…

Missioneiro

O deputado federal Carlos Marun (PMDB) está acostumado a missões difíceis. Defensor número um do ex-presidente da Câmara Federal, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - que permanece preso em Curitiba, presidente da Comissão Especial que analisou a Reforma da Previdência na Casa, e braço direito do presidente Michel Temer (PMDB-SP), ele agora assumirá a árdua e impopular missão de angariar votos no Congresso para aprovar o texto da reforma.


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Liziane Berrocal

Liziane Berrocal

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